Sua reformulação está sim, perfeitamente de acordo com a minha intenção na constatação. Peço desculpas pela minha incapacidade de expressá-la de início.
A OC está se tornando politicamente correta?
E o que você quer dizer com:
"A útilidade ontológica[...]"
O que seria esta "utilidade ontológica"? Como dizem os editores do Eric Voegelin view: não coloque termos se não puder explicá-los. E eles exemplificam lá com o predicado "ontológico" aplicado ao termo "verdade". Confesso: neste caso é bem mais fácil de entender do que a "utilidade ontológica". Espero que você possa explicar o ontológico aí, ou então abandoná-lo admitindo a inutilidade semântica (e ontológica?) do ontológico.
Fica aí o pedido solítico de explicações. E não reproche meu humor, pois ele não é maldoso (Creia-me. E nisso não estou sendo hipócrita).
"A útilidade ontológica[...]"
O que seria esta "utilidade ontológica"? Como dizem os editores do Eric Voegelin view: não coloque termos se não puder explicá-los. E eles exemplificam lá com o predicado "ontológico" aplicado ao termo "verdade". Confesso: neste caso é bem mais fácil de entender do que a "utilidade ontológica". Espero que você possa explicar o ontológico aí, ou então abandoná-lo admitindo a inutilidade semântica (e ontológica?) do ontológico.
Fica aí o pedido solítico de explicações. E não reproche meu humor, pois ele não é maldoso (Creia-me. E nisso não estou sendo hipócrita).
Imprimi à palavra "validade" nada menos que o significado denotativo da palavra que resigna o próprio valor intrínseco de algo. Validade possui como principal acepção "Legitimidade, valência, valimento, valor" De acordo com os principais dicionários da língua portuguesa. Então, ambas as expressões possuem basicamente o mesmo significado. Mas creio que a sua retificação tenha tornado minha intenção mais clara.
Giuseppe,
Neste caso, sua situação piora. Porque se a minha reformulação expressa acertadamente o que você quis dizer (substituindo conduta por "opinião"), e se por validade você entende uma propriedade valorativa intrinseca, então o que você quis perguntar foi: qual o valor intrínseco de uma opinião se quem a profere não segue conduta condizente com ela?
Ora, o valor intrinseco, por definição, é o que a opinião tem de valor independente de ser seguida ou não por quem a profere.
Neste caso, sua situação piora. Porque se a minha reformulação expressa acertadamente o que você quis dizer (substituindo conduta por "opinião"), e se por validade você entende uma propriedade valorativa intrinseca, então o que você quis perguntar foi: qual o valor intrínseco de uma opinião se quem a profere não segue conduta condizente com ela?
Ora, o valor intrinseco, por definição, é o que a opinião tem de valor independente de ser seguida ou não por quem a profere.
Utilizei a palavra "ontológica" unicamente como sinônimo de "verdadeira", "real". Não busquei infiltrar o sentido mais amplo e filosófico do vocábulo.
Propor-se a contestar determinada opinião por vias morfo-sintáticas é desviá-la do seu foco. Achei suas replicações iniciais extremamente interessantes, você tem de fato razão em diversos pontos, no entanto a minha inteção não era posicionar o conservador hipócrita acima ou abaixo do imbecil com argumentos (imbecis). As duas posturas são deploráveis e possuem similar efeito negativo na sociedade. Existem exceções, como você falou. Mas discordo do fato de não serem poucas, são pouquíssimas se você consideirar a imensidão diversificada que representa a humanidade. Como regra, quem não convence a si, pouco convence aos outros. Aliás, já é dificultoso convencer aos outros mesmo tendo em si certeza.
E eu me considero, antes de tudo, um estudioso da gramática. Mas admito que prender-se às definições morfológicas ou às contradições sintáticas - quando o aspecto semântico já lhe foi compreendido - é uma atude retardatória para um debate. Principalmente numa discussão onde não são os significados (ontológicos) dos termos o enfoque primordial.
Seria o mesmo que contestar a existência de cadeiras e mesase ao ler o seguinte anúncio numa praia qualquer:
"Aluga-se cadeira e mesa"
A mensagem, apesar de expressada de modo incoerente com a gramática da língua portuguesa, faz perfeito sentido e não é cabível de contestação, ao menos não por vias gramaticais.
