Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Reinaldo Azevedo e o "bonde" do Foucault

Iniciado por inocncio em 12/10/2007 · 73 mensagens · página 2 de 2

uriel#51
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Os artigos de opinião do O. de C. publicados em jornal não são pro povão nem revista (que não lê jornal - apenas os classificados e caderno de esportes, quando muito) e sim se dirigem a parte classe média esclarecida (que aliás é a única classe que é relevante politicamente).

o povão por si só nada faz. Quem age são intelectuais e militância adestrada. Não faz sentido portanto dirigir-se ao povão por meio de análises escritas em jornais com argumentos etc. Chega-se a ele por outros meios.

Dirige-se ao povão (pra quê eu não sei) por meio de programa de rádio e TV e não por artigos no Jornal do Brasil nem pela internet.

o "público ideal" do O. de C. a quem ele se dirige em seus artigos políticos na imprensa são pessoas esclarecidas e razoavelmente cultas

é nesse sentido que "a conversa não chegou no berçário" (não me referi a você). Se o "povão" não entende os artigos dele, tanto pior. Também não entendem os artigos do Emir Sader nem de ninguém.

Also Sprach Olavo:

"Desde logo, é claro que não escrevo para analfabetos funcionais" (...)
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070109dce.htm

"O fato é que escrevo para pessoas que têm sensibilidade para as nuances de estilo, mas sempre me arrisco a ser lido por um Felipe Coelho qualquer" (...)
http://www.olavodecarvalho.org/textos/fedeli3.htm

no mais, não tive a intenção de ofendê-lo, Paulo Fernando. E se o ofendi, a culpa é do Toth.
wood#52
1- Thot: parece que vc nunca leu o Imbecil Coletivo. Alí , o prof Olavo usa e abusa de ironias e figuras de linguagem.
2-O prof Olavo não está "fazendo campanha para o capitão". Usou simplesmente uma frase de efeito....
3- O personagem do capitão nos remete a algumas VERDADES ABSOLUTAS que fazem "doer" a classe média; a primeira é de que BANDIDO É BANDIDO, e não se relaciona diretamente ao estado de pobreza material do individuo , mas sim com o estado de pobreza moral e ética do mesmo. A segunda coisa que incomoda a muitos é que fica demonstrado que o tráfico existe SÓ PORQUE EXISTE DEMANDA. Quem pratica a demanda por drogas é exatamente os filhinhos da classe média , desorientada, sem ética, sem moral , desestruturada nos bens morais que só Deus e a familia podem ensejar, e são esses "bostinhas" de drogaditos que movimentam o narcotráfico. Existem estudos que provam que antes do trafico se instalar em um ambiente de pobreza , ele se estrutura economicamente com apoio da classe média .Isso ocorre na sociedade americana , onde se sabe que é na Universidade onde se encontram as maiores redes de varejo para drogas.Dali , depois de financeiramente opulentas é que as quadrilhas se esparramam para a periferia .Terceiro: mostra o filme que a policia é corrupta ;mas existe uma policia que ainda é honesta e que só não consegue diminuir com o flagelo do trafico pela associação CRIMINOSA DA CLASSE MEDIA HIPOCRITA QUE USA DROGA DE NOITE E FAZ PASSEATA PELA PAZ DE MANHÃ,COM UMA POLICIA DESONESTA ACOBERTADA POR POLITICOS DESONESTOS.
Isso trás uma reflexão ....e incomoda a quem tem o rabo preso.
4-Faça um curso de leitura: vc está com problemas de leitura.....lê e não entende o texto. Pena.
inocncio#53
Sempre fui contra a presença de fakes na comunidade por causa de eventuais problemas com trolagem.

Espero que este tópico sirva de alerta ao moderador.


É mesmo Caio? A que fakes você se refere? E onde você viu "trolagem" aqui?
inocncio#54
Será que eu li o seu nome direito? Bnoach vem de onde mesmo?
jeov#55
O Caio é o Glenwood ?

