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Militantes pagos aumentam público de comício de Dilma no Rio
Um dos organizadores de um dos ônibus usado no transporte disse que as pessoas recebem pela militância de R$ 300 a R$ 400
Enquanto aumentava a expectativa para realização do comício de estreia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, na noite desta sexta-feira, militantes contratados desembarcaram de vans e ônibus para assegurar um reforço de público à festa.
De baixo de chuva, uma das militantes, que não se identificou, disse ter recebido R$ 1.200 para "trabalhar na campanha". No entanto, ela não especificou se a ajuda de custo era mensal ou se referia-se a um pacote para todo o período da campanha eleitoral.
As vans vieram de Niterói, na metropolitana do Rio. Sobre a ajuda de custo, Rogério Santos, que se identificou como um dos organizadores do comício, disse que os militantes recebem entre R$ 300 e R$ 400 ao mês. Todos vestiam camisetas verdes. Segundo Santos, cada um dos militantes pagou pela peça.
A contratação de militantes para reforçar o público de comícios e festas eleitorais se transformou em prática recorrente nas grandes campanhas. Dirigentes partidários costumam justificar a prática como uma mera ajuda de custo, para aqueles que se dedicam em tempo integral à campanha. Em geral, os partidos pagam aproximadamente um salário mínimo por mês a esses militantes, desde a abertura oficial da disputa até a realização do pleito.
http:// ultimosegundo. ig. com. br/eleicoes/militantes+pagos+aumentam+publico+de+comicio+de+dilma+no+rio/n1237721126694. html
O COMÍCIO DOS MIL - Servidores encaram ida a comício no Rio como serviço extra
Com ar cansado, alguns poucos moradores da Baixada Fluminense enfrentam chuva e distância para participar de eventoPor Elvira Lobato, na Folha:
Nem a anunciada presença do presidente Lula animou os moradores da Baixada Fluminense a enfrentar a distância e a chuva para participar do comício da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, e do governador Sérgio Cabral (PMDB), que concorre à reeleição. Por volta das 15h, dois ônibus estacionaram na praça do Eucalipto, em Queimados (55 km do centro do Rio), para levar moradores gratuitamente para o comício. Eles estavam a cerca de 100 metros da prefeitura. Durante uma hora, não apareceu nenhum interessado.
Aos poucos, chegaram 18 empregados da prefeitura. Com ar cansado, alguns torciam para que a viagem fosse cancelada e que os ônibus voltassem para a garagem.
Mas o compromisso foi mantido. Um ônibus voltou para a garagem, por falta de passageiros; o outro seguiu viagem, semivazio. O prefeito de Queimados, Max Lemos (PMDB), tinha convocado moradores para o comício com carros de som. No dia anterior, ele afirmara que dez ônibus sairiam de lá em direção ao Rio.
A viagem começou com os funcionários preocupados com a reação do prefeito quando soubesse que não havia funcionários em número suficiente nem para lotar dois ônibus. A reportagem da Folha soube dos ônibus, com um telefonema para o gabinete do prefeito, no início da manhã. O funcionário que atendeu a ligação deu o local e a hora de partida.
A repórter acompanhou a viagem sem se identificar como jornalista. “”Se fosse um convite para churrasco, com cerveja, estaria lotado de gente em pé”, disse uma funcionária da Secretaria de Cultura. Não havia galhardetes, bandeiras nem cantos de hinos partidários. Foi uma viagem silenciosa, de empregados que seguem para um serão extra após a jornada normal de trabalho.
Por Reinaldo Azevedo