Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Minha ignorância!

Iniciado por bruno_16 em 30/12/2006 · 13 mensagens

bruno_16#1
Pessoal, desculpem postar um tópico por esse assunto, mas uma resposta basta e o tópico já pode descer.

Alguém pode me explicar o que é Fabiano?
Quando dizem , por exemplo, que o PSDB e Fabiano, que quer dizer?

Muito obrigado!
inocncio#2
Essa é fácil.

O Socialismo Fabiano é uma vertente mais "moderada" do socialismo. Ao contrário da chamada "via revolucionária" que prega a implantação de uma "ditadura do proletariado" por meio da luta armada, o socialismo fabiano prega uma via "democrática" e "estratégica" rumo ao socialismo.
A principal estratégia dos fabianos é inflar ou criar problemas na sociedade de forma artificial para que os cidadãos peçam cada vez mais a intervenção do Estado em suas vidas e abram mão de suas liberdades individuais.
Exemplos clássicos: vigilância sobre a vida das pessoas para "diminuir a criminalidade", desarmamento, cadastros únicos de todos os cidadãos, altos impostos (eliminação gradual da propriedade privada), relativização dos valores, guerra cultural, incentivo a movimentos que afrontem o conservadorismo, banco central forte ( emissão de papel moeda sem valor para criar inflação), etc. Todas essas ferramentas são mecanismos a serviço do fabianismo.
Os fabianos, ao contrário dos revolucionários, pregam uma via mais demorada, porém com efeitos mais duradouros e praticamente imperceptíveis na sociedade.
O movimento "fabiano" nasceu na Inglaterra em 1884 e deu origem ao Partido Trabalhista Inglês. O movimento também é conhecido como o originador da "social democracia".
Na prática o socialismo fabiano funciona como um "antípoda" mentiroso ao socialismo revolucionário. Enquanto os dois se encenam um enfrentamento na arena de idéias a verdadeira direita fica completamente alheia ao debate político.
O nome "fabiano" é dado em homenagem ao general Fabio que em seu tempo dividia as atenções com Hannibal sobre "quem venceria" quando um confronto ocorresse. Na verdade tal confronto jamais se realizou e Fabio venceu Hannibal usando da estratégia e da astúcia.
O símbolo dos fabianos é a tartaruga.
No Brasil o PSDB é a frente política fabiana enquanto que o PT é frente revolucionária.
bruno_16#3
Obaa!! Muuuito obrigado, Toth.
muito claro e completo!

Enquanto os dois se encenam um enfrentamento na arena de idéias a verdadeira direita fica completamente alheia ao debate político.

É o mais marcante!

Entendi perfeitamente.

Gratíssimo
inocncio#4
Bem vinda a comunidade. O gramscismo é mais uma ferramenta estratégica do que uma frente política. O fabianismo executa planos de médio e longo prazos enquanto que o gramscismo cuida da destruição dos valores. Existem coisas que você não sabe explicar, mas sabe fazer. O fabianismo traz para o lado da "social democracia" todos aqueles que acham que o socialismo é uma "utopia possível" mas não gostam da violência dos revolucionários. O fabianos vem e dizem "olha, não é nada disso viu. Nós aceitamos todas as visões, até mesmo os liberais. Não temos discriminação contra ninguém". Nesse ponto o fabianismo e o gramcismo estão muito próximos, concordo. Aliás Gramsci sempre pregou que a pluralidade de visões era melhor para o movimento do que apenas uma ou duas. Quanto mais gente melhor.
inocncio#5
Obrigado Antônio Luiz. Lendo o texto do "mestre" Olavo acho que não errei tanto assim sobre a definição de fabianismo.
marcos_12#6
Seja bem vinda, Marcia! Quanto ao humor ácido, tudo bem. Aqui o pessoal sempre dá um jeito de baixar o pH sem perder a pose.

Do mais, para entender um pouco melhor o gramscismo num grande resumão, basta inverter a relação superestrutura/infraestrutura, de modo que a superestrutura, numa progressiva mutação anestésica, vá corroendo a infraestrutura a tal ponto que ela venha a ruir.

