NÃO SINTO CULPA
Esse é o polêmico artigo de Patricia Carlos de Andrade ao qual a economista se refere em sua recente entrevista à VEJA (Janeiro 07).
O artigo de Arnaldo Jabor, "Meninos do Rio nos causam arrepio" (O GLOBO 23/11 ) descrevendo medos e culpas diante dos meninos dos sinais, é oportunidade para discutir questão central no jornalismo brasileiro: o predomínio do paradigma que simplifica, em dois sentidos, o problema da pobreza e da criminalidade. Primeiro, porque explica transgressão e crime como produtos da estrutura social e não da responsabilidade individual, segundo, porque culpa os que prosperaram ,pela pobreza dos que fracassam.
Não sinto, como Jabor, culpa pelo marabarista no sinal: absolutamente nenhuma. Porque eu não tirei nada dele. Tudo que ganhei, foi com o suor do meu rosto, dando, com determinação, o melhor de mim a cada momento da vida. Sempre cumpri com minhas obrigações, paguei meus impostos, votei nas eleições, assinei as carteiras que passaram pela minha frente. E agi para aumentar o bem-estar das pessoas pobres scom quem convivi e que, muito pobres como são, nunca quiseram me atacar, roubar ou enganar: a cada ato meu de solidaredade- ajuda para escola dos filhos, pagamento de plano de saúde, da escolinha de futebol, cestas e festas de Natal- sempre tive o retorno em gratidão e amizade.
Que culpa pode sentir um amigo, por exemplo, dono de uma loja do Mc-Dopnald´s? Com sua vontade de vencer, por mais de doze horas por dia ele combate muito mais a pobrezaa do que chorões perplexos que reclamam das injustiças, sentados em frente a seus computadores.
Não sinto culpa, porque não faço parte do grupo de inlelectuais que, por anos e anos, usa privilégios ou verbas públicas para nos convencer que vivemos numa sociedade de classes e raças que se odeiam, de exploração do pobre pelo rico.
Sinto penas dos meninos, como dos garagistas do edifício em que cresci, que hoje, senhores como eu, continuam na mesma garagem escura; e da cozinheira de minha infância, hoje velhinha, que conseguiu dar estudo aos dois filhos, que tiveram as expectativas frustradas pela falta de oportunidade.
Somos um país sem regras universais de economia de livre mercado, que, como o prova a Histórioa do último século, são as que produzem prosperidade para a maioria da população. Afundamos gerações e gerações na mais eterna mediocridade, com uma eleite dirigente que, alimentada em suas idéias por intelectuais que acreditam saber a fórmula de um mundo melhor, promete o que não vai entregar, enquanto alguns se locupletam ilimitadamente
Eu sei para o que digo "basta". Basta daqueles que, dos seus cafofos de luxo, publicam artigos não para nos ajudar a entender as bem sucedidas democracias de mercado que construíram a prosperidade de seus povos, mas para fazer cabeças, com uma visão de mundo coletivista e estatista, já sepultada pela Hisória; que iligitimamente dizem em meu nome:"Menininho do sinal, não interessa os sacrifícios que o cara ali naquela Mercedes fez para montar seu negócio, dando empregos e oportunidades para centenas de famílias, ou o que suou aquele, no Pálio, para estudar e trabalhar no Miguel Couto.Porque o que eles têm, eles tiraram de você. Não sei direito por que vias, mas repito sempre que o que eles têm é o que vocês não têm.Largue suas abolinhas, junte-se aos outros, e agaque-os sem piedade.
Basta de sermos enganados nas escolas, nas universidades, nas Igrejas, com dedos apontados e palavras de orem: Injustiça Social! Eu não cometi essa injustiça.
É hora de mudarmos o enfoque: sociedades prosperam porque incentivam os pobres a tornar-se ricos, e ricos e pobres a cumprir leis universais e simples, entendidas por todos, sendo os bem-sucedidos referênfia para os pobres. Sem isso, é mais pobreza, mais ilegalidade, mais jovens de talento no caminho do cinismo ou da emigração, alimentando o círculo vicioso de uma sociedade fracassada.
Precisamos mudar a abordagem sobre riqueza e pobreza para evitar ser parte desse grupo, em que estão muitas sociciedades no início do século XXl, particularmente na América Latina .
Patricia Carlos de Andrade - economista e empresária
Li a entrevista na Veja, na qual ela se refere a esse texto, e conta que meteram o pau, na faculdade da filha ("Quem é essa mulher que pensa que é economista?", ou alguma idiotice parecida).
