Graças a um dos True Outspeak, fiquei sabendo do livro O cérebro Espiritual, escrito pelo neurocientista canadense Mario Beauregard e pela jornalista Denyse O'Leary. É um dos livros mais importantes da atualidade, pois mostra como o stablishment científico é antes de tudo um órgão censor, que esmaga qualquer evidência de que há uma dimensão imaterial e eterna no homem. Num dos trechos, o autor mostra bem o que é a ciência atual: Na verdade, muitos pensadores hoje veem o objetivo básico da ciência com o de fornecer provas para as crenças materialistas (pág. 21).
Em relação às máximas ateístas, não há como não ver nelas os mais eloquentes exemplos da paralaxe cognitiva tão estuda pelo Olavo. Como estou no começo do livro, cito apenas um exemplo, mas tão contundente que mostra que levar a sério as estrelas do ateísmo militante da atualidade só pode ser classificado como um estado de miséria mental estrondoso. O trecho:
Dennet está longe de ser o único pensador materialista que afirma não existir na verdade nenhum "você" em você, que consciência, alma, espírito e livre arbítrio são apenas ilusões apoiadas pelo folclore. Sua consciência, seu senso de si mesmo, é “como uma ‘ilusão de usuário’ benigna”. Qualquer coisa semelhante ao livre-arbítrio é improvável ou, na melhor das hipóteses, mínima e problemática (p. 22 ).
Há ainda algumas informações interessantíssimas, que mostram que o sentimento religioso e a percepção de uma realidade transcendente acompanham o homem há milênios, como neste trecho:
Em contraste, a maioria dos seres humanos jamais acreditou em ateísmo ou materialismo. Na verdade, a religião talvez exista há tanto tempo quanto os seres humanos. Há setenta mil anos, os neandertais, uma espécie extinta de seres humanos, enterravam seus mortos junto a ferramentas, aparentemente para serem usadas em outro mundo. É significativo o fato de que muitos mortos fossem colocados em posição fetal, sugerindo que os neandertais esperavam “nascer de novo” quando morressem”. (p. 26).
Se a mente é uma ilusão, a afirmação leva fatalmente à pergunta: quem afirma que a mente é ilusória e quem é o iludido? Ambos as perguntas apontam para a necessidade absoluta de um eu que afirma a ilusão ou de um que seja o sujeito iludido.
A levar às últimas consequências a afirmação, o que Daniel Dennet está dizendo e que ele mesmo é uma ilusão, pois não existe um "eu" que se identifique com Daniel Dennet.
Mas por acaso Dennet não necessitou de uma mente para chegar à ideia de que a mente não existe? Mas se ele afirma que a mente é ilusória, de onde veio tal ideia? Quem escreveu os livros de Daniel Dennet, quem fala por ele, quem por ele dá palestras, se não há na verdade nenhum eu nas pessoas?
Quanto a duvidar da existência do livre-arbítrio, como ele pode explicar sua escolha pelo ateísmo? Se não há livre arbítrio, então Daniel Dennet estava inapelavelmente programado para ser ateu? Mas se ele se diz ateísta, é porque há um eu em Daniel Dennet que faz tal
afirmação...
Não existe a possibilidade de você ter capacidade intelectual suficiente de perceber o controle agindo na sociedade, depois se embrenhar no estudo desses controles e descobrir que são pensados em graus civilizatórios e, por fim, não rever seu entendimento sobre o livre-arbítrio.
O professor Olavo, inclusive, já deu notas de ter percebido que o livre-arbítrio é algo bem menor do que o assumido pela maioria das fileiras cristãs.
Provavelmente não se trata de pura ilusão, mas você pode ter certeza que te controlam em níveis muito superiores a qualquer coisa que você irá jamais tocar. Meu objetivo último como estudante é romper a tudo isso e alcançar a verdade última.