"Aluga-se cadeira e mesa"
A mensagem, apesar de expressada de modo incoerente com a gramática da língua portuguesa, faz perfeito sentido e não é cabível de contestação, ao menos não por vias gramaticais.
Giuseppe,
Pois bem. Então reformulemos assim:
A verdadeira útilidade de todos os valores pesa muito mas nas suas práticas reais do que em mero discurso ou posição ideologica reservada estritamente para diálogos e comunidades no orkut (feito esta).
Comentário: Os valores são "mais úteis" (não formularia assim, mas tudo bem) nas práticas do que em posições ideológicas reservadas para dialógos em comunidades do orkut.
Primeiro: eu não reservei as posições "ideológicas" (também não diria "ideológicas", termo que conserva as ressonâncias de Marx e Mannheim. Substituiria por posição "intelectual", que é expressão neutra) para posições em comunidades do orkut. Falei de modo geral. A restrição é por sua conta.
Segundo: não se trata de medir a utilidade dos valores na condução da vida ou na formação das opiniões, pois não são dimensões isoladas. Ainda que se descrevesse o hipócrita como alguém que fica com a segunda e ignora a primeira seria muito difícil provar que a utilidade dos valores é menor na segunda. Seria mais fácil mostrar que a hipocrisia é negativa por não conter as duas dimensões.
______
De que valeria toda a tradição judaico-cristã se ela não fosse posta em prática, se fosse somente debatida e usada como argumento moral em meras discussões? Certamente infinitamente menos do que vale.
Comentário: Não se trata de valer menos ou valer mais. A tradição judaica vale o que vale, independente de como nos apropriamos dela. Se alguém se apropria dela para segui-la na íntegra então ela se lhe torna mais útil (para conservar mais ou menos os seus termos) do que alguém que apenas faz remissões a esta tradição para defender certas posições. Mas, eu nunca diria o contrário disso. Aliás, eu não entrei neste ponto.
______
As crenças de um indivíduo não devem ser apenas recursos de conversação, mas sim ferramentas que proporcionem uma verdadeira possibilidade de melhoria na vida de si e dos próximos.
Comentário: Certamente. E eu não o nego.
Pois bem. Então reformulemos assim:
A verdadeira útilidade de todos os valores pesa muito mas nas suas práticas reais do que em mero discurso ou posição ideologica reservada estritamente para diálogos e comunidades no orkut (feito esta).
Comentário: Os valores são "mais úteis" (não formularia assim, mas tudo bem) nas práticas do que em posições ideológicas reservadas para dialógos em comunidades do orkut.
Primeiro: eu não reservei as posições "ideológicas" (também não diria "ideológicas", termo que conserva as ressonâncias de Marx e Mannheim. Substituiria por posição "intelectual", que é expressão neutra) para posições em comunidades do orkut. Falei de modo geral. A restrição é por sua conta.
Segundo: não se trata de medir a utilidade dos valores na condução da vida ou na formação das opiniões, pois não são dimensões isoladas. Ainda que se descrevesse o hipócrita como alguém que fica com a segunda e ignora a primeira seria muito difícil provar que a utilidade dos valores é menor na segunda. Seria mais fácil mostrar que a hipocrisia é negativa por não conter as duas dimensões.
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De que valeria toda a tradição judaico-cristã se ela não fosse posta em prática, se fosse somente debatida e usada como argumento moral em meras discussões? Certamente infinitamente menos do que vale.
Comentário: Não se trata de valer menos ou valer mais. A tradição judaica vale o que vale, independente de como nos apropriamos dela. Se alguém se apropria dela para segui-la na íntegra então ela se lhe torna mais útil (para conservar mais ou menos os seus termos) do que alguém que apenas faz remissões a esta tradição para defender certas posições. Mas, eu nunca diria o contrário disso. Aliás, eu não entrei neste ponto.
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As crenças de um indivíduo não devem ser apenas recursos de conversação, mas sim ferramentas que proporcionem uma verdadeira possibilidade de melhoria na vida de si e dos próximos.
Comentário: Certamente. E eu não o nego.
