Toda guerra deve se pautar pelos critérios de guerra justa, dentre eles o principal sendo a intenção de se defender e punir um agressor para, com isso, alcançar a paz.
Mas as guerras da administração Bush têm motivos bem diferentes, e não é de se estranhar que o esforço bélico seja interminável.
Tema polêmico, pois sei que muitos aqui defendem a política militar americana (embora o conservadorismo não demande isso de forma alguma!). É o tema do meu texto no meu blog.
Se vocês pudessem ler e dar comentários, ficaria honrado.
A guerra do Iraque foi um dos temas que estudei com mais afinco nos últimos anos. Tenho inclusive participado de inúmeros debates, onde tenho visto que a totalidade dos argumentos contra a guerra são furados. E parece-me que você deixou-se contaminar por isso. Vejamos um trecho do que é dito em seu blog.
O Iraque não tinha atacado os EUA, e nem dava indícios de que iria fazê-lo. Os boatos sobre armas de destruição em massa revelaram-se fictícios; o exército iraquiano caiu com um sopro.
Sobre o Iraque atacar ou não os EUA, há pelo menos dois pontos a serem considerados.
1) A Guerra foi legítima, tanto do ponto de vista legal, quanto moral (apesar da esquerda dizer que a ONU vetou a guerra, uma mentira deslavada), pois ela nada mais foi que o fim do cessar-fogo da primeira guerra do golfo, de 91. Se vocês analisarem as resoluções daquele cessar-fogo (uma delas a 678 do Conselho de Segurança - NU), verão que Saddam as desrespeitou várias vezes, abrindo caminho para a guerra já em 1996, de modo que o próprio Clinton tinha um plano de invasão para o Iraque já nesta data. A resolução 1441 de 2002 também foi importante para constatar todas as irregularidades do regime iraquiano.
2) A colaboração de Saddam com regimes e grupos terroristas já foi mais do que provada. Vou colar o que respondi em um debate em outra comunidade a respeito do assunto.
Talvez isso já baste para ver a necessidade do regime de Saddam ser destituido.
Sobre as Armas de Destruição em Massa, sim, elas foram encontradas e não há nada de fictício nisso. Recomendo que leia o meu artigo chamado "FAQ (Perguntas e Respostas) sobre Bush e a Guerra do Iraque", onde dou mais detalhes tanto da questão da legalidade da guerra, quanto das Armas de Destruição em Massa. Eis o link: http://filosofiaverdade.blogspot.com/2007/04/faq-per…-bush-e.html
Você também poderá encontrar mais informações a respeito de tudo isso em meu debate com Lucas, na comunidade Retórica e Argumentação:
E vamos lembrar também que a média de mortos pós-Guerra é menor do que a média de mortos no regime de Saddam. Em suma, a guerra contribuiu sim, de uma forma ou de outra, para a paz, seja do povo iraquiano, do povo americano e/ou do mundo como um todo - e creio que nos três sentidos.
Pode-se apontar muitos erros na estratégia americana para realizar o combate ao terror, mas não o erro da omissão, que toda a Europa, com poucas exceções, e o resto do mundo, cometem.
Gabriel, as "armas" alardeadas não foram encontradas. O próprio governo Bush já admitiu que sua inteligência estava errada.
Se os fictícios mísseis de destruição em massa tivessem sido de fato encontrados, a Fox News teria alardeado a notícia aos quatro cantos; para não falar do próprio governo.
A guerra do golfo é um caso a parte. Não está de forma alguma claro que foi justo, da parte dos EUA, declarar essa guerra. Mas em todo caso, se fosse, teria sido justo retirar Saddam então.
Ao contrário, optou-se por deixá-lo lá, e a guerra efetivamente acabou. Em nenhum momento tentou-se justificar a ficção de que a guerra do Iraque fosse apenas uma continuação guerra anterior; e nem poderia sê-lo, dado o intervalo de uma década.
Você por um lado faz pouco das resoluções legais da ONU (no que eu concordo com você; não é o aval da ONU que tornará uma guerra justa. Aliás, a desmoralização moral da ONU foi um dos pontos positivos da invasão do Iraque); no entanto, adota uma postura legalista quando os tratados e regulamentos favorecem a guerra.
A justiça dessa guerra não será decidida com base no que esse ou aquele documento estatal diz. Estamos falando de coisas reais, e não de palavras no papel.
