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Roger Scruton entrevista.

Iniciado por rorschach_2 em 15/10/2011 · 14 mensagens

rorschach_2#1
Por iniciativa das páginas amarelas da Veja, de 21 de setembro, o filosofo inglês Roger Scruton, diz o que todo mundo pensa, mas não tem meios de dizer em voz alta. Exemplos:
1) Os arruaceiros de Londres não são pobres excluídos. São meninos mimados, sustentados pela previdência social, que se acostumaram à ideia de que têm todos os direitos e nenhuma obrigação;
2) Nenhum país pode suportar um fluxo ilimitado de imigrantes sem integrá-los na sua cultura nacional;
3) Toda a ideologia de esquerda é baseada na idéia imbecil da “soma zero”, onde alguém só pode ganhar alguma coisa se alguém perder outro tanto;
4) Marx, Lênin e Mao pregaram abertamente a liquidação de populações inteiras, mas a esquerda fica indignada quando lhes imputamos a culpa moral pelas consequências óbvias da aplicação de suas ideias – se um conservador escreve uma palavrinha contra os excessos da imigração forçada, é imediatamente acusado de fomentar crimes contra os imigrantes;
5) A União Europeia é inviável. O euro, paciente terminal, que o diga;
6) A esquerda sente a necessidade de sempre explicar tudo em termos de culpados e vítimas, mas, como cada explicação desse tipo logo se revela insustentável, é preciso buscar sempre novas vítimas para que as ondas de indignação se sucedam sem parar, alimentando a liderança revolucionária – que sem isso não sobreviveria uma semana. A primeira vítima oficial foram os proletários, depois os índios, os negros, as mulheres, os jovens, os gays e agora, a maior vítima de todas: o planeta. Em nome da salvação do planeta, supostamente ameaçado de extinção pelo capitalismo, é lícito matar, roubar, sequestrar, incendiar, ludibriar, mentir sem parar e, sobretudo, gastar dinheiro extorquido dos malvados capitalistas por meio do Estado redentor.
rorschach_2#2
Em todos esses casos, é historicamente comprovado que a situação das alegadas vítimas, sob o capitalismo, jamais parou de melhorar, na mesma medida em que piorava substancialmente nos países socialistas; mas a mentalidade esquerdista tem a tendência compulsiva de sentir-se tanto mais indignada com os outros quanto mais suas próprias culpas aumentam. É o velho preceito leninista: acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.
A par da sua obra propriamente filosófica, de valor inestimável para os estudiosos, Scruton tem dito essas coisas, de uma verdade patente, há muitas décadas e com uma linguagem ao mesmo tempo elegante e ferina que desencoraja o mais inflamado dos contendores.
Espero que a entrevista da Veja desperte a atenção dos leitores para os livros desse autor imprescindível.
A respeito do item 6, convém acrescentar uma informação de que talvez o próprio Scruton não disponha, mas que vem mostrar o quanto ele tem razão. Nos anos 50, grupos globalistas bilionários – os metacapitalistas, como os chamo, aqueles sujeitos que ganharam tanto dinheiro com o capitalismo que agora já não querem mais se submeter às oscilações do mercado e por isso se tornam aliados naturais do estatismo esquerdista – tomaram a iniciativa de contratar algumas dezenas de intelectuais de primeira ordem para que escolhessem a vítima das vítimas, alguém em cuja defesa, em caso de ameaça, a sociedade inteira correria com uma solicitude de mãe, lançando automaticamente sobre todas as objeções possíveis a suspeita de traição à espécie humana.
rorschach_2#3
Depois de conjeturar várias hipóteses, os estudiosos concluíram que ninguém se recusaria a lutar em favor da Terra, da Mãe-Natureza. Foi a partir de então que os subsídios começaram a jorrar para os bolsos de ecologistas que se dispusessem a colaborar na construção do mito do planeta ameaçado pela liberdade de mercado. As conclusões daquele estudo foram publicadas sob o título de Report from Iron Mountain – a prova viva de que o salvacionismo planetário é o maior engodo científico de todos os tempos.
O escrito foi publicado anonimamente, mas o economista John Kenneth Galbraith, do qual não há razões para duvidar nesse ponto, confirmou a autenticidade do documento, ao confessar que ele próprio fizera parte daquele grupo de estudos e ajudara a redigir as conclusões.
rorschach_2#4
rorschach_2#5
hllio#6
Já foi postado pelo Giovanni aqui:

Por que a Beleza Importa - Roger Scruton
hllio#7
O link específico da entrevista postado foi esse:

http://aboutnotthing.blogspot.com/2011/09/entrevista…er-lida.html

Esse acabou virando o tópico fixo para debater a obra do Roger Scruton:

"Por que a Beleza Importa - Roger Scruton"

Por que a Beleza Importa - Roger Scruton
andr_15#8
Quanto mais eu investigo o Scruton, mais eu gosto!

Grande filósofo! [É tão bom poder chamar alguém hoje em dia de filósofo de fato!]
ayrton#9
Na Veja desta semana tem uma boa reportagem sobre o novo livro do filósofo conservador, no qual ele traça um paralelo entre a civilização Ocidental (a mais avançada de todos os tempos, em todos os sentidos) e a história do vinho.
andr_15#10
Ayrton, seria o "I drink therefore I am"?
rorschach_2#11
E os livros onde comprar?
andr_15#12
Leandro,

Em português brasileiro você encontra três livros do Scruton: Kant, Espinosa (livros de introdução), o primeiro pela L&PM o segundo pela Unesp e um sobre Tristão e Isolda, pela É Realizações.

Há a promessa que a É traduzirá outros títulos do Scruton.

Em português de Portugal você encontra alguns outros títulos: História da Filosofia Moderna, de Descartes a Wittgenstein, Estética da Arquitetura (livro espetacular!!), Bebo, logo existo.

Alguns você encontra na Estante Virtual, outros no site da Livraria Cultura.
rorschach_2#13
Valeu, obrigado.
fortunatta#14
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