Giuseppe,
Não estou sendo chato com a sua expressão. Você não tem idéia do que é ser chato com isso. Ao contrário. Eu estou visivelmente me esforçando para reformular o que você diz em termos que me pareçam claros. E eu faço isto para evitar certas ambiguidades que depois podem ser alegadas para se dizer que eu não entendi o que você pensou e vice-versa.
Ademais, dizer o que se quer dizer da forma como se deve dizer é a base da cultura humana. Não adianta vir com pensamentos sofisticados se não se consegue dominar nem mesmo esta função elementar. Nao digo isto como quem a domine perfeitamente, mas como quem sofre para tentar depurar da minha linguagem a falta de clareza mais óbvia, que ela inevitavelmente traz consigo.
Não estou sendo chato com a sua expressão. Você não tem idéia do que é ser chato com isso. Ao contrário. Eu estou visivelmente me esforçando para reformular o que você diz em termos que me pareçam claros. E eu faço isto para evitar certas ambiguidades que depois podem ser alegadas para se dizer que eu não entendi o que você pensou e vice-versa.
Ademais, dizer o que se quer dizer da forma como se deve dizer é a base da cultura humana. Não adianta vir com pensamentos sofisticados se não se consegue dominar nem mesmo esta função elementar. Nao digo isto como quem a domine perfeitamente, mas como quem sofre para tentar depurar da minha linguagem a falta de clareza mais óbvia, que ela inevitavelmente traz consigo.
Giuseppe,
Você levanta a regra segundo a qual convicção pessoal está ligada a capacidade de convencimento.
Pois a mim não me parece haver regra nenhuma aí. Eu acho que a capacidade de convencimento explica-se melhor por outros fatores do que pela convicção pessoal da verdade das suas opiniões. Acho que capacidade retórica, boa argumentação, inteligência interpessoal, traquejo social, entre outros fatores fazem um bom mestre de convencimento.
Naturalmente, não excluo a força independente da convicção pessoal, mas quando esta convicção se expressa com ênfase particular e a ênfase pode suprir a eventual falta de outras habilidades de convencimento. Contudo, nem todas as personalidades tem este pathos e não há uma relação estrita entre a maior intensidade do pathos e a maior sinceridade da convicção nos indivíduos.
Ademais, é bom lembrar que o hipócrita não se define como sendo aquele que não crê nas suas próprias opiniões, simplesmente. Esta definição cabe melhor ao mentiroso. Hipócrita não é o mesmo que mentiroso. No caso do hipócrita, há de se falar em gradações de crença e ele se encontra em uma gradação de crença tão sutil que se pode dizer - "ele fala da boca para fora".
Com frequencia, se aponta como um indício de hipocrisia não seguir as próprias opiniões e não se esforçar em segui-las. Mas, pode ser que alguém não as siga e nem se esforce porque sua convicção é muito frágil, e, não obstante, ela exista - denotando o exemplo a diferença entre o hipócrita e o mentiroso.
Você levanta a regra segundo a qual convicção pessoal está ligada a capacidade de convencimento.
Pois a mim não me parece haver regra nenhuma aí. Eu acho que a capacidade de convencimento explica-se melhor por outros fatores do que pela convicção pessoal da verdade das suas opiniões. Acho que capacidade retórica, boa argumentação, inteligência interpessoal, traquejo social, entre outros fatores fazem um bom mestre de convencimento.
Naturalmente, não excluo a força independente da convicção pessoal, mas quando esta convicção se expressa com ênfase particular e a ênfase pode suprir a eventual falta de outras habilidades de convencimento. Contudo, nem todas as personalidades tem este pathos e não há uma relação estrita entre a maior intensidade do pathos e a maior sinceridade da convicção nos indivíduos.
Ademais, é bom lembrar que o hipócrita não se define como sendo aquele que não crê nas suas próprias opiniões, simplesmente. Esta definição cabe melhor ao mentiroso. Hipócrita não é o mesmo que mentiroso. No caso do hipócrita, há de se falar em gradações de crença e ele se encontra em uma gradação de crença tão sutil que se pode dizer - "ele fala da boca para fora".
Com frequencia, se aponta como um indício de hipocrisia não seguir as próprias opiniões e não se esforçar em segui-las. Mas, pode ser que alguém não as siga e nem se esforce porque sua convicção é muito frágil, e, não obstante, ela exista - denotando o exemplo a diferença entre o hipócrita e o mentiroso.
