http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd240420022.htm
DESINFORMAÇÃO & DISFARCES
Pedofilia não cai do céu
Alberto Dines
Sensacionalista, enganosa e simplista é como se deve classificar a cobertura dos chamados "escândalos sexuais" na Igreja Católica. E isso aplica-se tanto à cobertura americana e européia como à brasileira.
Nos EUA, a onda de denúncias de pedofilia praticada por sacerdotes foi acionada pela "indústria das indenizações", híbrido produzido pelo conluio entre o big business advocatício e um poder judiciário apenas preocupado com o desempenho dos juízes e não com a administração da justiça.
O suporte primário deste alvoroço mediático é a veneranda gana de devassar os segredos dos conventos e claustros. No caso dos países luteranos (o Brasil, hoje, é quase um deles), a sofreguidão pelos pecados de padres e freiras é alimentada por um revanchismo teopolítico não menos sórdido, considerando a degradação que grassa no submundo dos evangélicos e do baixo-protestantismo.
Se, como tem sido dito, a Igreja Católica enfrenta um de seus piores momentos em matéria de imagem – para este Observador mais grave foi a cruzada mundial para acabar com a Inquisição, no fim do século 18 até meados do 19 – não se pode ignorar que os métodos, teores e resultados práticos e espirituais das seitas e sub-seitas fabricadas em série (e apenas teoricamente ligadas à Reforma) não são menos aviltantes. Talvez até mais graves pelas proporções. E isto sequer tem sido lembrado no copioso desnudamento dos templos da linha romana. Estamos, portanto, assistindo a um gigantesco processo de distorção jornalística.
DESINFORMAÇÃO & DISFARCES
Pedofilia não cai do céu
Alberto Dines
Sensacionalista, enganosa e simplista é como se deve classificar a cobertura dos chamados "escândalos sexuais" na Igreja Católica. E isso aplica-se tanto à cobertura americana e européia como à brasileira.
Nos EUA, a onda de denúncias de pedofilia praticada por sacerdotes foi acionada pela "indústria das indenizações", híbrido produzido pelo conluio entre o big business advocatício e um poder judiciário apenas preocupado com o desempenho dos juízes e não com a administração da justiça.
O suporte primário deste alvoroço mediático é a veneranda gana de devassar os segredos dos conventos e claustros. No caso dos países luteranos (o Brasil, hoje, é quase um deles), a sofreguidão pelos pecados de padres e freiras é alimentada por um revanchismo teopolítico não menos sórdido, considerando a degradação que grassa no submundo dos evangélicos e do baixo-protestantismo.
Se, como tem sido dito, a Igreja Católica enfrenta um de seus piores momentos em matéria de imagem – para este Observador mais grave foi a cruzada mundial para acabar com a Inquisição, no fim do século 18 até meados do 19 – não se pode ignorar que os métodos, teores e resultados práticos e espirituais das seitas e sub-seitas fabricadas em série (e apenas teoricamente ligadas à Reforma) não são menos aviltantes. Talvez até mais graves pelas proporções. E isto sequer tem sido lembrado no copioso desnudamento dos templos da linha romana. Estamos, portanto, assistindo a um gigantesco processo de distorção jornalística.