Pregador do Papa adverte: O Anticristo é um ecumenista.
March 6th, 2007
O excesso de ecumenismo e a tendência de ignorar a Cruz de Cristo reflete o espírito do Anticristo, adverte o Cardeal italaiano, Giacomo Biffi, ao Papa e a outros lideres da Cúria Romana.
Nessa semana, durante meditação pregada no retiro da Quaresma para os líderes do Vaticano, o Cardeal Italiano citou a visão do filósofo Russo Vladimir Soloviv- “O Anticristo apresenta ele próprio como um pacifista, ecologista e um ecumenista”
O Cardeal denuncia a tendência de alguns católicos de promover vagos objetivos espirituais, deixando de lado a centralidade do Sacrifício de Cristo.
Hoje, diz ele, corremos o risco ter um cristianismo sem Cristo, sem Cruz e sem Ressurreição. O Cardeal também advertiu quanto a tentação de se reduzir a fé em Cristo numa mera questão de valores.
Relembrando a imagem do Anticristo de Soloviev, o pregador disse ainda,que o Anticristo pretende reduzir os efeitos das Verdades da Fé , armando consensos para reunir todos os interesses e assim estabelecer sua popularidade. A multidão segue ele, diz o Cardeal, exceto um pequeno grupo de católicos, ortodoxos e protestantes.
E esse pequeno grupo restante, diz o Cardeal, fará a resistência contra o Anticristo dizendo: você tem nos dado todas as coisas, exceto o que queremos, Jesus Cristo!
O Cardeal também afirma que o Anticristo irá convocar um Concílio Ecumênico, para estabelecer o consenso entre todas as religiões, dando um pouco de razão para cada uma
O Anticristo, a que se refere o título, é aquele descrito pelo filósofo e teólogo russo Vladimir Sergeevic Soloviev no seu último livro escrito pouco antes da sua morte, em 1900: “Os três diálogos e a narrativa do Anticristo”.
Por que o cardeal Biffi quer repropô-lo hoje à atenção de todos? Porque – escreve ele – “Soloviev preanunciou com lúcida previsão a grande crise que atingiu o cristianismo nas últimas décadas do século XX”.
Na figura do Anticristo descrito por Soloviev, de fato, Biffi reconhece o “o “símbolo da religiosidade confusa e ambígua do tempo em que hoje vivemos”. Vê descritos e criticados o “cristianismo dos valores”, a enfatização das “aberturas”, a obsessão do “diálogo” a qualquer custo, “onde parece que pouco resta da pessoa única e inconfrontável do Filho de Deus crucificado por nós, ressuscitado, hoje vivo. É a situação que dom Divo Barsotti denunciou com tremenda frase e tremendamente verdadeira quando disse que nos nossos dias no mundo católico Jesus Cristo muito freqüentemente é só uma desculpa solo para falar do outro”.
Na narrativa de Soloviev, o Anticristo primeiramente é eleito Presidente dos Estados Unidos da Europa, depois aclamado imperador em Roma, se apossa do mundo todo, e no fim se impõe também à vida e à organização das Igrejas. Mas não é tanto sobre esses fatos que o cardeal Biffi chama a atenção, mas quanto às características da personagem. Eis que, repentinamente – em algumas passagens do seu trabalho que, no entanto, exige ser lido na sua íntegra – como o cardeal o resume e como tira deste uma lição para a Igreja de hoje:
Anticristo era – diz Soloviev – “um espiritualista convicto”. Acreditava no bem e até em Deus. Era um asceta, um estudioso, um filantropo. Dava “altíssimas demonstrações de moderação, de desinteresse e de ativa beneficência”.
Na sua primeira juventude se destacara como douto e arguto exegeta: uma sua volumosa obra de crítica bíblica lhe havia propiciado um diploma de honra na universidade de Tubinga.
