Evitem acusações que possam ensejar contra-ataques que se insinuam nas firulas e dobras da lei. Gente especializada em caluniar, difamar e injuriar tem especial sensibilidade para apontar supostas ou reais falhas alheias nessa área. Sim, meus caros, uma mentira é uma mentira. E vocês podem e devem apontá-las porque a Constituição nos faculta a liberdade de expressão.
Mas evitem chamar A ou B de “mentirosos”. Sempre digo tudo e sou muito didático — tento ao menos. Tome-se um exemplo: Dilma Rousseff afirmou no debate da Band, por exemplo, que, no governo Lula, o salário mínimo teve aumento real de 74%. É mentira! Ao afirmarmos que é mentira, ela ou seu partido nada podem fazer — porque juiz de tribunal nenhum conseguiria nos impedir, não sem rasgar a Constituição, de dizer a verdade. Mas não escrevam que, por isso, “Dilma é mentirosa” — ou eu terei de cortar o comentário.
Evitem, tanto quanto possível, adjetivar pessoas e se dediquem a caracterizar a situação, as idéias, o que não quer dizer que vocês estejam impedidos de fazer juízo de valor sobre esta ou aquela personalidades com base nos princípios que nos orientam. Afirmar que uma determinada fala é uma boçalidade é diferente, para todos os efeitos, de chamar este ou aquele de “boçais”; dizer que uma determinada ação é crime é coisa distinta de chamar seu autor de “criminoso”; escrever que o mensalão foi financiado com dinheiro roubado dos cofres públicos é afirmação diversa de chamar este ou aquele mensaleiro de “ladrões”.
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http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/leitore…umas-coisas/