Não existe expressão humana que transmita clareza incontestável. De qualquer modo, não visava aqui cometer um esforço intelectual sobrecomum, apenas expressar rapidamente e de modo prático uma opinião que considero como de símples compreensão. Entretanto, quando você se propôs a perscrutá-la por vias sintagmáticas, a indagar o sentido íntimo de determinadas palavras, é certo que encontrou contradições, visto que não existe expressão perfeita. Uma opinião jamais se encontra em composição vernacular fixa, justamente porque jamais conseguirá expressar-se por completo, sem ambiguidades ou redundâncias. Cada vocábulo possui em si inúmeras acepções e isso já bastaria para causar confusão a quem procura.
De qualquer modo, apesar dos imbróglios, foi enriquecedor debater o assunto com você. Meditarei mais sobre o tema
De qualquer modo, apesar dos imbróglios, foi enriquecedor debater o assunto com você. Meditarei mais sobre o tema
Giuseppe,
Certo, mas note que as últimas postagens contem objeções sobre o conteúdo, e não apenas sobre a forma esquiva com a qual você o dotou as vezes.
Certo, mas note que as últimas postagens contem objeções sobre o conteúdo, e não apenas sobre a forma esquiva com a qual você o dotou as vezes.
Sim, reconheço. Mas é praticamente inviável tangenciar todos os pontos num veículo como este.
O valor intrínseco de um conjunto de regras morais em nada depende da conduta daqueles que o seguem. Vale a pena conferir a distinção feita pelo tio Franz Brentano entre "o que é valorizado", e "o que deve ser valorizado", sendo que o segundo termo da distinção é que deve ser levado em conta na discussão de uma doutrina.
O problema do conservadorismo é gigantesco nesse ponto, e não me parece que essa complicação tenha escapado aos seus maiores defensores. Basicamente, é o seguinte: para um conservador, a manutenção da ordem social, das instituições e dos símbolos e crenças arraigados no "senso comum" é uma finalidade suprema, de tal forma que os próprios valores morais e religiosos são reduzidos a um instrumento para essa ordem.
Ora, do ponto de vista cristão (e também, em menor escala, judaico ) essa visão é monstruosa, por beirar o imanentismo. TODA a ordem social deve ser posta a serviço de um objetivo transcendente, e a própria conservação de uma forma de associação humana ou de uma instituição, se faltar a esse objetivo, seria tomada como um disparate. Um exemplo terrível: a cavalaria cristã, em especial a Ordem dos Templários, foi cancelada e desfeita após a sucessão vertiginosa de apostasias ocorrida entre seus membros, que no entanto "conservaram" muitos ritos e títulos de outrora. É uma das histórias mais arrepiantes da História, e não recomendo ler sobre isso no Natal. Mas serve para ilustrar a relativa facilidade com que judeus e cristãos estão dispostos a abandonar velhas instituições quando elas deixam de dar glória ao Nome de Deus.
O problema do conservadorismo é gigantesco nesse ponto, e não me parece que essa complicação tenha escapado aos seus maiores defensores. Basicamente, é o seguinte: para um conservador, a manutenção da ordem social, das instituições e dos símbolos e crenças arraigados no "senso comum" é uma finalidade suprema, de tal forma que os próprios valores morais e religiosos são reduzidos a um instrumento para essa ordem.
Ora, do ponto de vista cristão (e também, em menor escala, judaico ) essa visão é monstruosa, por beirar o imanentismo. TODA a ordem social deve ser posta a serviço de um objetivo transcendente, e a própria conservação de uma forma de associação humana ou de uma instituição, se faltar a esse objetivo, seria tomada como um disparate. Um exemplo terrível: a cavalaria cristã, em especial a Ordem dos Templários, foi cancelada e desfeita após a sucessão vertiginosa de apostasias ocorrida entre seus membros, que no entanto "conservaram" muitos ritos e títulos de outrora. É uma das histórias mais arrepiantes da História, e não recomendo ler sobre isso no Natal. Mas serve para ilustrar a relativa facilidade com que judeus e cristãos estão dispostos a abandonar velhas instituições quando elas deixam de dar glória ao Nome de Deus.
