Cap. 2 - Bom desenhoSeleção natural é o relojoeiro cego, cego porque ele não enxerga à frente, não planeja consequências, não tem propósito em vista. Ainda assim, os resultados vivos da seleção natural...Cap. 3 - Acumulando trocadosCada mudança sucessiva no processo evolutivo gradativo foi suficientemente simples, em relação a seu precessor, para ter surgido aleatoriamente.(...) O processo cumulativo é dirigido por sobrevivência não aleatória.Novamente usaremos nosso macaco computacional, mas com uma diferença crucial em seu programa. Ele agora começa escolhendo uma sequência de 28 letras aleatórias, como antes:
WDLMNLTDTJBKWIRZREZLMQCOP
Ele agora "reproduz" a partir desta frase aleatória. Ele a duplica repetidamente, mas com uma certa probabilidade de erro aleatório - "mutação" - na cópia. O computador examina as frases mutantes sem sentido, a "progenia" da frase original, e escolhe aquela que, mesmo que ligeiramente, mais se parece com a frase alvo, METHINKS IT IS LIKE A WEASEL.(...)
(...)A figura 5 é outra pequena coleção do meu rol de troféus, todos desenvolvidos do mesmo jeito. (...) Elas não foram retocadas ou medicadas de jeito algum. Elas estão do mesmo jeito que o computador as desenhou quando evoluíram dentro dele. O papel do olho humano se limitou a selecionar, dentre progenia aleatoriamente mutada através de muitas gerações de evolução cumulativa.
(...)Poderíamos dispensar o olho humano, e fazer com que o próprio computador faça a seleção, com base em algum critério biologicamente realista? (...) Programas reconhecedores de padrões existem. (...) Mesmo que tal programa de reconhecimento de padrões não estivesse além de minha capacidade de programação, e além da capacidade do meu compudador de 64K, eu não iria me preocupar. Esta é uma tarefa melhor executada pelo olho humano juntamente com - mais direto ao ponto - o computador de 10 giganeurônios dentro do crânio.
(...)O ponto da estória é que mesmo tendo sido eu quem programou o computador, dizendo a ele em detalhes o que fazer, ainda assim não planejei os animais que evoluíram, e fiquei totalmente surpreso por eles quando vi seus precursores pela primeira vez.(...)
Os modelos computacionais biomorph preenchem esses requisitos bem, e constituem uma ponte instrutiva entre o processo criativo humano, como planejar uma estratégia vencedora no xadrez, e a criatividade evolucionária da seleção natural, o relojoeiro cego.(...)
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Bom, os programas de Dawkins, com a meta já pré-estabelecida, são uma excelente amostra de... desenho inteligente. E o raciocínio circular envolvendo o cérebro e o reconhecimento de padrões foi particularmente lindo.
A questão primordial é quem seleciona estas "pequenas" melhorias, salva e guarda para próxima "fase". Imagina o ouvido humano por exemplo. Para chegar ao grau de complexidade do design, cada seleção anterior tem de ser exata. Se algo falhar na fase anterior, nada será criado ou desenvolvido.
É um primarismo esta teoria. É como considerar a evolução um video game, em que só completando todas os objetivos da fase anterior é que se passa à fase seguinte.
Infantil por demais.
O famoso astrônomo Fred Hoyle uma vez usou seu famoso argumento da sucata em um ferro-velho formando um avião Jumbo por acidente no que diz respeito ao surgimento puramente aleatório da vida.
Isto vem no final de um capítulo no qual Hoyle discute as probabilidades de formar as proteínas necessárias a nossas células. Ele nos diz que as probabilidades de produzir uma única proteína (que sequer é viva ou capaz de auto-replicância) é como um homem vendado resolver o cubo Rubik por acidente.http://www.apologetics.fsnet.co.uk/dawkins.htm
Dawkins resolve essa parada simplesmente lançando mão do argumento da evolução cumulativa (como se Hoyle não soubesse, pombas!). O probleminha é que não existe evolução cumulativa sem molécula auto-replicante, e um cara que advogou a evolução genocêntrica a vida inteira deveria desconfiar disto.
Como disse o Olavo no último programa, Dawkins raia o analfabetismo puro e simples.Finalmente:
(Cap. 4) ... e até hoje não é de meu conhecimento nenhum caso de um órgão complexo que poderia não ter sido formado através de numerosas modificações pequenas. Não acredito que tal caso será encontrado. Se for, deixarei de acreditar no darwinismo.