Será que a doutrina tradicional da guerra justa poderia ser esticada para defender a guerra atual? Parece-me que não. Sto. Tomás com certeza não veria com bons olhos o "pre-emptive strike", ou seja, agredir alguém pelo simples fato de que, num futuro hipotético, ele poderia vir a se tornar uma ameaça. E a guerra do Iraque foi, na melhor das hipóteses, isso.
Sem falar nos danos irreperáveis que a militarização causa à sociedade.
Não há maior colaborador do programa socialista do que a economia de guerra.
O simples fatos de Saddam Hussein ter provocados duas guerras de grandes proporções e matado, deliberadamente, pelo menos 300 mil pessoas, esmagando pelas armas e de maneiras ostensiva e sumária qualquer oposição ao seu regime já justifica a guerra. No total, foram 1,5 milhãos de vítimas!!
Por mais implicações políticas, estratégicas, de segurança, econômicas e ideológicas envolvidas no conflito do Iraque, isso é secundário do ponto de vista moral em que estava implicado o regime de Saddam.
Que o regime de Saddam agia imoralmente ninguém contesta. Mas será que isso dá direito de outra nação atacar a outra?
Aceitar esse princípio abre as portas para a guerra total de todos contra todos.
Sem falar que é, no mínimo, questionável dizer que a vida da população iraquiana melhorou desde a invasão.
O exército americano impõe todo tipo de controle e à vida social, e os atentados terroristas têm apenas aumentado. Sem falar que não se vê término para essa situação.
E aqui chegamos a outro critério de guerra justa: possibilidade de sucesso. Uma empreitada militar da qual não se tem chances de completar com sucesso não deve ser levada adiante.
"Aceitar esse princípio abre as portas para a guerra total de todos contra todos."
Errado! Aceitar esse princípio é supor que o uso das armas de faz necessário em situações extremas. Se o regime do Saddam fosse "mais uma" ditadura árabe, as questões estratégicas e políticas, por exemplo, não justificariam uma guerra.
Considero que toda a guerra que siga unicamente a lógica dos Estados - razão de Estado, realpolitik - é absurda. Se Kissinger me conhecesse, me acharia um grande idiota.
"O exército americano impõe todo tipo de controle e à vida social, e os atentados terroristas têm apenas aumentado. Sem falar que não se vê término para essa situação."
Ah, é? E antes o controle da vida social pelo Saddam era brando? E ele não controlava a sociedade para combater o terrorismo, mas para combater todo e qualquer inimigo em potencial ao seu regime... ou seja: uma mero crítico.
"E aqui chegamos a outro critério de guerra justa: possibilidade de sucesso. Uma empreitada militar da qual não se tem chances de completar com sucesso não deve ser levada adiante."
Se a guerra é justa e não há como completá-la ela simplesmente não se iniciará. Afinal, de que adiante criar um conflito armado que acarretará a derrota do causador? O inimigo se manteria no poder e a causa da guerra justa estaria totalmente perdida. Seria loucura.
O que ocorreu no Iraque foi a subestimação das conseqüências, e é por isso que os EUA terão de ficar por lá - e ficarão - até que o que eles fizeram de errado seja resolvido. Ademais, isso gerou desgaste no governo americano e no movimento neoconservador que, a propósito, parece ser a principal causa da subestimação do conflito.
O movimento neoconservador é a principal causa da existência do conflito, e dos próximos que se anunciam.
Claro que Democratas e "liberals" em geral também não têm problema nenhum para arrumar guerras, como fez Clinton e provavelmente fará Hillary se (que Deus não permita!) for eleita.
Considero ingenuidade acreditar que exista "solução" que os EUA possa criar no Iraque de agora.
"Ah, se ao menos estabelecessem a democracia, a ordem voltaria". Ingenuidade. O modelo da democracia liberal americana dificilmente poderá ser imposto ao Iraque, e mesmo se o for, não resolverá nada.
Só espero que o Iraque não vire uma aiatolado ao estilo do Irã. Se depender da maioria xiita, provavelmente virará.
Como já estou indo dormir, vou responder rapidamente.
Gabriel, as "armas" alardeadas não foram encontradas. O próprio governo Bush já admitiu que sua inteligência estava errada.
Eu lhe mostrei links que demonstram exatamente o oposto. E mostrei links também que demonstram que muitas das armas foram transportadas, o que, novamente, prova que Saddam as tinha, de uma forma ou de outra.
