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Justificativa da Vaidade Intelectual

Iniciado por hlio em 19/12/2006 · 3 mensagens

hlio#1
Não existe nenhum critério confiável para conduzir o estudante solitário e sem orientação pessoal na parte inicial de sua busca intelectual além da vaidade acadêmica. Isto decorre porque não existe uma fonte de sabedoria pré-formada para lhe guiar sobre os caminhos que devem ser percorridos, e não é possível a ele tomar suas decisões baseadas no cogito-ergum cartesiano. O conhecimento que lhe é oferecido é incompleto e violar os ditames da única coisa que aponta para um caminho minimamente viável é escolher o aleatório cujas motivações ele não está preparado a avaliar. Desta forma, sua situação não é muito melhor que um bebê, está entregue ao caso e tudo dependerá do resultado de suas apostas. Deverá tomar decisões baseados em apostas seguindo critérios inexatos baseado em conhecimento incompleto. Que motivo um estudante solitário tem para escolher inglês como disciplina de estudo inicial de sua vida ? O único motivo de estudar inglês é a credibilidade que isto lhe isnpira perante aos outros, vaidade, porque as razões práticas de estudá-lo não estão ao seu alcance, pois sua inexperiencia não lhe permite entender que o inglês é uma via para um mundo de conhecimentos que ele pode julgar que esteja inteiramente disponível em sua lingua natal. Para que estudar uma coisa que não vai acrescentar quase nada à respeito dos enigmas filosóficos do universo ? Porque não sair em uma busca para tentar solucionar as questões filosóficas que seus livros de colégio sequer mencionam terem sido tocadas ? Está aí um caminho racionalmente justificável e destituído de vaidade que provavelmente lhe conduzirá a ruína.
hlio#2
Os colégios não tem biblioteca. Nenhum dos colégios em que estudei tinha esse troço. É praticamente impossível escolher uma profissão que não seja voltada por mera vaidade ou idéias frívolas, do tipo "gosto de crianças, vou ser pedagoga infantil".
Desta forma, em princípio a vaidade acadêmica ditorce o desenvolvimento das aspirações pessoais, corrompendo suas motivações. Mas a sociedade está tão mal preparada para receber uma pessoa que venha de outro caminho que ao topar com algo assim não sabe o que fazer. Numa situação ideal, o bom caminho seria o daquele que vai cultivando seu talendo ao ler desde cedo os livros que representam seus interesses. Mas não importa se você é rico ou pobre, mas se você tem ou não acesso a livros. Um pobretão que mora numa cidadezinha onde vive cercado por pessoas interessadas por livros tem uma oportunidade melhor de preparação do que um adolescente criado sob proteção numa cobertura de uma cidade que fica á léguas de distância de qualquer livraria ou biblioteca e cujos pais condenam o hábito da leitura.

Nos 3 anos que morei na Bahia não me deparei com uma única Livraria ou Biblioteca nas Ruas do Bairro de Pituba. Só tive contato com livros em casas de particulares que provavelmente compravam seu acervo em locais secretos que exigiam senha e obediência a lei do silêncio.
hlio#3
Ah, eu não morava na cobertura, o exemplo acima é mera retórica.

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