(Cap. 6) Seleção cumulativa é a chave, mas ela teve que começar, e não podemos escapar da necessidade de postular um evento aleatório de passo único na origem da seleção cumulativa em si.
Bom saber que Dawkings renunciou automaticamente ao darwinismo. Daí Dawkins parte para explicar a origem do milagre pela quantidade colossal de planetas no Universo.
Identicamente, pela quantidade de planetas no Universo, em algum planeta incauto, um redemoinho montou um Jumbo em um ferro-velho, para espanto dos moradores.
A questão primordial é quem seleciona estas "pequenas" melhorias, salva e guarda para próxima "fase".
O ambiente.
Imagina o ouvido humano por exemplo. Para chegar ao grau de complexidade do design, cada seleção anterior tem de ser exata.
Não é verdade que "tem que ser exata". Existem milhares de espécies com milhares de níveis de desenvolvimento de órgãos como olhos e ouvidos, por exemplo.
Existem animais com diferentes graus de miopia (inclusive alguns extremamente muito míopes), que enxergam melhor ou pior no escuro, que só enxergam movimentos, que só vêem vislumbres de luz e sombra, que não enxergam cores, que só enxergam algumas cores e etc, e existem milhares de níveis de cada uma dessas características aí.
Se vc começa a dissecar o olho desses animais, vai ver que alguns não têm ou têm de forma incipiente, imperfeita ou mal-formada uma ou várias das estruturas de um olho (quando usamos como referência o olho humano). Por exemplo, alguns animais têm retina mal-formada ou incipiente, em vários graus de imperfeição, ou simplesmente não têm retina. Exatamente por isso diferentes animais têm uma ou várias limitações ou deficiências de visão quando comparada com o olho humano. (lembrando que existem olhos melhores que os nossos).
Mesmo olho humano nem sempre é, e nem precisa ser "perfeito" ou "exato" pra funcionar, ainda que mal. Vc pode ter vária anomalias congênitas, e mesmo assim, ainda enxergar alguma coisa. Um míope ou hipermétripe enxerga mal, mas ainda é muito melhor ser míope do que não ter olho. Deficiências em células ou estruturas especializadas provocam diversos problemas, como daltonismo, falta de foco, visão turva, falta de visão perfiférica e etc etc, mas tudo isso ainda é melhro do que não ter olho.
Ou seja, é uma baita mentira dizer que "tem que ser exata ou perfeita". A natureza e até seu próprio olho desmentem isso, então não entendo como sustentar uam afirmação absurda dessas, contrária a todas as evidências que estão, literalmente, na cara...
O erro que o pessoal também comete é achar que olhos e ouvidos são estruturas perfeitas.
Estar habituado às falhas de nossos sentidos não os transforma em perfeitos.
Rapaz, excelente observação!!!
Temos sempre a tendência de considerar as nossas características como o "modelo de perfeição".
Aliás, o olho humano está na verdade MUITO LONGE de ser "perfeito" (explico as aspas mais à frente): Não temos a mesma capacidade de focar detalhes ao longe que uma águia ou falcão têm, não temos a capacidade que os felinos e outros têm de enxergar no escuro, não enxergamos todo o espectro luminoso (pelo contrário, uma faixa bem estreita, alguns insetos por exemplo enxergam infravermelho e ultravioleta, ou seja, NÃO vemos todas as cores), não captamos movimentos muito rápidos que outros animais captam (agite a mão na frente do seu rosto, por exemplo -aliás, é por isso que o cinema e TV funcionam, por uma limitação do nosso olho!), etc etc etc etc etc
Quanto ao "perfeito": O que seria uma visão "perfeita"???? Se ninguém consegue definir isso, como podemos já começar a falar em exatidão e perfeição???
David:
Como o "ambiente" tem a inteligência de separar o que será bom na próxima "fase" e guardar - separar como uma receita da cozinha maravilhosa de Ofélia - e descartar o que não será "bom", sendo que todas estas características só serão funcionais quando todo o conjunto delas estiver pronto e funcionando?
O "ambiente" não poderá selecionar nada que não esteja adequado ao momento atual e, como vimos, uma determinada estrutura em formação não pode ser funcional no momento que ela "aparece", só milênios mais tarde.
Ou será que o "ambiente" sabe como será o desenho final e então "escolhe" o que é adequado retroativamente?