Sobre Bush admitir que a inteligência estava errada, o Olavo já explicou muita coisa a respeito nos True Outspeak´s. Na verdade, a inteligência americana e britânica erraram em muitos pontos, como por exemplo, a frase do Blair de que Saddam poderia disparar uma arma química em 40 minutos, dentre outros. Mas as inteligências acertaram mais do que erraram.
Se os fictícios mísseis de destruição em massa tivessem sido de fato encontrados, a Fox News teria alardeado a notícia aos quatro cantos; para não falar do próprio governo.
Mas a Fox News realmente alardeou. No dia em que a notícia saiu, publicou-a imediatamente e por longos períodos, várias vezes ao dia. Sem falar nas outras redes de TV que trataram do assunto, jornais e até livros que foram lançados, comprovando e trazendo mais detalhes da informação. O Olavo chegou a indicar um de tais livros no True Outspeak, há alguns meses.
A guerra do golfo é um caso a parte. Não está de forma alguma claro que foi justo, da parte dos EUA, declarar essa guerra. Mas em todo caso, se fosse, teria sido justo retirar Saddam então.
A guerra do Golfo havia sido justa, mas podemos discutir isso em outra ocasião, dado que já temos muito o que debater nesse tópico.
Se seria justo retirar Saddam na primeira guerra do golfo? Sim. Seria a melhor coisa a ser feita. Mas, como se diz por ai, antes tarde do que nunca, para se corrigir os erros.
Em nenhum momento tentou-se justificar a ficção de que a guerra do Iraque fosse apenas uma continuação guerra anterior; e nem poderia sê-lo, dado o intervalo de uma década.
Primeiro: Sim, muitas vezes a Guerra foi justificada através do fim do cessar fogo da primeira guerra. Infelizmente não estou achando nada agora a respeito, mas lembro-me que isso foi usado várias vezes. Se isso não te satisfazer, lembremos que a resolução 1441 também foi utilizada para a libertação do Iraque. Então, basta ver que a resolução 1441 reafirmava a resolução 678, do cessar-fogo, o que, na prática, daria no mesmo.
Segundo: O intervalo pode ser de um dia, um mês, um ano, uma década, um século, não importa. A primeira guerra do golfo não havia acabado, mas estava em cessar-fogo. É como a guerra das Coréias, dos anos 50, que oficialmente não acabou, mas está em cessar-fogo.
Você por um lado faz pouco das resoluções legais da ONU (no que eu concordo com você; não é o aval da ONU que tornará uma guerra justa. Aliás, a desmoralização moral da ONU foi um dos pontos positivos da invasão do Iraque); no entanto, adota uma postura legalista quando os tratados e regulamentos favorecem a guerra.
Mas com relação a guerra, seja contra ou a favor, sempre adotei uma postura legalista. Porque afirmar que a Guerra é ilegal é absurdo, não há indício jurídico disso. Portanto, para defender-me dessa acusação é que uso tal argumento - até mesmo para mostrar a quem afirma isso que, na verdade, jamais leu nada a respeito do assunto e, por isso, fala daquilo que não sabe.
A justiça dessa guerra não será decidida com base no que esse ou aquele documento estatal diz. Estamos falando de coisas reais, e não de palavras no papel.
Será que a doutrina tradicional da guerra justa poderia ser esticada para defender a guerra atual?
Não conheço a visão tradicional de guerra justa, infelizmente. Tenho apenas uma noção, dado pelo Olavo, além da noção moral que tenho ao estudar o assunto, e ambas me fazem crer que a Guerra, tanto do Iraque, como do Afeganistão, foram justíssimas.
Sem falar nos danos irreperáveis que a militarização causa à sociedade.
Creio que, dos males, o menor. Os próprios iraquianos responderam maciçamente, em pesquisas recentes, que a situação do país é melhor hoje do que na época de Sadadm. Hoje eles são livres, e podem escolher o seu destino. Há problemas? Sem dúvida. Mas muita coisa melhorou e não se mostra. Talvez por isso Bush tenha somente 4% de aprovação no Brasil (creio que hoje é bem menos). Desinformação.
Mas a questão das ADMs continua: se tinha, por que não as usou?