Para manter o bom humor, cito um filme. Espero que entenda inglês. Diabo veste prada:
Novinha, ingênua e idealista _ Both those belts look exactly the same to me. Y'know, I'm still learning about all this stuff
Anciã, vivida e causalista _ This... 'stuff'? Oh... ok. I see, you think this has nothing to do with you. You go to your closet and you select out, oh I don't know, that lumpy blue sweater, for instance, because you're trying to tell the world that you take yourself too seriously to care about what you put on your back. But what you don't know is that that sweater is not just blue, it's not turquoise, it's not lapis, it's actually cerulean. You're also blithely unaware of the fact that in 2002, Oscar De La Renta did a collection of cerulean gowns. And then I think it was Yves St Laurent, wasn't it, who showed cerulean military jackets? I think we need a jacket here. And then cerulean quickly showed up in the collections of 8 different designers.(...)
(...) Then it filtered down through the department stores and then trickled on down into some tragic casual corner where you, no doubt, fished it out of some clearance bin. However, that blue represents millions of dollars and countless jobs and so it's sort of comical how you think that you've made a choice that exempts you from the fashion industry when, in fact, you're wearing the sweater that was selected for you by the people in this room. From a pile of stuff.
Quanto aos neandertais, tudo que for dito não passa de indução.
Enterravam seus mortos com suas ferramentas por acreditarem que iriam usar em outro lugar ou por respeitar a sua propriedade?
Enterravam em posição fetal por acreditarem que nasceriam de novo, ou pelo mesmo motivo que somos gerados em posição fetal? Menos espaço.
Todas as tribos faziam isso, tal e qual seu comportamento canibal ou encontraram algumas ossadas assim e generalizaram?
São pequenas questões que quando você quer acreditar não batem à porta para incomodar.
Com relação as minhas próprias dúvidas, fica ai o pedido pra você passar pra mim, se encontrar no livro, alguma coisa sobre os retardados. Nunca entrou na minha equação da consciência supracorpórea e única, os retardados.
Impressionante como uma observação sobre paralaxe cognitiva gera uma resposta mil léguas distante do tema proposto. Meu objetivo era mostrar exemplos de paralaxe no ateísmo militante, nada mais.
Em relação ao trecho "Quanto aos neandertais, tudo que for dito não passa de indução. Enterravam seus mortos com suas ferramentas por acreditarem que iriam usar em outro lugar ou por respeitar a sua propriedade? cabe a indagação:
Se você considera a possibilidade de que o homem de neandertal enterrava as ferramentas juntamente com os mortos por "respeitar sua propriedade" é porque então consideravam que a vida do morto continuava de alguma forma, o que justificaria a manutenção da propriedade para com eles. Para que diabos deixar as ferramentas com seus donos em nome do direito de propriedade se não acreditassem que a vida deles de algum modo se perpetuava?
Se não acreditavam na continuidade da vida após a morte, me parece ligeiramente contraditório que criaturas já dotadas de inteligência e habilidade suficientes para construir ferramentas preciosas para a sobrevivência do grupo, além de terem desenvolvido um instituto jurídico como a propriedade, instituto que chegou ao um desenvolvimento espetacular no direito romano somente trocentos mil anos depois (esses neandertais eram bem adiantadinhos, hein?) as perdessem em enterros (que com absoluta certeza eram muito frequentes, dadas as condições hostilíssimas do meio ambiente).
Como dito, toda e qualquer análise, fica muito a quem da indução.
Entrando no jogo, eu diria que todo caçador deveria fazer suas próprias armas, o que eliminaria completamente o valor das ferramentas do morto para o grupo.
Poderia também dizer que as armas e ferramentas em época, numa sociedade de coletores e caçadores sofriam grande desgaste ao uso, não gozando de sofisticação e resistência.
Acho que seria interessante ainda notar que a sobrevivência do grupo dependeria da habilidade de seus membros em produzir e usar essas ferramentas. Não existindo grande divisão do trabalho, assume grande importância no grupo que todos os membros fossem capazes de produzir e fazer a manutenção de suas próprias ferramentas.
Feito os bosquímanos que desde pequenos tem que aprender a fazer as ferramentas necessárias a sua sobrevivência no Kalahari.