Mas o livro que lhe dera fama e consenso universal leva o título: “O caminho aberto para a paz e a prosperidade universal”, onde “se unem o nobre respeito às tradições e símbolos antigos com um vasto e audaz radicalismo de exigências e diretivas sociais e políticas, uma liberdade sem limites de pensamento com a mais profunda compreensão de tudo aquilo que é místico, o absoluto individualismo com uma ardente dedicação ao bem comum, o mais elevado idealismo com princípios e diretivas com a precisão completa e a vitalidade das soluções práticas”.
É verdade que alguns homens de fé se perguntavam por que nenhuma vez fora pronunciado o nome de Cristo; mas os outros replicavam: “Uma vez que o conteúdo do livro se encontra permeado do verdadeiro espírito cristão, do amor ativo e da boa disposição universal, o que vocês querem mais?”.
Por outro lado, ele “não tinha por Cristo uma hostilidade de princípio”. Pelo contrário, reconhecia a reta intenção e o elevadíssimo ensinamento.
Porém, três coisas de Jesus lhe eram inaceitáveis.
Antes de tudo as suas preocupações morais. “Cristo – afirmava ele – com o seu moralismo dividiu os homens segundo o bem e o mal, enquanto eu os unirei com os benefícios que são igualmente necessários aos bons e aos ruins”.
Depois não aceitava “a sua absoluta unicidade”. Ele é um dos tantos; ou melhor, dizia, foi o meu precursor, porque o salvador perfeito e definitivo sou eu, que purifiquei a sua mensagem daquilo que é inaceitável ao homem de hoje.
Finalmente, e principalmente, não podia suportar o fato que Cristo estivesse vivo, tanto que histericamente repetia: “Ele não está entre os vivos e nunca estará. Não ressuscitou, não ressuscitou, não ressuscitou. Ele apodreceu, apodreceu no sepúlcro...”.
Mas onde a exposição Soloviev se mostra mais especialmente original e surpreendente – e merece a mais profunda reflexão – é atribuir ao Anticristo os qualificados de pacifista, de ecologista, de ecumenista. [...]
Nesta descrição do Anticristo Soloviev teve algum objetivo concreto? É inegável que ele alude ao “novo cristianismo” do qual naqueles anos Lev Tolstoj tornou-se eficiente divulgador. [...]
No seu “Evangelho” Tolstoj reduz todo o cristianismo a cinco regras de comportamento que ele deduz do Sermão da Montanha:
1. Não só se deve não matar, mas nem mesmo se deve zangar-se com o irmão..
2. Não se deve ceder à sensualidade, de tal modo que não se deve desejar nem mesmo a própria esposa.
3. Nunca se deve vincular-se a juramento.
4. Não se deve resistir ao mal, mas sim aplicar até o extremo e sempre o princípio da não-violência.
5. Ame, ajude e sirva o teu inimigo.
Estes preceitos, segundo Tolstoj, de fato vem de Cristo, mas para permanecerem válidos, de fato, não têm necessidade da existência atual do Filho de Deus vivo. [...]
Evidentemente, Soloviev não identifica materialmente o grande romancista com a figura do Anticristo. Mas intuiu com extraordinária clarividência que justamente o próprio tolstoismo, ao longo do século XX, seria o veículo do esvaziamento substancial da mensagem evangélica, sob a formal exaltação de uma ética e de um amor para a humanidade que se
Virão dias, nos diz Soloviev – ou melhor, já vieram, dizemos nós – quando na cristandade se tenderá a dissolver o fato salvífico, que só pode ser aceito por ato difícil, corajoso concreto e racional da fé, numa série de “valores” facilmente trocados nos mercados mundanos.
Deste perigo – nos alerta o maior filósofo russo – nós devemos nos precaver. Ainda que um cristianismo tolstoiano nos tornasse infinitamente mais aceitáveis nos ambientes, nas agregações sociais e políticas, nas transmissões televisivas, não podemos e não devemos renunciar o cristianismo de Jesus Cristo, o cristianismo que tem no seu centro o escândalo da cruz e a realidade perturbadora da ressurreição de Nosso Senhor.
O ecumenismo é contra Cristo! Ninguém foi mais anti-ecumênico do que Jesus Cristo:
Ide por todo mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura e batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Quem crer será salvo, quem não crer será condenado (Mt XXIX, 18)