Tua resposta é insuficiente.
há algum caso onde a ordem surge da desordem de forma expontânea observado na natureza até hoje?
Há TANTOS casos que existem até disciplinas específicas para estudar isso.. Como Autopoiese e Sistemas Emergentes.
Um tornado por exemplo, não passa de moléculas de ar. Só isso. Bilhões, trilhões de moléculas de ar. Mas sob as condições certas, em alguns raros casos, essa moléculas se organizam criando algo que parece uma entidade autônoma: Um tornado tem estrutura, forma e comportamento bem definidos em um nível essencial, e toda uma intrincada e complexa física própria, jamais expressa na física e química que rege as interações entre as moléculas de ar que o compõe mas que emerge desta. Ou seja, vc nunca explicará um tornado analisando as partes constituintes e suas inter-relações (as moléculas), não existem regras da físca ou química nestas moléculas que expressam "criação de tornado", mas a união de bilhões de moléculas e sua relação com temperatura, pressão e etc cria um novo sistema, que é dito emergente do sistema mais simples.
Guardas as devidas proporções, um tornado é como um cérebro: Nunca se consegiu explicar a inteligência e consciência analisando as estruturas do cérebro e os neurônios individualmente, mas aquele enorme grupo de neurônios, de alguma forma, produz inteligência e consciência quando agrupados.
Como o "ambiente" tem a inteligência de separar o que será bom na próxima "fase" e guardar - separar como uma receita da cozinha maravilhosa de Ofélia - e descartar o que não será "bom", sendo que todas estas características só serão funcionais quando todo o conjunto delas estiver pronto e funcionando?
Essa sua pergunta já foi respondida em detalhes nos meus posts anteriores: Com o exemplo do olho e os trocentos níveis de qualidade visual existentes na natureza que descrevi, pensei que tivesse deixado perfeitamente que claro que não há MÍNIMA NECESSIDADE de todo um conjunto estar absolutamente "pronto" para ser funcional. Vc consegue ter algo funcional mesmo com partes defeituosas ou incompletas ou mesmo faltantes.
Isso não é o que eu ACHO, não é opinião, é o que existe na natureza, um FATO.
De novo: Um olho sem retina, por exemplo, ou com retina mal-formada, ainda te dá um certo poder de visão, mesmo que pior do que o que estamos acostumados. E os animais vivem muito bem com trocentos níveis de visão.
Recomendo lerem com mais cuidado o que eu escrevi lá atrás, tem hora que parece que ninguém lê as explanações e explicações, ou se lê, simplesmente não pára para refletir um minuto que seja. Ler por ler não adianta muito.
Um tornado por exemplo, não passa de moléculas de ar. Só isso. Bilhões, trilhões de moléculas de ar. Mas sob as condições certas, em alguns raros casos, essa moléculas se organizam criando algo que parece uma entidade autônoma: Um tornado tem estrutura, forma e comportamento bem definidos em um nível essencial, e toda uma intrincada e complexa física própria, jamais expressa na física e química que rege as interações entre as moléculas de ar que o compõe mas que emerge desta. Ou seja, vc nunca explicará um tornado analisando as partes constituintes e suas inter-relações (as moléculas), não existem regras da físca ou química nestas moléculas que expressam "criação de tornado", mas a união de bilhões de moléculas e sua relação com temperatura, pressão e etc cria um novo sistema, que é dito emergente do sistema mais simples.
Amigo, um vórtex já virou ordem surgindo da desordem?
Vou falar aqui o que pode parecer uma tremenda asneira, mas acho que existe uma possibilidade de ser verdade:
Seres vivos, do mais simples para o mais complexo, são formados da seguinte maneira:
- seres unicelulares
- Colônias de seres unicelulares
- Seres multicelulares, porém com todas as células iguais
- Seres multicelulares, com células adaptadas a funções
- Seres multicelulares, com células altamente especializadas, formando estruturas funcionais (órgãos)
Digamos que exista uma pequena possibilidade de haver uma quantidade qualquer de raciocínio em um desses primeiros seres unicelulares (extremamente rudimentar).
Não seria plausível que os agrupamentos posteriores, em animais mais evoluídos não seja exatamente obra do acaso, mas de milênios de reações desses seres, organizando-se a fim de evitar suas extinções?
Sob esta perspectiva, o homem não seria um, mas muitos. Como uma sociedade.
