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Mas eutanásia não é o desligamento dos aparelhos?
Não meu amigo. A ortotanásia significa morte correta, ou seja, a morte pelo seu processo natural. Neste caso o doente já está em processo natural da morte e recebe uma contribuição do médico para que este estado siga seu curso natural. Assim,
ao invés de se prolongar artificialmente o processo de morte
(distanásia), deixa-se que este se desenvolva naturalmente
(ortotanásia).
Já a eutanásia,
etimologicamente falando, significa morte sem dor ou morte suave. Ocorre
quando há uma ação direta de uma pessoa para antecipar o momento da
morte, sendo aplicado algum método ou se tirando outro a fim de antecipar a morte.
A ORTOTANÁSIA é aprovada pela Igreja. Tem um artigo bom do site da canção nova sobre isto, dê uma olhadinha:
http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=272346
+Paz
Antes de entrar no mérito da questão religiosa, observe que a própria
definição de eutanásia contempla a ortonásia, pois, segundo você, a
eutanásia também pode ser feita com
uma ação direta para se tirar "um método" [terapéutico que mantém a pessoa viva] a fim de antecipar a morte.
Mas se você retira a terapia de alguém em estado grave, então você
simplesmente está aceitando o "processo natural de morte", que, se
levado ao extremo, cairia no absurdo de alguém que teve um ferimento
grave morrer porque os médico poderão se abster de controlar a
hemorragia e assim "intervir no processo natural de morte".
A pergunta que fica é: de acordo com qual escala se define o que é uma pessoa em "curso natural de morte" e uma pessoa "recuperável"?
A notícia que você vincula da CNBB (como se aquele antro fosse
referência católica para alguma coisa) é a de uma mulher que após 17
anos em coma, teve sua alimentação e hidratação suspensas e "morreu"
naturalmente. Meu filho, qualquer pessoa que não se alimente nem se
hidrate, "morre naturalmente".
Outra pergunta: é lícito a um bebê prematuro, que não tem consciência
nem meios de se alimentar nem de protestar pela falta de alimentos,
negar seu alimento para este "morrer naturalmente"?
Mais: e os casos de pessoas que "acordam" depois de 30 anos em coma? Deveriam ter seus aparelhos desligados também?
"
Assim,
ao invés de se prolongar artificialmente o processo de morte
(distanásia), deixa-se que este se desenvolva naturalmente
(ortotanásia)."
Como assim, jararé? Vejamos o que nos diz o tal padre na reportagem que você postou:
"
O problema moral está na
eutanásia porque é também chamada de homicídio assistido, ou seja, há
uma ação direta do paciente ou de outra pessoa para antecipar o momento
da morte. A passagem da distanásia para eutanásia, às vezes, é muito
confusa, mas é uma questão da consciência do médico. A distanásia é
quando a morte é iminente, porém você sustenta a pessoa por aparelhagem.
Já no caso da eutanásia, a morte não era iminente e o paciente pode
viver por muitos anos, e uma ação direta é aplicada que antecipa o
momento da morte. Na distanásia, você permite a pessoa morrer quando se
desliga a aparelhagem, ao passo que na eutanásia o momento da morte é
antecipado. "
Intelígentíssimo, tanto este padre quanto você, William. Quer dizer que
um sujeito que tem uma embolia pulmonar e que tem de ficar ligado a um
respirador artificial para não morrer, embora consciente, pode ter seus
aparelhos desligados sem que isso seja um suicídio ou homicídio, pois
acho que o senhor concorda que sem respirar ninguem vive, logo, a morte é
iminente e inevitável, prolongável somente por aparelhos, assim, não
poderia se falar em eutanasia, mas ortonásia!!!! Mas que beleza!!!
Não, William, suas concepções de Eutanásia, Ortonásia e Distanásia são
completamente contrários ao que ensina a Santa Madre Igreja, ao que
prega a ciencia médica e ao que a moral e a consciência que nos faz
humanos nos dita. E as do tal padre também, infelizmente.
E digo mais: tome cuidado ao falar "em nome da Igreja", pois esta é uma
enorme responsabilidade que nenhum de nós está apto a sustentar. Se você
fala algo, que seja a exata repetição do Magistério, sem adicionar, sem
subtrair, sem modificar NADA.
Por fim, mas que beleza, hein!, dar ao médico o super poder de decidir
quem vai viver e quem vai morrer!!!, pois, por ser uma questão muito
confusa, é uma questão essencialmente da consciência