Reli Dom Casmurro - e gostaria de conversar com a Leoa desta comunidade sobre as relações entre Bento Escobar e Humbert Humbert, de Lolita.
O que você está lendo?
Há meses e aos poucos, Ferdydurke, do Witold Gombrowicz. Louco mas não sem razão. É uma sátira sobre a imaturidade. Um adulto que não consegue fugir da imagem que os outros formam dele, sempre condescendente, sempre de titia para sobrinho.
Um policial da Dorothy L. Sayers, "Clouds of Witness", estou no meio e não está me agradando muito.
Resenhas e críticas que o Borges escreveu (compiladas no vol 4 das obras completas). Prefiro mil vezes a elegância e a exatidão do estilo dele às extravagâncias do Carpeaux - que é inteligente, mas chato.
Um policial da Dorothy L. Sayers, "Clouds of Witness", estou no meio e não está me agradando muito.
Resenhas e críticas que o Borges escreveu (compiladas no vol 4 das obras completas). Prefiro mil vezes a elegância e a exatidão do estilo dele às extravagâncias do Carpeaux - que é inteligente, mas chato.
Caco, agora estou sem tempo, mas vou ver se mais tarde hoje, ou amanhã, posto trechos do Borges e do Carpeaux que mostrem bem as características de cada um.
Mas eu também pretendo ler a História da Lit. do Carpeaux - se o Olavo diz que é a melhor que tem,eu confio.
Mas eu também pretendo ler a História da Lit. do Carpeaux - se o Olavo diz que é a melhor que tem,eu confio.
As Seis Lições (Ludwig Von Mises)
Excelente!
Excelente!
Estou lendo três livros. Nunca tinha feito isso, sempre li um por vez. Mas descobri que, pelo menos para mim, manter a leitura simultânea de algumas obras estimula muito mais a própria atividade de leitura.
Estou lendo a versão eletrônica do primeiro volume do History of Indian Philosophy, do Surendranath Dasgupta (ô nomezinho difícil - aliás, o livro é recheado de expressões em sânscrito dificílimas de pronunciar).
E tenho lido também antes de dormir o primeiro volume do History of Philosophy, do Copleston, um livro espetacular, recomendo a todos que adorem filosofia.
Por fim, estou lendo pela segunda vez o Tábula Rasa - A negação da natureza humana, do Steven Pinker, uma obra excelente que desmitifica todas as falácias do behaviorismo, feminismo, relativismo, e todos os ismos falaciosos que nos contaminaram através da "ciência" neste século XX.
Estou lendo a versão eletrônica do primeiro volume do History of Indian Philosophy, do Surendranath Dasgupta (ô nomezinho difícil - aliás, o livro é recheado de expressões em sânscrito dificílimas de pronunciar).
E tenho lido também antes de dormir o primeiro volume do History of Philosophy, do Copleston, um livro espetacular, recomendo a todos que adorem filosofia.
Por fim, estou lendo pela segunda vez o Tábula Rasa - A negação da natureza humana, do Steven Pinker, uma obra excelente que desmitifica todas as falácias do behaviorismo, feminismo, relativismo, e todos os ismos falaciosos que nos contaminaram através da "ciência" neste século XX.
Renan,
eu estou é tentando diminuir o número de livros simultâneos. Sou completamente desorganizado e me é muito difícil ler um livro só.
Pri, cadê você?
eu estou é tentando diminuir o número de livros simultâneos. Sou completamente desorganizado e me é muito difícil ler um livro só.
Pri, cadê você?
Ah, sempre lembrando: o http://books.google.com/ disponibiliza cada vez mais obras clássicas e antigas de graça, eletronicamente. Pra quem consegue ler no computador, como eu, é uma mão na roda.
abraço!
abraço!
Comecei a pouco O Futuro do Pensamento Brasileiro do Olavão.
Acabei nessa semana O Declínio da Cultura Ocidental do Allan Blomm.
E recém comprei A América Messiânica - As guerras dos neoconservadores dos autores Alain Frachon e Daniel Vernet. Esse eu pretendo ler mais rapidinho, pra compreender um pouco do neoconservadorismo. Parece fazer uma abordagem do movimento similar a do Fukuyama em O Dilema Americano. Enfim, nada muito profundo.
Acabei nessa semana O Declínio da Cultura Ocidental do Allan Blomm.
E recém comprei A América Messiânica - As guerras dos neoconservadores dos autores Alain Frachon e Daniel Vernet. Esse eu pretendo ler mais rapidinho, pra compreender um pouco do neoconservadorismo. Parece fazer uma abordagem do movimento similar a do Fukuyama em O Dilema Americano. Enfim, nada muito profundo.
