O diretor que inventou um roteiro anti-histórico para as Cruzadas (com direito a um Saladino bonzinho) lança um filme com versão "atualizada" do clássico. (Eu já não gostava daquele que tem um frei manguaçeiro... vou gostar ainda menos desse..)
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/05/13/novo-…16572479.asp
A estória pode ser ruim, mas, como disse o Olavo de Carvalho, as cenas de batalhas são espetaculares.
Preparem-se para mais um monte de lixo anti-cristão, anti-religioso, e esquerdopata.
Certo tempo atrás - uns dois anos, ao menos - a página brasileira do Mises Institute havia publicado um excelente artigo, cujo autor infelizmente não guardo na memória, apresentando uma visão bastante particular - e positiva! - de Robin Hood.
A observação era muito simples, na verdade, porém crucial: Robin não tomava os bens dos ricos, mas os bens dos personificadores do Estado. Eram os carregamentos de impostos injustos e abusivos aquilo a que o herói atacava preferencialmente. Contaria a favor dessa leitura, entre outros pontos, o fato de que Robin, na tradição original, era um aristocrada cujo rank e bens lhes foram arbitrariamente tomados pelo sheriff (o Estado, ora pois).
Ademais - e esse acréscimo é meu, mesmo - os valores originais do Hood mítico eram os típicos do herói medieval, o cavaleiro cortês, sem qualquer traço modernista ou subversivo.
Seria bom se alguém tivesse notícias daquele artigo.
"A floresta é amiga dos fora da lei: Sem impostos, sem dízimos; ninguém é rico, ninguém é pobre. Funções justas para todos à mesa da natureza".
Marion na última cena do filme.
E eu perdi meu tempo baixado 1,37gb para assistir essa porra. É a floresta de Sherwood virando o paraíso utópico dos comunistas, com direito a mensagem eco-chata para as massas do século XXI.
Introdução do filme:
"Em tempos de tirania e injustiça, quando a lei oprime o povo, o fora da lei assume seu papel na história [...] por defender os fracos contra os fortes, sera condenado a viver como um fora da lei.".
Robin Hood é apresentado como Robin Longstride, um arqueiro do exército cruzado de Ricardo Coração de Leão voltando da terceira cruzada. Traumatizado por ter participado do massacre contra os muçulmanos prisioneiros de Acre retomada, na verdade não passa de um soldado-americano do século XXI traumatizado por ser soldado e ter de encarar de frente os horrores da guerra. Deve ser horrível entrar no exército e ter de ir para a guerra...
Quando o rei Ricardo o pergunta se Deus gostou da Cruzada que ele fez, Robin responde que não (nosso herói é honesto até frente a reis!), e vai parar no ferro. Sorte dele que o rei tirano morre antes de empalar ele, vítima de um virote de besta no pescoço atirado por um coitadinho (parece que cozinheiro) num cerco, que comemora muito. Pudera, é o pobre coitado vencendo o rico poderoso e malvado!
Além disso, nosso fora da lei é um profeta antecessor do iluminismo vindouro, uma luz de liberdade, igualdade, fraternidade, na escuridão da "Idade das Trevas", composta de reis, cavaleiros e nobres tiranos, cuja única diferença entre todos seria "o valor da roupa que usam": O rei João da Inglaterra está sendo vítima de uma revolta de barões ingleses aliados aos franceses que invadem o país. Nosso herói consegue fazer o rei jurar que assinará uma carta com deveres e direitos (o rascunho daquela da ONU) para todos (reis, barões, camponeses), e assim todos os ingleses fazem as pazes para combaterem aquela escória que existe além do Canal da Mancha. Porque, contra os franceses, todos os ingleses devem esquecer suas diferenças e se unir. É o prelúdio das guerras patrióticas e da grande carnificina do século XX. Mas é claro que o rei não vai cumprir sua promessa, afinal, ele é rei! Então, após vencerem o inimigo, no final do filme ele queima a carta na frente de todos os nobres. Porra, voltamos para as trevas; vamos ter de esperar mais alguns séculos por um Voltaire, Diderot, ou Montesquieu...
Frases do nosso herói-bandido-comuna:
"constrói o seu país como se constrói uma catedral: De baixo para cima" para o rei João.
"Não devo a Deus nem mais outro homem nenhum minuto de serviço". A exemplo dos agentes pluralistas da ONU (em plena idade Média) Balian e do Saladino de "Cruzada".
"Cervos são propriedade do rei: Se é ilegal um homem buscar seu alimento, como pode ser um homem?" Será que as ongs vegetarianas e protetoras dos animais vão processar o ridley scott????? Acho que essa foi uma bola fora do filme... na sua apologética vermelha.
Pra variar, a maldita Igreja está (como sempre) estorquindo o povo, só pensando em dinheiro... Se esse filme fosse lançado daqui 6 meses, aposto que apareceria um padre sendo acusado de pedofilia: O bispo "mauvadu" das terras de Marion se recusa a distribuir os grãos de seus celeiros abarrotados para os camponeses plantarem nas suas terras prontas para o cultivo, uma vez que não tem grãos. Camponeses resumidos e mulheres, crianças e idosos, já que os homens foram todos para a guerra. A justificativa: O povo da vila é muito pecador... Nossa heroína indignada retruca dizendo que "gosto da igreja silenciosa quando rezo". Será que foi uma mensagem subliminar para hoje??? Mas o pior veio depois: "O Xerife em nome do rei ricardo removeu nossa riqueza para pagar aventuras no estrangeiro. E a Igreja, em nome do Deus misericordioso, ceifou a maior parte do que arrecadamos para nos alimentar. Entre o xerife e o bispo é difícil saber qual é a maior maldição (acho que é essa palavra) para uma pessoa honesta."
Sobre o quesito historico não entrei em detalhes, mas vi de cara um erro: Leonor de Aquitânea está esperando a volta do rei Ricardo, mas volta apenas sua coroa, e ela fica chocada por sua morte. Na realidade, Ricardo, ferido e no leito de morte, mandou chamar sua mãe, e ela ficou ao seu lado por vários dias até ele falecer...