O Toth não é exatamente um fake. Ele é o Salgado...
inocncio#56
Seja direto Caio. Quem é esse fake? Diga ai.
inocncio#57
Então? Algum problema ai no teclado?
inocncio#58
Foi você quem se sentiu incomodado. Agora termine. Diga ai quem você acha que é.
uriel#59
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Uma pequena observação:

Reinaldo Azevedo afirma que a esquerda não gostou do filme porque o filme defende a tese de que o usuário de droga financia o narcotráfico e é portanto culpado também ou "cúmplice".

mas essa é uma velha tese da esquerda.
A esquerda vivia dizendo pouco tempo atrás que a "culpa" da existência do narcotráfico é da classe média, afinal são os "playboys" que compram a droga e alimentam esse mercado. Intelectuais de esquerda vivem dizendo isso.

em mais de uma cena do filme o policial usa os termos "playboy" e " burguês". Na cena da passeata pela paz, ele se dirige ao manifestantes e xinga-os de "burgueses". É portanto um "tapa na cara da classe média".
O policial também afirma que só fazem passeata "quando morre rico" - afinal, policial também é trabalhador.

ora, um stalinista também sente esse mesmo desprezo pelos playboys pequeno-burgueses decadentes maconheiros esquerdistas (e eu também sinto, confesso). De modo que esse discurso do filme não é exclusivamente "direitista" como estão dizendo.

a crítica aos jovens maeconheiros (e drogados em geral) da classe média procede. Está correta. Mas é preciso tomar cuidado pra não enfatizar em excesso esses jovens de classe média. Eles também financiam o crime organizado. Mas não são só eles.

em baile funk e festa de hip-hop de favelado também se consome maconha e cocaína pra caramba. Aliás pó só é consumido em festa de pobre e em festa da elite. Em festa da classe média quase inexiste. A maconha é muito consumida por universitários de classe média, mas pó não. De modo que talvez os pobres e favelados até consumam mais drogas do que a classe média e não menos (incluindo aí crack e outras drogas).

os "playboys" têm culpa sim também. mas não dá pra colocar tudo só na conta deles.
marcos_12#60
Só agora li o texto (demorei).

O sr. Grimaldo que me permite, mas, pela minha preguiça, vou colar um trecho dele:

"...Olavo não fala de sua preferência política,mas faz uma análise da reação do povo brasileiro a enredo do filme, mostrando que entre uma classe de pilantras ligados diretamente com o crime organizado e um Jack Bauer carioca, o povo preferiria o último, como mal menor."

É exatamente isso.

O Olavo apenas hirarquizou os problemas, dando óbvia preferência ao mal menor, o que qualquer pessoa de bom senso escolheria.

Entre policial (corrupto e honesto misturados) e bandidos, não tenho dúvidas em escolher o primeiro.
jeov#61
Lesson number 2: Don't get high in your own suply

Of course, not everybody follows the rules


Os pobres consomem mais drogas que os ricos e a classe média. Mas eles não compram a droga. Ela simplesmente é distribuída. É uma forma de os traficantes ganharem apoio da favela. Pão e circo virou Pó e Funk.
renan_6#62
Pensei a mesma coisa, Uriel. Essa realmente é uma crítica bem comum no "alto" meio universitário. Portanto, quase uma auto-crítica velada e ignorante de si mesma, pois em sua grande maioria os críticos têm tanto ou mais poder aquisitivo que "a playboyzada".

"Playboy" hoje em dia virou mais um ESTILO do que propriamente um poder financeiro. Playboy é o cara que não tá nem aí pra nada e gasta grana nas maiores merdas possíveis. Tem muito "playboy" que sofre pra pagar o aluguel, ou demora décadas pra sair da barra dos pais, mesmo que a família não tenha um grande poder aquisitivo.

Ah, outra coisa, também: no filme esquecem um lado muito importante do tráfico: os CHEFES.

Cadê os verdadeiros PATRÕES da jogada?
priscila#63
"...Olavo não fala de sua preferência política,mas faz uma análise da reação do povo brasileiro a enredo do filme, mostrando que entre uma classe de pilantras ligados diretamente com o crime organizado e um Jack Bauer carioca, o povo preferiria o último, como mal menor."

É exatamente isso.

O Olavo apenas hirarquizou os problemas, dando óbvia preferência ao mal menor, o que qualquer pessoa de bom senso escolheria.