FALA MEU QUERIDO!!!!! Só vi o tópico agora!
Manda o mote que eu gloso! !
É o que? Humbert-Humbert e Bentinho? (Escobar é o comborço, o Bentinho é "Santiago", ou coisa parecida, não?)
Bem, sim, Humbert-Humbert e Bentinho são dois atormentados, podemos começar por aí... Ou comparando Lolita e Capitu, e seu efeito devastador na "frágil alma masculina", hehehe???
Estou aqui, à votre disposition...
Manda o mote que eu gloso! !
É o que? Humbert-Humbert e Bentinho? (Escobar é o comborço, o Bentinho é "Santiago", ou coisa parecida, não?)
Bem, sim, Humbert-Humbert e Bentinho são dois atormentados, podemos começar por aí... Ou comparando Lolita e Capitu, e seu efeito devastador na "frágil alma masculina", hehehe???
Estou aqui, à votre disposition...
É.
A propósito do livro do Greenspan, hoje aquele antipaticíssimo Elio Gaspari faz um comentário sobre o livro no Globo, sob o título "Greenspan e o Triunfo de Ayn Rand".
Lá pelas tantas, sai-se com esta pérola: "[...] um pequeno trecho dessas memórias lavará a alma dos ultraconservadores politicamente incorretos."
Já fiquei de orelha em pé, porque afinal de contas o cara iria, entre outros, falar de mim também. Bom. Aí, ele dá uma explicadinha de quem foi Ayn Rand, etc, e menciona frases dela, entre outras a famosa "Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: o altruísmo", etc.
Nenhuma mentira: a doutrina de Mrs. Rand é essa mesma.
Mas a raiva vem quando o antipático e nojento indivíduo, numa frasesinha de efeito odienta, encerra o artigo com um "Não se fazem mais conservadores sinceros como antigamente".
Ou seja: somos todos uma cambada de mentirosos hipócritas, que no fundo babamos de admiração pela sra. Rand - e certamente deveríamos fazê-lo às claras!
A propósito do livro do Greenspan, hoje aquele antipaticíssimo Elio Gaspari faz um comentário sobre o livro no Globo, sob o título "Greenspan e o Triunfo de Ayn Rand".
Lá pelas tantas, sai-se com esta pérola: "[...] um pequeno trecho dessas memórias lavará a alma dos ultraconservadores politicamente incorretos."
Já fiquei de orelha em pé, porque afinal de contas o cara iria, entre outros, falar de mim também. Bom. Aí, ele dá uma explicadinha de quem foi Ayn Rand, etc, e menciona frases dela, entre outras a famosa "Não podemos lutar contra o coletivismo, a menos que lutemos contra sua base moral: o altruísmo", etc.
Nenhuma mentira: a doutrina de Mrs. Rand é essa mesma.
Mas a raiva vem quando o antipático e nojento indivíduo, numa frasesinha de efeito odienta, encerra o artigo com um "Não se fazem mais conservadores sinceros como antigamente".
Ou seja: somos todos uma cambada de mentirosos hipócritas, que no fundo babamos de admiração pela sra. Rand - e certamente deveríamos fazê-lo às claras!
Estou a ler a Viagem de Anacarsis na Grécia, de Barthelémy, em francês. É recomendado por Augusto Comte, na sua preocupação com que as pessoas tivessem um mínimo de cultura geral.
Estou lendo Demônios, do Dostoiévski. Simplesmente excelente.
Para começar a sátira brilhante da intelectualidade "liberal" russa e dos jovens revolucionários e niilistas que descendem dela. Os primeiros sumamente medíocre, vaidosa, frívola. Nada diferente das nossas elites intelectuais. Os segundos, embora não menos medíocres, imbuídos de um ódio e e de uma frieza cínicos e determinados; ainda assim, suas idiossincrazias pessoais, incompetência e falta de formação garantem boas risadas sempre que tentam organizar alguma coisa.
Ao mesmo tempo, é uma profunda jornada no vazio moral e espiritual que é a alma dessas pessoas. A casca externa ridícula esconde um interior trágico.
Mas a esperança no bem nunca é perdida por completo, e mesmo as figuras mais patéticas são capazes de sair de si mesmas e defender algo que valha a pena. Sem falar na constante presença, ainda que discreta, da velha tradição espiritual que não cessa de oferecer a todos a possibilidade de sua redenção.
Para começar a sátira brilhante da intelectualidade "liberal" russa e dos jovens revolucionários e niilistas que descendem dela. Os primeiros sumamente medíocre, vaidosa, frívola. Nada diferente das nossas elites intelectuais. Os segundos, embora não menos medíocres, imbuídos de um ódio e e de uma frieza cínicos e determinados; ainda assim, suas idiossincrazias pessoais, incompetência e falta de formação garantem boas risadas sempre que tentam organizar alguma coisa.