Não tendo qualquer valor, as coisas do morto recebiam o mesmo cuidado que seu corpo.
Mas, novamente, isto são apenas deduções.
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Quanto ao caso da paralaxe, eu realmente postei pela tangente, admito.
Não consigo conciliar a metafísica do conceito com o que entendo do que seria a visão do Dennet do sujeito. As hipóteses são tantas... ao fim do post você apertou forte a idéia de mundo dele contra o conceito, o que tornou ainda mais insalubre o ensaio de respostas.
Seria o universo para ele todas as opções possíveis já "digitalizadas" e nossa consciência funcionaria apenas como um pulsar atualizador que viaja por entre os caminhos traçados pela eternidade?
Seria o universo uma universalidade de informações na qual o futuro jamais está contido? Tudo isso alteraria muito o entendimento de Dennet com relação a si mesmo e a paralaxe.
Não quero ir além no mérito pois salvo engano a paralaxe ainda é trabalho em desenvolvimento, mas não vejo a priori[/]i uma inconsistência em Dennet se assumir um processador biológico de informação com suas limitações e agir feito tal.
O livro é realmente indispensável para quem quiser ver como a ciência moderna se transformou num clube materialista, que exclui do debate todos os indícios de que há uma realidade imaterial e transcendente na essência humana.
Há relatos de casos de cientistas que, por simplesmente permitirem que colegas publicassem estudos questionando a ideia materialista como apta a explicar a realidade, passaram a sofrer todo o tipo de represália, de afastamento do cargo à negativa de acesso a material de pesquisa. Assim, fica claro que a ciência moderna não busca a verdade, mas se constitui numa ideologia que busca promover per fas et per nefas o materialismo.
Os autores mostram casos patentes de paralaxe cognitiva (sem chamar os casos por este nome) por parte de pesquisadores de biologia e de inteligência artificial (Olavo já criticou a expressão "inteligência artificial", mostrando que esta simplesmente não existe). v. http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/intver.htm
Uma virtude dos autores consiste em mostrar, até mesmo com base filosófica, a impossibilidade pura e simples do materialismo explicar a realidade, o que no mundo científico atual é uma demonstração de habilidade intelectual que mais e mais se perde.
Cito alguns trechos que mostram que o homem moderno, não obstante seja bombardeado com propaganda científica nas TVs abertas e por assinatura (quero deixar bem claro que não sou contra a ciência, mas contra a ideia de que ela possa abranger todos os aspectos da realidade, como muitos cientistas ingenuamente acreditam), não se tornou fechado à ideia da transcendência:
ATEÍSMO
Poucas pessoas têm fé suficiente para serem ateias. Em âmbito mundial, a proporção de ateus diminuiu nos últimos anos. Embora muitas vezes se considere a Europa altamente secular quando comparada com os Estados Unidos, tendências semelhantes parecem estar em ação por lá. O número de verdadeiros ateus na Europa, por exemplo, diminuiu a ponto de não serem numerosos o bastante para que se possa usá-los em pesquisa estatística (Uwe Siemon-Netto, "Atheism Worldwide in Decline", Insight on the News, 29 de agosto de 2005.http://www.worldtribune.com/worldtribune/05/breaking2453432.91875.html
Isto remete à obra de Viktor Frankl, criador da logoterapia: não há como se retirar do homem a sua busca inadiável por sentido. E sentido, por definição, não pode ser imanente a nada. Recomendo a leitura das obras Em Busca de Sentido e Presença Ignorada de Deus. Frankl já chamava a atenção sobre os nefastos resultados da ciência materialista:http://www.olavodecarvalho.org/semana/hrelogio.htm
Alguns dados jogam por terra o binômio Fé religiosaX razão científica, como na citação de que 41% dos cientistas Ph.D acreditam num Deus ao qual se pode orar.
