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Papa João Paulo 2o. se flagelava frequentemente, d

Iniciado por lzaro em 26/01/2010 · 3 mensagens

lzaro#1
O papa João Paulo 2o. se flagelava regularmente para imitar o sofrimento de Cristo e teria assinado um documento secreto comprometendo-se a renunciar ao pontificado, em lugar de ocupá-lo de modo vitalício, se ficasse incuravelmente doente. As revelações estão contidas em um livro recém-lançado.
O livro, intitulado "Why a Saint?" (Por que um santo?), foi escrito pelo monsenhor Slawomir Oder, o funcionário do Vaticano encarregado do processo que pode levar à canonização de João Paulo, e inclui alguns documentos inéditos.

João Paulo 2o. morreu em 2005 e esteve doente, passando por sofrimento físico, durante vários momentos de seu pontificado. Ele foi baleado e quase morto em 1981, foi submetido a várias cirurgias, incluindo uma devida a um câncer, e sofreu da doença de Parkinson por mais de uma década.

Lançado na terça-feira, o livro revela que, mesmo quando não estava doente, João Paulo se flagelava, algo que no cristianismo é conhecido como mortificação, para sentir-se mais próximo de Deus.

"Tanto em Cracóvia como no Vaticano, Karol Wojtyla se flagelava", escreve Oder no livro, citando depoimentos de pessoas do círculo mais próximo de João Paulo na época em que ainda era bispo em seu país de origem, a Polônia, e depois de ser eleito papa, em 1978.

"Em seu armário, em meio a suas vestimentas, um tipo especial de cinto ficava pendurado num cabide, e ele o usava como açoite", escreve Oder.

Ainda segundo o autor, quando era bispo na Polônia João Paulo frequentemente dormia no chão duro para praticar o asceticismo.
lzaro#2
O livro também confirma que, quando sua saúde ficou fragilizada, João Paulo redigiu um documento para seus assessores afirmando que renunciaria ao pontificado se ficasse incuravelmente doente ou permanentemente incapacitado de cumprir seus deveres de papa.

Ele assinou o documento em 15 de fevereiro de 1989, oito anos após o atentado fracassado contra sua vida. A existência do documento foi motivo de muitos rumores e relatos ao longo dos anos, mas o texto foi publicado na íntegra no livro, pela primeira vez.

No final, o papa decidiu permanecer em sua função até sua morte, dizendo que isso era para o bem da Igreja. Se tivesse renunciado, teria sido o primeiro pontífice católico a fazê-lo por vontade própria desde 1294.

João Paulo chegou mais perto da canonização no mês passado, quando o papa Bento aprovou um decreto reconhecendo que seu predecessor viveu a fé cristã heroicamente. Foi um dos passos chaves no procedimento pelo qual a Igreja reconhece seus santos.

O próximo passo será o reconhecimento de um milagre atribuído a João Paulo. O milagre envolve uma freira francesa que foi inexplicavelmente curada do mal de Parkinson depois de fazer uma oração para o papa.

Depois de o Vaticano reconhecer o acontecimento como milagre, João Paulo poderá ser beatificado. A beatificação é o último passo antes da canonização.
lzaro#3
primeira carta de renúncia, a qual se conhecia apenas sua existência, é na realidade uma declaração escrita em italiano, com data de 15 de novembro de 1989, quando ele ainda estava em boas condições de saúde.

Nela, Karol Wojtyla, que estava para ser operado de um tumor, reconhece que "seguindo o exemplo de Paulo VI", enumera as razões para a renúncia, entre elas "uma grande doença" ou um "grave impedimento".

A renúncia foi reiterada em uma carta de 1994, ao fazer 75 anos, na qual deixou a decisão final a um grupo de cardeais, que não a utilizaram nos longos anos da doença do Papa.

No documento, João Paulo II sustenta que considera um dever "renunciar em caso de doença incurável, de longa duração e que o impeça de exercer o ministério apostólico ou em caso de outros impedimentos graves e prolongados".

O papa polonês, conhecido por sua popularidade e suas viagens pelo mundo, se flagelava com um cinto, segundo Oder, e em várias ocasiões dormia no chão como um ato de penitência.

Segundo o autor, o papa desarrumava a cama de manhã para que seus assistentes não percebessem.

"Alguns de seus colaboradores conseguiam ouvir quando ele se flagelava, no Vaticano e inclusive durante uma viagem a Polônia", contou Oder.

O Vaticano reconheceu as "virtudes heróicas" de João Paulo II no último dia 19 de novembro e o proclamou "venerável", etapa chave para sua beatificação.

Meios de comunicação italianos sustentam que ele poderia ser beatificado em outubro de 2010 no Vaticano, na data de aniversário de sua eleição para pontíficie, ocorrida no dia 16 de outubro de 1978.

"A causa de beatificação cai muito bem, mas a data ainda não foi fechada", falou Slawomir Oder.

kv/ma/yw

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