"Não se pode culpar o Positivismo por atos isolados praticados por positivistas. Mas não estamos falando de atos isolados. Estamos falando de atos coletivos realizados por positivistas em nome do Positivismo."
Exato. Ou vamos ter que começar a aceitar a desculpa dos que dizem que "Stalin se perdeu", "aquilo não teve nada a ver com comunismo de verdade", "esses genocídios não fazem parte do comunismo", e dar mais uma chance ao comunismo. Credo!
Continua o vale-tudo no antipositivismo. Desafio a que me provem os tais "atos coletivos praticados por positivistas emnome do Positivismo", que me provem a relação de causa e efeito entre os tais "atos coletivos" e o Positivismo de Comte.
Caio disse: "As sociedades que ainda estão no estado Teológico ou Metafísico, estão nas trevas da ignorância, cabendo ao Comte, colocando-se no papel do próprio salvador, tirar as travas da visão da humanidade, e nos colocar no estado "positivo", da qual Comte, tomando o lugar de Cristo, é a Revelação."
Cada um interpreta as coisas como pode. Que palhaçada.
Leitor de Comte no original e na íntegra repetidas vezes, Alain abundava em razão: para conhecê-lo, é preciso lê-lo, lê-lo no original e lê-lo por inteiro: os seis volumes do Sistema de Filosofia Política, os quatro do Sistema de Política Positiva (que inclui os opúsculos juvenis), o Catecismo Positivista, o Apelo aos Conservadores, o Discurso sobre o Espírito Positivo e a Síntese Subjetiva; ao todo, catorze volumes. E não basta percorrê-los: cumpre meditá-los, relê-los se preciso, e, sobretudo, desenvolver um esforço de meditação ao qual resiste, com freqüência, o estilo abstrato do autor. Para mais destas obras, filosóficas ou políticas, deve-se ler ainda a correspondência: mais oito alentados volumes.
Quem pretenda capacitar-se do Positivismo, deter-se-á, ainda, nas obras dos seus melhores explicadores, como Pedro Laffitte, Raimundo Teixeira Mendes, Luís Lagarrigue, Robinet e tantos outros, que, antes de discorrerem sobre o pensamento comteano, cumpriram a exigência óbvia de conhecerem-no diretamente na sua fonte.
É este conhecimento que falece a muitos intelectuais brasileiros, que não se coíbem de pontificar sobre obras que não leram, cujos volumes jamais manusearam. Falam do que ignoram ou do que apreenderam apenas superficialmente, repetindo, quantas vezes!, de segunda, terceira, quarta mãos o que encontram em autores que, eles próprios, repetem por sua vez a outrem ou que, se se abeberaram nos originais de A. Comte, condicionam, com a sua interpretação pessoal, a de quantos tomam-nos por fonte. Não basta louvar os méritos de seja lá qual autor e macaqueá-lo (“Como dizia o saudoso Fulano de Tal”) ou macaqueá-lo sem lhe aludir: nada dispensa da leitura das obras de que se fala, sejam lá quais forem a obra e o autor correspondente. Somente dentro desta condição produz-se intelectualmente a sério.
Enquanto o exercício da inteligência limitar-se à repetição de terceiros, enquanto a vida intelectual traduzir-se por abordar um autor sem o seu conhecimento direto, enquanto o ataque representar um desiderato e não um resultado, enquanto a ideologia balizar a cognição, o resultado só pode ser o da ignorância sistematizada e o dos erros impondo-se à guisa de expressão dos fatos ou de interpretação perspicaz. Enquanto for assim, acerca de A. Comte e de qualquer outro autor, não contribuirá o Brasil em nada para a elevação da cultura intelectual: ao invés disso, fortalecerá o pedantismo como critério do conhecimento e da reflexão, vale dizer, para o aviltamento de ambos.
Enquanto for assim, os nossos intelectuais, os nossos professores, os nossos estudantes, os nossos leitores em geral, persistirão na convicção de que o Positivismo é o que ele, na verdade, não é; manter-se-ão na ilusão de certos lugares-comuns e de certas idéias superficiais, grosseiras, estúpidas, falsas ou tolas, que sobre ele circulam no Brasil.