Ricardo
Eu adoraria dar aquela desculpa mega-esfarrapada do Pedro Sette Câmara: "a vida contemplativa é uma vida ativa superior". Mas concedo que entre os leitores mais cultos e refinados do filósofo de Campinas, a mobilização para divulgar seu trabalho e contestar as palhaçadas da Academia é MUITO menor. Quanto a bater em comunistas ou enfrentar petistas em passeata, aí, meu irmão, nem pensar. Vão todos para seus apartamentos fabulosos comer Nutella e banana com aveia, ou ver fotos da Audrey Hepburn.
Quanto a este que vos tecla, estou considerando seriamente a hipótese de traduzir os guias do Mortimer Adler e partes do Syntopicon, para criar grupos de Educação Liberal. Só que no estilo medieval, segundo o programa estabelecido pelas Universidades. Será que dá certo? Pelo que eu pesquisei, a seqüência de estudos dos universitários foi derivada dos graus de iniciação na Ordem Pitagórica. Um dia espero falar bastante desse assunto, num estilo pomposo e com trinta vírgulas por frase, que nem o René Guénon 😄
Eu adoraria dar aquela desculpa mega-esfarrapada do Pedro Sette Câmara: "a vida contemplativa é uma vida ativa superior". Mas concedo que entre os leitores mais cultos e refinados do filósofo de Campinas, a mobilização para divulgar seu trabalho e contestar as palhaçadas da Academia é MUITO menor. Quanto a bater em comunistas ou enfrentar petistas em passeata, aí, meu irmão, nem pensar. Vão todos para seus apartamentos fabulosos comer Nutella e banana com aveia, ou ver fotos da Audrey Hepburn.
Quanto a este que vos tecla, estou considerando seriamente a hipótese de traduzir os guias do Mortimer Adler e partes do Syntopicon, para criar grupos de Educação Liberal. Só que no estilo medieval, segundo o programa estabelecido pelas Universidades. Será que dá certo? Pelo que eu pesquisei, a seqüência de estudos dos universitários foi derivada dos graus de iniciação na Ordem Pitagórica. Um dia espero falar bastante desse assunto, num estilo pomposo e com trinta vírgulas por frase, que nem o René Guénon 😄
Pedro,
Concordo plenamente. Sua reflexão me faz recordar as observações de Voegelin sobre o caráter problemático da relação entre cristianismo e ordem social. Ele diz que a cultura moderna, quando absorve as lições do historicismo, termina por enquadrar o cristianismo como parte da ordem história e não enquadrar a história dentro do cristianismo.
De um ponto de vista teórico, contudo, é possível estar consciente deste problema como você disse, e o exemplo de Voegelin o prova. Porém, não há nenhuma forma de se resolvê-lo teoricamente.
A recusa de Voegelin em abraçar a fé ilustra, a quem tenha alguma sutileza de ver as imbricações desta recusa, a impossibilidade de se dar o "salto" para a resolução deste problema por uma via meramente intelectual. E isto mesmo quando esta via é riquíssima e constitui-se em uma abertura à transcendência e a objetividade dos valores, e não se resume a um conservantismo preguiçoso fiel aos costumes pelo fato de serem "os costumes". Somente a fé numa religião permite dar este salto e resolver esta contradição. Sem ela este problema fundamental permanecerá intocado.
______
Você leu Brentano? Aonde? Tem link para alguma obra dele?
Nunca o li, a despeito da sua influência imensa - se só tivesse influenciado Frege e Husserl o "tiozinho" aí já teria abocanhado o naco principal da filosofia contemporânea. Só vi uma resenha muito animadora da sua filosofia na obra de história da filosofia do Stegmüller.
Concordo plenamente. Sua reflexão me faz recordar as observações de Voegelin sobre o caráter problemático da relação entre cristianismo e ordem social. Ele diz que a cultura moderna, quando absorve as lições do historicismo, termina por enquadrar o cristianismo como parte da ordem história e não enquadrar a história dentro do cristianismo.
De um ponto de vista teórico, contudo, é possível estar consciente deste problema como você disse, e o exemplo de Voegelin o prova. Porém, não há nenhuma forma de se resolvê-lo teoricamente.
