Você teria mais tempo para filosofar com uma jornada mais curta
“QUE SE PROCLAMEM os Direitos da Preguiça, milhares de vezes mais nobres e sagrados do que os tísicos Direitos do Homem; que as pessoas se obriguem a trabalhar apenas três horas por dia, a mandriar e a andar no regabofe o resto do dia e da noite.” Esta é uma frase de um pequeno livro que é um clássico da iconoclastia e da provocação, O Direito à Preguiça, de Paul Lafargue. Publicado em 1880, o livro era uma resposta a um outro que, algum tempo antes, descrevera as virtudes do trabalho. Lafargue, um homem de esquerda, genro de Karl Marx, pretendia minar o que julgava ser uma cultura favorável aos capitalistas e desfavorável aos trabalhadores: a crença de que o homem deve enxergar no trabalho uma atividade enobrecedora, com uma dimensão quase espiritual. Em busca de argumentos, Lafargue voltou ao passado.”Os filósofos da antigüidade ensinavam o desprezo pelo trabalho, essa degradação do homem livre; os poetas cantavam a preguiça, esse presente dos Deuses.”
Bem, a pregação de Lafargue não vingou, como todos sabemos. Não apenas os homens se entregaram a jornadas intermináveis, simbolizadas no workaholismo, como mais tarde as mulheres aderiram às mesmas rotinas no escritório. Lafargue morreu num pacto suicida com Elaine Marx, e suas idéias foram enterradas com ele.
Ou quase.
John Maynard Keynes, um dos maiores economistas do século passado, o gênio inglês controvertido que nos anos 30 deu sustentação teórica para intervenções do governo na economia para mitigar crises, vislumbrou um futuro em que as pessoas trabalhariam, como dissera Lafargue, três horas por dia. Todos, no sonho keynesiano, teríamos mais tempo para nos dedicarmos a ocupações como ler, refletir, meditar, filosofar, bebericar com os amigos, flertar — mandriar, enfim, para usar o verbo preciso de Lafargue.
Lafargue e Keynes, brilhantes cada qual do seu jeito, perderam.
Ou não?
“QUE SE PROCLAMEM os Direitos da Preguiça, milhares de vezes mais nobres e sagrados do que os tísicos Direitos do Homem; que as pessoas se obriguem a trabalhar apenas três horas por dia, a mandriar e a andar no regabofe o resto do dia e da noite.” Esta é uma frase de um pequeno livro que é um clássico da iconoclastia e da provocação, O Direito à Preguiça, de Paul Lafargue. Publicado em 1880, o livro era uma resposta a um outro que, algum tempo antes, descrevera as virtudes do trabalho. Lafargue, um homem de esquerda, genro de Karl Marx, pretendia minar o que julgava ser uma cultura favorável aos capitalistas e desfavorável aos trabalhadores: a crença de que o homem deve enxergar no trabalho uma atividade enobrecedora, com uma dimensão quase espiritual. Em busca de argumentos, Lafargue voltou ao passado.”Os filósofos da antigüidade ensinavam o desprezo pelo trabalho, essa degradação do homem livre; os poetas cantavam a preguiça, esse presente dos Deuses.”
Bem, a pregação de Lafargue não vingou, como todos sabemos. Não apenas os homens se entregaram a jornadas intermináveis, simbolizadas no workaholismo, como mais tarde as mulheres aderiram às mesmas rotinas no escritório. Lafargue morreu num pacto suicida com Elaine Marx, e suas idéias foram enterradas com ele.
Ou quase.
John Maynard Keynes, um dos maiores economistas do século passado, o gênio inglês controvertido que nos anos 30 deu sustentação teórica para intervenções do governo na economia para mitigar crises, vislumbrou um futuro em que as pessoas trabalhariam, como dissera Lafargue, três horas por dia. Todos, no sonho keynesiano, teríamos mais tempo para nos dedicarmos a ocupações como ler, refletir, meditar, filosofar, bebericar com os amigos, flertar — mandriar, enfim, para usar o verbo preciso de Lafargue.
Lafargue e Keynes, brilhantes cada qual do seu jeito, perderam.
Ou não?