Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

William F. Buckley Jr faleceu :(

Iniciado por priscila em 27/02/2008 · 16 mensagens

priscila#1
William Buckley parece ter tido uma vida boa, na qual teve a satisfação enorme de praticar aquilo em que acreditava, e que era bom.

Vou rezar por ele, para que o bom Deus o receba como um filho merecedor das boas-vindas.
mateus_5#2
Triste. Os bons se vão. Descanse em paz.
fernando_17#3
Réquiem aetérnam dona eis, Dómine: et lux perpétua lúceat eis.
fernando_17#4
A Doutrina Social da Igreja, em geral, é muito ruim. Não chega a pregar o socialismo, óbvio, mais é de um estatismo enervante.
É uma grande ironia da história: se vcs lerem um livrinho chamado "Faith and Liberty", verão que os doutores da 2ª Escolástica (sec. XVI e XVII), espanhóis e portigueses, anteciparam muitos dos insights do Adam Smith e até mesmo da Escola Austríaca. Surpresa: os doutores da Igreja defendiam o livre mercado! Como pôde a Igreja se afastar de sua própria tradição?
fernando_17#5
"E a doutrina social é moral, por isso é infalível"

Infalível!? Doutrina Social infalível!? É cada sabichão que aparece...
fernando_17#6
Falou, falou...cadê a infalibilidade, Guenão?
fernando_17#7
Tá bom, Guenão. Quando vc me mostrar a "doutrina social infalível", aí a gente conversa de novo.
fernando_17#8
Guenão, vc realmente sabe o que é infalibilidade?

The supreme degree of participation in the authority of Christ is ensured by the charism of infallibility. This infallibility extends as far as does the deposit of divine Revelation; it also extends to all those elements of doctrine, including morals, without which the saving truths of the faith cannot be preserved, explained, or observed http://www.vatican.va/archive/ENG0015/__P74.HTM

Engraçado, né? Durante quase 2000 anos os católicos não tiveram a sacrossanta Doutrina Social...coitados! Foram todos para o inferno, pois não tinham o auxílio salvífico infalível da doutrina social. Vc é muito materialista, Guenão.

Sobre o curso de inglês, não vou pedir pro seu pai não, vou pedir para a sua mãe. Fique tranquilo.
fernando_17#9
2036 The authority of the Magisterium extends also to the specific precepts of the natural law, because their observance, demanded by the Creator, is necessary for salvation. In recalling the prescriptions of the natural law, the Magisterium of the Church exercises an essential part of its prophetic office of proclaiming to men what they truly are and reminding them of what they should be before God. http://www.vatican.va/archive/ENG0015/__P74.HTM

Pô, Guenão! E se a doutrina social atenta contra a lei natural? O que é que a gente faz?
gustavo_15#10
A Doutrina Social da Igreja, em geral, é muito ruim. Não chega a pregar o socialismo, óbvio, mais é de um estatismo enervante.

Seria interessante que o dr. em doutrina social da Igreja mostrasse onde ela é de um "estatismo enervante".

Na DSI o Estado é mero coadjuvante. No máximo ele entra em cena para garantir que pessoas que NUNCA teriam chance de competir em igualdade com outras, possam competir.

Mais cristão que dar esmolas é permitir que as pessoas comam a partir do seu próprio esforço.

Agora... Um anarco-capitalista é tão católico quanto um comunista. Não tem o que se discutir nesse sentido.
joel_2#11
Mesmo entre os Papas houve muita discordância em questões econômicas e ligadas ao papel do Estado.

Leão XIII era, para padrões atuais, bem liberal economicamente. Já Pio XI era bem estatizante: defendia o Estado corporativista, que mediasse decisões firmadas entre as diversas classes. Paulo VI defendia um amplo Estado do bem-estar social, chegando a conclamar os países ricos para que aumentassem seus impostos para resolver a pobreza. João Paulo II já foi bem mais liberal, entendia bem o papel essencial da empresa e do empreendedor, e da liberdade nas transações, embora também defendesse, por exemplo, o seguro saúde gratuito e universal.