Entre policial (corrupto e honesto misturados) e bandidos, não tenho dúvidas em escolher o primeiro. [2]

E o mais importante é perceber o pérfido caminho que acaba levando a só se ter como escolha um mal ou um mal menor.
Mr. Grimaldo sugeriu esta leitura, fundamental para que se perceba como acabamos (estou falando do Brasil, mas esta condição existe em incontáveis outros lugares) em tão incômoda encruzilhada:

http://www.olavodecarvalho.org/livros/bandlet.htm

Eu endosso completamente a sugestão.
fernando_10#64
Eu já pedi para me emprestarem Hugu Chaves e Lula por 5 minutos na minha sala e ninguém empresta. Eles não aguentariam.

Eu imagino o Chavez com o saco na cabeça e o Olavo gritando atrás deles "Cadê a carga? Confessa, seu #$%! Senhor 02, me traz a vassoura e arria as calças dele!"
marcos_12#65
hirarquizou = hieraquizou

Não pude deixar passar esse erro!!!
uriel#66
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artigo interessante:

O filme-tucanohttp://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6118&language=pt

Trechos:

""Fico pensando como reagiria ao filme uma platéia sueca. Não creio que pensariam naqueles policiais torturadores como heróis, assim como muita gente que vê o filme aqui pensa.” - Wagner Moura, ator principal do longa"

[é um filme] " dirigido por um cineasta cujo filme anterior é um libelo contra as “desigualdades sociais” (http://www.cineclick.com.br/cinemateca/ficha_filme.php?id_cine=10821), co-distribuído pelo magnata esquerdista Harvey Weinstein (http://www.imdb.com/name/nm0005544/bio), baseado no livro de um célebre sociólogo esquerdista colega de MV Bill (http://www.luizeduardosoares.com.br/), a partir de depoimentos de ex-policiais que saíram do BOPE exatamente para fazer carreira como civis denunciando os “abusos” dos ex-colegas (http://www.luizeduardosoares.com.br/)."

" A questão é que o filme, o diretor, os produtores e o distribuidor perceberam que o público, cansado de ver bandidos glorificados na tela ou na televisão, reagiria de forma entusiasmada à “catarse de justiça violenta” promovida pelo Capitão Nasciment"

"Pois bem: “Tropa de Elite” coloca a caveira do BOPE no cartaz do filme, apelando aos instintos de uma platéia sedenta de um pouco de ordem na bagunça judicial em que se transformou o país. Mas os produtores não querem ser confundidos com “esse tipo de gente”. Querem os milhões de reais em ingressos vendidos para “fascistas”, “conservadores” e “direitistas”, mas abominam ser confundidos com eles"
uriel#67
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se o filme foi feito por esquerdistas (e foi) e tem uma mensagem esquerdista, por que então a direita está adorando?

diz o O. de C.:

"Daí o fenômeno, tão repetidamente comprovado, de que o artista narrador, seja no romance, no teatro ou no cinema, não tenha controle quase nenhum sobre o sentido político-ideológico da história que narra" (...)

"Gênios do porte de um Stendhal ou de um Balzac não venceram essa dificuldade – por que deveríamos exigi-lo dos nossos miúdos cineastas tupiniquins? Todos eles são mais comunistas que a peste, mas isso não impediu que em “Central do Brasil” o menino perdido, fugindo do inferno urbano, encontrasse no Brasil rural os antigos valores que são a essência mesma do conservadorismo" (...)

"Agora, José Padilha é crucificado pela esquerda [...] Padilha não fez isso porque queria, mas porque, tendo optado por uma narrativa realista, teve de ceder à coerência interna
"
http://www.olavodecarvalho.org/semana/071011jb.html

ou seja, o tiro saiu pela culatra e o povão na verdade acabou "votando no Capitão".
uriel#68
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Mas há algo que me intriga.
Há alguns detalhes no filme que parecem ter sido "inseridos" por alguém que definitivamente queria atacar a esquerda.

Alguns são detalhes subtis, outros nem tanto.

Há o close da câmera no Che Guevara estampado na camiseta do traficante Baiano enquanto ele (o Baiana) conta dinheiro recebido da venda de um pacote de maconha.

Há o close no quadro-negro na faculdade com uma lista de nomes de autores (tais como Foucalt etc).

Há o professor universitário falando de Foucalt com voz tediosa e afeminada.

