"05/09/2012
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Big Bolha Brasil
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Com o esgotamento do crédito ao consumidor, a dificuldade para gerar
um salto de investimentos públicos e privados, a perda de dinamismo das
exportações e a tragédia educacional cantada em números e casos, a
suposta “classe social” não terá fôlego para animar a próxima eleição
presidencial.
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Trem-bala, portos e aeroportos, saneamento, obras para a Copa e até
mesmo o pré-sal já esgotaram o potencial de gerar manchetes e mais
ufanismo. Tudo isso é ainda distante, com impactos localizados no espaço
ou remotos no tempo (no mínimo dois anos).
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Nem toda bolha estoura com estardalhaço. Muitas simplesmente murcham.
O fato é que controlamos a inflação (relativamente, a indexação ainda
corre solta), mas até hoje a promessa de um “espetáculo de crescimento”
ficou na retórica. A bolha de consumo foi bonita, reelegeu Lula e
garantiu a sucessão com Dilma, mas foi insuficiente para evitar a quebra
de bancos pequenos e médios. Foi oxigenada pela sobrevida do
crescimento chinês e pela acumulação de reservas em dólares enquanto os
juros permaneciam nas alturas comparados às taxas internacionais.
Inchou-se um tanto a máquina pública.
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Foi-se o tempo em que se discutia o “modelo brasileiro”. Os
economistas que se davam ao trabalho de abordar o tema morreram, se
aposentaram ou estão comodamente instalados em alguma estatal ou agência
do governo. Refugiaram-se na bolha enquanto os mais otimistas começaram
a enxergar fenômenos como a “nova classe média”, o “lulismo” ou os
“novos batalhadores”. Os mais realistas enxergam apenas a destruição
ambiental, o consumismo insustentável, a expansão do crime organizado em
todo o país e a corrupção.
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A redução do “Custo Brasil”, a revolução científica e educacional
(coisa diferente da distribuição de cotas e subsídios), a reforma
estrutural do mercado de capitais, a modernização do Estado e o apoio
efetivo aos empreendedores continuam na geladeira.
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Os economistas-filósofos (no governo e no mercado) cultivaram a tese
da “marolinha” (reedição da famosa hipótese de que o Brasil é uma ilha
de prosperidade em meio à crise) ou embarcaram no delírio dos BRICs (o
crescimento planetário seria puxado pelos países em desenvolvimento,
capazes de assumir o papel de locomotiva no lugar dos países ricos).
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Daqui a pouco vão comemorar um crescimento anual de 1%. Haja bolhas!"
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http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/iconomia/201…olha-brasil/