Enquanto for assim, todos eles prosseguirão ignorando temas de supina relevância filosófica, a exemplo do conceito de positividade, de previsão racional, de Humanidade, de síntese subjetiva, de filosofia primeira, de estática e dinâmica, da preponderância do sentimento, de governo republicano, de liberdade espiritual, da sociologia como totalidade do conhecimento, de educação integral que, estes e muitos outros, podem contribuir para alargar as dimensões da reflexão nacional, enriquecendo-as com temas inexplorados porque geralmente ignorados. Sequer o significado de ordem e progresso sabe-se corretamente, não obstante o dístico do pavilhão nacional!
Enquanto for assim, continuaremos como o país do mundo que, devendo ao Positivismo benefícios que negam somente os seus caluniadores e os mal informados, mostra-se o mais ingrato face a ele; prosseguiremos encarnando o país que, dispondo de fartos materiais com que se aquilatar as suas aplicações à vida social, é o em que o seu conhecimento
o seu conhecimento equivale ao dos (maus) manuais escolares de filosofia. Enquanto for assim, cultivaremos as calúnias, a ignorância, a desinformação e a ideologia, porém não a verdade, a sabedoria e a justiça; persistiremos na mesquinharia da crítica fácil e na cultura da ignorância, ao invés de elevarmo-nos ao conhecimento da verdade pelo caminho árduo do esforço intelectual honesto.
O empenho de muitos em golpear o Positivismo, de boa-fé ou sem ela, por vezes obsessivamente, bem como a sua capacidade de suscitar adesões convictas e aplicações meritórias, equivalem ao reconhecimento de que ele oferece muito, muitíssimo, ao pensamento humano, de que porta uma mensagem riquíssima e aliciante: por isso desperta antagonismos tão vivos, ataques tão desesperados e a necessidade de adulterá-lo para ferí-lo. É a forma como os seus críticos reconhecem, sem o confessar, a sua profundidade filosófica, a sua envergadura intelectual, o seu valor no pensamento humano, o certeiro das suas demonstrações, o convincente das suas propostas. É forma, toda própria, como eles homenageiam-no.
Viva o Positivismo!
Uma análise impiedosa das mais recentes inépcias proferidas no Brasil sobre (e contra) o Positivismo, acha-se em A desinformação anti-positivista no Brasil, da editora Vila do Príncipe, Curitiba, 2004, deste mesmo autor.
O Positivismo é cientificista. Coloca tudo a cargo da razão. O lema positivista é originalmente "Amour, Ordre et Progrès. Por razões óbvias os milicos, autores do malfadado golpe republicano, aboliram a palavra amor. Augusto Conte morreu louco, e a sua pseudo religião, ou filosofia, como queiram, não vingou em nenhum lugar do mundo.
O lema político, que Comte recomendava para as bandeiras, é Ordem e Progresso; os milicos não aboliram o amor, por razões óbvias. Comte não morreu louco: quem o diz, repete um mito criado por Littré, que até hoje os mal informados repetem porque convém muito aos inimigos do Pos. ; o Positivismo vingou em vários lugares do mundo: basta conhecer-lhe a hístória para saber disto. As suas 3 afirmações revelam que vc anda muito mal informado e fala do não conhece. Por isto, indiquei livros.
Está nas suas mãos sanar a ignorância dos membros desta comunidade com relação ao Positivismo e a Augusto Comte.
Por que você não nos dá a verdadeira interpretação, e os verdadeiros fatos?
Não adianta mandar o membro ler volumes e volumes de obras do Comte e de comentadores. Ninguém aqui vai fazer isso.
Imagine que você fizesse críticas contra o Cristianismo. Alguém poderia responder: "Faça-me o favor e estude um pouco. Apenas depois de ter lido a Bíblia inteira nas línguas originais mais a obra completa de Sto. Agostinho e de Sto. Tomás de Aquino é que você estará capacitado para falar algo a respeito."
Não é muito construtivo, não é mesmo?
Mais prestativo seria se rebatesse a suas críticas com argumentos, e não apenas com negações e sugestões de leitura.
Se a interpretação dada aos Três Estados de Comte está errada, qual é a correta? Não adianta indicar um livro sobre o assunto; ou tome uma atitude e corrija o erro você mesmo aqui e agora, ou desista de uma vez da discussão.
