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Como superar a crise provocada pela verdade ?

Iniciado por willian em 29/04/2010 · 10 mensagens

willian#1
Meus amigos, criei este tópico, com o objetivo de quem sabe receber alguma luz oriunda da experiência de alguns com a questão da Verdade.

É que sempre quando vou me colocar diante de Deus em oração, observo quanta resistência minha alma ainda coloca para impedir a entrada da luz da verdade que é o único meio de nos fazer livres.

Exemplificando: quando observo a minha vida me esforçando o máximo para ser honesto comigo mesmo e percebo o quão distante estou dos parâmetros que a Verdade exige, sempre surge em mim, uma sensação de desespero, por saber que por meus próprios esforços é quase que trabalhar em vão.

Mesmo sabendo que há aquela parcela que depende de algo que minha religião (catolicismo) denomina GRAÇA, fica aquela pulguinha me fazendo duvidar ou até mesmo ter certeza de que do que depende do exercício de meu livre-arbítrio, estou em muito deixando a desejar.

Acredito eu que só os santos atingiram um grau quase 100 % de transparência ante a ação da graça Divina, com pouquíssimos obstáculos.

Como vocês vivenciam esta tenção livre-arbítrio x graça ?

Um abraço a todos
alexey#2
Nem a Madre Tereza de Calcutá era isenta de dúvidas e angústias. Ela relata, em suas cartas, incontáveis testemunhos de dúvidas, temores, percepção do quão distante da perfeição se encontrava, etc.
alexey#3
De todo modo, eu te recomendaria ler - se você já não leu - "Confissões", de Agostinho de Hipona [que vocês, cristãos, conhecem melhor como Santo Agostinho]. Trata-se de um livro muito interessante. O que você relata em seu post me fez pensar neste livro, e nas diversas passagens em que Agostinho diz o mesmo que você - acho que até de uma forma mais intensa.

Como ele depois diz ter descoberto as respostas, creio que valha a pena você ler.
lucas_9#4
Uma coisa é o conhecimento e a adesão de verdades de fé; outra é a honetidade intelectual, isto é, o esforço contínuo de orientar a alma para agir de acordo com a realidade, sem se auto-enganar. Acredito que o William fala do segundo caso.

Esse é um esforço contínuo. Creio que se trata de uma questão de amadurecimento. Quando éramos crianças, a verdade pouco importava, nosso conceito de verdade era solapado pelo nosso desejo da fantasia atraente das histórias fantásticas, dos amigos imaginários, das brincadeiras de Batman e Robin. Com o tempo notamos que em certos momentos não podemos viver no mundo imaginário e ignorar que existe algo concreto da realidade que acabará por obrigar algumas de nossas ações, ou impedir outras (quando se quebra a perna, não adianta fazer de conta que aquilo não aconteceu). O Olavo explica isso na primeira aula do Seminário de Curitiba.

Do mesmo modo, na adolescência, já não acreditamos em contos de fadas, mas tendemos a acreditar em ideais utópicos, com base na nossa mera opinião de como deveria ser o mundo, a sociedade, a conduta humana individual. Ou seja, deixamos de lado a poética como força geradora de verdade, mas deixamos que a retórica ocupe esse posto. Isso também é furtar-se à verdade, é suplantar a realidade dos fatos pela própria opinião pessoal.

Na juventude aprendemos a ser mais dialéticos, ou seja, a encontrar pontos de convergência para diversas teses conflitantes, sejam de caráter político, religioso ou moral. O problema aqui é que a imensa gama de discursos retóricos antagônicos que nos chegam por vezes nos faz tender a resolver tais conflitos de forma ingênua, tentando abarcar todos eles de forma sincrética. Aí caímos no relativismo, que é a dialética corrompida.

Somente após certa idade e experiência de vida é que passamos a dar a real medida para cada dado que nos chega ao conhecimento, de acordo com a qualificação dos quatro discursos de Aristóteles.
marcos_12#5
Não há contradição e nem mesmo tensão entre livre-arbítrio e a graça. Como o nome diz, graça é de graça: basta pedir com sinceridade à Deus ou à Virgem Maria que ela vem. Mesmo um assassino e estuprador recebe graças quando as pede. O problema é RETER a graça, ou seja: se tu fazer por merecer! De nada adianta pedir graça e cometer os mesmos atos contra a Verdade que te motivaram a fazer esse pedido. Dessa forma a graça de vai e tu ficas exposto a outras forças que não a divina.

A angústia e o pecado são uma constante da condição humana. Ninguém está fora o dilema existencial já que a abertura espiritual para o Deus e o mistério da Transcendência (que, no fundo, é Ele mesmo) é sempre parcial e variada. Caso contrário seríamos instantaneamente santos. Por isso que, por mais angustiante, doloroso e difícil de possa parecer, essa angústia fazer parte do exercício místico, e a oração é sua via "mais direta", por assim dizer. A mãe de Santo Agostinho, Santa Mônica, rezou durante 20 anos para a conversão de seu filho, e o sujeito virou santo e doutor da Igreja.

Portanto, nunca se deve desistir devido à angústia. Ela é a evidência da limitação humana, e que salta aos olhos quando confrontada com a infinitude divina. Isso é lição de humildade.

Creio que a maior virtude dos santos é a humildade, porque ela coloca o homem na exata medida perante a Deus; ela coloca o homem na posição que lhe cabe dentro da Ordem na qual ele mesmo faz parte e que dele não depende, mas que deve cumprir um papel. Esse papel é determinado pela Vontade Divina, evidente por seus sinais nas contingências da vida e do Cosmo mas insondável à condição necessariamente limitada do homem. Portanto, a humildade é condição necessária e irrevogável para a comunhão com Deus.

Espero ter ajudado em alguma coisa.
wellintonlo#6
Descanse em Cristo.

Os méritos Dele são seus.
Seu fardo Ele levou na Cruz.
wellintonlo#7
"Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus."
RM 8.14
wellintonlo#8
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança."
GL 5.22
mari_2#9
Acho que qdo a crise fica grande demais ou ainda eh pequena, nada como total entrega e confianca no Seu amor. Mesmo porque nao tem outro jeito mesmo.
marcos_12#10
Me perdoem os erros de português. Eu escrevi uma mensagem que apaguei sem quer; depois fiz essa e tive de sair.

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