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O que é o Estado Moderno para o Papa Bento XVI?

Iniciado por lzaro em 14/01/2010 · 7 mensagens

lzaro#1
Passemos então agora à crítica feita pelo Papa ao mundo moderno.

Bento XVI, ao estudar a Paixão de Jesus, detém-se no dilema dos judeus obrigados por Pilatos a escolherem entre Nosso Senhor, Filho do Pai Eterno, e Barrabás. Ora, analisando essa passagem dos evangelhos, o Papa chega a conclusões interessantíssimas:

“Mas quem era Barrabás? Temos conhecimento apenas do que se apresenta no Evangelho de S. João: ‘Barrabás era um salteador’ (Jo18, 40). Só que o termo grego salteador havia recebido um significado específico na situação política de então na Palestina. Ele significava o mesmo que ‘lutador da resistência’. Barrabás havia participado de uma rebelião (cf. Mc 15,7) e além disso era acusado – neste contexto – de homicídio (Lc 23, 19,25). Quando S. Marcos diz que Barrabás tinha sido um ‘preso célebre’, isso significa que tinha sido um dos destacados lutadores da resistência, talvez até o próprio cabeça dessa rebelião (Mt 27, 16).

Em outras palavras: Barrabás era uma figura messiânica. A escolha entre Jesus e Barrabás não é casual: estão em confronto duas figuras messiânicas, duas formas de messianismo. Isto se torna ainda mais claro quando pensamos que Bar-Abbas quer dizer ‘filho do Pai’. (...) Ele se apresenta como uma espécie de sósia de Jesus; concebiam a mesma pretensão, mas de um modo diferente. A escolha consiste, portanto, entre um Messias que encabeça um combate que promete liberdade e o próprio reino e este misterioso Jesus que anuncia o perder-se como caminho para a vida.”.[10]

Barrabás, um “sósia” de Jesus... Um sósia dialeticamente oposto a Jesus. Como o Anticristo. Barrabás foi, desse modo, uma espécie de pequeno anticristo.
lzaro#2
Portanto, descobre-se nessa passagem uma luta entre dois messianismos: um de Jesus Cristo, cujo reino não é desse mundo, e outro de Barrabás, que busca o reino desse mundo. Um promete a vida eterna, o outro promete reino da felicidade nesse mundo. Os judeus, no caso, escolheram o representante do messianismo mundano e político.

Comentando ainda essa passagem, o Papa faz-nos as seguintes observações:

“Se hoje tivéssemos de escolher, teria Jesus de Nazaré, o filho de Maria, o filho do Pai, alguma possibilidade? (...) O tentador não é tão rude a ponto de nos propor diretamente a adoração do diabo. Ele apenas nos propõe que nos decidamos por aquilo que é racional, pela primazia de um mundo planejado e organizado, no qual Deus pode ter o seu lugar como uma questão privada, mas não pode imiscuir-se nas nossas intenções essenciais. Solowjew dedica ao Anticristo o livro O caminho aberto para a paz e o bem-estar do mundo, que de certo modo se torna a nova Bíblia e que tem como próprio conteúdo a adoração da prosperidade e do planejamento racional.”.[11]
lzaro#3
Para o Papa, pois, o mundo moderno sofre a tentação de planejar e dar ao mundo uma ordem racional independente de Deus (como se isso fosse possível), a qual possa garantir a prosperidade e o bem-estar, reduzindo Deus ao plano privado e individual, sem relação com a ordem social. Ora, essa adoração da prosperidade e do bem-estar, objetivos fundamentais do estado laico, é vista pelo Papa como uma tentação do Anticristo. Sendo assim, o próprio desejo de fundar um estado desse tipo e com esse poder é uma tentação do Anticristo.

Tentação que se apresenta, para ganhar o máximo de pessoas possíveis, como racional.

A crítica é tão violenta que alguns logo procurarão remediar, afirmando que o Papa não fez suas as palavras de Solowjew, mas apenas citou a posição de Solowjew sobre o fato. Em todo caso, o Papa afirmou diretamente e claramente que essa é uma tentação do diabo!

Enfim, devemos concluir, de acordo com as palavras do Papa, que o mundo moderno não só sofreu uma tentação diabólica, mas cedeu e escolheu o reino desse mundo e o falso salvador. Deu ao Estado absoluto o ofício de lhes salvar e criar o reino de Deus na Terra. Rejeitou o reino dos céus e o seu verdadeiro Salvador, Jesus Cristo.

O Estado Moderno, portanto, é péssimo e muito adequado aos planos do tentador.

O mundo moderno trabalha para o triunfo do Anticristo.
ayrton#4
Foi você quem escreveu isso?
lzaro#5
foi o papa
ayrton#6
Acho que você poderia caprichar mais. Não foi o Papa quem escreveu todo o conteúdo deste post. Eu posso estar enganado, mas parece que você copiou de algum lugar da internet, mas nem sequer indicou a fonte, transformando um assunto interessantíssimo num tópico sem graça.

Lázaro, a maioria das passagens que você citou são do livro "Jesus de Nazareth"(capítulo 2, páginas 50 a 52), escrito pelo então cardeal Joseph Ratzinger.

Na verdade, não existe esse tom apocalíptico que você (?) tentou dar a essa passagem do livro. O que o cardeal Ratzinger fala é da tentação que sempre ressurge na História, de transformar a fé num poder político (correndo o risco de ser asfixiada por esse poder). Daí a importância de todos os católicos lutarem pela liberdade da Igreja; "porque o reino de Jesus não pode ser identificado com nenhuma figura política" ("Jesus de Nazareth", capítulo 2, página50).

A fé não pode misturar-se ao poder político, porque , do contrário, ela acabará vergando-se a essse poder. Este seria o ponto correto a ser destacado.

PS: Para que fique claro a todos: Wladimir Solowjew é doutorado em teologia e autor do livro "Breve história do Anticristo".
jlio_2#7
O papa, Lázaro, acho que não pretendeu dizer apenas isso.

Ele pretendeu deixar claro que o reino de Deus não é deste mundo. Seguindo a explicação do que é o reino de Deus ele fala não é apenas sobre o perigo de politização, que deve ficar de fora, sim de tudo que não advém da fé.

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