A recusa de Voegelin em abraçar a fé ilustra, a quem tenha alguma sutileza de ver as imbricações desta recusa, a impossibilidade de se dar o "salto" para a resolução deste problema por uma via meramente intelectual. E isto mesmo quando esta via é riquíssima e constitui-se em uma abertura à transcendência e a objetividade dos valores, e não se resume a um conservantismo preguiçoso fiel aos costumes pelo fato de serem "os costumes". Somente a fé numa religião permite dar este salto e resolver esta contradição. Sem ela este problema fundamental permanecerá intocado.
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Você leu Brentano? Aonde? Tem link para alguma obra dele?
Nunca o li, a despeito da sua influência imensa - se só tivesse influenciado Frege e Husserl o "tiozinho" aí já teria abocanhado o naco principal da filosofia contemporânea. Só vi uma resenha muito animadora da sua filosofia na obra de história da filosofia do Stegmüller.
Pedro,
Como seriam estes grupos? Minha experiencia com o grupo conservador, cujas pretensões são bem modestas, me adverte quanto a dificuldade de se reunir pessoas. Conservadores perderam o pathos da luta ideológica. Gosto de ver Olavo citar o poema de Yeats no qual ele fala que os piores estão "full of passionate intensity", ao passo que os bons "lack of convictions". É mesmo por aí. Citei certo? Minha memória está malz. Estou ficando velho e broco.
Como seriam estes grupos? Minha experiencia com o grupo conservador, cujas pretensões são bem modestas, me adverte quanto a dificuldade de se reunir pessoas. Conservadores perderam o pathos da luta ideológica. Gosto de ver Olavo citar o poema de Yeats no qual ele fala que os piores estão "full of passionate intensity", ao passo que os bons "lack of convictions". É mesmo por aí. Citei certo? Minha memória está malz. Estou ficando velho e broco.
Mas, sendo algo da cultura superior, quem sabe você o consiga. Torcendo destes lados de cá.
Rapaz, eu conheço Herr Brentano via Mário Ferreira dos Santos, que não poupa elogios e meditações sobre sua obra, principalmente num livro com a extensão da Filosofia Concreta para a Axiologia. Se eu já não estivesse devendo a leitura de uma penca de livros, começaria agora a ler o cara.
Fique com dois livros dele. Feliz Natal!
http://avaxhome.ws/ebooks/0415557402.html ;
http://avaxhome.ws/ebooks/0415106613.html
Quanto aos grupos, eu planejo colocar na seqüência certa as leituras indicadas pelo próprio Adler; ele chegou a elaborar guias de leitura para cada livro, que incluem perguntas para discussão e um questionário no final. A idéia era que para cada Great Book o grupo se reunisse, na primeira vez para apresentação do livro e do autor, e na segunda para considerar as questões apresentadas por Adler, criar novas perguntas, e conversar sobre o efeito histórico daquele livro, para se fazer uma relação com os demais. Meu plano era começar de modo despretensioso e "enrijecer" os debates cada vez mais.
Quando digo que os livros têm uma sequência certa, me refiro ao seguinte:
1) Poesia épica;
2) Poesia trágica;
3) Poesia cômica;
4) Retórica;
5) História;
6) Aritmética;
7) Geometria;
8) Astronomia;
9) Ciências Naturais e Física;
10) Filosofia.
É assim que Platão situa as disciplinas a serem aprendidas pelos futuros filósofos, na República. Creio que ele entenda mais do assunto que Adler. A História foi posicionada por mim, segundo a recomendação de professores meedievais.
Fique com dois livros dele. Feliz Natal!
http://avaxhome.ws/ebooks/0415557402.html ;
http://avaxhome.ws/ebooks/0415106613.html
Quanto aos grupos, eu planejo colocar na seqüência certa as leituras indicadas pelo próprio Adler; ele chegou a elaborar guias de leitura para cada livro, que incluem perguntas para discussão e um questionário no final. A idéia era que para cada Great Book o grupo se reunisse, na primeira vez para apresentação do livro e do autor, e na segunda para considerar as questões apresentadas por Adler, criar novas perguntas, e conversar sobre o efeito histórico daquele livro, para se fazer uma relação com os demais. Meu plano era começar de modo despretensioso e "enrijecer" os debates cada vez mais.