É estranho, reconheço. Com bases científicas bastante precárias da minha parte.
Amigo, um vórtex já virou ordem surgindo da desordem?
O que vc chama de ordem e desordem?
"Caos" não significa "aleatoriedade", são conceitos diferentes em ciència (Assim como massa não é peso e matéria não é massa, confusão muito comum).
Quanto falamos em Caos, estamos no referindo a sistemas complexos e que possuem uma dinâmica, ou seja, perturbações em um de seus elementos provocam perturbações nos demais, que por sua vez perturbam os elementos originais num ciclo de realimentação (feedback) contínuo (A perturba B que perturba C que por sua perturba A), gerando uma teia entrelaçada de perturbações que é complexa demais para ser mapeada ou prevista de modo preciso. Matematicamente, temos uma equação com variáveis demais.
Isso significa que qualquer variação, ainda que mínima, pode provocar grandes alterações que se tornam, ao longo do tempo, praticamente impossível determinar o resultado, e por isso tais sistemas são chamados "caóticos" e as vezes "aleatórios", embora não não sejam, a rigor, realmente aleatórios.
Isso já estudado em sistemas não-lineares, mas o nome da disciplina é Teria do Caos mesmo, há inclusive um livro, bem legal, com esse título.
Então, respondendo à sua pergunta, um vórtex ("ordem") certamente surge do caos (moléculas de ar "desordenadas"), considerando que "desordem" é um sistema com a natureza descrita acima.
Mas em essência, note que um vórtex não é nem mais nem menos ordenado que as moléculas queo geraram, trata-se apenas de outro nível de organização.
Bom amigo, vou dar um ponto para você. Nessa você ganhou. Os vórtex realmente são um assunto cavernoso.
Se você visse algumas fotos de tornados vistos pelo satélite ficaria abismado. Realmente, muitos cientistas proporam teorias interessantíssimas utilizando esse conceito. Ainda antes da 2ª guerra um cientista austríaco chamado Viktor Schauberger estudou exaustivamente o assunto: com resultados impressionantes. Além de Schauberger, existe o trabalho de Nikolai A Kozyrev na rússia ( devidamente censurado pelo regime stalinista, claro) e outros recentes trabalhos perturbadores a respeito.
Thomson propôs um modelo atômico onde o átomo e as partículas elementares seriam vortexes.
Bom amigo, vou dar um ponto para você. Nessa você ganhou.
Bem, não acho que se "ganha" discussões. Apenas apresento o que aprendi ao longo dos anos, na verdade, note que não sou original em praticamente NADA do que falo, se fosse, seria um cientista fazendo pesquisa... Apenas cito o que já li em fontes consideradas mais seguras, e descarto as consideradas duvidosas.
Acho que debates valem para se aprender, e eu mesmo sempre aprendo muita coisa com todos vocês.
Exceção feita para quando eu digo "eu acho", mas faço isso o mínimo possível, pois considero que só vale a pena sustentar um achismo quando tenho algumas boas bases para isso. É a minha natureza, mesmo, e acho isso fundamental para não me perder na barafunda de informações e empulhações que há hoje em dia...
Um redemoinho é uma turbulência que existe devido a colunas de material em movimento com velocidades diferentes em um meio viscoso. Tinta jogada na água gera redemoinhos. E um tornado é um sistema que pode ser tão complexo quanto um copo d'água sendo despejado na pia. Não vejo qual é a grande coisa.
David e o olho:
Mostre-me. Este papo de fato é uma falácia.
Os cientistas nunca explicaram isso. E nem sabem como. O que tu estás falando é papo de Discovery Channel.
Não é fato comprovado que nada.
Mostre-me onde uma estrutura não funcional como um olho, um pulmãoX guelras poderia se transformar ou ser funcional.
O animal que o carrega - a tal forma intermediária - teria de ter duas estruturas ao mesmo tempo, ou pelo menos durante algum tempo. Nunca foi provado.
Somente em lixo do tipo Discovery or National Geographic, que dizem que um urso caiu na água e virou ... Uma baleia!
Pois é. Figuras geométricas aparecendo no olho de furacões e nos polos de planetas durante tempestades?
Antes que alguém fale alguma coisa a respeito da origem das imagens: as imagens são da NASA.
Não encontro explicações para a origem dessas figuras (hexágonos, pentágonos, etc) dessa forma.