Em tempo: a despeito do Estado e da oligarquia estatal (que só não empurrou a classe média para a mesma situação pq ainda não teve chance) serem os reais responsáveis por essa tragédia juvenil, uma criança pedindo dinheiro num semáforo consegue arrecadar R$ 900,00 em média "da classe burguesa fria e exploradora". Quer dizer: ainda assim a classe média dá aos pobres aquilo que o Estado tirano tira. Não contente com isso o Estado tirano tira essas crianças do semáforo (semáforo não é lugar de criança, principalmente se no semáforo esta criança não estiver distribuindo drogas, não estiver se prostituindo, nem assaltando ou matando pequenos burgueses) e joga estas almas inocentes nas mãos dos assistentes sociais para aprenderem coisas preciosas como "o direito de roubar" (isso eu vi pessoalmente), a odiar a classe média, a amar o Estado e o Partido acima de todas as coisas e a traficar e passar drogas com outros "amiguinhos" dentro dessas verdadeiras fábricas de deliquentes.
Pra ser sincero, tbm não sinto culpa quando vejo uma criança de rua... entendo o problema delas, mas sou demasiado egoísta para me importar com isso, deixo esta preocupação para os altruístas...
A diferença fundamental é entre culpa e responsabilidade. Claro que todos temos a responsabilidade em melhorar o mundo; o que é bem diferente de ter culpa. Culpado é quem causou a situação.
E quem se sente responsável, faz o possível para defender o liberalismo, já que apenas ele tira as pessoas da miséria, enquanto o socialismo aumenta a pobreza ainda mais.
Em tempo: o liberalismo produz riqueza material. Concordo plenamente. Porém somente a riqueza material não é capaz de garantir a riqueza intelectual e moral necessária primeiramente ao surgimento do liberalismo (como bem disse Adam Smith) e também à sustentação do sistema liberal em si. O liberalismo é antes de tudo uma ferramenta poderosa e não um fim.
Ficar triste é uma coisa, sentir-se culpado é outra muito
diferente... Não sou responsável por isso, então tb não me sinto culpada. Vim de família bastante pobre, meus pais ralaram o diabo para que eu pudesse estudar, mas tínhamos ensino público de qualidade ( desde básico até o superior) , bastava esfÔrço e boa vontade pra seguir em frente.Haviam as bolsas de estudo em escolas particulares para os cursinhos de Admissão ao ginasial e cursos de idiomas .
Era normal filhos de empregadas domésticas, porteiros,vendedores- de- porta- em porta... tornarem--se médicos, advogados, alunos de escolas militares...Ascender de classe social era comum. Vejam hoje mesmo: um número incontável das pessoas de classe média veio de famílias de origem humilde. Na verdade existem interesses políticos-ideológicos que visam a perpetuação da miséria. Muita gente ganha votos e dinheiro com isso.
Claro!
Minha família não era pobre, e eu nunca me senti culpada pela pobreza de ninguém! Sempre fizemos tudo corretamente, ajudamos sempre que podemos, o máximo que podemos.
Os grandes culpados são os que obrigam, porque é de seu interesse, que as pessoas PERPETUEM seu estado de pobreza, CRONIFIQUEM esse estado - que só vai melhorar, como disse o Toth, quando se modificar um modelo moral pervertido, que joga milhões num buraco negro de ignorância, maldade e - lógico - mais miséria.
Espero que todo mundo tenha entendido que eu critiquei o "entendo o problema delas, mas sou demasiado egoísta pra me importar com isso".
Sinto muito, Gerson, mas que frase cretina!
Não foi isso que a Patrícia Carlos de Andrade quis - ou seja, fazer a apologia do egoísmo, ou da indiferença!
O que é preciso deixar claro é que NUNCA vai-se resolver um problema se não se achar sua causa correta, pra agir nela!
E enquanto os imbecis e os cínicos ficarem jogando a culpa na "sociedade", as coisas só vão piorar, porque a mencionada "sociedade" não tem culpa nenhuma, ora bolas!
Aparentemente vc não entendeu. Não estou sendo irônico ou assumindo de forma caricata o discurso de terceiros. Sou egoísta mesmo, e estou admitindo isso aqui. Há pessoas que são egoístas e há pessoas que são altruístas, independentemente de sua visão política, eu pertenço ao primeiro grupo, não vou ser hipócrita em negar isso.
Tbm concordo de que diluir a culpa na sociedade é algo idiota.
Não quero saber se você é egoísta ou não, mas acho cretino dizer que "não se importa" com as crianças jogadas nesse destino medonho.
Eu fico de coração apertado - e continuo sabendo perfeitamente que a culpa não é, nem nunca foi, minha.
Por isso digo que o único serviço público que excede o que pagamos em impostos pelo valor e contribuição realizados de volta para a sociedade são os bombeiros. Um bombeiro não poderia pensar como o Gerson jamais. São inúmeros os casos de bombeiros que perderam a vida tentando salvar outras pessoas. E como a vida não tem valor, então o que pagamos de impostos para que eles nos salvem quando ninguém mais está disposto a tentar alguma coisa excede e muito o valor dos impostos que pagamos. Essa é uma crítica que eu faço inclusive à visão liberal de que todos os serviços públicos são ruins. Eu faço uma excessão honrosa aos bombeiros.