Quando digo que os livros têm uma sequência certa, me refiro ao seguinte:
1) Poesia épica;
2) Poesia trágica;
3) Poesia cômica;
4) Retórica;
5) História;
6) Aritmética;
7) Geometria;
8) Astronomia;
9) Ciências Naturais e Física;
10) Filosofia.
É assim que Platão situa as disciplinas a serem aprendidas pelos futuros filósofos, na República. Creio que ele entenda mais do assunto que Adler. A História foi posicionada por mim, segundo a recomendação de professores meedievais.
Up
Penso da mesma forma Marcos.
A energia de nosso melhores membros esta melhor alocada nos foros especificos a sua instrucao no seminario.
teclado mal configurado.
teclado mal configurado.
Esse gif é do último programa? Do dia 22 de dezembro?
Ser conservador é então apenas uma postura opinativa em relação a um nicho fechado de assuntos tais quais aborto, casamento gay, legalização das drogas?
Pra mim ser conservador vai muito além de tais assuntos, conservador é o sujeito que de seu modo preza por valores e ideais tradicionalmente bem sucedidos e não permite que quaisquer oscilações no mercado ou na moda alterem suas convicções.
Conservador é optar por defender a decência e sobretudo o comedimento nos atos, evitando mudanças e atitures impusivas e abruptas - característica dos revolucionários.
Se formos analisar essas posturas, por exemplp o anti-abortismo isoladamente e consideirá-las unicamente como fatores determinantes de uma mentalidade conservadora, poderiamos dizer que os anarquistas acefálicos do Sex Pistols eram um pouco conservadores, visto que eles escreveram uma "canção" (coloco ênfase nessas aspas) anti-abortista:
"(...)
She just had an abortion
She was a case of insanity
(...)
She was a no one who killed her baby
(...)
She was an animal
She was a bloody disgrace !
(...)"
Quero deixar claro que não beber e não fazer sexo não são posturas necessárias para o conservadorismo. Entretanto, apenas acredito que uma inteligência conservadora não deva pautar a sua vida nesses vícios que ferem, muitas vezes, aos valores tidos como "conservadores".
Pra mim ser conservador vai muito além de tais assuntos, conservador é o sujeito que de seu modo preza por valores e ideais tradicionalmente bem sucedidos e não permite que quaisquer oscilações no mercado ou na moda alterem suas convicções.
Conservador é optar por defender a decência e sobretudo o comedimento nos atos, evitando mudanças e atitures impusivas e abruptas - característica dos revolucionários.
Se formos analisar essas posturas, por exemplp o anti-abortismo isoladamente e consideirá-las unicamente como fatores determinantes de uma mentalidade conservadora, poderiamos dizer que os anarquistas acefálicos do Sex Pistols eram um pouco conservadores, visto que eles escreveram uma "canção" (coloco ênfase nessas aspas) anti-abortista:
"(...)
She just had an abortion
She was a case of insanity
(...)
She was a no one who killed her baby
(...)
She was an animal
She was a bloody disgrace !
(...)"
Quero deixar claro que não beber e não fazer sexo não são posturas necessárias para o conservadorismo. Entretanto, apenas acredito que uma inteligência conservadora não deva pautar a sua vida nesses vícios que ferem, muitas vezes, aos valores tidos como "conservadores".
Diário do Comércio, 8 de fevereiro de 2010
Por que os direitistas brasileiros se denominam “liberais” em vez de “conservadores”? A escolha das palavras revela uma diferença específica que, bem examinada, basta para explicar a debilidade e o fracasso da direita nacional.
O termo “conservador” denota a adesão a princípios e valores atemporais que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica, quando mais não seja porque somente neles e por eles a História adquire uma forma inteligível. Por exemplo, a noção de uma ordem divina do cosmos ou a de uma natureza humana universal e permanente. Fora do quadro delimitado por essas noções, a “História da humanidade” dissolve-se numa poeira de processos temporais heterogêneos, descompassados, inconexos, não raro incomunicáveis e mutuamente incompreensíveis. Só resta então aceitar a completa irracionalidade da existência histórica ou, não podendo suportar essa idéia, fabricar uma unidade postiça, baseada na “luta de classes”, na “luta das raças”, na “evolução animal”, na dialética hegeliana, no determinismo geográfico ou em qualquer outro pseudoprincípio, que pode ser obtido seja pela ampliação hiperbólica de algum fenômeno empírico limitado, seja, nos casos mais graves, pela invencionice pura e simples
(...)
