"Que motivações levaram a professora e linguista Márcia Fonseca Amorim a pesquisar o funk, manifestação rejeitada por parte significativa da sociedade? Ela diz que tentou lançar um olhar acadêmico sobre o que o funk realmente representa na sociedade brasileira. Para Márcia é possível, por meio do funk, constatar que a mulher reivindica um papel social, já percebido por alguns organismos internacionais que têm convidado funkeiras a participarem de eventos, pois as vêem como representativas de um movimento neofeminista. Além disso, constata ela, o funk brasileiro circula através de grupos de artistas pela Europa, EUA, América Central e está ganhando uma representatividade não percebida pelos que não dão atenção ao movimento.
Márcia se propôs a estudar qual o discurso que as mulheres do funk estão assumindo e como ele se situa na sociedade em geral. As letras das músicas revelam um discurso de liberdade sexual, enfatizada por coreografias sensuais. Ela analisa o discurso da mulher para a mulher, do homem para a mulher e aquele gerado em outros segmentos sociais como entidades religiosas, políticas e grupos intelectuais em relação a essa representação.
O trabalho deu origem à tese de doutorado, apresentada ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, que analisa “O discurso da e para a mulher no funk brasileiro de cunho erótico: uma análise do universo sexual feminino”. Na pesquisa, orientada por Jonas de Araújo Romualdo, Márcia relaciona a cultura às ações que a sociedade vai promovendo, independentemente de seu grau de letramento, situa o contexto do carnavalesco e considera a manifestação como decorrente da realidade social brasileira. Na opinião da pesquisadora, as letras das músicas traduzem o falar cotidiano de grande parte da sociedade brasileira, principalmente de grupos situados nas periferias dos grandes centros urbanos, e se inscrevem na literatura atual, em programas humorísticos, no teatro, entre outros."
"Foi aí que resolvi estudar esse novo discurso em que a mulher assume, por meio das músicas que canta, a representação de uma cachorra, uma potranca, uma piranha, uma vadia. Vale lembrar que essa representação ocorre no interior do movimento e não condiz com a representação que essa mesma mulher assume em outras instâncias sociais. Ela está incorporando um discurso que antes era considerado machista. Mais ainda, de alguma forma está subvertendo esse discurso machista, como que dizendo: “agora eu digo de mim mesma o que eu quero”. Na verdade, ela assume esse discurso machista para romper com ele. Ao assumir a representação de piranha, ela se constrói discursivamente como adepta da prática sexual livre e se posiciona como uma mulher livre para atuar sexualmente na sociedade, rompendo com o conceito de piranha e adaptando-o à realidade sexual atual. Foi isso que me chamou a atenção."
😄 - É, sem dúvida - o Brasil exporta oranguice como ninguém!
Acho que, sob este aspecto, somos o país do futuro, mesmo!
Eu poderia falar de nossa "cultura oranga", que certamente EXISTE - e tenho absoluta certeza de que é perfeitamente capaz de contaminar outros grupos orangos pelo mundo afora! Falando SERIÍSSIMAMENTE, é isso mesmo que vejo!
Meu caro amigo, desenvolveu-se aqui esta cultura oranga de uma forma ESPETACULAR, e somos REFERÊNCIA neste particular, assim como a Alemanha é uma REFERÊNCIA na música clássica! 😄! A Alemanha tem Bach, Beethoven e Mozart - nós temos Tati Quebra-Barraco, o Bonde do Faz-Gostoso e Vanessinha Picachu! 😄!
Ao homem o que é do homem - e ao orango o que é do orango.
Que nós certamente exportamos e exportaremos cada vez mais esse troço, é claroque é esperado! O Brasil EXCEDE nisso, nada mais óbvio do que exportar o treco para os ávidos orangos do mundo inteiro.
Sim, eu conheço este discurso - "deve-se ser mau para vencer o mal", uma perversão que se funda numa superioridade pré-admitida. Explicando melhor: então a sujeita tem que mostrar que "pode fazer a mesma coisa", que é para o outro "não se meter a besta".