Ao mesmo tempo, é uma profunda jornada no vazio moral e espiritual que é a alma dessas pessoas. A casca externa ridícula esconde um interior trágico.
Mas a esperança no bem nunca é perdida por completo, e mesmo as figuras mais patéticas são capazes de sair de si mesmas e defender algo que valha a pena. Sem falar na constante presença, ainda que discreta, da velha tradição espiritual que não cessa de oferecer a todos a possibilidade de sua redenção.
"Memorial de Aires", Machado de Assis. O episódio da abolição na obra machadiana é fantástico.
Ultimamente ando lendo a Bíblia, mais o Novo Testamento do que o antigo. Nunca tive um contato muito grande com a Bíblia no passado, então estou começando agora.
Vou começar a ler novamente o "A verdadeira história do clube Bilderberg" de Daniel Estulin. É um material muito denso e do tempo que li até agora passou-se muita coisa. Preciso verificar alguns assuntos para confirmar uma tese minha particular.
Estou acabando de ler "A verdade sufocada" do Cel Carlos Aliberto Brilhante Ustra. Um livro indispensável.
Vou começar a ler novamente o "A verdadeira história do clube Bilderberg" de Daniel Estulin. É um material muito denso e do tempo que li até agora passou-se muita coisa. Preciso verificar alguns assuntos para confirmar uma tese minha particular.
Estou acabando de ler "A verdade sufocada" do Cel Carlos Aliberto Brilhante Ustra. Um livro indispensável.
Agora leio:
A Bíblia: Sempre uma ótima leitura, mas tenho lido pouco ultimamente. Mas não largo de jeito nenhum.
La Perspectiva Cristiana, do Julián Marías: estou cada vez mais interessado em assuntos religiosos, e o livro promete.
Breve Historia de España, de Fernando García de Cortázar e José Manuel González Vesga. Adoro a Espanha, bem como adoro livros que reúnam num volume toda a história de um país. Logo...
A Bíblia: Sempre uma ótima leitura, mas tenho lido pouco ultimamente. Mas não largo de jeito nenhum.
La Perspectiva Cristiana, do Julián Marías: estou cada vez mais interessado em assuntos religiosos, e o livro promete.
Breve Historia de España, de Fernando García de Cortázar e José Manuel González Vesga. Adoro a Espanha, bem como adoro livros que reúnam num volume toda a história de um país. Logo...
Acabei de ler um livro de George Nash, sobre a história dos intelectuais conservadores (googlem o nome do cara que encontrarão o livro) que mostra que a Ayn Rand nunca foi aceitada pelo movimento conservador. Desde o começo, estranham a conversa dela e nunca a levarão muito a sério.
Também acabei de ler "The politics of prudence" do Russell Kirk e vou começar a ler "The conservative mind".
A leitura do Kirk é muito importante para o pessoal separar o que é conservadorismo autêntico e o que é neoconservadorismo (a versão desidratada do verdadeiro conservadorismo).
Também acabei de ler "The politics of prudence" do Russell Kirk e vou começar a ler "The conservative mind".
A leitura do Kirk é muito importante para o pessoal separar o que é conservadorismo autêntico e o que é neoconservadorismo (a versão desidratada do verdadeiro conservadorismo).
Eu li o início do livro Pensadores Russos, do Isaiah Berlin, e ele comenta justamente desses novos intelectuais russos que começaram a demolior o país com força no século XIX.
Nunca me esqueço quando ele diz que esses intelectuais prepararam a terra por onde passaria a revolução.
Parei de ler porque me faltava um background para entender melhor o livro.
Nunca me esqueço quando ele diz que esses intelectuais prepararam a terra por onde passaria a revolução.
Parei de ler porque me faltava um background para entender melhor o livro.
Wealth and poverty of nations - David Landes
et
Talleyrand - Duff Cooper
et
Talleyrand - Duff Cooper
Também estou lendo trechos de 50 grandes estrategistas das relações internacionais para trabalho.
O livro é muito bem escrito, autor por autor. Apenas peca um pouco, pelo menos nos autores que conheço melhor, em omitir algumas obras relevantes dos mesmos. E faltam Huntington, Trotsky, Brzezinski.
O livro é muito bem escrito, autor por autor. Apenas peca um pouco, pelo menos nos autores que conheço melhor, em omitir algumas obras relevantes dos mesmos. E faltam Huntington, Trotsky, Brzezinski.
"Manda o mote que eu gloso! !
É o que? Humbert-Humbert e Bentinho? (Escobar é o comborço, o Bentinho é "Santiago", ou coisa parecida, não?)