O conservadorismo, em contrapartida, funda-se na admissão de que a ordem divina não pode nem ser conhecida na sua totalidade nem muito menos realizada sobre a Terra
Por que os direitistas brasileiros se denominam “liberais” em vez de “conservadores”? A escolha das palavras revela uma diferença específica que, bem examinada, basta para explicar a debilidade e o fracasso da direita nacional.
O termo “conservador” denota a adesão a princípios e valores atemporais que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica, quando mais não seja porque somente neles e por eles a História adquire uma forma inteligível. Por exemplo, a noção de uma ordem divina do cosmos ou a de uma natureza humana universal e permanente. Fora do quadro delimitado por essas noções, a “História da humanidade” dissolve-se numa poeira de processos temporais heterogêneos, descompassados, inconexos, não raro incomunicáveis e mutuamente incompreensíveis. Só resta então aceitar a completa irracionalidade da existência histórica ou, não podendo suportar essa idéia, fabricar uma unidade postiça, baseada na “luta de classes”, na “luta das raças”, na “evolução animal”, na dialética hegeliana, no determinismo geográfico ou em qualquer outro pseudoprincípio, que pode ser obtido seja pela ampliação hiperbólica de algum fenômeno empírico limitado, seja, nos casos mais graves, pela invencionice pura e simples
(...)
O conservadorismo, em contrapartida, funda-se na admissão de que a ordem divina não pode nem ser conhecida na sua totalidade nem muito menos realizada sobre a Terra
(...)
Encarnações eminentes do pensamento conservador ao longo dos tempos são Lao-Tsé, Aristóteles, os profetas hebraicos, Cícero, Sto. Tomás, Richard Hooker, Shakespeare, Goethe, Disraeli, Jacob Burckhardt, Winston Churchill e Ronald Reagan.
(...)
Revolução é, em essência, todo projeto de mudança social e política profunda a ser realizado mediante a concentração de poder. O conservadorismo expressa a resistência natural, geral e espontânea da alma humana a deixar-se usar como instrumento a serviço de promessas irrealizáveis sob o guiamento de líderes pretensamente iluminados
(...)
O liberalismo, em contraste, é a resistência a uma modalidade específica de projeto revolucionário, o socialismo. Ambos nasceram no século XIX e se definem um ao outro como irmãos inimigos. Ao socialismo a proposta liberal opõe a defesa da economia de mercado e das liberdades políticas no quadro do moderno Estado laico. A todos os componentes do movimento revolucionário que escapem da definição formal de socialismo, que portanto não ataquem diretamente esses dois pilares da ideologia liberal, o liberalismo não pode oferecer nenhuma oposição eficaz.
(...)"
http://www.olavodecarvalho.org/semana/100208dc.html
Encarnações eminentes do pensamento conservador ao longo dos tempos são Lao-Tsé, Aristóteles, os profetas hebraicos, Cícero, Sto. Tomás, Richard Hooker, Shakespeare, Goethe, Disraeli, Jacob Burckhardt, Winston Churchill e Ronald Reagan.
(...)
Revolução é, em essência, todo projeto de mudança social e política profunda a ser realizado mediante a concentração de poder. O conservadorismo expressa a resistência natural, geral e espontânea da alma humana a deixar-se usar como instrumento a serviço de promessas irrealizáveis sob o guiamento de líderes pretensamente iluminados
(...)
O liberalismo, em contraste, é a resistência a uma modalidade específica de projeto revolucionário, o socialismo. Ambos nasceram no século XIX e se definem um ao outro como irmãos inimigos. Ao socialismo a proposta liberal opõe a defesa da economia de mercado e das liberdades políticas no quadro do moderno Estado laico. A todos os componentes do movimento revolucionário que escapem da definição formal de socialismo, que portanto não ataquem diretamente esses dois pilares da ideologia liberal, o liberalismo não pode oferecer nenhuma oposição eficaz.
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http://www.olavodecarvalho.org/semana/100208dc.html
Na comunidade FORA LULA, antes da eleiçao, eu disse que Serra ia perder pq ele era fraco, esquerdista e nao batia no PT...FUI EXPULSO