Carta fictícia escrita por um falecido amigo de José Saramago, Gago D’Andrade Brasão, que foi entregue no último dia 18, dia da morte do escritor português.
“Meu caro José.
Faz muito tempo que eu gostaria de escrever-te esta carta daqui donde estou, mas fui severamente proibido de fazê-lo. Após a minha morte fiz de tudo para contar-te a minha impressão sobre a tua vida lá na terra dos viventes e o que aguardava-te aqui no mundo dos mortificados. Ainda bem que agora sei que tu receberás o meu texto, embora seja tarde demais.
Quando estávamos juntos em vida, sempre fiquei satisfeito com a tua trajetória política e literária. Não posso negar que foi linda a entrega do Nobel de Literatura, embora tivesse preferência pelo Prêmio Camões. Afinal de contas, este é da nossa terra e da nossa amada língua.
Sempre vibrei em vê-lo como um militante da esquerda a lutar pela utopia marxista no velho Partido Comunista Português. Como admirava os teus discursos inflamados contra a ideologia imperialista cujo lema era reificar o trabalhador para que o acúmulo das riquezas ficasse nas mãos de alguns.
O que dizer dos teus romances, peças teatrais, contos, poemas, crônicas, memórias? Até mesmo uma obra aos infantes foi composta por ti, refiro-me a “A maior flor do mundo”. Como foste produtivo e pudeste livremente externar tudo que pensavas da vida e das pessoas.
Também sentia orgulho quando contemplava a tua luta contra a Igreja, atitude condizente com o teu ateísmo aguerrido que tanto insistiu em desdivinizar o Cristo, tentando transformá-lo em um mero homem perturbado. É por isso que nem preciso dissertar sobre o teu célebre e polêmico romance “O Evangelho segundo Jesus Cristo”.
“Meu caro José.
Faz muito tempo que eu gostaria de escrever-te esta carta daqui donde estou, mas fui severamente proibido de fazê-lo. Após a minha morte fiz de tudo para contar-te a minha impressão sobre a tua vida lá na terra dos viventes e o que aguardava-te aqui no mundo dos mortificados. Ainda bem que agora sei que tu receberás o meu texto, embora seja tarde demais.
Quando estávamos juntos em vida, sempre fiquei satisfeito com a tua trajetória política e literária. Não posso negar que foi linda a entrega do Nobel de Literatura, embora tivesse preferência pelo Prêmio Camões. Afinal de contas, este é da nossa terra e da nossa amada língua.
Sempre vibrei em vê-lo como um militante da esquerda a lutar pela utopia marxista no velho Partido Comunista Português. Como admirava os teus discursos inflamados contra a ideologia imperialista cujo lema era reificar o trabalhador para que o acúmulo das riquezas ficasse nas mãos de alguns.
O que dizer dos teus romances, peças teatrais, contos, poemas, crônicas, memórias? Até mesmo uma obra aos infantes foi composta por ti, refiro-me a “A maior flor do mundo”. Como foste produtivo e pudeste livremente externar tudo que pensavas da vida e das pessoas.
Também sentia orgulho quando contemplava a tua luta contra a Igreja, atitude condizente com o teu ateísmo aguerrido que tanto insistiu em desdivinizar o Cristo, tentando transformá-lo em um mero homem perturbado. É por isso que nem preciso dissertar sobre o teu célebre e polêmico romance “O Evangelho segundo Jesus Cristo”.