Para esclarecer, sumariamente: 1- a lei dos 3 estados significa que o entendimento humano é teológico (explica os fenômenos por agentes sobrenaturais, feitiços no feiticismo, deuses no politeísmo e deus no monoteísmo), a seguir, metafísico (explica os fenômenos por abstrações personificadas, como´o éter, a Natureza) e por fim, positivo, em que explicam-se os fenômenos por leis naturais. Esta sucessão verificou-se em relação aos fenômenos matem´ticos, astronômicos, físicos, químicos, biológicos e sociais, por esta ordem. Não é que tenha havido 3 períodos da história da Humanidade, primeiro teológico, depois metafísico, enfim positivo; é que o entendimento de cada uma destas ciências passou por aqueles 3 modos, sempre por eles, sucessivamente. O papel de Comte foi o de conduzir o estudo dos fenômenos sociais ao estado positivo, com a criação da sociologia.
Na teologia, indagam-se a natureza íntima dos seres, as causas primeiras e finais dos fenômenos (por que e para que eles ocorrem), ou seja, os conhecimentos absolutos, em que os fenômenos sã atribuídos a agentes sobrenatuais, cuja intervenção explica tudo quanto se passa no mundo. Na metafísica, modificação geral da teologia, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, entidades, abstrações personificadas, concebidas como capazes de produzir os fenômenos. Na positiviidade, o espírito humano, reconhecendo aimpossibilidade de obter noções absolutas, busca as suas leis, ou seja, as relações invariáveis de sucessão e de semelhança dos fenômenos, pelas quais se pode prevê-los e intervir neles. A história das ciências mostra que estes 3 estados sucederam-se em cada ramo do saber científico; até Comte, o saber sobre a sociedade achava-se mesclada de teologia e de meta´fisica; a sua contribuição original correspondeu a torná-la positiva.
Comte percebeu que a religião corresponde a um fenômeno humano universal e presente ao longo da história: ela corresponde a uma constante, em que varia a forma que assume. Ela foi feiticista, astrolátrica, politeica e monoteica, em suma, sobrenatural, em que o dogma era teológico, imaginado, baseado na suposta revelação divina. Comte conserva o fenômeno (religião) e o torna positivo: com isto criou uma religião humana, humanista, atéia (como queiram chamá-la), em que não se admite o sobrenatural, porém apenas o natural e humano. Nesta religião, a religião da Humanidade, ele reconhece a existência do Grão Ser, a Humanidade, "o conjunto contínuo dos seres humanos convergentes", ou seja, o conjunto dos indivíduos que, ao longo dos tempos e em todos os lugares da Terra, exerceram um papel útil, construtivo, favorável, para as demais pessoas, desde o âmbito apenas pessoal, até o universal.
A Humanidade somos todos, no que temos de melhor; ela é ser superior que substitui as divindades sobrenaturais.
(Ficou superficial esta explicação, mas, em essência, é isto).
O lema do Pos. é O amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim; o seu dístico moral, é Viver para outrem; o seu dístico político, é Ordem e Progresso.São 3 frases diferentes, de que Comte recomenda a inscrição da O. e P. nas bandeiras. Ou seja, a fórmula é esta mesmo; é ignorância dizer-se, como disseram nesta comunidade, que os militares suprimiram o "amor", "por motivos óbvios." A recomendação de Comte figura na sua Política, I, 388; a bandeira é da autoria do Postiivista Teixeira Mendes, que a constituiu com aquele dístico.
Comte teve um discípulo, Emílio Littré, que rompeu com ele e amistou-se com a ex-mulher dele, Carolina Massin. Morto Comte, a sua viúva quis apoderar-se dos papéis dele, especialmente da sua correspondência ativa e passiva com Clotilde de Vaux. Houve um processo jidicial, em que o advogado da viúva lançou a afirmação de que ele estava louco, no final da sua vida,e que por isto, o seu testamento deveria ser anulado. Se ele estava louco, o testamento era inválido e a viúva apoderar-se--ia dos papéis; se ele era normal, o testamento era válido e a viúva não lhe teria os papéis. Esta afirmaçaão, produzida por Littré, usada no processo, foi abundantemente explorada pelos anti-positivistas, como uma forma fácil de desmoralizar a doutrina. Logo que começou esta mentira, vários autores e pessoas que conheceram Comte afirmaram, em livros, que ele estava lúcido e sadio, porém este desmentido, os anti-positivistas não divulgam, por motivos óbvios. Houve mesmo uma declaração de 8 médicos , em favor da sua sanidade. O próprio Olavo de Carvalho caiu nesta balela e repetiu que Comte morreu louco. A demonstração da origem desta mentira e o seu desmentido, corresponde a um dos capítulos do meu "A desinformação anti-postiivista no Brasil".