Porque Saddam não é burro. Eu respondi essa questão no debate que fiz na Retórica e Argumenatação. Se Saddam as usasse, estaria justificando a guerra, coisa que ele não queria de modo algum. E se as usasse, perderia do mesmo jeito, e ele sabia disso, de modo que a melhor coisa a fazer seria levá-las para outro país aliado, que saberia utilizá-las em momento e situação melhor. Pra que usar tais armas contra soldados americanos altamente protegidos se podemos despejá-las em metrópoles norte-americanas e israelenses? Saddam simplesmente uniu o útil com o agradável e ainda morreu sendo considerado inocente da acusação. Quer coisa melhor que isso?
E a versão de que as armas teriam sido levadas a países vizinhos não cai como uma luva para justificar novas guerras de agressão?
Na verdade, não tanto quanto parece. Porque a Guerra do Iraque foi uma guerra contra o terror, não contra as Armas de Destruição em Massa propriamente ditas. As ADMs foram o agravante, não o motivo principal. Podemos discutir melhor esse ponto posteriormente.
Saddam simplesmente uniu o útil com o agradável e ainda morreu sendo considerado inocente da acusação. Quer coisa melhor que isso?
Tenho a impressão de que Saddam teria uma opinião bem diferente do resultado da guerra para ele.
Perdeu seus filhos, seu governo, seu país, sua vida. Não completou seus supostos planos de agressão aos EUA ou Israel. Não conseguiu usar as armas que, pelo que você diz, queria usar. Não teve uma morte honrada, muito pelo contrário, foi humilhado até os momentos finais. Não conseguiu manter o Iraque sob sua dinastia e nem sob o poder sunita.
É difícil imaginar um estado de coisas pior para o ex-ditador iraquiano. Como você pode dizer que ele, nessa história, "uniu o útil ao agradável"?
É difícil imaginar um estado de coisas pior para o ex-ditador iraquiano. Como você pode dizer que ele, nessa história, "uniu o útil ao agradável"?
Encare a situação antes da Guerra, quando Saddam planejou retirar as ADMs do país. Simplesmente foi a decisão mais inteligente, tanto pra ele - que se fosse capturado, não haveria provas contra ele e poderia esperar uma pena mais branda, talvez até uma boa vida enquanto aguardava os intermináveis intervalos entre julgamentos, como Milosevic - quanto para a causa terrorista internacional, onde poderia, de fato, utilizar as armas com o fim para qual elas foram feitas.
Não há discussão nesse ponto. Não-utilizar as armas e disponibilizá-las para países amigos e de causa comum foi a estratégia mais inteligente. Sem contar na pressão que a Russia fez em cima disso. Qualquer outra escolha seria burrice e inútil, especialmente para a causa.
74% dos entrevistados no Iraque acham que a iniciativa da coalizão liderada pelos Estados Unidos de derrubar Saddam Hussein em 2003 foi uma “decisão corretahttp://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/20…saddam.shtmlMaioria no Iraque diz que vida melhorouUma pesquisa que ouviu mais de 2,5 mil iraquianos indica que cerca de 57% deles acham que suas vidas melhoraram depois do início da ofensiva militar que levou Saddam Hussein a ser afastado da Presidência do Iraque.
(...)
Mas a maioria deles, 70%, acreditam que as coisas estão indo bem em suas vidas, enquanto 29% acreditam que estão vivendo um mau momento.http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2004/…aquerg.shtml
Vale dizer a imensa melhora na qualidade de vida do povo iraquiano de 2003 até os dias de hoje. Por exemplo, hoje 99% da população tem acesso à televisão, enquanto que nos tempos de Saddam, esse número não passava dos 89%. Com Saddam, 81% tinham Geladeira em casa. Hoje, esse número passa dos 90% (2005). Com Saddam, apenas 5% da população tinha telefone celular. Em 2005 havia 62% e hoje deve haver muito mais. Freezer: 46% com Saddam, 59% em 2005. Carros, Automóveis próprios: 38% com Saddam e 55% em 2005 (!!!!) Linhas fixas de telefone: 26% com Saddam, 38% em 2005. Bicicletas e Triciclos: 20% com Saddam, 30% em 2005. Motos: 3% com Saddam, 11% em 2005. Fogões elétricos: 45% com Saddam, 61% em 2005. Televisão via-satélite: 32% com Saddam, 86% em 2005. Ferro de passar roupa: 70% com Saddam, 79% em 2005. Máquina de Lavar roupa: 45% com Saddam, 54% em 2005. Outros eletro-eletrônicos: 44% com Saddam, 51% em 2005.