Eu não sei como o Olavo agüenta, palavra de honra... Vocês notaram a distorção completa de diversos ítens? Que os imbecis não entendam, vá lá - mas agora eles trocam o sentido do que foi dito, na maior!
"A embriologia, por exemplo, confessa não ter como distinguir entre um feto humano e um feto de chimpanzé aos três meses de gestação. Isso prova uma limitação da ciência embriológica, e não do potencial que homens e chimpanzés, já desde o início da gestação, têm para continuar a desenvolver-se e diferenciar-se depois de encerrado o processo embriológico, isto é, depois de saírem da alçada da embriologia. Não obstante, a autoridade da embriologia é usada como prova de que abortar um feto humano até os três meses não é mais grave do que fazer o mesmo com um macaquinho da mesma idade -- com a diferença de que provocar o aborto de um macaquinho dá cadeia, sem que se possa alegar nem mesmo que ele é um feto humano de três meses, descartável como uma camisinha usada."
Foi ISSO que o Olavo disse, Ulisses - exatamente o contrário do que você quer fazer parecer que ele quis dizer.
Eu fico de coração apertado - e continuo sabendo perfeitamente que a culpa não é, nem nunca foi, minha.
A Priscila fica de coração apertado e o gerson diz que é indiferente.
Mas a Priscila acha cretino o gerson, pela sua indiferença, muito embora tanto a indiferença quanto o coração apertado não façam a MÍNIMA diferença na condição dessas pessoas.
Entretanto, ficar de coração apertado, peninha, dó, etc etc etc mas não fazer nada é tão cretino ou não quanto não sentir nada.
Priscila: Vc tem direito de ficar com pena, mas o gerson tem o direito de ser indiferente, e não acham que sejam cretinos por um motivo ou outro. Isso pode fazê-la se sentir mais "humana" ou coisa que o valha, mas na prática não serve pra nada.
Aliás, acho muito mais saudável ignorarmos aquilo que não podemos ou queremos intervir ou mudar.
Em tempo: Tb fico de "coração apertado"...
Já quanto a culpa, concordo inteiramente com o texto.
Bom, esse Ulisses não dá. Não vou explicar pela trilionésima vez pra quem não tem condições de entender nada. Não há um ponto de partida definido - e simplesmente encarar uma tabula rasa é muito cansativo. Pelo menos hoje; amanhã pode ser...
Mas o outro acho que dá, então vamos lá:
Marco - se você, como eu, concorda com o artigo da Patrícia - e SABE que a culpa da trágica situação dos meninos de rua NÃO É SUA, não há motivo nenhum para que você sinta que deva sair "fazendo alguma coisa que adiante" - sem sequer saber que coisa é essa. Desse jeito, você está a um passo de dizer que a sociedade (que não faz nada que adiante) É, sim, culpada!
Penso que caridade em nível particular é uma atitude humana da máxima decência, e até instintiva, pra quem tem um coração bom. Mesmo sabendo que não vai "adiantar" nada, no sentido de que não vai resolver o problema que jogou a criança lá, in the first place, eu incentivo totalmente a prática. "Não me importando" eu abro mão da minha humanidade, meu chapa - coisa que nem o diabo, com toda a sua manha, jamais conseguiria...
E eu FAÇO EXATAMENTE o que julgo que há para ser feito: eu me esforço para, em TODOS os lugares possíveis, e por TODAS as formas possíveis, mudar o paradigma moral vigente, que estuporou com a ética das pessoas na minha cidade, no meu país, no meu mundo e, pelo andar da carruagem, na minha civilização!
Eu sei quem sou, e sei quem são meus inimigos - os que criaram a situação que, no final das contas, joga as pessoas num buraco negro de miséria moral e material, inocentes inclusive.
Não é por nenhum outro motivo e nem fazendo nenhuma outra coisa que estou aqui, aliás, respondendo a você - e chamando o Gerson de cretino...
Ácabo de ler o tópico, aqui mesmo na nossa comunidade, chamado POVO CONSERVADOR X ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL.
Aconselho, Marco, que você leia - e consiga entender melhor do que é que estou falando, e o que é que eu quero dizer...
Fica mais fácil, lendo as experiências do Mateus, e o que mais se discute por lá, perceber que é o modelo esquerdista que inventou essa coisa de "a culpa é da sociedade", porque esse modelo sórdido prega o ódio e a separação entre as pessoas. O que eles querem é justamente INCENTIVAR e ACIRRAR esse ódio e essa separação - não resolver problema nenhum!
Como eu disse, eu sei quem sou, e sei quem são meus inimigos.
Esqueci de dizer que também não sou burra, e portanto não faço o jogo deles...