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A navalha de Occam e a consciência divina

Iniciado por priscila em 25/03/2010 · 5 mensagens

priscila#1
Amigos,

Eu afirmo, de bom coração, que a excelência intelectual vem de CONJUGAR um paradigma racional com um paradigma divinamente concedido, de poder, de SER CAPAZ de crer.

Vejo tanto a razão quanto a FÉ como dádivas divinas, a ser maximamente desenvolvidas conforme a nossa capacidade humana e portanto limitada e obrigatoriamente humilde - mas sempre dentro da máxima honestidade, sempre em busca da Verdade.

Gostaria portanto de propor este debate, que me parece interessante: eu defendo a tese de que a chamada "navalha de Occam" é completamente COMPATÍVEL com o uso da consciência, a qual afortunadamente e por bondade de Deus, nosso Pai, nos foi concedida.

Creio que o que nos cabe é precisamente conjugar essas duas possibilidades, esses dois paradigmas - a razão e a fé - de modo a compor um modelo humano único, essencialmente humano, que nos CARACTERIZA como filhos de Deus, merecedores da Divina Intercessão, expressa pela Encarnação do Verbo.

O que os amigos e confrades pensam a respeito?
michel_2#2
Se formos pensar em todo aparato mental e sensitivo que os seres humanos possuem, o mundo ao redor emana a ideia de um Criador para todas as coisas. Os seres humanos nascem com aquilo que os cientistas chamam de Detector de Agente, que é nossa capacidade de expandir a consciência e atribuir e/ou reconhecer individualidade em outros objetos, ideias e/ou fenômenos. Aquela ideia que os homens nascem ateus é uma mentira.

Se uma criança já nasce predisposta ao crer é porque o crer é um instinto natural, embutido em nossa "BIOS". Partindo disto, é fácil chegar a conclusão que a crença é mais simples que a descrença. A descrença necessita formulações racionais elaboradas, filosóficas, o que requer uma mente mais madura e absorvida em diversas leituras e pensamentos; ao contrário, para se ter crença basta apenas nascer e se deixar levar pela influência do ambiente natural, porque a "antena" já vem ligada em alta voltagem: por isso é mais simples. Penso que a Navalha de Occam, embora seja utilizada para o método científico, pode ser sugerida sim como uma analogia. Crer é normal e natural: descrer é um absurdo, onde o sujeito tem que fazer um esforço filosófico tremendo para se auto-justificar e negar o óbvio.
ozzy#3
Creio que descrença, na grande parte dos casos - provem de alegorias mentais e construções irracionais de uma realidade externa que não condiz com o meta-físico e, muitos menos com o plano material. Beirando a soberba, logo transformando o ser num completo imbecil q nega a sí mesmo!
wellington_2#4
Sempre que discuto sobre religião com alguém chega uma hora que o sujeito apela e diz que para crer em Deus é preciso ter fé. Muito bem. Mas é possível realizar algum empreendimento humano sem ter fé? Por exemplo, quando alguém vai casar ele precisa ter fé que sua esposa o ama e que está disposta a viver com ele para sempre. A dona pode até dar sinais que realmente ama o sujeito de verdade mas, ele não possui nehuma prova que o casamento vai dar certo. Quando os pré socraticos estavam atrás do principio das coisas, eles não tinham nenhuma prova que seria possível realizar tal empreendimento. Quando Galileu e Newton matematizaram a natureza eles não tinham nenhuma certeza, nenhuma prova de aquilo era possível e viavel. A fé é fundamental para tomar as decisões da vida. A fé pode ser irracional como o fanatismo religioso, mas ter fé na justiça, ter fé na verdade é algo irracional? Creio que é justamente o contrário quando usamos a razão para tentar demonstrar que não existe justiça ou verdade aí sim é que estamos sendo irracionais sendo "racionais". É verdade que não existe justiça ou verdade perfeita mas elas existem apesar a imperfeições. É por isso que eu creio que a "super-razão" se torna um perigo no mundo moderno. Creio que o problema surge com Descartes. A filosofia de descartes criou a metodologia de colocar tudo em duvida. Mas essa duvida seria passageira, através da descoberta do cogito o homem poderia voltar e encontrar o fundamento de toda a verdade. Isso não foi viavel. A filosofia de Decartes não foi possível, mas o seu método da duvida continuou influente até que Kant chega a negação de toda verdade metafísica. Ou seja a filosofia moderna busca uma forma de epistemologia perfeita, conhecimentos apodícticos, apenas o conhecimento seguro. Mas isso não existe, nem na filosofia e nem na ciencia, o conhecimento é sempre uma evolução. Em busca da epistemologia perfeita a filosofia foi cada vez mais se esvaziando chegando a descontrucionismo.
wellington_2#5
Do outro lado essa "super-razão" elevada ao altar de uma divindade criou os regimes totalitários. Acho que está na hora de redefinir o que é razão. Temos que admitir que possuimos crenças, mas que através da razão podemos conciliar a crença. Na realidade acho que razão tem por objetivo investigar se a crença possui defeitos e contradições.
A razão não consegue dizer muitas vezes se a crença é real ou não.
Do outro lado a fé parece ser uma qualidade intrisicamente humana. Assim como a razão a crença em algo é uma necessidade humana. Geralmente é dificil encontrar uma pessoa que não acredite em nada e seja uma pessoa sã.
Creio que talvez o problema central é falta da auto-conciencia. Algumas verdades só podem ser descobertas pelo individuo, não por uma folha de papel. Aí vemos que fica problematico discutir o que quer seja com quem não tenha experimentado a verdade.
Talvez a navalha de occam se aplique mas para explicar isso para o mundo moderno necessitaria mudar o conceito de filosofia que começõu a imperar depois de Descartes.

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