Bem, sim, Humbert-Humbert e Bentinho são dois atormentados, podemos começar por aí... Ou comparando Lolita e Capitu, e seu efeito devastador na "frágil alma masculina", hehehe??? "
É Santiago, eu digipressei (digitei com pressa).
Isso também, mas a semelhança entre os dois pulhas na qual estava pensando era outra.
Vamos ver se eu consigo explicar.
Ambos elegeram um momento, uma fase da vida, como sua "eternidade postiça". Tanto Bentinho como Humbert gostariam de transformar uma pequena fase da vida na eternidade.
Eu estou plenamente consciente que esta impressão minha me veio a partir do filme Lolita, e não a partir do livro. Mas eu acho que já estava lá, no Humbert de Nabokov, patente na sua perversidade, na sua obsessão em fugir com Lolita para sempre, na sua esperança - no final do livro - de que de Lolita nascesse outra lolita.
É claro, no filme (veja! ) Kubrick exagera esse lado e elimina o passado do personagem, e transforma um pedófilo em um bobalhão passional, apaixonado pela filha da sua senhoria e esposa. Mas Humbert Humbert era assim já no livro, tentando construir um paraíso artificial para ele e sua Dolores.
Bentinho sofre do mesmo mal; seus planos são todos excessivamente idealizados. Ele não age, sofre os atos dos outros, mas seu maior sofrimento é que a realidade não é o seu sonho dourado; no final da vida, em mais uma tentatíva idiota de voltar no tempo, manda construir uma réplica da casa de sua juventude.
A intenção de Machado, para mim, era esta mesma, uma vez que ele menciona a semelhança intencional da casa diversas vezes (na abertura e no final do livro, inclusive) e mostra D. Casmurro querendo "atar as duas pontas da vida", e se perguntando o quando da Capitu adulta estava na sua Capitu criança, idealizada.
É o que? Humbert-Humbert e Bentinho? (Escobar é o comborço, o Bentinho é "Santiago", ou coisa parecida, não?)
Bem, sim, Humbert-Humbert e Bentinho são dois atormentados, podemos começar por aí... Ou comparando Lolita e Capitu, e seu efeito devastador na "frágil alma masculina", hehehe??? "
É Santiago, eu digipressei (digitei com pressa).
Isso também, mas a semelhança entre os dois pulhas na qual estava pensando era outra.
Vamos ver se eu consigo explicar.
Ambos elegeram um momento, uma fase da vida, como sua "eternidade postiça". Tanto Bentinho como Humbert gostariam de transformar uma pequena fase da vida na eternidade.
Eu estou plenamente consciente que esta impressão minha me veio a partir do filme Lolita, e não a partir do livro. Mas eu acho que já estava lá, no Humbert de Nabokov, patente na sua perversidade, na sua obsessão em fugir com Lolita para sempre, na sua esperança - no final do livro - de que de Lolita nascesse outra lolita.
É claro, no filme (veja! ) Kubrick exagera esse lado e elimina o passado do personagem, e transforma um pedófilo em um bobalhão passional, apaixonado pela filha da sua senhoria e esposa. Mas Humbert Humbert era assim já no livro, tentando construir um paraíso artificial para ele e sua Dolores.
Bentinho sofre do mesmo mal; seus planos são todos excessivamente idealizados. Ele não age, sofre os atos dos outros, mas seu maior sofrimento é que a realidade não é o seu sonho dourado; no final da vida, em mais uma tentatíva idiota de voltar no tempo, manda construir uma réplica da casa de sua juventude.
A intenção de Machado, para mim, era esta mesma, uma vez que ele menciona a semelhança intencional da casa diversas vezes (na abertura e no final do livro, inclusive) e mostra D. Casmurro querendo "atar as duas pontas da vida", e se perguntando o quando da Capitu adulta estava na sua Capitu criança, idealizada.
"História da Filosofia" de Julián Marías, "Do bom selvagem ao bom revolucionário" de Carlos Rangel (o qual recomendo sobremaneira aos que querem entender um pouco do movimento revolucionário nos países latino-americanos de língua espanhola e entender as semelhanças com o Brasil) e "A vida intelectual" do Pe. Sertillanges
Emmanuel Levinas: Totalidad e Infinito e De Otro Modo Que Ser o mas allá de la esencia.
Martin Gilbert: A Noite de Cristal
Martin Gilbert: A Noite de Cristal
up!
Priscila, cadê você?
Priscila, cadê você?
Hugo, então seja bem vindo!
Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski.
Desculpe, Marquinhos! Vamos lá.