Em relação à paralaxe cognitiva na ciência, basta lembrar que muitos gurus da Inteligência Artificial (coisa que não existe), consideram que máquinas podem ser "inteligentes", bastando lembrar os programas de computador que jogam xadrez. Mas não percebem que quando um enxadrista humano enfrenta um computador, está na realidade enfrentando outro humano, aquele que programou a máquina. Se o computador dá a impressão que é inteligente, é simplesmente porque foi criado por uma inteligência.
Aliás, no caso dos computadores, fica claro que não é tão simples proclamar sua superioridade pelo fato da capacidade de processar informações: o Deep Junior, computador criado pela IBM para jogar xadrez com Kasparov, processava até três milhões de informações por segundo, enquanto Kasparov avaliava infinitamente menos. Não obstante, Kasparov venceu.
Cabe a pergunta: o que o levou a tal resultado? Simples, os computadores se limitam a processar informações num ritmo infinitamente superior à capacidade humana. Mas falham formidavelmente num jogo de estratégia, porque não são capazes de seguir planos, não têm ideias, não têm insights, enfim, são substancialmente diferentes do funcionamento da mente humana. Inteligência é uma qualidade muito maior do que simplesmente processar informações. Logo, não é possível querer compreender a inteligência humana através de modelos computacionais, a inteligência humana pura e simplesmente não pode ser copiada numa máquina. Os cientistas não percebem que se por um lado pode-se dizer que os neurônios processam informações, por outro não percebem que isto não explica, nem de longe, o funcionamento da mente, que é capaz de absorver aspectos universais e abstratos da estrutura da realidade, perceber a falsidade ou veracidade de afirmações, enfim, algo que ultrapassa infinitamente o simples ato de processar informações.
Pois é, eu também vejo o materialismo (e o cientificismo) como exemplos de paralaxe cognitiva. Afirmações que refutam a si mesmas, na própria definição.
Se costuma dizer que "o cérebro criou Deus", que existe um "módulo Deus no cérebro", por isso Deus é uma ilusão, e que no fim das contas "todas nossas idéias são ilusões causadas pelo nosso cérebro". O cérebro passa a criar, pensar, escolher, selecionar, enfim, acaba se tornando o "eu", o que já é uma falácia conceitual. Eu posso usar uma raquete para jogar tênis, mas a raquete não está jogando, sou eu que estou jogando usando ela. Sem contar, claro, que a própria afirmação não escapa à própria premissa, se tornando mais uma ilusão causada pelo nosso cérebro, logo, refutando a si mesma.
O capítulo 21 do livro do Dinesh trata desse assunto e exlica com mais detalhes, citando inclusive 2 neurocientistas (que não são os autores desse livro), vou ver o nome deles depois e a obra deles (e quem sabe, até digitalizar o capítulo).
É como o Olavo afirma nesse artigo, onde ele explana melhor o fenômeno da paralaxe:
"Em resultado, temos uma imponente galeria de doutrinas que nada nos dizem sobre o mundo em que foram produzidas, nem muito menos sobre as pessoas reais que as criaram, mas tudo sobre um mundo inventado que não as inclui e que elas se limitam a observar desde fora, desde um imaginário posto de observação privilegiado". http://www.olavodecarvalho.org/semana/12282002globo.htm
Onde ele exemplifica com David Hume:
2) David Hume diz que nossas idéias gerais não têm valor cognitivo nenhum, porque são apenas aglomerados fortuitos de sensações corporais. Em nenhum instante ele se dá conta de que a filosofia de David Hume, compondo-se ela própria de idéias gerais assim formadas, também não pode valer grande coisa. O estado de alienação do filósofo ao criar sua filosofia não poderia ser mais completo.
Interessante esse outro artigo onde o Olavo critica os "novos ateus" que tentam refutar Deus como observadores "desde fora" também, o que me parece ser outro exemplo de paralaxe:
"Se há um Deus onipotente, onisciente e onipresente, é óbvio que não podemos conhecê-Lo como objeto, ou mesmo como sujeito externo, mas apenas como fundamento ativo da nossa própria autoconsciência, maximamente presente como tal no instante mesmo em que esta, tomando posse de si, se pergunta por Ele. Tal é o método de quem entende do assunto, como Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, S. Francisco de Sales, os místicos da Filocalia, Frei Lourenço da Encarnação ou Louis Lavelle.