Há os colegas de classe do policial, todos playboys e "filhinhos de papai", atacando a polícia por meio do uso de argumentos puramente hedonistas e idiotas.

Há a "heroína" namorada do policial e membra da ONG que depois decide colaborar com a polícia como delatora ("eu sei quem pode te ajudar").

Há o playboy traficantezinho participando hipòcritamente da passeata "pela paz" após a morte dos dois universitários (morte das quais ele também é culpado) - e levando porrada do policial indignado.

Há a crítica ao Estado corrupto e burocrático.

mas o que me foi mais significativo foi a cara do "Che" na camiseta do traficante enchendo a tela (uma imagem vale mais do que mil palavras).

E no entanto esse filme foi feito por gente de esquerda!
fernando_10#69
Alguém assistiu o documentário Ônibus 174, do mesmo diretor?

É um documentário muito esquerdista com direito a:

- depoimento de assistente social dizendo que o bandido não era violento,

- mostrando a infância sofrida do bandido (mas não dizem que quem matou a mãe dele foi outro facínora igual)

- depoimento de sociólogo careca de barbinha (Zerólogo) com aqueles papos estilo Jacques Derrida e

- depoimento de bandido mascarado acusando os policiais de covardes por terem sufocado um sequestrador que foi muito "corajoso" em soltar todos os homens do ônibus e ficar apenas com mulheres indefesas e no final o "valentão" ainda matou uma delas com 3 tiros

O documentário nem tampouco esclareceu quem foi o responsável pela decisão de deixar o sequestrador vivo. O desgraçado ficou botando a cabeça na janela várias vezes em presença de atiradores de elite. Penso que seria mais misericordioso liquidá-lo com um tiro na cabeça do que deixá-lo vivo para depois matar uma inocente no final.
jeov#70
Uriel, concordo com você e me intrigo, como você.

O filme foi um tiro que saiu pela culatra, mas eu não entendo os closes na camisa do Che Guevara e coisas do tipo...
marcos_8#71
"Há o close da câmera no Che Guevara estampado na camiseta do traficante Baiano enquanto ele (o Baiana) conta dinheiro recebido da venda de um pacote de maconha."

Pô, Uriel, acho que a maioria já desconfiava que não poderia ser o Che
henrique_3#72
O artigo do Olavo "Votando no Capitão" é perfeito. Aliás, eu já tinha dito a mesma coisa em /CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=2552595659975658950&na=2&nst=199

O filme foi um tiro no pé para os produtores, aquilo foi sem querer. Se foi mesmo assim, bem-feito.

A mudança daquele diálogo sobre a qual eu falo no link é no mínimo curiosa, me deixou intrigado e com dúvidas sobre a fidelidade esquerdista dos autores.
henrique_3#73
A pergunta feita por Felipe Atxa em "O filme-tucano"

"Como é que um filme onde todos os policiais são assassinos torturadores ou covardes corruptos e suas atividades apenas geram violência, ignorando as inúmeras vidas que são salvas por elas, pode ser considerado "pró-polícia" ou representar "algo novo" em relação a tradicional imagem da polícia apresentada pelas esquerdas?"

é respondida por Olavo em "Votando no Capitão":

"...o artista narrador, seja no romance, no teatro ou no cinema, não tenha controle quase nenhum sobre o sentido político-ideológico da história que narra, o qual sentido não depende da narrativa em si, mas dos fatos do mundo exterior – remotos e fora do alcance do artista -- a que a platéia associe os episódios narrados, fazendo destes o símbolo daqueles."

Também vejo, como o Felipe Atxa, traços esquerdistas no filme, como deixei claro nos links abaixo:

/CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=2552595659975658950&na=3&nst=61&nid=44668-2552595659975658950-2555798530906025831/CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=2552595659975658950&na=3&nst=81&nid=44668-2552595659975658950-2556272390427772616/CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=2552595659975658950&na=3&nst=111&nid=44668-2552595659975658950-2556941514047731168/CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=2552595659975658950&na=3&nst=201&nid=44668-2552595659975658950-2559271428576669543

Mas o Olavo, sem dúvida, acerta quando diz que a leitura da platéia foi conservadora, apesar de o filme não o ser. Fenômeno curioso.

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