Fonte dos dados: Oxford Research International. Já já venho com mais.
A evolução do Iraque em alguns temas, de Fevereiro de 2004 a Novembro de 2005:
Segurança:
2004:
42% Melhorou muito.
32% Melhorou.
10% Está como antes.
3% Piorou um pouco.
3% Piorou muito.
2005:
53% Melhorou muito.
24% Melhorou.
10% Está como antes.
3% Piorou um pouco.
1% Piorou muito.
Proteção de sua família com relação ao crime.
2004:
42% Melhorou muito.
33% Melhorou.
11% Está como antes.
2% Piorou um pouco.
2% Piorou muito.
2005:
51% Melhorou muito.
26% Melhorou.
12% Está como antes.
2% Piorou um pouco.
0,5% Piorou muito.
Poxa, o navegador fechou de repente e perdi todas as estatísticas. Talvez amanhã cole algumas mais. Somente um adendo ao que você disse:
Só espero que o Iraque não vire uma aiatolado ao estilo do Irã. Se depender da maioria xiita, provavelmente virará.Quase 80% das pessoas se declararam a favor de um Estado forte, que mantenha o Iraque unido, e apenas 20% deles acham que o Iraque deve se tranformar num Estado islâmico.
Isso está no segundo link que lhe passei, acima.
O Iraque não é o Irã e os xiitas de um são diferentes dos xiitas do outro em muitissimos aspectos. Não confundamos as coisas.
Ops, não lembro onde li, mas recordo-me que em Basra, segunda maior cidade do Iraque, o número de crimes caiu em 70%, se comparado com a época de Saddam. E lembremos que antes de Saddam saiu, ele soltou quase todos os bandidos. São números realmente impressionantes, que mostram o outro lado da guerra.
Muito bom, Renan! Não conhecia tal Blog. Estou achando-o fantástico!
por exemplo, quem ler o artigo de ontem, entitulado de "Al-Qaeda´s War of Villages", verá pelo menos duas coisas:
1) Que o novo plano de Bush de enviar mais homens à Bagdá e triângulo sunita está dando certo.
2) Que a Al Qaeda está desesperada, partindo das cidades para as vilas distantes, o que pode ser uma oportunidade sem tamanho para o exército dos EUA os pegarem em campo aberto.
É muito bom ouvir essas coisas!
Estou até pensando em resumir o conteúdo desses textos e publicá-los no meu Blog. Digo resumir porque meu inglês é horrível e a mim é mais fácil captar a idéia que ele transmite do que traduzir palavra por palavra.
Russell Kirk foi contra a primeira guerra do Iraque
Alguém vai chamar o Kirk de esquerdista?
A questão da guerra é muito complicada para ser resolvida simplesmente opondo esquerda com direita.
A esquerda realmente está se aproveitando disso para promover o anti-americanismo, mas não é por isso que precisamos adotar uma postura reativa de defender o contrário da esquerda.
O principal problema, na minha opinião, com essa guerra, é que não houve uma declaração constitucional.
O congresso apenas autorizou o "uso de força militar", mas não fez uma declaração formal de guerra. Se tivesse havido uma declaração, haveria objetivos claros aceitos por toda a classe política. Não houve nenhum nem outro. O congresso se eximiu da responsabilidade e deixou tudo nas mãos de Bush.
Um tentou ser malandro e o outro tentou ser esperto, e aí deu no que deu: o país está dividido e não há previsão alguma de quando isso vai acabar.
Bush não tira as tropas antes de terminar o seu governo. O próximo governo vai demorar mais de um ano para fazer as manobras de retirada. Provavelmente a guerra vai se estender para o Irã.
Do jeito que está agora, eles vão ficar lá até 2011, talvez 2012. A não ser que saiam, desastrosamente, quando uma crise financeira destruir sua capacidade de continuar lutando.
O endividamento do governo americano já os deixou nas mãos da Chica (se ela vender seus dólares, quebra a economia americana). Eu estou com o Nyquist: a guerra do Iraque está servindo apenas para enfraquecer os Estados Unidos até que caiam sob a hegemonia chinesa.
