Procuro manter o princípio de sempre partir dos fatos e da realidade antes de chegar a uma conclusão. Quando você faz isso, o risco de errar é menor. Reduz a presunção de que você está certo antecipadamente. É um exercício de humildade. Há pessoas que acham que podem legislar à margem da realidade, sem conhecer as necessidades do país e das pessoas. Eu prefiro andar pelo Brasil para ver de perto os problemas.
Veja - Foi o que o senhor fez para escrever o livro em que critica a demarcação da reserva indígena de Raposa Serra do Sol, em Roraima?
Justamente. Fui até lá para conversar com as pessoas e ouvir os interessados na questão. A maioria da população do estado não queria a demarcação da reserva de forma contínua, como foi feita. A maioria dos índios, os supostos beneficiados, também não queria. Eles queriam reservas menores, demarcadas como ilhas. E não uma que congelasse quase 10% do estado, como foi feito. Só defendiam essa tese - que foi encampada pelo governo e prosperou na Justiça - o pessoal ligado às ONGs ambientais e os burocratas da Funai. Mais ninguém.
Veja - Por que é preciso reformar a legislação ambiental brasileira?
O Código Florestal é uma lei de 1965. Nesses 45 anos, ele foi modificado por inúmeras medidas provisórias, decretos, portarias - quase tudo sem passar por votação no Congresso. Criou-se uma tal balbúrdia legislativa que hoje é quase impossível para um produtor rural cumprir todas as exigências ambientais que lhe são feitas. O resultado é que 90% das propriedades agrícolas do país estão na ilegalidade. E não estamos falando de devastadores ambientais, mas de gente que trabalha duro para produzir alimentos. Alguma coisa de muito grave e irresponsável aconteceu no país nos últimos anos para que essa parte da população tenha sido colocada na categoria dos criminosos ambientais.
Veja - Qual é o problema mais grave da legislação atual?
Há, por exemplo, uma resolução de 2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conama, que estabelece que em cada margem de rio, riacho ou córrego deve haver uma faixa de 30 metros de terra sem nenhuma atividade agrícola. É uma loucura. Basta andar pelo interior do Brasil para ver: toda a agricultura tradicional sempre foi feita na beira dos rios, porque é lá que está a água. Ninguém vai plantar num lugar seco. Proibir a plantação em várzeas e perto de rios é uma ideia que só pode ter saído da cabeça de quem não conhece o campo.
Veja - Ao menos para os pequenos produtores a lei é boa?
É ainda pior. Antigamente, ter água na propriedade era uma bênção. Hoje, virou uma maldição. Conheci um senhor no interior de São Paulo, no município de Álvares Machado, que tem uma área de 108 hectares, cortada por seis córregos. Se ele tiver de preservar 30 metros em cada margem de cada um dos seis córregos, ficará sem nada. Não sobra espaço nem para ele abrir uma picada no terreno. Isso inviabiliza qualquer atividade agrícola.
Veja - O que a área ambiental do governo acha da sua proposta?
De modo geral, seus integrantes são contrários. Porque foram eles que criaram essa bagunça jurídica que ameaça a produção no campo. O problema, sejamos francos, é que o Ministério do Meio Ambiente foi completamente dominado nos últimos anos pelas ONGs ambientais, especialmente pelo Greenpeace, WWF, ISA e SOS Mata Atlântica. Isso começou antes deste governo. Os funcionários das ONGs saem delas para trabalhar no ministério, depois voltam para as ONGs, depois retomam para o ministério. É como se fosse uma só organização. É uma distorção, porque o ministério deveria representar o estado brasileiro, e não as ONGs. Essa não é a única distorção na estrutura ambiental.
Veja - O que o senhor acha da forma como o governo vem conduzindo a reforma agrária?
Acho que a reforma pode e deve ser feira na fronteira agrícola, utilizando-se o enorme estoque de terras que estão nas mãos do governo, por meio do Incra.
Veja - Por que, então, o MST prefere brigar pela desapropriação de fazendas?