Uma imbecilidade, isso: é óbvio que qualquer um pode ser uma merda completa, é aliás facílimo, pelo que me consta. Desde quando isso é romper com qualquer paradigma? Ao contrário, é precisamente ADMITIR o paradigma como "concedente" de uma "superioridade" - quando o correto seria desprezar, abominar e jamais SEGUIR o paradigma. Tem nada dessa coisa de "subverter" coisa nenhuma; as idiotas estão simplesmente SE SUBMETENDO, e pretendendo mostrar que podem ser "melhores" naquilo. Se isto não é a mais completa submissão, minha avó é bicicleta.
Segundo esse raciossímio, se alguém faz cocô no meio da rua, alguém que faça MAIS QUANTIDADE e MAIS VEZES "subverteu o paradigma". Eu, hein! Subverteu porra nenhuma, mesmo que tenha feito a porcariada "só pra provar" - provar O QUÊ, que qualquer um pode, se quiser, fazer merda? Ué, mas isto é ÓBVIO, a não ser para um retardado mental! 😮!
Por mim eu mando essa imbecil passear, Renan. Tese estúpida!
E parece que a UNICAMP é hoje uma das nossas mais prolíficas instituições culturais, cara leoa:
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. A infância enquanto construção social
Título da Dissertação de Mestrado: Questões de gênero na infância e na escola
Autora: Érica Renata de Souza
Número de páginas: 212
Área disciplinar: Antropologia Social
Instituição: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
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"A infância enquanto categoria socialmente construída é atravessada por marcadores sociais como gênero, classe social, raça e sexualidade, localizados em grupos e contextos sociais específicos. Neste sentido, essa dissertação busca identificar, no cotidiano da instituição escolar, as concepções e relações de gênero entre as crianças e entre as crianças e o "outro-adulto" da instituição (professores, funcionários e diretoria), na sua interdependência com outros marcadores sociais. Na pesquisa etnográfica duas classes foram observadas e apresentaram diferentes rearranjos nas configurações de marcadores, renegociados de formas particulares nas interações. Enfatizando a questão do gênero, a pesquisa procurou apontar tanto as ações que rompiam quanto aquelas que reproduziam a lógica da matriz heterossexual, a qual sustenta a analogia entre homem e gênero masculino e entre mulher e gênero feminino, assim como a oposição desigualmente hierárquica entre essas associações. Nesse contexto, a agressividade apareceu como elemento corporificado nas relações das crianças, possibilitando a visibilidade de performances de gênero que não correspondiam à lógica da matriz heterossexual incorporada nas expectativas e práticas da instituição. "
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. http://www.artnet.com.br/~marko/erica_mestrado.htm
http://cpopular.cosmo.com.br/metropole/conteudo/most…033440723356
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"A senhora diz na tese que essa representação que a mulher assume, de potranca, de cachorra, de vadia, ocorre no interior do movimento, mas não condiz com seus papéis em outras instâncias. Não se trata, então, de um discurso vazio?
Isso é bastante questionado. Para que serve esse tratamento, esse jogo discursivo? Mas eram mulheres que não encontravam respaldo social fora de suas comunidades. A Dayse Tigrona, por exemplo, uma integrante do funk da Cidade de Deus, já tentou fazer músicas que levantassem bandeiras políticas, mas como era da periferia, isso tinha pouco valor. E quando ela levou isso para o lado sexual, que não deixa de ser uma forma politizada de agir sobre si mesmo, ganhou repercussão. Fez uma música, A P... da B... é Minha, em que responde ao sujeito com o qual se relacionava e que a difamou na favela. Pode parecer agressivo, mas se formos olhar o contexto, esse linguajar que para muita gente é chulo, vulgar, faz parte do dia a dia da sociedade brasileira. Não foi o funk que criou.
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E por conta disso, a senhora considera que as funkeiras seriam neofeministas?
Elas são consideradas assim por muitos grupos feministas. Num evento neofeminista em Stuttgart, na Alemanha, em 2004 (Ladyfest), a Tati Quebra Barraco foi convidada (e embarcou como representante brasileira, com patrocínio do Ministério da Cultura) porque dizia coisas como “agora quem paga motel sou eu”, “agora, quem escolhe meu parceiro sou eu”. Antes, a mulher feminista era de classes sociais mais elevadas, intelectualizada. Mas essa mulher da periferia que há anos vem sustentando o lar, lidando com a marginalidade, é coerente considerá-la neofeminista. Independentemente de ela integrar ou não o funk.