Gabriel, que a qualidade de vida da população iraquiana (ao menos dos sobreviventes) tenha melhorado em vários pontos é bem possível. Tenho certeza, no entanto, de que outros indicadores tenham piorado durante a ocupação.
Nas reportagens que você mesmo linka revela-se que há divisão 50-50 na opinião sobre se os americanos devem ou não continuar. E a segurança tem sido grande problema na opinião da população.
A queda radical do crime (á exceção do terrorismo, que vem crescendo) só é mais um indício do Estado policial que os EUA vêm implantando;
Mas o ponto central é: melhorar a qualidade de vida de um povo justifica uma invasão?
Você mesmo concorda que não. Aliás, ninguém tenta seriamente justificar a guerra do Iraque nessas bases.
Sem falar que, para o povo americano, a guerra vem sendo catastrófica. Bilhões e bilhões de recursos produzidos nos EUA são jogados pelo ralo para financiar mísseis, armas, etc.
Os EUA vêm se aproximando do socialismo (planejamento central da economia), e a política militarista é um dos meios principais para se chegar a esse fim.
O próprio uso do termo "sissy libertarian" já indica uma ideologia questionável: a de que a guerra é algo positivo, viril, e que ser contra ela é para os fracos. Ora, uma visão tão romanceada e ingênua do que é a guerra não pode ser levada a sério. Quem fala isso o faz por ter sido influenciado pela propaganda estatal e dos porta-vozes não-oficiais do governo Bush (todos os meios do comunicação neo-cons).
É convicção pessoal, não-apaixonada. Eu entendo que este conflito é de suma importância para o cenário futuro do terrorismo, o maior mal a se abater sobre este mundo desde o Terceiro Reich.
Nas reportagens que você mesmo linka revela-se que há divisão 50-50 na opinião sobre se os americanos devem ou não continuar. E a segurança tem sido grande problema na opinião da população.
Há uma divisão na opinião sobre a permanência das tropas porque os iraquianos acreditam que podem resolver sozinhos a questão do terrorismo. Não querem ajuda de ninguém. Isso pode ser comprovado pelo fato que 50% dos iraquianos acham que a maior ou a segunda maior responsabilidade pela segurança do país está com a polícia iraquiana ou o governo iraquiano. 12% Acham que está com as forças iraquianas, treinadas pelos EUA. Curiosamente, somente 6% dão às forças da coalisão tal responsabilidade. No fundo, isso é maravilhoso, pois demonstra a vontade dos iraquianos em trabalhar em prol de sua própria segurança, em tomar para si as responsabilidades de construir um país melhor, mais justo e soberano.
Sobre a segurança ter sido "grande problema", na verdade, não é bem assim. A pesquisa do fim de 2005 apontou que:
51% dos iraquianos se sentem seguros atualmente.
22% não se sentem seguros por causa do terrorismo - vê-se que o terror atinge uma faixa não tão grande da população iraquiana.
6% não se sentem seguros por causa do exército norte-americano.
E apenas 3% se preocupam mais com a violência/crimes comuns.
Portanto, vê-se que em segurança, a maioria dos iraquianos sente-se seguro, com uma parcela considerável que se sente vulnerável ao terror.
Para 86% dos Iraquianos, lutar contra o terrorismo é uma das três medidas prioritárias no setor de segurança. 82% encaram que uma das três medidas prioritárias deve ser o fim do ataques à civis por parte do terror. Esses números demonstram a vontade do povo iraquiano em alcançar a paz.
Além disso, 60% da população afirma que votou nas últimas eleições, enquanto 36% afirma que poderia ou gostaria de tê-lo feito sem problemas. Apenas 3% afirmam que não votariam de jeito nenhum. Isso demonstra a sede do povo iraquiano em decidir seu próprio destino.
Também constatamos isso ao ver que Saddam Hussein é o segundo líder que os iraquianos menos gostariam de ver no poder, atrás apenas de Ibrahim Jaaferi.
O trauma de Saddam é tão grande que a maior expectativa para o futuro, de acordo com os iraquianos, não é a segurança de seus familiares, mas sim a sua liberdade de expressão!
Além disso, voltando à questão da segurança, quando perguntados se havia e qual era o problema de sua vida no momento, os iraquianos responderam:
31% disseram que não há nenhum problema!
16% apontaram a falta de estabilidade.
11% a falta de emprego.
(...)
E 5%, apenas 5% apontaram que são problemas nos serviços públicos.