O MST hoje é um movimento social, não exatamente um movimento de luta por terra. Ele tem suas bandeiras, mas a maioria de seus integrantes tem origem urbana. É uma massa de desempregados. saídos das cidades. Há poucos agricultores. De toda forma, a estrutura da propriedade rural brasileira é diferente da imaginada por esse grupo: 90% dos 5,2 milhões de proprietários do Brasil são pequenos proprietários, com renda de um a dois salários mínimos. Há apenas 30.000 grandes proprietários, e estes, na imensa maioria dos casos, têm unidades produtivas.
Veja - Latifúndio é um conceito superado?
Sim. O campo brasileiro conheceu um processo de modernização e uma reforma agrária natural, fruto da sucessão das gerações. Isso aconteceu, por exemplo, no Rio Grande do Sul, que tem 600 000 proprietários. O cidadão tinha uma propriedade grande e foi dividindo suas posses entre filhos e netos. Em Mato Grosso, houve outro processo, o da modernização da grande propriedade, principalmente na produção de soja e na criação de gado. As grandes fazendas têm produtividade elevada. Você tem uma parte remanescente do latifúndio, mas em declínio acelerado. O latifúndio não tem mais força econômica nem política.
O que é que está faltando pra esse cara deixar essa estupidez de comunismo, hein? A entrevista é muito boa, e o sujeito é até bem-colocado: mas não, TINHA que ter essa porcaria pra atrapalhar absolutamente TUDO!
Aldo, meu caro: acaba com ISSO!!!!! Larga esta MERDA!!!!!
Aldo rebelo é do partidão e tal qual seu pai queria e quer o golpe pelo voto.
Eles foram totalmente contra JANGO,BRIZOLLA E ARRAES em 64.
Queriam o golpe pelo voto como frisou mto bem o JAIR BOLSSONARO.
Mas depois de 64 as coisas mudaram e agora ele pensa mais é hegemonicamente como idealizou Gramsci.
Não se enganem não galera ...
Não foi ele o idiota que queria que o pão não fosse mais chamado de "pão francês" e que instituiu o dia do saci-pererê em contrapartida ao dia das bruxas?
Eu também nao entendo o que esse cara faz no PC do B.
"Quando um cara do PC do B eh o principal defensor do agro-negócio, eh pq as coisas no Brasil estão feias mesmo."
Acredito que se colocassem outro político no lugar dele (de direita) para tal tarefa, seria mais difícil aprovarem essa reformulação no código florestal. Exemplo: se colocassem um deputado do PP como redator, ia ter mais gente contra - infelizmente.
Se algo deu errado, sr. Rebelo, então o sr. contribuiu para essa merda como membro do PC do B! E não venha me dizer que está lá com outras convicções, porque um membro desse partido, porque, ou age nele, ou fica num eterno "murismo" entre o que o partido prega e a consciência pessoal, o que já desqualificaria o sujeito como alguém confiável.
Mas uma coisa, uma idéia dele eu aprovo, aquela de valorizar a língua portuguesa. Eu seria radical nisso, acabaria com essa frescura, com essa cafonice de usar palavras estrangeiras... dá nojo ouvir "insaiti", "coxing", "fidibeque", "fitineis", "piling", "tatú", !eitibiô" etc, e a TV nem traduz os nomes de muitos programas, documentários e filmes, além de forçar a audição das diarréias ianques.
Claro, agora o Estado vai me dizer o que posso e não posso dizer ou escrever, o próximo passo será proibir assuntos inteiros ao invés de apenas palavras... pra mim quem defende estas coisas é nazista...
Mas, creio ser impossível continuar honesto à frente o Ministério dos Esportes em tempos de Copa do Mundo FIFA. Esta entidade que comanda o futebol é a sujeira encarnada em pessoa jurídica. Qualquer tipo de relação com ela que não seja a ordem de prisão de seus integrantes é sempre suspeita.
É possível. Eu me esforço tremendamente para NÃO ir com a cara do comuna, mas continuo achando que se ele sacudisse esta MERDA na qual está enfiado - e por sinal pessimamente colocado ali naquele meio, como "a pigeon among the cats" 😄 - ele daria um bom conservador. É irracional, eu sei, eu sei, eu sei. Mas vou fazer o QUÊ? Eu realmente penso isso, caramba.