Toth, qual o problema de figuras geométricas aparecerem no olho de furacões? Isso apenas indica que existem forças ali operando que provocam o efeito de simetria, muitíssimo comum na natureza (aliás, banal)
Um floco de neve é apenas água congelada e forma figuras geométricas muito mais complexas e bonitas que essas, a água escoando pelo ralo forma uma espiral perfeitamente geométrica, o pólem das flores é geometricamente perfeito, aliás as próprias flores, sementre, frutos e etc o são, o arco íris forma arcos e círculos perfeitos, campos magnéticos também são simétricos (espalhe limalha de ferro sobr eum íma para ver) e etc etc etc.
Certo, se for esse o significado do termo, pra mim está ok. É que normalmente lemos razão como racionalizade, passando uma idéia de consciência, inteligência, objetivo e etc.
Eu não me meto normalmente nas discussões "evolutivas" desta comunidade, porque sempre têm muito ruído e quase nenhuma luz.
Desta, vez, no entanto, fiquei curioso:
"e o onde Dawkins quer chegar?" [2]
Antes, gostaria de avisar ao colega que eu sou biólogo.
A cabeça dogmática das olavetes estão a anos-luz de entender onde Dawkins quer chegar Oh, salve grande Dawkins, salve-me oh grande Gramsci, salve-me mestre Sagan, salve-me Voltaire ...
Toth, qual o problema de figuras geométricas aparecerem no olho de furacões? Isso apenas indica que existem forças ali operando que provocam o efeito de simetria, muitíssimo comum na natureza (aliás, banal)
Banal? Qual a parte mais energética de um vórtex qualquer? O centro ou a periferia?
Bom, não sei exatamente onde Dawkins quer chegar. Só sei que se ele conseguir o que quer o mundo não vai ser o que ele supostamente gostaria que fosse: um caos.
Um caos tão grande que arrastará a própria ciência numa confusão centrífuga. Um Nada perante o qual a única praxis possível é a fúria das massas desagregadas e desconectadas de valores espirituais; "...a violência física, que é, no fim das contas, a única ação decisiva ao olhos do cético." (p. 632) É o império do imbecil coletivo.
Primeiro responda a pergunta: é o núcleo a parte mais energética ou não?
Eu não sei. Mas mesmo arriscando a falar muita besteira, vou chutar: Acho que não, pois na periferia as velocidades tendem a ser maiores (quanto mais afastado do centro, maior o raio e portanto maior a distância e maior a energia necessária pra manutenção do vorttex.
Professor Enézio, em argumentos para um "Dawkins Delusion":
"Dawkins é o antípoda de Darwin. Ele afirmou categoricamente: “... penso igualmente que, antes de Darwin, o ateísmo até poderia ser logicamente sustentável, mas que só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito”. [1] Quer dizer, derivei a minha subjetividade ateísta nas idéias de Darwin. Talvez Richard Dawkins não saiba, mas o seu ‘ídolo’ Charles Darwin, na sua autobiografia, discorda diametralmente dele nesse sentido:
“O que os meus próprios pontos de vista possam ser é uma questão de nenhuma conseqüência para ninguém a não ser eu mesmo. Mas, como você pergunta, eu posso declarar que o meu juízo flutua freqüentemente… Nas minhas mais extremas flutuações eu nunca fui um ateu no sentido de negar a existência de um Deus. Eu penso que geralmente (e mais à medida que envelheço), mas nem sempre, que agnóstico seria a descrição mais correta de meu estado de espírito.” [2]
Está mais do que na hora de alguém escrever o livro “The Dawkins Delusion” [A ilusão de Dawkins], e chamá-lo à chincha por usar indevidamente a ciência para a defesa e promoção de suas preferências ideológico-subjetivas.
Há um mal entendido aqui, que costuma ser reforçado pela literatura criacionista ad nauseam.
O intuito de Dawkins no "programa da doninha" não era simular evolução biológica, apenas um dos aspectos desta, o poder da seleção cumulativa. Ele queria contrapor a seleção cumulativa à seleção de "um só passo" onde modificações não são transmitidas hereditariamente e não se acumulam.
O algoritmo genético que ele utiliza pré-especificou um resultado final, mas a grande maioria dos algoritmos genéticos utilizados em problemas de otimização de engenharia não o fazem, chegam na solução ótima sozinhos.
Cacete!...
