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A capital das monstruosidades (Voltaire Schilling)

Iniciado por gbschmitt em 26/10/2009 · 7 mensagens

gbschmitt#1
Desde que Marcel Duchamp, um ex-artista cubista, francês de nascimento que escolheu os Estados Unidos como residência, mandou um urinol para ser exposto numa galeria de Nova York e, quase em seguida, em 1915, montou uma roda de bicicleta equilibrada sobre um pequeno banco e a fez passar por obra de arte, abriu-se a Caixa de Pandora dos horrores estéticos que a partir de então invadiram o cenário das exposições de arte.

Para acentuar ainda mais o seu deboche para com o que até então se entendia como arte, Duchamp, um pândego, um moleque crescido, pintou um belo bigode numa imagem da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, ícone da pintura ocidental. Como ele não foi confinado num manicômio nem encarcerado por ofensas ao patrimônio estético (interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!), parte da vanguarda artística ocidental tomou-o como um profeta dos novos tempos. Estabeleceu-se então um deus nos acuda.

Todavia, o que particularmente nos chama a atenção como cidadãos desta nossa capital, que mais uma vez se vê intimidada pelo flagelo de uma nova “instalação”, é a notável concentração de “esculturas” e “monumentos” absolutamente espantosos. Um pior do que o outro.

Nosso calvário começa por aquela mandada erguer pelos burgueses do bairro Moinhos de Vento para celebrar sua vitória em 1964 que se encontra no Parcão (homenagem ao marechal Castello Branco, mas que também pode referir-se ao desembarque de um extraterrestre), chegando ao hediondo “timão” situado na rótula que antecede o museu Iberê Camargo.

Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).
gbschmitt#2
Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).

Este colar sem fim de mau gosto que nos assola ainda é composto pelo “cuiódromo”, encravado na rótula da Praça da Harmonia (obra que por igual pode ser entendida como a exaltação de um superúbere de uma vaca premiada), e por um tarugo de ferro enferrujado que adentra o Rio Guaíba nas proximidades da Usina do Gasômetro e que se intitula, pasmem, Olhos Atentos.

Nem os que foram perseguidos pelo regime militar escaparam destas maldades estéticas. O “monumento” que os lembra, erigido no Parque Marinha do Brasil, nos faz supor que eles continuarão atormentados ainda por muito tempo mais.

A gota d’água derradeira destas perversidades que acometem contra nós, pobres porto-alegrenses, foi a inauguração recente da Casa Monstro, situada na Rua dos Andradas. Pelo menos o autor, um jovem paulista, enfim alguém sincero no ramo, não a escondeu atrás de um título esotérico ou poético: é monstruosa, sim!

Trata-se da reprodução de um tumor que, inchado, é expelido pelas aberturas da construção e vem se mostrar aos olhos dos passantes, tal como se fora um abdômen de um canceroso recém aberto pelo bisturi de um cirurgião. Como se vê, uma maravilha!

Minha interrogação, depois de passar rapidamente os olhos sobre este vale de horrores que nos circunda, é por que Porto Alegre, cidade aprazível, moderna, povoada por gente simpática, habitada pelas mulheres mais belas do país e que abrigou artistas como Vasco Prado, Xico Stockinger e Danúbio Gonçalves, termina por excitar o pior lado de muitos que por aqui vêm expor?

Dizem-me que eles deixam estas abominações como doação (por não encontrarem compradores e não quererem arcar com o translado) e a infeliz prefeitura, constrangida, não tem como lhes dizer não.

Faço desde já um
gbschmitt#3
Faço desde já um apelo ao secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, se este ano tal ameaça se repetir, mobilize-se. Levante recursos, promova uma ação entre os amigos da cidade para despachar tais coisas para qualquer outro lugar. Senão, peça socorro à ONU. Porto Alegre, aliviada, lhe será eternamente agradecida.

fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2…384§ion=1012
gbschmitt#4
gbschmitt#5
Artigo criticando obras contemporâneas gera reação no meio artístico e cultural de Porto Alegre -

O historiador Voltaire Schilling chama seis obras públicas espalhadas pela cidade de “abominações”

Ao definir Porto Alegre com a “Capital das monstruosidades” em artigo publicado ontem em Zero Hora, o historiador Voltaire Schilling desencadeou uma polêmica no meio artístico e cultural gaúcho. Em seu texto, o estudioso critica o que considera “horrores estéticos” da arte contemporânea e chama seis obras públicas espalhadas pela cidade de “abominações”.

Em tempos de Bienal do Mercosul, Schilling mostra-se surpreso com “a notável concentração de esculturas e monumentos absolutamente espantosos”, e começa o artigo comparando a obra que homenageia Castello Branco, exposta no Parcão, ao “desembarque de um extraterrestre”.

No decorrer do texto, ele ainda define a Estrela Guia à mostra na rótula que antecede o museu Iberê Camargo como um “hediondo timão”. Por fim, faz um apelo ao secretário municipal da Cultura para que não aceite mais doações – embora a maioria das obras em questão tenha sido paga.

O artigo provocou reações. Especialista em arte contemporânea em espaços públicos, o escultor José Francisco Alves foi um deles. Para o expert, autor do livro A escultura pública de Porto Alegre, o historiador fez uma “provocação sem sentido”. Na opinião da professora do Instituto de Artes (IA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Ana Albani de Carvalho, Schilling desqualifica as obras sem a devida contextualização.

– Ele mistura obras que têm propostas muito diferentes e segue uma linha que vem sendo assumida por alguns autores, que é a da negação da arte contemporânea – avalia Ana.

Para o historiador e crítico de arte Alexandre Santos, também professor do IA, o principal problema é o fato de nivelar a arte em um único horizonte possível, ligado ao ideal do belo:
gbschmitt#6
– O texto revela um desconhecimento total da arte nos séculos 19 e 20. É até ingênuo para um historiador.

Schilling disse ontem que revelou o que pensam muitos porto-alegrenses e escreveu como cidadão:

– Fazia horas que eu andava intrigado com a feiura dessas coisas, e sei de muita gente que acha o mesmo. Eu dei voz ao que a maioria pensa.

fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.…a2697007.xml
diego_10#7
Concordo com quase tudo. O mau gosto da comunalha nao tem limites. Aquele "monumento" das cuias de chimarrao, perto do gasometro e simplemente ridiculo. O que ha de mais bonito na cidade esta jogado as tracas, em lugares como a praca da alfandega e o parque da redencao.

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