Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Dúvida teológica.

Iniciado por bruno_10 em 26/12/2009 · 10 mensagens

bruno_10#1
Estava eu numa conversa, quando um dos presentes disse que se Deus é perfeito, é portanto auto-suficiente, e o ato da criação implicaria em necessidade, o que anularia a condição de perfeição. Logo, se Deus é definido como perfeito, a criação denotaria inexistência de Deus.

Como se aborda esta questão? Ela está formulada corretamente?
orkut_7#2
O perfeito (Deus), pode criar arbitrariamente (onipotência) o imperfeito (o Mundo e o homem com suas limitações e imperfeições) e o imperfeito não pode criar a perfeição.
orkut_7#3
Nessas horas falta grande falta o Alberto Leopoldo, que por motivos pessoais se retirou das discussões da comunidade por uns tempos.
priscila#4
Belo texto! Muito verdadeiro.

E não sei se a pergunta está ou não bem formulada - mas sei que implica em conhecer a natureza do Criador, o que é uma pretensão absurda. O criado pode se elevar, mas não pode atingir o Criador Incriado; a pergunta implica em "entender Deus" e tentar colocá-lo como algo "compreensível"por nós. Mas Deus não é "compreensível" por nós, portanto a pergunta não faz sentido, e o debate sobre isso idem. Os judeus me parecem expressar esta incompreensibilidade bastante bem, quando nem sequer proferem o nome de Deus - como signo de que Ele não pode ser contido em nada. Referem-se sempre às manifestações Divinas, mas não se referem a Deus "em si". Bom, enfim - eu não sou judia, mas compreendo esta lógica. E acho que querer entender os motivos divinos e as intenções divinas é no mínimo meio estapafúrdio.
filipe_6#5
"...Quando o jovem chamou Jesus de "Bom Mestre", Nosso Senhor contestou rapidamente dizendo; "Só Deus é bom".
Só Deus é bom, como só Deus é perfeito. Ora, Nosso Senhor nos mandou que fôssemos perfeitos como o pai do Céu é perfeito.
Claro que não podemos ser tão perfeitos, nem tão bons, como Deus o é.
Para entender isso, é preciso que distingamos dois modos de perfeição:

1) Perfeição Absoluta, que só cabe a Deus;
2) Perfeição Relativa, que cabe às criaturas.

Dizemos que uma criatura é perfeita, quando nada lhe falta do que é preciso para ela ser o que ela é.
Uma criança nasce perfeita, quando não lhe falta nenhum órgao, e quando todos os seus membros são normais.
Assim também, Deus é A Bondade absoluta. Nós criaturas podemos ter bondade, e podemos perdê-la pelo pecado. Na resposta ao jovem, Cristo quis lhe dizer então que há dois modos de ser bom: o Absoluto e o relativo.
Bom é aquilo que tem qualidades em Ato. Só Deus, sendo Ato puro, isto é, tendo todas as qualidades em grau absoluto, pode ser dito Bom. As criaturas tem qualidades em ato, mas em grau relativo, por participação. Por isso, as criaturas podem perder suas qualidades em ato, e, portanto, elas são apenas relativamente boas.
Como esse jovem revelava ter certa retidão, Nosso Senhor quis mostrar-lhe que se ele reconhecia em Cristo A Bondade, deveria considerá-lo Deus e não apenas um mestre apenas humano..."
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&su…060314100634
junior_5#6
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Santo Tomás fala das coisas que o homem consegue saber de Deus. De Deus se sabe tudo o que se pode saber de uma causa através de seus efeitos. É o que ele fala na Summa, que se pode chegar ao Perfeito através do imperfeito, e ao Imutável através do mutável. Isto nas provas chamadas aristotélicas, que falam do "ser, não ser, e o ser em potência". Das provas platônicas, temos a questão da existência da VERDADE, da BELEZA, e do BEM. Se estes existem, logo, existe algo perfeitamente bom, perfeitamente belo e perfeitamente verdadeiro.
priscila#7
Sim, não há dúvida de que percebemos - mas percebemos como que através de um vidro, percebemos incompletissimamente. Perceber é isso, em suma, é uma capacidade maravilhosa - se temos consciência, portanto percebemos. O dom é este, a aliança é esta, a prova de que somos os filhos de Deus é esta. Obviamente a percepção é um lcaminho possível, aberto, uma dádiva - mas não é a mesma coisa que compreender. A percepção nos garante a nossa quantidade pessoal de conhecimento, que nunca será completa, total. Ela tem um limite, o limite humano.

Portanto não COMPREENDEMOS, pois "compreender" significa "conhecer completamente".
priscila#8
Nenhum ser humano pode chegar ao perfeito, não é da natureza humana tal coisa, amigo. Não se pode querer ser igual a Deus de modo algum, é insensatíssimo e é o pecado-mestre, gerador de todos os outros.

Pode-se, através da percepção, conhecer alguma coisa: eu suponho que seja o que Deus QUER, pois nos DEU a percepção, nos tornou seus filhos, nos considera assim. Quer que o conheçamos, através de suas manifestações. Mas "compreender Deus" é uma intenção, além de absurda, horrenda - é pretender REDUZI-LO, nos tornar "iguais". É o chamado pecado original.
renan_6#9
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junior_5#10
Nenhum ser humano pode chegar ao perfeito, não é da natureza humana tal coisa, amigo. Não se pode querer ser igual a Deus de modo algum, é insensatíssimo e é o pecado-mestre, gerador de todos os outros.
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Eu não disse isso. Disse que podemos chegar ao conhecimento do perfeito através do imperfeito. Simples 😄

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