Quando um Richard Dawkins ou um Daniel Dennett examinam a questão de um “Ser Supremo” que teria “criado o mundo” e chegam naturalmente à conclusão de que esse Ser não existe, eles raciocinam como se estivessem presentes à criação enquanto observadores externos e, pior ainda, observadores externos de cuja constituição íntima o Deus onipresente tivesse tido a amabilidade de ausentar-se por instantes para que pudessem observá-Lo de fora e testemunhar Sua existência ou inexistência. Esse Deus objetivado não existe nem pode existir, pois é logicamente autocontraditório. Dawkins, Dennett e tutti quanti têm toda a razão em declará-lo inexistente, pois foram eles próprios que o inventaram." http://www.olavodecarvalho.org/semana/090318dc.html
Essa é uma das perguntas mais essenciais do tema, que aliás eu não considero respondida.
Estou inclinado, no entanto, a acreditar que sejam de gêneros diferentes uma vez que existem casos bem documentados de mudança de personalidade pelo uso de químicas, ou por conta de agressões sofridas pelo cérebro.
Não poderia uma consciência supracorpórea, sofrer com isso.
Sem contar, claro, que a própria afirmação não escapa à própria premissa, se tornando mais uma ilusão causada pelo nosso cérebro, logo, refutando a si mesma.
Simplesmente irrespondível. Afirmar que os fenômenos são ilusórios é um caso de paralaxe cognitiva mórbida... É como afirmar que a linguagem nada expressa, mas precisar da linguagem para expressar tal afirmação.
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Rafael, a inteligência não é transferível/comunicável?
Não pode ser transferível, porque o fenômeno da intelecção só ocorre num único sujeito, absoluta e inapelavelmente único. Conhecer é tão radicalmente solitário como ser. Ortega Y Gasset dizia que existir é a suprema solidão, é a solidão radical, isto é, de raiz, porque ninguém pode existir por outro. Igualmente, somente eu posso inteligir alguma coisa. Mas a inteligência é comunicável, no sentido que você pode comunicar o que você inteligiu a uma outra pessoa.
Mas caberá a esta última igualmente a tarefa de inteligir o que lhe foi dito, porque não basta a transferência do que eu percebi. Imagine que eu tenha uma ideia e a trasmita a alguém. Eu quero transferir o conteúdo da minha intelecção a esta outra pessoa. Se ela compreender, a comunicação foi perfeita. Mas foi perfeita porque o destinatário igualmente inteligiu, por seus próprios recursos, a ideia transmitida. Aliás, comunicar significa tornar comum.
Por exemplo, quero transmitir a um aluno que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a 180º. Eu inteligi isto após alguém me explicar. Eu posso transmitir minha intelecção a outro, usando os recursos da linguagem. Mas meu aluno vai ter que inteligir ele mesmo; isto é, ele vai ter que por seus próprios meios ver[i/]que a soma dos ângulos dá aquele valor. A intelecção é um ato solitário, porém comunicável.
Alguns cientistas que julgam poder reproduzir a inteligência humana num computador não têm a mais remota ideia do que seja inteligência. Uma máquina JAMAIS vai inteligir algo, porque isto é uma operação do espírito.
Inteligir necessita da ideia de verdade. Uma máquina não pode saber isso. Olavo descreveu de forma magistral o que é inteligência no texto abaixo. Um computador nunca, jamais vai inteligir o que quer que seja.
O problema é que muitos cientistas, devido a uma inexistente base filosófica, consideram que a inteligência não passa de uma forma de processamento de dados. Nisto reside a miséria mental dos cientistas modernos.
Pois é Ari, eu como assíduo leitor e aouvinte amador de psiquiatria sempre as vi interligadas(personalidade/consciência)...nunca vi ou escutei notícia em que alguém que em tenha havido uma destruição da personalidade haja saído incólume com a consciência...eu sempre as considerei "quase" idênticas...se alguém destrói a consciência de alguém, destrói, necessariamente, a personalidade...foi o que eu pude observar...mas se vc tiver evidências díspares, por favor mas apresente... é crucial isso a respeito das psicopatias e sistemas prisionais que estou estudando...e feliz natal/ano novo...abs...
