Só uma questão que me ocorre:
Se o indivíduo tem o direito de fumar tabaco, pq não tem o direito de fumar maconha?
Pela corrente de pensamento liberal as drogas e o aborto deveriam ser liberados. Pela corrente de pensamento conservadora as drogas alucinógenas e o aborto devem ser proibidos pelo Estado. Caímos no velho dilema da separação entre igreja e Estado e o não-Estado ou Estado mínimo. É o Estado quem tem que arbitrar essas coisas? Não vi na teoria liberal nenhuma apreciação a qualquer base moral para sustentar um código legal e essa é, ao meu ver, a grande lacuna do liberarianismo. Em que basear um código de leis se não existe um código moral? A teoria liberal não responde isso.
Porque tabaco não altera consciência e maconha altera.
Muda a pergunta pra "por que se pode beber álcool e não se pode fumar maconha" e eu acharei que você tem um ponto.
E devo dizer que acho péssimo beber - embora o álcool seja conhecido há milênios, acho que causou uma desgraceira medonha na humanidade.
Meu pai, que era médico, fez estudos sobre alcoolismo e fazia um combate ferrenho ao uso de bebidas alcoólicas, dizendo que era uma catástrofe, da qual não se tinha noção.
Não sei se a maconha é uma droga alucinogina ou de fato altera o estado mental, nunca usei. Seria interessante ver a opinião de quem usou ou usa.
Sobre o álcool, ele de fato altera o estado mental quando usado em grande quantidade. Realmente ficaria a questão: pq se pode usar álcool e maconha não pode?
Bem, maconha vc já fica alterado com um ou dois pegas. Já bebida, para ficar alterado, não é só uma latinha de cerveja...
Claro, cada uma têm a sua resistência, têm gente que com uma latinha já fica meio besta... Mas essa mesma pessoa com um baseadinho, vai ficar retardada.
Pessoalmente, acho que o álcool destrói muito mais vidas que a maconha. Que no máximo pode levar um sujeito a total imobilidade.
Aí é uma boa pergunta.
Eu acho que ambas as coisas devem ser vistas pela mesma ótica.
O argumento a favor do álcool é que ele seria uma droga civilizada, inclusive benéfica sob muitos aspectos, se usada de forma controlada - e que essa tal "forma civilizada e controlada" seria a mais freqüente.
Eu acho esse argumento meio fraco - e não me oporia a uma lei seca, não.
De qualquer maneira, sou portadora de uma intolerância a uva e derivados, entre os quais o vinho - e nunca bebi absolutamente NADA até bem burra velha, tendo inclusive percorrido a França várias vezes pedindo água nos restaurantes, e sendo olhada como uma louca, por causa disso. As outras bebidas eu detesto.
Hoje eu arrisco uma tacinha de vinho de vez em quando, mas não pode ser mais do que isso, porque eu tenho uma reação alérgica importante se for mais... De qualquer modo, acho melhor não beber álcool nunca, mesmo.
Sou apreciador de vinhos (e de cervejas e destilado tbm ), acho que a bebida é algo para degustação, apesar de eu muitas vezes exagerar, mas até hoje nunca me causou nenhum mal, além de algumas ressacas triviais.
É, eu sei - tem um monte de gente que não vira alcoólatra, mas eu acho que ainda assim é difícil defender o uso de uma substância que inegavelmente altera a consciência.
E, segundo meu pai, trata-se de uma fronteira extremamente tênue, e não tem nada a ver com a gradação alcoólica do que se bebe, nada disso.
Ele inclusive dizia que a maioria dos alcoólatras do mundo bebiam cerveja (desculpem, mas não sei como alguém pode gostar de um treco que tem gosto de massa de pão crua...), e que o alcoolismo na Alemanha, por exemplo, era um problema IMENSO! Então, eu fico com a opinião do velho Paulo Márcio...