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Crimes de piedade

Iniciado por paulo_15 em 02/12/2009 · 4 mensagens

paulo_15#1
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Existe o Bem e o Mal? Alguns dizem que não, mas o problema aí é que ficam paralisados na hora de julgar um criminoso, por exemplo. Se tudo é relativo, como castigar alguém que, no fundo, é apenas uma "vítima da sociedade"?

Recentemente, uma mulher levou o aborto às últimas conseqüências. Sem querer ter o filho e - diz ela - sem dinheiro para realizar um aborto, o que fez? Deu um tiro na cabeça do bebê dentro da própria barriga, no mesmo dia em que estava previsto o parto. A criança naturalmente morreu, mas a mulher sobreviveu. Foi acusada, julgada e inocentada. O juiz entendeu que não havia crime. Está certo: qual a diferença entre um tiro e um aborto afinal? O corpo é dela, não é isso que dizem?

Da mesma forma, o presidenciável Huckabee está com problemas nos EUA, pois no seu período como governador do Arkansas, por piedade, liberou um violento criminoso condenado a 98 anos de prisão. Livre após meros onze anos, o ladrão fez carreira: virou assassino e depois estuprador de crianças, e ontem matou quatro policiais que tranqüilamente tomavam seu café e comiam seus donuts enquanto esperavam o início do expediente.

Como Huckabee é republicano e cristão, vê-se que o problema não é só do progressismo, mas do cristianismo também, ou, ao menos, da mistura de cristianismo com progressismo que encontra-se às vezes por estas bandas (no outro dia, vi uma Igreja com uma bandeira arco-íris, com dizeres a favor do casamento gay).

Progressistas e cristãos, inimigos em quase tudo, encontram-se muitas vezes curiosamente unidos na piedade com criminosos e na contrariedade à pena de morte.

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paulo_15#2
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A piedade é uma virtude, um bom sentimento. É preciso saber perdoar. E, de fato, quem de nós jamais cometeu um erro, uma indignidade, um pecado, ou mesmo um crime? Não julgues se não quiseres ser julgado. Atire a primeira pedra quem nunca etcétera.

Por outro lado, também é verdade que, se todos são perdoados de seus crimes e ninguém pode ser culpado por nada, o pessoal abusa. Tudo termina por virar um vale-tudo em que irmão mata irmão. Se não há castigo, a violência, o ódio e a vingança perene são os únicos resultados.

Como conciliar a piedade com a necessidade da punição?

Talvez neste caso o Talmud dos judeus tenha a medida exata da mistura, na famosa afirmação: "Aquele que é caridoso com os cruéis termina sendo cruel com os caridosos".

Ter piedade de assassinos, assaltantes e estupradores não é ser bonzinho com eles, é ser malvado com as suas vítimas. Uma sociedade que preocupa-se mais com os direitos dos culpados do que dos inocentes é uma sociedade doente, em possível risco de extinção.

http://blogdomrx.blogspot.com/2009/12/crimes-de-piedade.html
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leandro_13#3
Não são questões tão complicadas, Paulo.

Não sei qual o princípio evocada para a absolvição dessa mulher, mas certamente a tese de inexistência de crime bate com a legislação em vigor. Também não sei detalhes sobre esse incidente.
Se foi em uma nação que tolera o aborto até a última semana de gestação, realmente é válida a tese (do ponto de vista legal) de que não houve crime. A mulher apenas cometeu com arma de fogo (e todos os riscos dela derivados) o que a lei faculta a todas as mulheres adultas com artifícios médicos e segurança.

Uma lei abortista nada mais é que uma lei que legaliza o ódio.
Não podemos esperar que uma mãe que aborta ame seu filho. Ela simplesmente o rejeita (por motivos vários) e usa o instrumento que a lei lhe faculta para eliminar "algo" do seu corpo e da sua vida.

Agora, se fosse em uma nação que proíbe o aborto em condições semelhantes, temos que considerar que o juiz errou gravemente.
Sei que existe o princípio do "não-se-chuta-cachorro-morto", que considera alguns danos resultantes de ação criminosa como equivalentes ou superiores a própria punição prevista. Mas esse princípio não pode ser aplicado em qualquer circunstância.

Se fosse assim, qualquer ladrão que se ferisse por acidente em um roubo estaria automaticamente absolvido.
leandro_13#4
Quanto à decisão do ex-governador Huckabee, é fato que desconheço mais ainda, pois ao que eu saiba governadores não tem o poder de julgar (condenando ou absolvendo), o que é um prerrogativa exclusiva das cortes.

O governador pode apenas (em alguns estados) comutar a pena de morte na pena equivalente em prisão, que é a perpétua. Se um governador tiver o poder de julgar em crimes comuns, Montesquieu se revoltaria na tumba, e estaríamos voltando a era de Charles I, sem o secular princípio da separação de poderes.
Se este ex-prisioneiro acabou por tornar-se um criminoso hediondo não é uma questão de piedade e sim de imprevisibilidade. E a esse defeito estão sujeitos todos os governantes (e juízes), independente se compartilham de uma visão piedosa ou materialista.

Em geral, cristãos republicanos lidam bem com essa questão. Defendem a vida para pré-nascidos inocentes de tudo (menos do pecado original), e concordam com a morte para velhacos assumidamente culpados.
São coerentes. Pior faz a esquerda liberal, que defende o inverso.

George W. Bush (bom republicano, não tão bom cristão), quando governador do Texas, recusou a clemência pedida por christian reborns a uma mãe assassina dos próprios filhos que, depois de arrependida, também se tornou uma christian reborn.
Deixou o julgamento para Deus e assinou tranquilamente a condenação à morte.
Se Deus aceitou plenamente o arrependimento e concedeu salvação áquela mãe, ótimo (louvada seja a miserisórdia de Nosso Senhor). Que ela viva no céu ao lado de Jesus e dos anjos.

Porém, cumpra a pena jurídica que determinamos. A execução até será um serviço. Não diz Paulo que morrer é lucro nessas circunstâncias?

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