Hmmm. Não, eu acho que em princípio são diferentes. O personagem de Nabokov começa como um apaixonado por uma determinada idéia, não por uma determinada pessoa. Tanto que diz que seu sonho é que "daquela" Lolita nasçam "outras" Lolitas, num processo eterno, etc. Isto está no livro.
Mas o que eu acho fundamental no livro, que eu vejo como a idéia moral do autor, o x do problema, e que ninguém nunca menciona, está no no trecho que eu transcrevo a seguir, com a permissão de Monsieur Humbert, e a de Monsieur Nabokov, e que se refere ao momento em que o professor Humbert finalmente reencontra Lolita, mais velha, adulta e, nas suas palavras imensamente grávida:
" Aquilo que eu costumava acariciar entre as vinhas emaranhadas de meu coração, mon grand péché radieux, estava reduzido a sua essência: todo o resto, o vício estéril e egoísta, fora abolido, amaldiçoado. Podem zombar de mim, ameaçar de evacuar o tribunal, mas até que eu seja amordaçado e semi-asfixiado continuarei a proclamar aos brados minha pobre verdade. Insisto em que o mundo saiba o quanto amei minha Lolita, esta Lolita, pálida e poluída, carregando o filho de outro homem [...]"
Humbert, assim, transfere-se do sujeito horrendo que "amava" uma "idéia", ou uma "forma", aceitando o péché radieux como péché, e se torna o sujeito que verdadeiramente ama uma determinada e específica pessoa. Ou seja, Nabokov expõe um homem diante de sua consciência, reconhecendo um pecado, o amaldiçoando, e dando um passo para a redenção!
Quando eu li Lolita pela primeira vez, eu tinha exatos treze anos, ou seja, a idade da personagem. O livro era condenado como abjeto, e até aonde eu posso me lembrar, eu fui a única pessoa que entendeu o horror proposto ali, o tormento incluído ali, a desgraça do pecador cujo castigo é a consciência da própria destruição que ele não tem mais como anular.
Bem este é Humbert. Vamos a Bentinho.
Hmmm. Não, eu acho que em princípio são diferentes. O personagem de Nabokov começa como um apaixonado por uma determinada idéia, não por uma determinada pessoa. Tanto que diz que seu sonho é que "daquela" Lolita nasçam "outras" Lolitas, num processo eterno, etc. Isto está no livro.
Mas o que eu acho fundamental no livro, que eu vejo como a idéia moral do autor, o x do problema, e que ninguém nunca menciona, está no no trecho que eu transcrevo a seguir, com a permissão de Monsieur Humbert, e a de Monsieur Nabokov, e que se refere ao momento em que o professor Humbert finalmente reencontra Lolita, mais velha, adulta e, nas suas palavras imensamente grávida:
" Aquilo que eu costumava acariciar entre as vinhas emaranhadas de meu coração, mon grand péché radieux, estava reduzido a sua essência: todo o resto, o vício estéril e egoísta, fora abolido, amaldiçoado. Podem zombar de mim, ameaçar de evacuar o tribunal, mas até que eu seja amordaçado e semi-asfixiado continuarei a proclamar aos brados minha pobre verdade. Insisto em que o mundo saiba o quanto amei minha Lolita, esta Lolita, pálida e poluída, carregando o filho de outro homem [...]"
Humbert, assim, transfere-se do sujeito horrendo que "amava" uma "idéia", ou uma "forma", aceitando o péché radieux como péché, e se torna o sujeito que verdadeiramente ama uma determinada e específica pessoa. Ou seja, Nabokov expõe um homem diante de sua consciência, reconhecendo um pecado, o amaldiçoando, e dando um passo para a redenção!
Quando eu li Lolita pela primeira vez, eu tinha exatos treze anos, ou seja, a idade da personagem. O livro era condenado como abjeto, e até aonde eu posso me lembrar, eu fui a única pessoa que entendeu o horror proposto ali, o tormento incluído ali, a desgraça do pecador cujo castigo é a consciência da própria destruição que ele não tem mais como anular.
Bem este é Humbert. Vamos a Bentinho.
Como Humbert, Bentinho é um atormentado - mas não por um pecado SEU, como o personagem de Nabokov. E sim por um pecado alheio, uma traição.
Ele não é o pecador que se arrepende e se atormenta por isso: ele se vê como o homem inocente, a possível vítima - não o culpado, como Humbert-Humbert.
Ele comete, é claro, um pecado, fazendo isso, uma vez que pode, em tese (embora o velho Machado deixe poucas portas abertas pra esta possibilidade, também não fecha TODAS) estar cometendo um julgamento errado, uma calúnia, uma horrenda injustiça.
O paralelo do tormento existe, e a união entre Bentinho e Humbert pode ser a noção de estar cometendo um pecado horrendo - que em um fica completamente explícita no final do livro (na minha opinião), e no outro não fica. Bom, ambos carregam um terror dentro de si, é claro.