Portanto, a segurança é um grande problema, mas não esse monstro que a mídia tupiniquim aponta por aí.
A queda radical do crime (á exceção do terrorismo, que vem crescendo) só é mais um indício do Estado policial que os EUA vêm implantando;
Isso não é verdade. Até porque quem está montando, organizando e administrando o Estado iraquiano não são os americanos, mas sim o próprio governo iraquiano. Na região central e em Bagdá o policiamento realmente é muito forte, especialmente por parte das forças da coalizão e das forças iraquianas (que estão lá de forma temporária, não permanente, vale dizer). Mas o caso de Basra, por exemplo, não se encaixa, já que é uma cidade que se localiza no sul do país, que é a região mais pacifica da nação, atrás apenas do norte. Dizer que os EUA estão montando um Estado policial me parece uma afirmativa de quem não sabe o que diz.
Mas o ponto central é: melhorar a qualidade de vida de um povo justifica uma invasão?
Em muitos casos, sim. Ou teriamos de admitir que a intervenção na Bósnia por parte da Otan ou até mesmo o desembarque do Dia D da segunda guerra, por exemplo, teriam sido injustos. Na verdade, a maioria das guerras sempre visou a qualidade de vida das pessoas, seja a do meu país, seja a de outro, seja a de ambos.
Aliás, ninguém tenta seriamente justificar a guerra do Iraque nessas bases.
Isso é bastante relativo. Para os iraquianos, por exemplo, a maioria esmagadora acha que valeu a pena a queda de Saddam. Para muitos desses, creio que a guerra já teria sido justa só por causa disso. De fato, depôr um dos piores ditadores da história humana é um ato de caridade e justo por si mesmo. Ao menos é assim que vejo as coisas, pois não vejo como o simples ato de assistir às tramas do tirano, inclusive as de atacar seu próprio país, seja a atitude mais justa e correta.
Sem falar que, para o povo americano, a guerra vem sendo catastrófica. Bilhões e bilhões de recursos produzidos nos EUA são jogados pelo ralo para financiar mísseis, armas, etc.
"Catastrófica" é uma palavra muito, miuto exagerada de sua parte. A guerra afeta a economia dos EUA mas não de forma alarmante, como você quer nos passar.
Além disso, os prejuízos da guerra são lucros, se comparado ao preço que teriamos de pagar ao deixar o terrorismo impune, estimulando assim cada vez mais e mais essa prática diabólica.
Os EUA vêm se aproximando do socialismo (planejamento central da economia), e a política militarista é um dos meios principais para se chegar a esse fim.
Com todo o respeito, mas você falou uma grande besteira. Você deveria estudar um pouco antes de falar daquilo que desconhece. Nem os democratas ou republicanos mais extremos falaram tal coisa, ao menos pelo que pude ler a respeito.
Caio, concordo com tudo o que você disse. Mas o Joel pareceu-me alguém que vem debater assuntos que desconhece completamente, coisa que em si não é nenhum problema, até o momento em que se passe a fazer afirmações baseadas em meros "chutes". Do "eu acho que" para o "é assim" há uma grande diferença. E como já não foi a primeira nem a segunda vez que percebi isso, resolvi dar aquele pequeno toque.
Além disso, não me pareceu que Joel em momento algum quis fazer qualquer analogia, e se teve tal intenção, apenas confirmaria a intenção do toque que tentei transmitir.
Espero que não leve para o lado pessoal, Joel. Tente embasar melhor suas informações ao invés de jogá-las vazias ao vento. Justifique com fatos o que você disser. Desse modo, todos ganharão e evitaremos esse tipo de conflito.
Eu comprei recentemente um exemplar da "Suma Teológica - volume 1". Você (ou alguém) saberia me dizer quantos volumes compõem a obra prima de Santo Tomas de Aquino?
A Suma Teológica está dividida em três partes, sendo que a segunda parte é sub-dividida em duas seções. Fica assim:
- 1ª Parte: Questões 1 a 119
- 1ª seção da 2ª Parte: Questões 1 a 114
- 2ª seção da 2ª Parte: Questões 1 a 189
- 3ª Parte: Questões 1 a 90.
No entanto, cada editora divide a suma em quantos volumes quiser. A Edições Loyola, por exemplo, dividiram a Suma em 9 volumes, bem carinhos por sinal.
Espero ter ajudado.