Desde que a crise global se abateu sobre o ocidente capitalista em 2008,
a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as
disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir.
Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a
decadência do protagonismo do governo federal na área da política
cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos
e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que
estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento
do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda
que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma
"cultura" concebida como excedente simbólico entregue a profissionais
consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode
substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho
criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O
MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho
unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao
tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal
vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a
conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar
apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o
meio de produção de sociabilidade.
Neste sentido, a escolha do(a)
ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos
fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a
implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade
crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada
ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária.
Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na
condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de
aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um
ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da
importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a)
ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no
acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na
articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos
problemas deste novo estatuto da cultura.
A experiência acumulada
por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos
profissionais, quer em familiaridade com a política da criação
contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança
suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma
capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção
que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de
cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta
tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de
qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os
próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida
nacional."
a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as
disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir.
Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a
decadência do protagonismo do governo federal na área da política
cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos
e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que
estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento
do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda
que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma
"cultura" concebida como excedente simbólico entregue a profissionais
consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode
substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho
criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O
MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho
unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao
tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal
vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a
conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar
apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o
meio de produção de sociabilidade.
Neste sentido, a escolha do(a)
ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos
fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a
implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade
crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada
ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária.
Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na
condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de
aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um
ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da
importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a)
ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no
acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na
articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos
problemas deste novo estatuto da cultura.
A experiência acumulada
por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos
profissionais, quer em familiaridade com a política da criação
contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança
suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma
capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção
que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de
cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta
tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de
qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os
próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida
nacional."