Mas Humbert conseguiu amar a Lolita adulta, e talvez Bentinho só tenha conseguido amar a Capitu criança.
E ambos os personagens atormentados resultaram em grandes livros...
Ele não é o pecador que se arrepende e se atormenta por isso: ele se vê como o homem inocente, a possível vítima - não o culpado, como Humbert-Humbert.
Ele comete, é claro, um pecado, fazendo isso, uma vez que pode, em tese (embora o velho Machado deixe poucas portas abertas pra esta possibilidade, também não fecha TODAS) estar cometendo um julgamento errado, uma calúnia, uma horrenda injustiça.
O paralelo do tormento existe, e a união entre Bentinho e Humbert pode ser a noção de estar cometendo um pecado horrendo - que em um fica completamente explícita no final do livro (na minha opinião), e no outro não fica. Bom, ambos carregam um terror dentro de si, é claro.
Mas Humbert conseguiu amar a Lolita adulta, e talvez Bentinho só tenha conseguido amar a Capitu criança.
E ambos os personagens atormentados resultaram em grandes livros...
Estou lendo Dom Quixote, do Cervantes!
Pri, eu nem estou fazendo um julgamento moral dos dois.
É claro que ambos são desprezíveis. E eu discordo de você: nenhum dos dois se arrependeu. Humbert disse que muito amou aquela menina-mulher, e não apenas um ideal de ninfeta; mas ele dá mostras de arrependimento, mesmo então.
Eu acho que mesmo aí ele ainda se engana quanto aos seus próprios sentimentos; como é que ele pôde amá-la e não sentir remorso pelo mal que lhe trouxe?
Eu concordo que o que os une é um pecado horrível, mas não são a pedofilia de Humbert e a traição de Capitu.
Ambos - Bentinho e H.H. - pecaram contra Deus e contra a vida. Eles se recusaram a viver!
Bentinho, de uma criança indiferente ao sofrimento e completamente guiada pelos outros ele se transforma, sucessivamente, em um seminarista sem fé, num marido ausente, num pai (ou padrasto) frio e em um velho casmurro.
Quando ele tiver que dar conta do que fez com a própria vida, perante a Deus, ou perante a própria consciência, o que ele terá para alegar a seu favor? A promessa da mãe? A morte do pai? A vontade de ascenção e a - possível - traição de Capítu? A - também possível - traição de Escobar? Não, com esses argumentos ele não consegue convencer nem o leitor... É por isso que ele tenta macaquear, na velhice, uma infância idealizada, tentativa que ele mesmo admite frustrada. É o medo da morte que coroa o medo da vida que sempre o acompanhou.
Humbert também é apático, sem poder de ação (como Bentinho, ele se deixa levar, sempre). Ele casa sem gostar, duas vezes, por iniciativa feminina (aliás, como Bentinho); a primeira ninfeta - estou sem o livro aqui, mas na época ele também era adolescente - também toma a iniciativa; a própria Lolita é quem decide quando eles devem fazer sexo! A fixação dele por meninas é, em parte, uma fixação pela primeira ninfeta, pela idealização daquela aventura que, aliás, não chegou a se consumar.
Não quero reduzir os dois personagens ao mesmo, é claro, mas ambos os livros porderiam ter o subtítulo:
É claro que ambos são desprezíveis. E eu discordo de você: nenhum dos dois se arrependeu. Humbert disse que muito amou aquela menina-mulher, e não apenas um ideal de ninfeta; mas ele dá mostras de arrependimento, mesmo então.
Eu acho que mesmo aí ele ainda se engana quanto aos seus próprios sentimentos; como é que ele pôde amá-la e não sentir remorso pelo mal que lhe trouxe?
Eu concordo que o que os une é um pecado horrível, mas não são a pedofilia de Humbert e a traição de Capitu.
Ambos - Bentinho e H.H. - pecaram contra Deus e contra a vida. Eles se recusaram a viver!
Bentinho, de uma criança indiferente ao sofrimento e completamente guiada pelos outros ele se transforma, sucessivamente, em um seminarista sem fé, num marido ausente, num pai (ou padrasto) frio e em um velho casmurro.
Quando ele tiver que dar conta do que fez com a própria vida, perante a Deus, ou perante a própria consciência, o que ele terá para alegar a seu favor? A promessa da mãe? A morte do pai? A vontade de ascenção e a - possível - traição de Capítu? A - também possível - traição de Escobar? Não, com esses argumentos ele não consegue convencer nem o leitor... É por isso que ele tenta macaquear, na velhice, uma infância idealizada, tentativa que ele mesmo admite frustrada. É o medo da morte que coroa o medo da vida que sempre o acompanhou.