Manoel, você acha que uma solução algorítmica responde a qualquer pergunta?
Ou, melhor dizendo, que existe um algoritmo "final", ou "completo"que inclua todos os outros - o algoritmo dos algoritmos?
Manoel, você acha que uma solução algorítmica responde a qualquer pergunta?
Não, nunca afirmei isso. Pelo contrário, nem toda função é computável (em computadores clássicos ao menos).
Alguns físicos teóricos julgam que o Universo como um todo é um hipercomputador quântico (um tipo de computador não-clássico); eu considero essa hipótese fascinante, mas não tenho opinião formada:
Mas especificamente a seleção natural darwiniana pode ser entendida como um processo algorítmico. E pode ser implementada em Máquinas de Turing. O processo que foi responsável por grande parte da complexidade adaptativa de seres vivos agora nos ajuda a projetar aviões, satélites e foguetes utilizando algoritmos genéticos que mencionei. E indústria aeroespacial é apenas uma das aplicações.
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Tão tá bom.
Se a conversa é sobre a indústria aeroespacial, tô fora.
Por mais interessante que seja (e não duvido que é), eu achei que fosse sobre outra coisa.
Para a indústria aeroespacial, algoritmos dão com certeza conta do recado.
Nada a dizer!
Manoel, fala sério: o surgimento vida como um processo explicável por uma máquina de Turing é brincadeira, né não? Um algoritmo pra explicar isso?
O surgimento da vida depende de processos não-darwinianos; o algoritmo darwiniano só funciona em replicadores. Quais mecanismos formaram o primeiro replicador? Uma proposta muito estudada é a auto-organização dos sistemas complexos de Stuart Kauffman e outros biólogos teóricos.
Ah, sei: quer dizer então que seria um processo completamente não-algorítmico até determinado ponto, e completamente algorítmico dali em diante! ...
Ou seja, alguém de repente deu um berro para o universo: "liga aí essa máquina de Turing, faxavô, que agora já dá!".
Tão tá bom.
Eu penso que (e não saindo do paradigma científico), tudo isso está errado, incompleto e obsoleto: e esta é uma das discussões que mais facilmente prova isso.
Depois da Física Quântica, nenhum processo real pode ser descrito como completamente algorítmico. A completa algoritmicidade existe apenas em modelos matemáticos e em "modelos montados" , como computadores, por exemplo. E mesmo assim...
O quantum botou a ciência em seu legítimo lugar - subordinada e inferior à Metafísica, é claro!
Em resumo bem resumidinho, o máximo que se pode dizer de qualquer coisa, do ponto de vista científico, é que tal coisa tem uma probabilidade alta ou baixa de se passar (ou ter se passado, ou vir a se passar) desta ou daquela maneira.
Discute-se a natureza da realidade porque tal natureza não é "abrangível" completamente, e a ciência querer dizer "qual é" esta natureza, ou seja, torná-la completamente conhecida e determinada/determinável, é uma pretensão completamente burra!
Até o advento da Física Quântica, até que a burrice era pelo menos "justificável" - mas depois, eu (palavra de honra) acho imperdoável.
Aristóteles, nos meus sonhos melhores, está adorando conversar com Niels Bohr, e vice-versa!
O intuito de Dawkins no "programa da doninha" não era simular evolução biológica, apenas um dos aspectos desta, o poder da seleção cumulativa. Ele queria contrapor a seleção cumulativa à seleção de "um só passo" onde modificações não são transmitidas hereditariamente e não se acumulam.
Isso já está suficientemente claro no meu primeiro post. Inclusive, Dawkins lançou mão deste argumento onde não era cabível (no caso da resposta a Hoyle).
O algoritmo genético que ele utiliza pré-especificou um resultado final, mas a grande maioria dos algoritmos genéticos utilizados em problemas de otimização de engenharia não o fazem, chegam na solução ótima sozinhos.
O objetivo de Dawkins era derrubar a tese de que milhares de macacos em máquinas de escrever não chegariam a um Hamlet em tempo razoável mas que seleção cumulativa sim. Um destes programas de engenharia não iria chegar à frase "Methinks it is like a weasel" sem resultado pré-definido pelo simples fato de que computador não sabe o que é uma frase com significado. Se tiver algum algoritmo genético de ponta que escreva Hamlet (ou sistematicamente frases que façam sentido) sem ter o resultado pré-definido, avise-nos.