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O que é um Símbolo?

Iniciado por pedro_9 em 03/02/2010 · 6 mensagens

pedro_9#1
Talvez alguns leitores do Olavo já tenham passado, assim como eu, por perrengues terríveis tentando delinear o sentido de "mito" ou "imagem". Após dois dias quebrando a cabeça, consegui a classificação abaixo, que é apenas provisória. Solicito aos que já estudam o assunto há mais tempo que corrijam as eventuais besteiras.

Primeiro, aqui vão umas definições:

"Sinal é aquilo que indica outra coisa, colocando-se no lugar dela."

"Semelhança é o intermediário entre identidade e diferença total."

imagem
http://constansesto.googlepages.com/Digitalizar0001.jpg
pedro_9#2
Para ver a imagem, por favor junte os espaços. Desnecessário dizer, não é vírus.

http: //http://constansesto.googlepages.com/Digitalizar0001. jpg
pedro_9#3
O choro de um bebê que se machucou é um sinal NATURAL, INSTRUMENTAL de dor. Natural porque seu significado não foi definido arbitrariamente, e instrumental porque primeiro o som deve ser reconhecido (e distinguido de outros tipos de choro), para depois ser corretamente associado à dor.

O retrato de um rei é um sinal NATURAL, SEMELHANTE e FORMAL do rei. A menos que o pintor seja surrealista, nós primeiro perceberemos que aquela figura humana se refere ao rei, e não precisamos, antes, saber que se trata de um retrato.

A notação lógica é um sinal DESSEMELHANTE, ARTIFICIAL e INSTRUMENTAL daquilo a que se refere. Se alguém não estabecesse uma convenção, nós jamais entenderíamos o que aquela jossa quer dizer. O mesmo vale para a famosa setinha que indica vetores.
jos_orkut_2#4
Caro amigo,

Não sei bem 'qual' a definição que você quer. Para isso, eu precisaria saber qual o domínio de estudos no qual surge a necessidade de definição de símbolo.
pedro_9#5
José

Eu mesmo queria situar direito a definição, mas o fato é que a classificação que estou tentando fazer se destina a achar um conceito suficientemente amplo para abranger todas as espécies de símbolo, e suficientemente pobre para não esgotar nenhuma delas. Tudo foi motivado por três leituras: a do texto apresentado pelo Silvio Grimaldo, que dá voltas e não esclarece muita coisa, ficando só na promessa de uma explicação; a de um post do Pedro Sette Câmara ( http://oindividuo.com/2007/08/19/segundo-o-das-quinas/ ) explorando a definição "símbolo é uma matriz de intelecções", uma bela expressão que só assinala a operação do símbolo sem chegar na essência; e a dos herméticos capítulos iniciais do "Tratado de Simbólica", do Mário Ferreira. Por aí já se vê que não se trata simplesmente de visões setoriais -- já bastam as dúzias que proliferam por aí --, mas de um enunciado verdadeiramente global e o mais geral possível do que seja essa coisa chamada símbolo.

S. Tomás, por exemplo, diz o seguinte:

"Todo efeito representa de certa maneira a sua causa, mas de diversos modos. Pois, tal efeito representa somente a causalidade e não a forma da causa; assim, o fumo representa o fogo. E tal representação se chama representação do vestígio; pois, o vestígio indica o passar de algum transeunte, não porém qual este seja. Mas tal outro efeito representa a causa quanto à semelhança da forma dela; assim o fogo gerado representa o fogo gerador e a estátua de Mercúrio, Mercúrio. E esta é a representação da imagem."

É mais ou menos esse tipo de definição que venho procurando.
priscila#6
Um símbolo, amigo, é uma expressão à qual corresponde uma realidade dentro de uma relação verdadeiira, legítima. Como a realidade completa nos escapa, uma vez que não a percebemos inteiramente, SEMPRE, inexoravelmente, estaremos sujeitos a simbolizar. Só temos, a rigor, SÍMBOLOS: e ainda bem que os temos, pois se não os tivéssemos estaríamos impossibilitados de forma ABSOLUTA de nos referir à porção da realidade que nossa percepção abrange!

Qualquer expressão nossa será sempre, obrigatoriamente, SIMBOLÓGICA: e usamos símbolos não apenas para criar uma conexão com a realidade, mas MAIS - usamos símbolos para criar uma conexão com a EXPRESSÃO desta realidade. Ou seja, fora dos símbolos não existe o humanamente COGNOSCÍVEL.

A última frase, a que diz que "usamos símbolos não apenas para expressar uma realidade, mas mais que isto, usamos símbolos para expressar a EXPRESSÃO de uma realidade" é absolutamente FUNDAMENTAL, e a mais importante entre todas as compreensões.

Eventualmente o símbolo pode TRANSCENDER a sua original função e passar a expressar a "realidade em si". E esta é talvez a mais extraordinária demonstração da consciência humana, e de sua ligação com o Transcendente.

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