Humbert também é apático, sem poder de ação (como Bentinho, ele se deixa levar, sempre). Ele casa sem gostar, duas vezes, por iniciativa feminina (aliás, como Bentinho); a primeira ninfeta - estou sem o livro aqui, mas na época ele também era adolescente - também toma a iniciativa; a própria Lolita é quem decide quando eles devem fazer sexo! A fixação dele por meninas é, em parte, uma fixação pela primeira ninfeta, pela idealização daquela aventura que, aliás, não chegou a se consumar.
Não quero reduzir os dois personagens ao mesmo, é claro, mas ambos os livros porderiam ter o subtítulo:
"Desventuras que ocorreram com os personagens quando, para seu maior prejuízo e contra sua vontade, foram forçados a crescer",
ou "coisas que acontecem a quem nada faz".
Espero que não tenha ficado meio confuso
ou "coisas que acontecem a quem nada faz".
Espero que não tenha ficado meio confuso
Método Dialético Marxista - M. Rosental
A Solução Liberal - Guy Sorman
Dois livros totalmente opostos. Uma maravilha para fazer contrapontos. Recomendo.
A Solução Liberal - Guy Sorman
Dois livros totalmente opostos. Uma maravilha para fazer contrapontos. Recomendo.
Não tenho fé suficiente para ser ateu - Norman Geisler e Frank Turek (muito bom)
e, aos poucos...
O livro negro do comunismo - Diversos autores
e, aos poucos...
O livro negro do comunismo - Diversos autores
História dos Hebreus - Flávio Josefo
Mysterium Paschale A quenose de Deus segundo Hans Urs von Balthasar - Clarita S. M. Ribeiro
Mysterium Paschale A quenose de Deus segundo Hans Urs von Balthasar - Clarita S. M. Ribeiro
O problema do ser e outros ensaios - Heraldo Barbuy
O Tratado do amor de Deus - São Francisco de Sales
E ainda História dos Hebreus, oh livro grande.
O Tratado do amor de Deus - São Francisco de Sales
E ainda História dos Hebreus, oh livro grande.
Eu queria gostar de ler livros online, mas além de ficar com dor de cabeça, livro para mim tem que ser palpável.
Estou lendo agora:
José Guilherme Merquior: Foucault, ou, o niilismo da catédra.
José Guilherme Merquior: Foucault, ou, o niilismo da catédra.
Acabei de ler : Os intelectuais na idade média, J. LeGoff.
Começados: Interpretation Theory, P. Ricoeur. ; A Filosofia das Formas Simbólicas, E. Cassirer.
Começados: Interpretation Theory, P. Ricoeur. ; A Filosofia das Formas Simbólicas, E. Cassirer.
The Looming Tower - Al Qaeda and the road to 9/11, de Lawrence Wright. Muito didático e informativo.
Guns, Germs, and Steel - The Fates of Human Societies, de Jared Diamond - mas aviso que não estou gostando desse.
E The Jesuits, de Malachi Martin.
Guns, Germs, and Steel - The Fates of Human Societies, de Jared Diamond - mas aviso que não estou gostando desse.
E The Jesuits, de Malachi Martin.
Enrique, fiquei babando com os seus... Já até anotei. !
Admirável Mundo Novo, do Huxley.
* História de Portugal, do José Hermano Saraiva. Estou retomando a leitura, após um longo e tenebroso inverno;
*Ação Humana , do MIses. Há tempos que deveria ter lido este livro!;
*Bíblia Sagrada, de Deus. Minha leitura tem avançado nesses últimos dias. O livro dispensa comentários.
*Ação Humana , do MIses. Há tempos que deveria ter lido este livro!;
*Bíblia Sagrada, de Deus. Minha leitura tem avançado nesses últimos dias. O livro dispensa comentários.
- Maria Stuart, de Schiller
- Relendo uma edição para uso pessoal das obras de Bhagavan Sri Râmana Maharshi
- História de Roma, de M.Rostovzeff
- Filosofia da Arte, de Schelling
- Relendo uma edição para uso pessoal das obras de Bhagavan Sri Râmana Maharshi
- História de Roma, de M.Rostovzeff
- Filosofia da Arte, de Schelling
50 anos Luz, Câmera e Ação - Edgar Moura - sobre técnicas de fotografia cinematográfica (cinematography - pq, aliás, não se traduziu corretamente pra português?)
E uns livrinhos de design bem legais.
Tô numa semana menos política e mais artística
E uns livrinhos de design bem legais.
Tô numa semana menos política e mais artística
Sobre leitura no computador, acredito que seja costume. Pelo menos metade dos livros que leio hj em dia estão no PC, e nunca tive dor de cabeça.
