Por isso, eu
concordo inteiramente com a análise do Jean-Marcel.
E digo mais.
A América ibérica tem uma formação cultural, própria e caudilhesca, que se ressente do fato de ficar muito para trás da evolução anglo-saxônica.
Uma vez posta sob as regras eleitorais, representativas, tendem sempre ao mais elementar populismo.
Pois não tenho dúvida que, na prática, o discurso marxistóide do PT hegemônico se traduz nisso, em um populismo.
E se algum outro partido quiser alijar o PT do poder vai ter que fazer o mesmo, adotar um discurso anticapitalista e seguir a mesma política.
Ou então, ficar aprisionado em paredes de universidades.
E sabe por quê?
Por que é um mito esse do exercício do poder pela burguesia. Ela tem poder econômico, mas politicamente é extremamente fraca.
A América ibérica nunca conheceu o poder da burguesia. Passou direto da burocracia colonial para os fazendeiros, e destes para os intelectuais.
E em todo o mundo, seja na África ou no Vietnã, a intelectuais tem adoração por Estados fortes e regimes fechados.
São os privilégios deles que estão em jogo e o que acontece no Brasil é simples reflexo (em alguns aspectos, tardio) do que acontece com outras revoluções.
Talvez Olavo seja exagerado em falar de ditadura comunista na mídia e nas universidades, mas como processo revolucionário em curso ele está bem perto do que eu penso.
O tópico já foi desvirtuado mesmo, e acho que contribuí para isso ao contestar o Cristiano em relação à FFLCH. Mais algumas opiniões:
1) Desde o início, eu fiz a diferenciação entre professores e curso e alunos do movimento estudantil. Se querem defender que o movimento estudantil é marxista e de esquerda e não admite opiniões contrárias, aí até podemos concordar. Minha questão era quanto ao curso, aos professores e mesmo a maioria dos alunos, que não estão vinculados ao movimento estudantil;
2) Como o Leandro colocou, a doutrinação só funciona se o aluno não pensa por si mesmo. Portanto, não estou preocupado se tal professor é marxista ou não, até pq. é preciso ler Marx e muitos historiadores marxistas em qualquer curso de História decente. Houve e há uma enorme produção intelectual que não perde sua validade por ser marxista. O que é muito diferente de ser stalinista ou não reconhecer a monstruosidade que foi a URSS, por exemplo;
3) Professor ruim e que faz proselitismo político ao invés de ensinar a matéria do curso tem em todo lugar. Nas humanas, a maioria destes será de esquerda, mas em outros campos não. Já cursei Administração e tive professores extremamente ruins e conservadores, que só sabiam falar mal da esquerda e do marxismo, defendiam o regime militar, etc. O que vale para um lado tem de valer para outro;
4) O que me preocupa é que esse discurso paranóico é utilizado pelo Olavo e pelos seus seguidores para desqualificar a produção acadêmica da área. Para que ler sobre História se toda ela é feita por marxistas? Para que desenvolver uma carreira acadêmica consistente se a universidade é dominada pela conspiração gramsciana? Por que o Olavo não publica em revistas de filosofia? É muito fácil usar esse discurso da "dominação marxista na universidade" para justificar preguiça intelectual. Olavo só requenta os piores textos de conservadores norte-americanos quando fala de História, e tais textos são risíveis não só para os marxistas, mas para qq. um que conheça um pouco mais a matéria. Marcos, eu nunca citaria o Olavo em qualquer trabalho meu não pq. ele é anti-marxista, mas pq. ele é muito ruim no meu campo e não contribui com nada de qualidade, pelo contrário só faz anacronismos e distorções. Talvez na Filosofia ele mereça ser citado, mas não é a minha área. E mesmo aí, os textos delirantes dele sobre política, sobre costumes e sobre ciência só fazem com que ninguém o leve a sério, mesmo. Merecidamente!
5) Por fim, o Cristiano agora tenta fazer deduções sobre o que eu iria alegar. Não precisa, meu caro. Tem aqui todas as minhas considerações. Entre elas, uma básica: tanto Marx quanto vários historiadores marxistas dos bons (e existem) dão de 10 a 0 tanto no Olavo quanto nos que acham que os textos históricos do Olavo são fantásticos. Aliás, o mesmo pode ser dito a favor dos liberais, dos conservadores, como Gilberto Freyre (gênio), Merquior, Furet (bem lembrado pelo Leandro) e outros. Tem muita gente boa, inteligente e com argumentos bem construídos nos dois campos ideológicos. Não é o caso do Cristiano, obviamente, nem o do Olavo em relação à História. Isso é o que importa para mim, não o grau de marxismo do autor, do professor ou do aluno, mas sua inteligência e sua honestidade intelectual. E ela começa por não se desqualificar toda uma produção acadêmica a partir de achismos ideológicos.
Olavo só requenta os piores textos de conservadores norte-americanos quando fala de História, e tais textos são risíveis não só para os marxistas, mas para qq. um que conheça um pouco mais a matéria.Isso nós já sabemos, conservadores americanos só falam abobrinha, ninguem "sério" os levaria a sério
Não foi isso que eu escrevi. Aprenda a ler o que é escrito. Não é tão difícil assim.
Por fim, o Cristiano agora tenta fazer deduções sobre o que eu iria alegar. Não precisa, meu caro. Tem aqui todas as minhas considerações.Tento não, eu FIZ e aqui não tem nenhuma consideração sua sobre isso não. Vc só disse "não é marxista e pronto". Queria ver vc fazer como eu fiz e pontar os conservadores e liberais da FFLCH.
Não, eu disse que não há um domínio marxista na História da FFLCH. Baseio isso em 2 anos de experiência pessoal e posso complementar com várias leituras da produção recente historiográfica (pegue a "Nossa História", por exemplo), e vc. disse que há porque tem 2 professores marxistas na faculdade. Por isso não vou fazer como vc. fez, seria risível.
Tem muita gente boa, inteligente e com argumentos bem construídos nos dois campos ideológicos. Não é o caso do Cristiano,Como vc sabe meu caso? não emiti uma opinião sobre história aqui e sim sobre a fac. de história que fiz!!
Pelo nível dos seus raciocínios e opiniões emitidos aqui e em várias outras comunidades do Orkut, eu não quero nem imaginar como deve ser sua produção historiográfica. Prefiro acreditar que ela não exista.
E para não ficar mais repetindo a mesma coisa "ad eternum", encerro aqui minha participação neste tópico. Desejo sinceramente que vc. não tenha pesadelos com o Papai Noel vermelho e com os professores marxistas homossexuais barbudos que comem criancinhas..