ntegrantes divergem sobre foco de investigações
Enquanto alguns membros defendem que o
colegiado investigue exclusivamente os agentes públicos, outros querem
incluir eventuais crimes cometidos por guerrilheiros ou militantes de
grupos de esquerda
Os integrantes da Comissão Nacional da Verdade ainda divergem sobre o
recorte que será dado à investigação de violações de direitos humanos no
período da ditadura. Depois da http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-instal…-revanchismoos
responsáveis por apurar abusos ocorridos entre os anos de 1946 e 1988, o
ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, defendeu que o
colegiado investigue exclusivamente os agentes públicos responsáveis por
torturas ou desaparecimento de pessoas e se abstenha de verificar
eventuais crimes cometidos por guerrilheiros ou militantes de grupos de
esquerda.
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“Essa comissão é fruto de uma lei que reconheceu que o estado
brasileiro violou direitos humanos através de servidores públicos”,
afirmou Fonteles. Ele também defendeu que seja ouvida a versão de
militares sobre episódios ocorridos nos anos de chumbo. “Temos que nos
acostumar a conviver com a diferença em nível elevado, sentados à mesa,
com tranquilidade. É fundamental que apuremos ouvindo todo mundo. Não há
verdade em solução ditatorial, arbitrária, em que se usa a força”.
Para José Carlos Dias, que falou em nome do colegiado durante a
cerimônia de posse, “é fundamental entender que abusos porventura
cometidos por cidadãos não justificam os atos de violência praticados
por agentes e mandatários de estado”. “A instalação dessa Comissão da
Verdade significa um passo relevante para a consolidação da sociedade
democrática brasileira, virando uma página dolorosa de nossa história,
quando liberdades foram suprimidas e direitos aviltados contra os que
ousaram”, disse. “Haveremos de dar respostas às expectativas e
esperanças. Não somos donos da verdade, mas seremos seus perseguidores
obstinados”.
Em sentido contrário, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
Gilson Dipp, indicado para coordenar os trabalhos do grupo durante a
fase de instalação dos trabalhos, afirmou que “toda violação aos
direitos humanos” pode ser alvo de investigação da comissão. “O artigo
primeiro da lei refere que toda a violação a direitos humanos poderá ser
examinada pela comissão”, declarou, fazendo a ressalva de que as
conclusões do colegiado não poderão servir como base para processos
judiciais.
O advogado José Paulo Cavalcanti Filho, que também compõe o grupo,
disse que os integrantes da comissão ainda precisam conversar entre si
para delimitar o foco das investigações. “Não tivemos tempo para
conversar”, explicou. “Vamos ficar em silêncio e acertar as
divergências”.
Farão parte da Comissão Nacional da Verdade o ex-procurador-geral da
República, Claudio Fonteles, o ministro do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), Gilson Dipp, o ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, a
psicanalista Maria Rita Kehl, o advogado José Paulo Cavalcanti Filho, o
diplomata Paulo Sergio Pinheiro e a advogada Rosa Maria Cardoso da
Cunha, que chegou a defender Dilma durante os anos de ditadura.
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