O Pos. difundiu-se na França, no Chile, no Brasil,na Argentina, na Suécia, na India, na Turquia, no Japão, na Alemanha, na Inglaterra, nos EE UU AA, na Itália, no Uruguai, na Espanha, em Portugal e em outros países. Em todos estes países,e em outros, houve adeptos do Pos., publicação de livros, de opúsculos, de artigos de jornal; em alguns, houve agremiações positivistas. Até 1914 existiu, na Frnça, uma revista positivista, a Revue Occidentale e até não me lembro que data, outra, a Philosophie Positive.
Na Inglaterra, havia 3 ou 4 igrejas positivistas, e mais uma no Chile.
Dizer que ele só se difundiu no Brasil, é ignorar inteiramente a história do Pos. e é, sobretudo, mais uma forma, fácil, de depreciá-lo. Aqui ele talvez se haja evidenciado mais, por causa da proclamação da república e da bandeira, porém ele acabou por influenciar a mentalidade durante um bom tempo , quer aqui, quer na Europa.
Tudo isto se omite no Brasil, em que o anti-postiivismo há décadas, desde antes da república, é ativo e desonesto. Em 1885, Miguel Lemos dizia que os adversários do Pos. criticavam-no sem oconhecer ou eram intelectualmente desonestos. Continua assim. Por décadas, os cristãos guerrearam o Pos., por ele ser anti-teológico; depois, a esquerda, que o detesta, com aquela mentalidade de ideologia burguesa, defesa da propriedade privada etc.
E agora, infelizmente, o Olavo de Carvalho, que é de boa-fé e em cuja bibliografia do Jardim das Aflições não menciona NENHUM autor minimamente confiável, sobre o Pos., e que, no entanto, não se inibe de atacá-lo. O resultado, foram as inépcias que naquele livro, proferiu sobre o Pos, embora, por outro lado, formule, nele, certas conclusões idênticas às de Comte. Daí não me admira o ódio que os seus alunos votem ao Pos.
Para finalizar, se alguém tiver interesse, na minha página pessoal, cuja ligação vai abaixo, há vários artigos e comentários sobre o Pos. e outros temas, inclusivamente a minha longa correção a Olavo, no seu Jardim.
Arthur, não há nenhuma organização dos não-positivistas contra o Positivismo.
O fato é que não parece ser uma filosofia fiel à realidade. Esse esquema de três etapas da ciência que você deu, por exemplo, é altamente questionável. Fraco, eu diria.
A teologia (falo do monoteísmo), por exemplo, nunca se propôs a explicar os eventos naturais. Isso sempre foi função da filosofia natural, hoje chamada de ciência natural.
Você diz que Comte trouxe as ciências sociais ao estado positivo. Mas a sociologia que tenta utilizar os métodos das ciências naturais (mensuração, previsão, etc) é um grande fracasso. Aliás, se esse método fosse seguido à risca, seria impossível uma ciência como a economia, que tem um método totalmente diverso. Metafísico, talvez? Chame-o do que quiser, mas é o método que corresponde à realidade das coisas.
Algo de bom o positivismo teve: uma preocupação maior em mensurar os fenômenos, em fazer previsões precisas; coisas úteis ao homem. Mas isso de forma nenhuma torna os métodos da ciência positiva superiores à metafísica ou à teologia.
A pergunta "quanto?" (ciência positiva) não se opõe a "o quê?" (metafísica) e nem a "por quê?" (teologia). Parece, inclusive, que as questões que a metafísica e a teologia visam responder são até MAIS importantes do que aquelas às quais a ciência positiva se propõe a resolver. Isso não é tirar o mérito da ciência positiva; é apenas colocá-la em seu devido lugar.
Na verdade, se a ciência não se preocupa em entender a base metafísica por trás dos eventos observáveis, dificilmente fará previsões precisas. Mero cruzamento de dados não nos revela quais as relações causais em jogo. E o juízo sobre causa e efeito é metafísico.
O homem não é a medida e o fim de todas as coisas. O positivismo nega que a pergunta "por quê e para quê existimos? Qual o sentido último do universo?" possa ser respondida racionalmente. Não deixe que essa visão estreita o afaste das principais questões da vida.
