Por Paulo G. M. de Moura
As pesquisas publicadas até o momento sobre a eleição para o governo do Rio Grande do Sul apresentam Tarso Genro (PT) na frente. A frieza dos números, no entanto, pode induzir o observador leigo ao erro. Salvo algum fator imponderável, que até o momento está ausente no tabuleiro da disputa, o candidato do PT deverá ser derrotado no pleito que se avizinha. Bastou Fogaça assumir a condição de candidato e já encostou em Tarso, segundo o Datafolha desse final de semana.
O passado comprova que o PT nunca foi maioria no RS. O eleitor gaúcho é predominantemente conservador e, em sua maioria, vota do centro para a direita. A única eleição para o governo do estado que o PT venceu foi a de 1998 (Olívio Dutra x Antônio Britto). E, mesmo assim, sob circunstâncias conjunturais muito específicas. De matriz exportadora, o agronegócio e a indústria gaúcha não podiam vender para o mercado externo por causa do real equiparado ao dólar. Com a economia aberta também não podiam vender para o mercado interno. Assustados com as reformas os eleitores (30% das famílias ligadas ao funcionalismo público), se voltaram contra Britto e FHC e votaram no PT. Mesmo assim, Olívio venceu pela escassa margem de 0,7%. Os candidatos do PT costumam perder o 2º turno estadual por margens de 4,5% ou mais. Naquele contexto vivia-se o apogeu do poder do PT no RS, devido à hegemonia petista em Porto Alegre. Em 2000 começa o declínio eleitoral do PT na capital. Vamos aos números:
A série de eleições em Porto Alegre revela que em 1994, Olívio fez 55% dos votos válidos no 1º turno contra Britto. Em 1996, Raul atingiu 53,7% dos votos válidos, elegendo-se prefeito em 1º turno. Em 1998, Olívio fez 57,9% no 1º turno. Dois anos depois de o PT eleger o governador, Tarso obteve 48,7% no 1º turno do pleito municipal. O mesmo Tarso, em 2002, na disputa pelo governo estadual, caiu para 42,2% no 1º turno. Em 2004, Raul não passou dos 37,62% no 1º turno. Em 2006, Olívio alcançou apenas 29,4% no 1º turno. Em 2008, Maria do Rosário fez de 22,7% no 1º turno. Entre 1996, quando venceu em 1º turno com Raul Pont, e 2008, quando perdeu com Rosário, o desempenho do PT no 1º turno caiu de 53,7% para 22,7%, portanto. Um tombo de 31 pontos percentuais em 12 anos.
A queda também se verificou nas disputas em 2º turno. Em 2000, Tarso venceu Collares fazendo 63,5%. Já em 2002, Tarso empatou com Rigotto no 2º turno, fazendo 50,2%. Raul fez 46,7% no 2º turno de 2004 contra Fogaça. E Olívio fez 46,4% no 2º turno de 2006 contra Yeda na capital. Fecharam-se as urnas de 2008 e Fogaça fez 58,95% dos votos válidos, contra 41,05% de Maria do Rosário. O desempenho do PT em Porto Alegre, na comparação entre o 2º turno de 2008 e o de 2004 caiu 5 pontos percentuais. Em Pelotas, Fetter (PP) venceu com 54,4% sobre 41,5%. Em Caxias o PMDB derrotou o PT com vantagem de cerca de 10%; em Sta. Maria de 20%.
PT ganhou no eixo da BR 116, é verdade, coroando esses resultados com a vitória em Canoas, e cresceu em número de prefeitos e vereadores no RS. Um resultado numericamente expressivo, mas aquém das metas do partido e qualitativamente ruim para quem pretende voltar ao governo estadual em 2010. O eixo do poder no RS não é a BR 116; são as cidades nas quais o PT foi derrotado por expressiva vantagem de seus adversários. A opinião política se difunde no estado a partir dos centros regionais onde o PT foi derrotado em 2008.
O segundo problema do PT é Tarso Genro. Sua liderança é desagregadora; sua imagem é de arrogância e prepotência. A unidade dos petistas em torno de Tarso não decorre de seu carisma ou do amor da militância por seu líder, mas da constatação das dificuldades que o PT terá nessa eleição. Os petistas estão engolindo Tarso por falta de alternativa.
A passagem de Tarso pelo Ministério da Justiça não contribuiu em nada para amenizar essa imagem. Pelo contrário. Por mais que Tarso diga que a Polícia Federal (PF) sob seu comando estava cumprindo seu papel no combate à corrupção, e que seja verdade que nunca antes nesse país se descobriu tanta corrupção como sob o governo de Lula, a verdade é que, para o mundo político o que transpareceu é que o então ministro é capaz de usar a polícia a serviço de seus interesses pessoais e partidários.
Tarso é um democrata; incapaz desse tipo de atitude! O problema de Tarso Genro é que eu sou o único que pensa assim. 99,99% das pessoas no meio político pensam o contrário. E, ensina a experiência que, em política, a percepção vale como verdade. Na dúvida, quem ama a liberdade e a democracia preferirá evitar que alguém que pode agir assim chegue ao poder. Não custa lembrar, também, que no mundo político muitos devem à Lei. Ao fazerem suas equações eleitorais esses, certamente, se perguntarão: Como agirá Tarso como governador de estado tendo sob seu controle o sistema de grampos telefônicos da polícia gaúcha?
Sendo ou não verdade, o fato é que Tarso, ao transparecer alguém capaz de assim agir, difunde medo; transparece sordidez, malignidade. Sentimentos como esses repelem; afastam; fecham portas; destroem pontes.
Não há prova mais cabal das dificuldades de Tarso para atrair aliados do que a negativa do PC do B e do PSB em reeditar a Frente Popular. Aliás, nesse caso, não se trata apenas de resistência à arrogância de Tarso, mas à prepotência hegemonista do próprio PT, à qual os antigos aliados não se mostram mais dispostos a ceder.
Mas, Beto Albuquerque e o PC do B meteram-se num brete. Talvez terminem engolindo Tarso. Mas, se o fizerem no 1º turno, será, também, por falta de opção. Sabe-se lá o que Tarso tem na manga para atrair o PSB, o PC do B e o PTB para seu palanque. Mas, quem esteve no ministério e é governo sempre tem seus trunfos.
Passemos à Yeda. Nos últimos tempos circula pela imprensa o mito da viabilidade eleitoral da governadora. Nem Yeda acredita nisso! Não existe caso na política mundial de um candidato com mais de 40% de rejeição ter conseguido se eleger. Segundo o Instituto Methodus a rejeição de Yeda é de 55%. Pelo Datafolha, 45%.
O que ocorre é que o PT percebeu que Yeda e Fogaça disputam o mesmo eleitorado. Assim, o PT aliviou a mão na batida em Yeda para manter Fogaça abaixo de Tarso nas pesquisas, na tentativa de prorrogar o máximo possível a convergência dos eleitores para o nome que vai derrotar Tarso no 2º turno; Fogaça.
Na verdade o importante seria como fala o professor Olavo não é so ganhar do pt aqui no riogrande do sul mas sim investiga lo.
Vai ser sofrido esse ano.
O DEM talvez se una ao PTB e escolher entre PT e PMDB é dose...