Essa é a estratégia revolucionária de Gramsci para o Ocidente (leia-se: países com sociedade civil forte). Para o Oriente (Rússia), Gramsci afirma que o socialismo seria alcançado pela revolução, já que a sociedade civil russa era, em suas palavras, "caudalosa" ou seja: fraca, instável e, portanto, incapaz de fazer a revolução desde baixo.

Mas, nos tempos atuais, a estratégia gramsciana pode ser aplicada em qualquer sociedade do mundo.
uriel#7
.

Sim, seria.

mas quem combate monstros frequentemente se torna um monstro também.
alexandre_9#8
Não é possível que anti-esquerdistas utilizem as técnicas Gramscinianas contra a própria esquerda, pois para ser gramsciniano o pré-requisito é ser um CANALHA e esse pré-requisito: conservadores, ou anti-esquerdistas em geral não possuem.
adermir#9
Há um outro problema: infiltração e hegemonia são componentes da práxis marxista que visa a construir uma nova sociedade, um novo homem, blablabla... Seria um contra-senso um grupo "conservador" buscar infiltração e hegemonia sobre aparelhos ideológicos do Estado (como os chamam Gramsci e Althusser), porque a finalidade seria paralisá-los ou preservá-los em suas funções originais.
Dá pra imaginar um conservador num sindicatp de trabalhadores? Nesse caso, ele se preocuparia em "despolitizar" o sindicado para fazê-lo cumprir exclusivamente suas tarefas sindicais (defesa de direitos, negociações salariais).
Por que um gramscista "se infiltra"? Para parasitar a instituição e pô-la a serviço do projeto partidário. Um conservador não se infiltra: ele faz parte do projeto finalístico da organização. Sob esse ponto de vista, ou a instituição cumpre sua finalidade ou deixa de existir.
adermir#10
São. E daí?
jeov#11
Dúvida:

O gramscismo deve substituir a Revolução ou deve lhe abrir o caminho ?

E o fabianismo ?
adermir#12
Pensa um pouco, Cassius. Eu sei que você vai conseguir entender...
inocncio#13
http://www.universia.com.br/html/materia/materia_dbib.html(...)À esquerda marxista-leninista não convinha o exercício da oposição no plano democrático, mas a revolução inspirada na União Soviética. Desde 1961, Cuba e China, nos governos Jânio Quadros e João Goulart, já treinavam brasileiros para a guerrilha. O Movimento Estudantil radicalizara-se, dirigido pelas dissidências comunistas da Guanabara e São Paulo, que se opuseram à diretriz do Partido Comunista Brasileiro, contrária à luta armada. Várias facções guerrilheiras já haviam surgido em disputa entre elas. Em 1967, foi desbaratada a Guerrilha de Caparaó e começaram as ações armadas da guerrilha urbana em São Paulo. Em 1968, eclodem as greves políticas, os assaltos a bancos, ataques a quartéis do Exército para roubo de armas e os atos terroristas assassinos. No dia 12 de dezembro, a Câmara dos Deputados, na qual o governo tinha ampla maioria, nega licença para que fosse processado pelo Supremo Tribunal Federal o deputado que chamara as Forças Armadas de 'valhacouto de bandidos'. (...)

(...)O Estado estava, pois, vivendo o dilema de Loewenstein , atacado por militantes totalitários. Antonio Cândido, nome exponencial da esquerda, justifica a violência leninista: 'Aceito plenamente a violência revolucionária como defesa da revolução.' Os chefes militares declararam-se formalmente incapacitados de vencer a guerrilha se os direitos individuais fossem mantidos. Aceitamos, também, a violência defensiva. A Colômbia manteve as liberdades fundamentais, ao contrário do Brasil. Faz 42 anos não vence as guerrilhas comunistas que já dominam 40% do território nacional. No nosso caso, vencemos a luta armada dos comunistas. Só não deveríamos ter feito durar por dez anos o AI-5, inicialmente um imperativo da defesa do Estado. O presidente Costa e Silva iria revogá-lo em setembro de 1969, não houvesse adoecido fatalmente.

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