É muita ingenuidade, ou sacanagem mesmo, mentira, mesmo, atribuir qualquer morticínio aos Postiivistas. É muita sacanagem atribuir ao Postiivismo qualquer ânimo assassino; é muita sacanagem, é desonesto, desonesto, atribuir ao Pos. os alegados morticínios perpetrados, alegadamente, por discípulos dele. Se alguém foi responsável por qualquer violência, por qualquer assassinato , este suposto alguém não era Positivista porque o Postiivismo não é isso que você e outros lhe atribuem. É muita sacanagem, é muita desonestidade, imputar ao Positivismo qualquer violência, quando Comte foi abertamente, formalmente, explicitamente, contrário a qualquer violência.
Desafiei a que me provassem que houve morticínios e que eles devem-se a Positivistas, que houve morticínios perpetrados sob a invocação de Comte. Até aqui, fizeram deste tópico um tribunal da inquisição contra o Pos. , porém ninguém satisfez ao desafio.
Ainda que, por hipótese, tenha havido algum Positivista que haja produzido mortes de cristãos (no que não acredito, absolutamente), o acusador deve provar que tais monstruosidades resultaram da doutrina de Comte, o que é absolutamente impossível, a menos, claro, claro, claro, de haverem-na submetido a deturpações equivalentes àquelas que a turminha anti-postiivista costuma fazer. Afinal, torcer, seja lá o que for, é facílimo.
Há,
No seu tópico de número 2, vc confunde religião com teologia, faz de uma, o sinônimo de outra, confusão, aliás, muito freqûente. A religião, para sê-lo, não precisa de ser teológica; pode ser humana ou "laica".
Se não existe uma organização dos não-positivistas contra o Pos., existe a ação deles contra o Pos., ou seja, ação descoordenada, espontânea, porém tão nociva e perversa quanto se fosse concertada. Criou-se, década após décad,a , no Brasil, uma mentalidade de repúdio ao Pos., fabricada, primeiro, pelo catolicismo, depois, pelo marxismo, sempre, por quem não o conhece ou não o entendeu. Criticar sempre é mais fácil, seja o que for.
A nota predominante do produto intelectual dos brasileiros sobre o P. é, como já disse mil vezes, miserável, porque decorre da ignorância e da má vontade. Por isto, o que os brasileiros dizem sobre o Pos., em geral, não vale nada. Felizmente, há exceções, mas são chocantes o nível de ignorância e a má vontade, como é chocante a passagem de O. de C. que motivou este tópico. O que ele escreveu é inacreditável; não duvido da correção intelectual dele; duvido, inteiramente, absolutamente, das fontes em que ele se baseou, como repudio, absolutamente do teor que ele emitiu. A intensidade da minha reação e a convicção com que a desenvolvi deveria servir para, pelos menos, suspeitar-se de que há algo de errado com a afirmação dele.
Aliás, a desinformação é isto mesmo: criar versões, repeti-las, fabricar imputações, divulgá-las, insistir nelas até que os mais honestos as adotem como verdades reveladas, acima de qualquer dúvida.
Indiquei livros; o Joel disse-me que aqui, ninguém os vai ler. Só não digo uma fileira de palavrões, porque ainda me finjo de rapaz educado: aqui, em que ninguém vai ler os livros que indiquei é o mesmo lugar em que o ninguém ataca o que nao sabe. Em suma: não li, não sei, não conheço, ou conheço por ouvir dizer, repito cegamente o que ouvi, pouco sei, não quero saber mais, e não gosto. É como dizia alguém, é muita ingenuidade, é muita sacanagem!
Arthur, ninguém aqui fica atacando o positivismo!
Na maior parte do tempo, sequer pensamos sobre ele. É só porque você trouxe o assunto à tona que estamos nos delongando tanto sobre algo que interessa a tão poucas pessoas.
Pode continuar se fazendo de coitado, de atacado por todos os lados. Isso seria bom demais. A realidade é mais dura: o Positivismo é ignorado por todos os lados.
Ninguém se interessa muito por ele e, sinceramente, você não está ajudando a reverter essa situação.
Poucos aqui procuram uma religião sem transcendência, sem Deus. Meros "sentimentos altruístas" são muito pouco ante a caridade cristã. Ainda preservam uma pálida sombra dela, mas ficam muito aquém.