O livro traz mais alguns exemplos do que pode ser classificado como paralaxe cognitiva. Há um trecho onde o autor analisa o posicionamento materialista de Dawkins, que só enxerga expressão de genes e de memes em qualquer ser vivo.
Alister McGrath, que a tradutora erroneamene pensa que é uma mulher (o chama de “a teóloga”) lembra uma das conseqüências de se levar a sério os memes (sobre os memes, ler O Gene Egoísta, de Richard Dawkins).
Alister McGrath:
"Se todas as ideias são memes ou efeitos dos memes, Dawkins fica na posição decididamente desconfortável de ter que aceitar que suas próprias ideias também devem ser reconhecidas como efeito dos memes".
Prossegue o autor:
Dawkins tem atacado com todo vigor essa posição, dizendo:
"As ideias científicas, como todos os memes, estão sujeitas a uma espécie de seleção natural, e superficialmente podem parecer vírus. Mas as forças seletivas que escrutinam as ideias não são arbitrárias nem caprichosas. São regras exigentes e bem afinadas, e não favorecem o comportamento egoísta inútil."
Se por um lado Dawkins é de uma exigência implacável para com as afirmações dos religiosos, que devem provar cabalmente aquilo que alegam, por outro não aplica esta norma a si próprio: sua teoria dos memes, apresentada em O Gene Egoísta, dispensa qualquer prova. Ao apresentar os memes, Dawkins já os considera não apenas de existência arquiprovada, mas também que eles fazem tudo que ele diz que fazem. Assim, fica claro o padrão de dois pesos e duas medidas tão presente no materialismo.
Mas Dawkins vai além: os memes servem para provar absolutamente qualquer coisa contra o discurso religioso. Para isto, basta dizer que tal ou qual afirmação religiosa pode ser explicada por uma ação específica dos memes.
Dawkins os ajeita conforme a necessidade, para que abarquem todo e qualquer fenômeno onde se buscou explicação na transcendência, e assim os memes passam a exercer a função de explicação universal e infalível para todo o comportamento baseado na religiosidade.
Se qualquer religioso utilizasse de tal expediente - modificar ad infinitum o alcance de uma explicação conforme os fatos não se conformassem com esta - seria imediatamente acusado de trapaça.
Mas Dawkins faz exatamente isto: apresenta os memes como tendo a característica X. Mas se a característica X contradiz o que Dawkins disse, então ele imediatamente apresenta uma nova característica daqueles, feita sob medida para colocá-lo a salvo da contradição.
A atitude de Dawkins reflete a mais descarada explicação ad hoc, e qualquer um que não perceba imediatamente isto está com a inteligência inteiramente nublada. Ora, uma teoria que explique absolutamente tudo, que seja infalível e que possa ser mudada ad libitum conforme os fatos a neguem, só existe na imaginação de um cientista de vaidade patológica ou que seja simplesmente um picareta. Dawkins reúne um pouco das duas coisas
Vejamos com mais atenção a resposta de Dawkins a McGrath:
"As ideias científicas, como todos os memes, estão sujeitas a uma espécie de seleção natural, e superficialmente podem parecer vírus. Mas as forças seletivas que escrutinam as ideias não são arbitrárias nem caprichosas. São regras exigentes e bem afinadas, e não favorecem o comportamento egoísta inútil."
Dawkins não apenas afirma a existência dos memes - independentemente de qualquer demonstração - como acrescenta mais dados ao fenômeno conforme o necessário para suprimir contradições. Assim, os memes não só existem como estão sujeitos "a uma espécie de seleção natural", explicação que levará à própria negação da força dos memes.