David, já ri muito com seu post. Imagina eu, na porta dos sessenta...
O negócio é não deixar a peteca cair, até o fim.
O negócio é não deixar a peteca cair, até o fim.
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dicas para ler no computador sem gastar a vistra:
1. copie o texto inteiro da página e cole no Word. (copie selecionando com o mouse mesmo e descendo. demora, mas vale a pena. vá de pouco em pouco. não copie junto as figuras e botões, só o texto.
2. depois de colar o texto no Word, selecione-o e clique em Formatar e em Parágrafo. na opção Entre Linhas selecione Duplo. fica mais fácil de ler com mais espaço entre as linhas.
3. clique em Formatar e em Pano de Fundo. Selecione então o pano de fundo cinza claro. Cansa menos a vista do que o pano de fundo branco do Word.
4. aumente o zoom. clique em Exibir e Zoom. coloque em 115 per cento
5. selecione a letra e coloque numa letra grande e legível (Times New Roman 13).
6. Diminua o brilho do seu monitor
7. Use uma tela escura daquelas que se coloca por cima do monitor, protetora ("anti-radiação").
(pelo menos pra mim, só consigo ler textos longos fazendo tudo isso acima)
de nada.
dicas para ler no computador sem gastar a vistra:
1. copie o texto inteiro da página e cole no Word. (copie selecionando com o mouse mesmo e descendo. demora, mas vale a pena. vá de pouco em pouco. não copie junto as figuras e botões, só o texto.
2. depois de colar o texto no Word, selecione-o e clique em Formatar e em Parágrafo. na opção Entre Linhas selecione Duplo. fica mais fácil de ler com mais espaço entre as linhas.
3. clique em Formatar e em Pano de Fundo. Selecione então o pano de fundo cinza claro. Cansa menos a vista do que o pano de fundo branco do Word.
4. aumente o zoom. clique em Exibir e Zoom. coloque em 115 per cento
5. selecione a letra e coloque numa letra grande e legível (Times New Roman 13).
6. Diminua o brilho do seu monitor
7. Use uma tela escura daquelas que se coloca por cima do monitor, protetora ("anti-radiação").
(pelo menos pra mim, só consigo ler textos longos fazendo tudo isso acima)
de nada.
Não existe nem sequer um livreto falando acerca do Ronald Reagan em português.
Isso porque foi um dos maiores estadistas americanos de todos os tempos.
Olhem: http://compare.buscape.com.br/proc_unico?id=3482&rai…agina=1&ids=
Entretanto se deram ao trabalho de publicar livros dos Clinton, Al Gore e do Carter.
Não tem jeito, preciso dominar melhor o Inglês!
Isso porque foi um dos maiores estadistas americanos de todos os tempos.
Olhem: http://compare.buscape.com.br/proc_unico?id=3482&rai…agina=1&ids=
Entretanto se deram ao trabalho de publicar livros dos Clinton, Al Gore e do Carter.
Não tem jeito, preciso dominar melhor o Inglês!
Uriel!
Se eu tiver que ler meus livros num computador, eu PREFIRO que o ocidente seja destruído mesmo. !
Espionagem Nazi No Vaticano (Nada é Sagrado - 1939 a 1945)" - David Alvarez e Robert A. Graham"É o primeiro livro que documenta a presença de espiões nazis na Santa Sé, durante a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha nazi considerava a Igreja Católica uma séria ameaça à sua segurança interna e às suas ambições de expansão internacional.
Na Alemanha os agentes de Hitler recrutavam informadores (sic) para obter dados sobre as finanças da Igreja e sobre as opiniões e actividades (sic) políticas de bispos, padres e leigos católicos. Contudo, em Roma, as tentativas alemãs para penetrar no papado não foram tão bem sucedidas e os esforços da Gestapo local vieram a revelar-se infrutíferos. (..)
Entretanto, as operações alemãs de descodificação tiveram mais sucesso: os nazis interceptavam, descodificavam e liam sistematicamente comunicações secretas entre o Papa e os seus representantes em todo o mundo".
Na Alemanha os agentes de Hitler recrutavam informadores (sic) para obter dados sobre as finanças da Igreja e sobre as opiniões e actividades (sic) políticas de bispos, padres e leigos católicos. Contudo, em Roma, as tentativas alemãs para penetrar no papado não foram tão bem sucedidas e os esforços da Gestapo local vieram a revelar-se infrutíferos. (..)
Entretanto, as operações alemãs de descodificação tiveram mais sucesso: os nazis interceptavam, descodificavam e liam sistematicamente comunicações secretas entre o Papa e os seus representantes em todo o mundo".