Páre de se fazer de perseguido, páre de tratar o positivismo como uma "filosofia coitadinha", incompreendida por todos. "Ninguém me compreende!" - quem fica repetindo isso não ajuda a corrigir a compreensão alheia.
Comece a argumentar, a dar as suas posições sobre os diversos temas tratados na comunidade, e aí sim estaremos, pouco a pouco, mais aptos a falar sobre o positivismo.
É pegar ou largar! Ler e "meditar longamente" os oito volumes da correspondência de Comte é algo que ninguém aqui fará. Você por acaso lerá e meditará sobre a Suma Contra Gentiles de Sto. Tomás? Ou sobre os comentários de Sto. Agostinho aos Salmos?
Mas, se você estiver disposto a trazer as idéias que você adquiriu em suas leituras de Comte para cá, debateremos com prazer.
"A intensidade da minha reação e a convicção com que a desenvolvi deveria servir para, pelos menos, suspeitar-se de que há algo de errado com a afirmação dele."
Ou algo errado com a afirmação do Olavo, ou algo errado com a sua veneração fanática pelo Positivismo e por Augusto Comte.
"A intensidade da minha reação e a convicção com que a desenvolvi deveria servir para, pelos menos, suspeitar-se de que há algo de errado com a afirmação dele."
Arthur, desculpe, mas a intensidade da sua reação, no texto cheio de "é sacanagem, sacanagem, desonesto, desonesto..." denota apenas um pití, e nada mais.
Imagine. Se intensidade e convicção fossem sinais, os comunistas que espumam pela boca estariam sempre certos. Que chilique besta. Isso é argumento, Arthur???
O positivismo parece ser algo como o "governo dos especialistas", um plano de "organização" da sociedade que pouco ou nada difere de outras ideologias podres. À primeira vista, é um modo "racional" de organização social baseado numa lógica cientificista tida como indefectível.
Os comentários de Ortega y Gasset sobre os especialistas que, por serem muito prestigiados em seu campo de conhecimento, pensam que podem interferir em qualquer assunto como se também fossem especialistas neles (imediatamente me veio a mente o biólogo Dawkins) são corroborados por Hayek no capítulo 4 de "O Caminho da Servidão", sobre a "inevitabilidade" da planificação:
"A ilusão do especialista de que numa sociedade planejada ele conseguiria maior
apoio para os objetivos de seu interesse é um fenômeno mais geral do que faz supor à primeira vista o termo "especialista", No que concerne a nossos interesses e
predileções, todos somos em certa medida especialistas. Todos julgamos que nossa
escala pessoal de valores não é apenas pessoal, e que, num livre debate entre pessoas razoáveis, lograríamos convencer os outros de que o nosso ponto de vista é o mais justo.
O admirador da paisagem campestre que pretende acima de tudo preservar seu
aspecto tradicional e apagar as marcas já deixadas pela indústria em sua formosa
superfície, não menos que o entusiasta da higiene que quer pôr abaixo todas as casas
velhas e insalubres, embora pitorescas; o automobilista que gostaria de ver os campos cortados por grandes estradas de rodagem; o fanático da eficiência que aspira ao máximo de especialização e mecanização, assim como o idealista que, a bem do desenvolvimento da personalidade, deseja a preservação do maior número possível de artesãos independentes - todos eles sabem que seu objetivo só pode ser
completamente alcançado mediante a planificação, e por essa razão todos a desejam.
No entanto, a adoção do planejamento social que reclamam não deixará de trazer à
tona o conflito oculto existente entre esses objetivos."
Comte não era, absolutamente, esquizofrênico, e sim perfeitamente normal, fato que deve ser considerado. Criou-se, como já mencionei, a lenda da sua loucura, que desmenti em livro; o desmentido deve ser considerado.
1) O Positivismo realmente teve alguma influência neste episódio? (proclamação da república). Teve, na medida em que o Positivista Benjamin Constant foi um dos conspiradores, foi quem convenceu Deodoro à proclamação, foi quem mobilizou os cadetes para o levante, no dia 14de novembro; o Apostolado Positivista do Brasil clamou por anos, que o imperador evitasse um golpe de força e resignasse ao trono; diretamente, o Apostolado não influenciou o levante, mas influenciou as mentalidades como doutrina republicana.
2) Se sim, os republicanos eram positivistas em sua maioria e agiram como tal ou apenas usaram o termo "Positivismo" de maneira inadequada ou equivocada? Os republicanos não eram positivistas na sua maioria; havia republicanos não positivistas, outros, positivistas ortodoxos; outros, que do Pos., aceitavam partes, segundo o entendimento pessoal de cada um.