Assim, Dawkins, mostrando que não se importa muito com a duração de suas afirmações, tira da cartola uma nova “característica” do fenômeno, podendo assim ao mesmo tempo revelar ao mundo que não passamos de máquinas governadas cegamente por genes e por memes, desprovidos de livre-arbítrio e de um “eu” autêntico, mas igualmente preservando suas ideias válidas per se, imunes ao fenômeno que cinco minutos atrás servia para explicar que as ideias de todo o mundo não são nada além de uma ilusão formada pelo cérebro.
Aqui cabe a transcrição de um trecho de um artigo do Olavo, sobre os sintomas exibidos pelo “portador” da paralaxe cognitiva:
“O sintoma mais grotesco era o filósofo enunciar teorias gerais sobre a espécie humana que, miraculosamente não se aplicavam à sua própria pessoa ou, pior ainda, eram incompatíveis com o fato mesmo de ele estar escrevendo o que escrevia”.http://www.olavodecarvalho.org/semana/060814dc.html
Agora apresenta "forças seletivas que escrutinam as ideias", e que não são nem arbitrárias e nem caprichosas. Estas forças "são regras exigentes e bem afinadas, e não favorecem o comportamento egoísta inútil".
Mas que "forças seletivas", que se traduzem como "regras exigentes" seriam estas? Agora Dawkins acrescenta um fenômeno, que embora ele não perceba de maneira alguma, se de fato existe traduz uma forma de transcendência, aquilo mesmo que o materialismo nega peremptoriamente.
Ora, se por trás do mundo material - o único que existe, de acordo com Dawkins - há regras exigentes e bem afinadas, é porque tais regras transcendem a simples manifestação dos memes (considerando que eles existam), fazendo com que estes, ao contrário de subordinar o fenômeno das ideias, é que sejam os subordinados.
Se tais regras existem é porque refletem uma instância independente existente no homem, já que se as escrutinam [as ideias] seletivamente e não são arbitrárias é porque estão acima das próprias ideias.
E se não são arbitrárias, são então intencionais, refletindo a presença de um núcleo de vontade e de intelecção no homem, um núcleo capaz de comparar e julgar, mostrando que Dawkins dá um tiro no pé quando aparece com esta explicação. Ora, um força não arbitrária e escrutinadora de idéias é simplesmente a capacidade intelectiva que todo ser humano tem (com exceção de Dawkins).
Portanto, a explicação ad hoc apresentada por Dawkins em resposta a MacGrath faz com que a teoria dos memes não valha muita coisa, porque se há uma dado da realidade que torna as ideias subordinadas a uma força seletiva e não arbitrária, é porque então os memes não determinam coisa alguma.
A paralaxe é ainda evidente por outro motivo: Dawkins não poderia jamais ter a pretensão de apresentar uma ideia que se revestisse de veracidade, se ideias em geral não pudessem ser verdadeiras. Advogar uma hipótese que fica excluída das condições do real onde ela própria surgiu é paralaxe pura.
O livro mostra que a ciência materialista não pode pura e simplesmente abarcar certos fenômenos, como a existência da mente (a rigor, cientistas materialistas chegam ao ponto de negar que a mente existe, o que já é um caso de paralaxe cognitiva mórbida). Critica ainda a falta de base racional e empírica para hipóteses materialistas sobre o homem.
O problema é que o público vem sendo deseducado há várias gerações sobre o real poder que tem a ciência de abarcar a realidade. O transcendente não é abarcado pelo método científico, mas em lugar de os cientistas dizerem que o que ocorre é uma limitação intrínseca da ciência, passam a dizer que não existe nada além da matéria.
Mas o autor vai além. Mostra como a visão materialista faz com que a ciência atual não passe de um órgão censor, que impede publicações de pesquisas que mostram que de fato existe uma dimensão não material na composição do homem, assim como persegue cientistas que se abrem à possibilidade da transcendência para explicar a realidade, seja demitindo-os de seus cargos, seja cortando verbas de pesquisa.
Um bom documentário sobre a perseguição implacável que os cientistas não materialistas sofrem é o Expelled, no intelligence allowed, que pode ser visto no Youtube.