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Vigiar e Punir - Foucault

Iniciado por edgard em 02/12/2006 · 7 mensagens

edgard#1
Alguém já leu este livro? Tenho algumas semanas para me preparar para uma discussão sobre a obra e a interpretação da política prisional a partir dela, e gostaria de saber a opinião dos membros da comunidade que já leram...
pedro_8#2
nao li e nao gostei
inocncio#3
Uma vez conheci uma garota na internet que disse que tinha usado drogas por muitos anos e fora mandada a um instituição de recuperação. Quando saiu, apesar de sua família ser muito rica começou a roubar para comprar drogas. Primeiro roubou nas ruas, depois começou a roubar a própria família. Uma vez fora pega roubando dentro de casa e quando repreendida pelos seus pais acabou por brigar com eles ( inclusive com violência física) e saiu de casa. Na rua passou a traficar e roubar para pagar o próprio vício. Um dia acabou matando um usuário por não ter pago o que devia e foi para a cadeia. A família com bons advogados conseguiu envia-la a um hospício onde se tratou.
Bom, ela me disse que lendo "Focault" viu que dentro do hospício nenhum médico tinha autoridade nenhuma para chama-la de louca. Comparou os médicos e os tratamentos anti-loucura a um mini campo de concentração. Acabou escrevendo uma peça de teatro e naquela época ela mesma participava das encenações sobre as suas experiências "aterrorizantes" dentro do hospício. Claro, o teatro é sempre o último degrau de degradação que percorrem indivíduos com um carma assim.
Sei que no fim de nosso curto período de conversas pela internet, quando tentei fazer alguma crítica sobre essa situação toda, ela ainda me acusou de "pequeno burguês" e se colocou na vítima de uma sociedade "cruel e insensível". Conclusão: A culpa dela ser uma drogada, louca e assassina era minha.
hlio#4
PQP ! Todo mundo que estuda direito está sendo obrigado a ler este chato ! Tem que colocar isto em tudo quanto é monografia
mateus_5#5
Eu li e achei um lixo.

Como bem disse um autor alemão, que agora me foge o nome, sociólogos deveriam ficar longe do direito penal. Eles têm a tendência de ver o direito penal com a visão histórica, pensando na pena como uma evolução temporal. Quando na verdade o direito é um fato social. Ele tem que representar o momento da sociedade.

Foucault claramente trata a redução das penas como uma evolução histórica, como se a prisão, atualmente, fosse algo ultrapassado simplesmente porque foi introduzida como alternativa à uma pena mais dura há séculos atrás.

Isso é um absurdo. O direito tem que responder às necessidades do momento. Abrir as cadeias, ou as tratar como "monstruosidades arcáicas" é o pensamento dos levianos, dos que usam a linha do tempo e a visão histórica como uma desculpa para suas ideologias obscuras.

Foucault pega descrições de penas que soam absurdas nos tempos atuais, como a que o criminoso é preso com os braços e pernas acorrentados em cavalos. Então os cavalos iriam cada um para o lado separando os membros do criminoso como uma estrela. A partir daí ele mostra a "evolução" até a cadeia, e usa os excessos de diferentes momentos históricos como justificativa para sua "evolução penal".

Em resumo: um lixo. Infelizmente, como todo lixo amoral, encontrou ampla aprovação nos meios acadêmicos brasileiros, inclusive tendo sido bandeira de alguns penalistas, como o falecido Evandro Lins e Silva. Este cidadão, grande defensor de bandidos, era aplaudido quando defendia "o fim das cadeias e das penas restritivas de liberdade". E por aí vai.
uriel#6
.

confesso que gosto de ler Foucalt, Baudrillard etc e Nietzsche.

aliás, Nietzsche dá de dez a zero nesses pós-modernistas, desconstrucionistas etc.
hector#7
primeiro, Foucalt não é evolucionista. Ele não coloca os diferentes tipos de pena dentro de uma escala evolutiva, ele coloca como reflexo de uma política de dominação. Ou seja, as formas de exercer poder se alteram na história como se alteram as instituições correspondentes dessas formas.
O caso do cavalo por exmplo era muito comum na idade média, assim como execuções em praças públicas, esquartejamentos com exposição dos pedaços poruque na incapacidade dos governantes em vigiar seus governados, as penas deveriam servir de exmplo para que ninguem mais repetisse o erro daquele condenado.
O panoptismo significou uma revolução nesse quadro porque possibilitou maior capacidade de controle sobre as pessoas, ao mesmo tempo em que as pessoas sentiam a necessidade de se auto-regular.
Hoje vemos a substituição desse modelo por um modelo chamado, se não me engano, de modelo de contigencia. O controle se dá por populações, ou seja, cria-se condições favorávei para a proliferação de um crime em um lugar em detrimento de outro, assim se isola o problema num determinado local e promove a sua manutençaõ nesse local cuidadando para que ele não saia de lá e não afete mais espaços. Exmplo: Campo de concentração, tráfico de drogas no morro etc etc

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