3) Os primeiros governos republicanos foram, de fato, inspirados nas idéias positivistas - principalmente no RS - ou também foi um uso inadequado do termo "Positivismo"?
3) Os primeiros governos republicanos foram, de fato, inspirados nas idéias positivistas - principalmente no RS - ou também foi um uso inadequado do termo "Positivismo"?
O primeiro governo republicano foi, em parte, inspirado no Pos., na pessoa de Benjamin e de Demétrio Ribeiro, ministros da Guerra, da Instrução Pública e da Agricultura. Ambos demitiram-se ao tempo de Deodoro. O governo de Deodoro recebeu inspiração pos. na adoção da bandeira, do casamento civil, do registro civil de nascimentos, na secularização dos cemitérios. Houve influência dos positivistas na constituição de 1891, no sentido, sobretudo, da adoção de todas as liberdades (de opinião, de expressão, de religião, de associação), como minudencio no meu "A república positivista". Ao tempo de Floriano e dos governos seguintes, não houve positivistas nogoverno, embora houvesse, da parte de muitas pessoas, a aceitação de muitas idéias de Comte.
No RS, Castilhos e Borges eram positivistas e a constituição gaucha baseou-se diretamente em Comte. Getúlio formou-se no ambiente gaucho, porém,c omo governante, não repreentou o Pos. nem adotou políticas positivistas, salvo a criação do Minsitério do Trabalho, por influência de Lindolfo Collor, em que a proteção dos trabalhadores resultou de influência pos.
Imputaram, nesta comunidade, aos positivistas, a carnificinna praticada por Moreira César em Florianópolis em 1894 e a repressão a Canudos. Não tem nada a ver uma coisa com outra. Moreira César não era positivista, nunca se declarou tal, nunca foi tido como tal; a repressão a Canudos, independentemente de se o goveno tinha ou não razão, se atuou bem ou mal, não decorreu de nenhuma inspiração positivista. Na verdade, todo o pessoal governamental e militar era católico romano; assim, é muito fácil acusar a doutrina de Cristo por estas mortandades; acho singular que esta alegação (certa ou errada) não se emite, porém emite-se o seu equivalente contra o Pos.
Nunca pertenceu à política positivista reprimir pela força quem quer que fosse. Ao contrário, é basilar no Pos., a solução pacífica de todos os conflitos, internos e externos. "A inteira eliminação da violência acha-se erigida em dever fundamental" no Pos., dizia Comte.
Comte criou a expressão "ditadura republicana", que os ignorantes e os de má-fé adoram, para atacá-lo. "Ditadura", ao tempo de Comte e na sua fraseologia, significa "governo", qualquer governo. No linguajar de Comte, o governo atual dos EUA é uma ditadura, o de Pedro II, foi uma ditadura; ou seja, ditadura não lhe equivale a tirania, repressão, totalitarismo.
Os desinformadores atribuem ao Pos. uma índole totalitária, quando a "ditadura republicana", o regime positivista, é um regime 1-republicano, 2-em que se asseguram todas as liberdades civis, 3- em que o governo abstém-se de qualquer violência e não impõe doutrinas, inclusivamente o próprio Pos.
A ditadura republicana, a política positivista é a da liberdade, em todos os sentidos, a do entendimento, do diálogo, da fraternidade como regra de relacionamento entre governantes e governados. É o que Comte e os Positivistas sempre disseram, e sempre publicaram em livros e que os anti-p. sempre ocultaram, servindo-se de um equívoco terminológico como expediente facílimo para distorcer o Pos. e infamá-lo.
Há dias, o senador Suplicy, em discurso na Bahia, acusou os pos. por Canudos: é a desinformação em ação.
Segundo O. de C., os brasileiros têm desapego ao estudo, ao conhecimento aprofundado dos assuntos. É verdade; indiquei livros; responderam-me que nesta comunidade, ninguém ia lê-los e que não adiantava indicá-los; aí, perdi a paciência e disse que é sacanagem criticar o que não se sabe e não se quer saber; disseram-me que sou fanático, que tive um chilique, que estou me fazendo de perseguido.
