Edição de Sábado do Alerta Total
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Por Jorge Serrão
A Internet registra mais uma grande polêmica. Em artigo "APAGANDO O PASSADO", no JB de 8 de fevereiro/2007, o filósofo Olavo de Carvalho cita os nomes do Tenente Brigadeiro do Ar Sérgio Xavier Ferolla e do General de Brigada Durval Nery como expoentes de uma campanha antiamericanista nas Forças Armadas em favor do Foro de São Paulo.
Escreveu Olavo: “Para tornar-se queridinhos da revolução bolivariana, o general Andrade Nery, o brigadeiro Ferolla e outros oficiais inflados de ódio antiamericano consentem em jamais estragar a festa com menções constrangedoras às vítimas do terrorismo.".
O Alerta Total republica o artigo de Olavo de Carvalho seguido da resposta do General Nery. O Brigadeiro Ferolla ainda não se pronunciou oficialmente.
Artigo publicado no Jornal do Brasil de segunda-feira, dia 8 de fevereiro
Por Olavo de Carvalho
"Cometeríamos a pior das infidelidades à memória de nossos mortos se consentíssemos em pagar, pelas boas relações com os militares de hoje, o preço do esquecimento dos crimes cometidos pela ditadura", adverte o ideólogo comunista João Carlos Kfouri Quartim de Moraes.
A recíproca não é verdadeira. Para tornar-se queridinhos da revolução bolivariana, o general Andrade Nery, o brigadeiro Ferolla e outros oficiais inflados de ódio antiamericano consentem em jamais estragar a festa com menções constrangedoras às vítimas do terrorismo. Nos conclaves esquerdistas de que participam, nas publicações comunistas em que brilham, eles se derramam em sorrisos e afagos ao esquema revolucionário continental, o mesmo que ainda ontem se esmerava em matar soldados brasileiros. E nem uma recordação amarga brota do fundo de suas almas.
A soberba inflexibilidade de Quartim de Moraes não me surpreende. Ele está especialmente qualificado para humilhar seus velhos inimigos, de vez que ele próprio matou um deles. Mandante do assassinato do capitão americano Charles Chandler - alvo escolhido a esmo como símbolo do execrado "imperialismo ianque" - o orgulhoso professor da Unicamp sabe que, na falta de realizações intelectuais, o homicídio político é uma glória curricular mais que suficiente pelos atuais critérios do establishment universitário brasileiro, os mesmos que o embaixador Roberto Abdenur denuncia como vigentes no Itamaraty.
Mas Quartim não é um caso singular. Nada mais característico dos apóstolos da igualdade do que a desigual distribuição da dignidade humana: para os "seus" mortos, honra e glória; para os do outro lado, esquecimento e desprezo, quando não o tapa na cara, o insulto dos miseráveis R$ 300 mensais oferecidos pelo governo à família do sargento Mário Kozel Filho depois de 30 anos de espera e humilhações.
Para os comunistas, essa desigualdade é natural, justa e de direito divino. Os 100 milhões de vítimas do comunismo são um detalhe irrisório no majestoso percurso da História. Os 300 terroristas mortos pela ditadura brasileira são monumentos imperecíveis na memória dos tempos. Norman Cohn já assinalava, entre os traços inconfundíveis da mentalidade revolucionária, a autobeatificação delirante que redime e embeleza a priori todos os seus crimes enquanto torna os do outro lado eternamente imperdoáveis.
A mídia chique ajuda a consolidar a diferença, alardeando os pecados da ditadura e apagando do registro histórico os crimes dos terroristas, isto quando não os debita também na conta das vítimas, a título de reações compreensíveis e até meritórias do idealismo juvenil a uma situação desagradável.
A novidade é a afoiteza obscena com que certos militares brasileiros, em nome das boas relações com os assassinos de seus colegas de farda, se curvam docilmente a essa dupla moral, calando o que deveriam berrar desde cima dos telhados.
PS - Errei ao dizer que ninguém na imprensa brasileira escreveu sobre o livro do rabino David C. Dalin. Hugo Estenssoro publicou uma excelente resenha na falecida Primeira Leitura.
Olavo de Carvalho é filósofo e jornalista, em Washington (DC).
Olavo sem papas na língua detona general de merda:
http://www.blogtalkradio.com/olavo/2008/09/15/True-Outspeak (sintonize 31:45). Pô, Olavo, também não precisava humilhar o cara. rsrsrs