Sempre é mais fácil atirar pedras e mais trabalhoso estudar as coisas a sério; a malediência somada à preguiça é o que eu disse, sacanagem. Se a pessoa não quer ler, não leia; ninguém é obrigado a ler coisa nenhuma, se não quiser; mas então, pare de falar do que não sabe e de atacar o que não quer saber.
Expliquei minuciosamente que Comte não enlouqueceu, que Getúlio não era positivista nem o regime de 64; que Olavo errou sobre o Pos., que ele coincide com o Pos. em algumas das suas conclusões; que a "ditadura republicana" é o oposto das "outras" ditaduras; expliquei tudo isto no meu livro.
Como sei que não lêm livros, indico mais a História do Postiivsmo no Brasil, de I. Lins A formação do pensamento sociológico, de Raymond Aron; O Positivismo no Brasil, de Mozart Pereira Soares.
Olá Prof. Arthur!
Olhando por alto a confusão que se estabaleceu nesse tópico, resolvi consignar minhas impressões. Lembro de já ter me atentado para suas manifestações nesta comunidade sobre o positivismo. AInda não me detive em estudar a obra de Comte, mas sempre me pareceu que as posições do sr. eram baseadas em estudos sérios e sua conduta em levá-los ao conhecimento público estremamente respeitável.
De fato, o Prof. Olavo de Carvalho critica ferozmente a obra de Comte. Assim como o sr. a defende com rigor. Do mesmo modo que o sr., o prof. Olavo estudou bastante e honestamente para tirar suas conclusões. É óbvio que só vocês dois e terceiros que também possuam amplo conhecimento sobre o tema poderão, analisando os argumentos contrários, confrontá-los para, se for o caso, adotarem um novo e melhor entendimento. Isto tudo é o obvio.
Não se justifica, portanto, a pretensão de alguns integrantes desta comunidade, confessadamente desconhecedores do tema, em sabatiná-lo. Nem tampouco é razoável impingir-lhe o ônus de provar suas afirmações - tudo isso por meio do orkut! Nem comento as tais acusações pessoais...
O sr. já fez o que lhe cabia. Expôs sua posição, indicou seu livro onde consta sua crítica à obra do prof. Olavo e indicou referências bibliográficas para consulta. Os interessados em se manifestar deverão, necesariamente, se prepararem antes para formular com justeza sua critica pessoal.
Na verdade o Sr. pecou ao, mostrando muita paciência,tentar responder as impugnações feitas ao seu pensamento - orkut, definitivamente, não é propício para isso.
De qualquer modo, em suma, gostaria apenas de registrar minha solidariedade e dizer que quando eu for estudar Comte considerarei a obra do Sr. e das demais referenciadas. Além disso, tenho certeza que o prof. Olavo não se recusará a analisar sua crítica.
Abraço.
Eu pessoalmente tenho alguma curiosidade sobre o positivismo pelo imenso mal que ele trouxe a esse infeliz país ajudando "positivamente" a instaurar essa coisa mórbida e decadente que é a república, mas eu não perco meu tempo lendo porcaria. Porque é isso que o positivismo é na melhor das hipóteses. É um assunto superado, que pouca ou nenhuma contribuição trouxe ao pensamento.
Poderíamos argumentar que somente lendo Euclídes em seu original em grego teríamos assim um honesto vislumbre da obra daquele grande geômetra. No entanto isso não se faz necessário porque Euclídes possui uma teoria muito bem formulada que ainda hoje é o alicerce de muito conhecimento matemático. Tanto faz ler Euclídes em grego ou em português. Por sua REAL utilidade e comprovada funcionalidade, Euclides dispensa essas frescuras que só servem mesmo para disfarçar um fato indisfarçável: a teoria de Comte é uma merda e inclusive por isso o Brasil está nadando nela. Ou não?
Algumas obras sérias merecem ser lidas no original. Mas são grandes obras e não lixo.
Boas teorias ficam porque são úteis, não precisam dessa babaquice toda para convencer as pessoas.
Sobre a "grande contribuição" do positivismo ao pensamento no Brasil há inclusive há um pequeno artigo muito bom entitulado "As raízes do atraso universitário" (do sociólogo José Arthur Rios) onde ele defende a tese de que o positivismo foi decisivo na decadência universitária e na consequente esquerdização que a acompanhou ao longo do séc XX. Ele está errado? Será?
Aliás, se não me engano, o mentor de Comte (Saint Simon) tinha uma linha de pensamento "a la" social democracia não?