Não há consenso entre os Papas, e nem há uma posição política "católica". Quem fala isso quer dar a sua própria posição uma suposta legitimidade oficial que ela não tem. Os intervencionistas radicais, os fascistas, os distributistas, os liberais, todos querem, de alguma maneira, mostrar que a autoridade ou a tradição da Igreja está com eles. Isso é uma empreitada vã.

Dentro de certos limites extremos, há liberdade para se defender as políticas e medidas que se considere que sejam mais benéficas à sociedade. Os papas discordavam quanto aos meios, mas todos estavam de acordo quanto aos fins: uma sociedade melhor, na qual as pessoas possam viver bem e virtuosamente.

Será que uma lei de salário mínimo contribui ou não para melhorar as condições de vida dos mais pobres? Essa é uma questão que está fora do âmbito da moral e da fé, e que pertence à ciência econômica. Não será resolvida com a autoridade de encíclicas modernas, e nem de teólogos renascentistas.

Quanto antes a tentação de vestir a própria posição como a única "verdadeiramente católica" deixar a mente dos envolvidos em debates políticos e econômicos, melhor.
joel_2#12
A frase do Buckley "Mater Si, Magistra Non" é infeliz mesmo. Mas o que ele quis dizer faz sentido: ele tinha uma posição política e econômica que discordava da opinião da alta hierarquia da Igreja em sua época. Aceitava o papel da Igreja como aquela que nos fornece os valores e os ideais a serem seguidos, mas discordava das soluções concretas que o papa e os bispos de sua época propunham para alcançar esses fins.

Em si mesma, nada de herético aí, embora a frase possa sim causar algum escândalo.
fernando_17#13
§2. It belongs to the Church always and everywhere to announce moral principles, even about the social order, and to render judgment concerning any human affairs insofar as the fundamental rights of the human person or the salvation of souls requires it.

Can. 749 §1. By virtue of his office, the Supreme Pontiff possesses infallibility in teaching when as the supreme pastor and teacher of all the Christian faithful, who strengthens his brothers and sisters in the faith, he proclaims by definitive act that a doctrine of faith or morals is to be held.

§3. No doctrine is understood as defined infallibly unless this is manifestly evident.

Can. 750 §1. A person must believe with divine and Catholic faith all those things contained in the word of God, written or handed on, that is, in the one deposit of faith entrusted to the Church, and at the same time proposed as divinely revealed either by the solemn magisterium of the Church or by its ordinary and universal magisterium (...)

§2. Each and every thing which is proposed definitively by the magisterium of the Church concerning the doctrine of faith and morals, that is, each and every thing which is required to safeguard reverently and to expound faithfully the same deposit of faith, is also to be firm-ly embraced and retained; therefore, one who rejects those propositions which are to be held definitively is opposed to the doctrine of the Catholic Church.

Can. 752 Although not an assent of faith, a religious submission of the intellect and will must be given to a doctrine which the Supreme Pontiff or the college of bishops declares concerning faith or morals when they exercise the authentic magisterium, even if they do not intend to proclaim it by definitive act; therefore, the Christian faithful are to take care to avoid those things which do not agree with it.

Fonte: CIC 1983 http://www.vatican.va/archive/ENG1104/__P2H.HTM
fernando_17#14
Ou seja, o Rafael quer me convençer que a DSI faz parte do Sagrado Depósito da Fé - o CIC fala em "fé e costumes"; cabe ao Rafael decidir se a DSI cai sob a rubrica da "fé" ou dos "costumes".
Mais: até agora tô esperando a declaração da infalibilidade da DSI. Eu te avisei que vc não sabia do que se tratava, das condições necessárias para uma declaração infalível.
Em suma: segundo o teu entendimento torto, a DSI não somente é infalível como está contida na Palavra de Deus, no Evangelho - inobstante este não trazer indicação alguma sobre a constituição da tal "sociedade cristã" -, confiada à Igreja através do Sagrado Depósito da Fé. Assim, teríamos que concluir que a DSI foi divinamente revelada. Surpresa, senhores! Cristo não só se preocupou com a salvação das almas, com o perdão dos pecadores e com a vida eterna; Ele também deixou instruções a respeito do salário justo, dos sindicatos e da jornada de trabalho. Temos todos os elementos para a formação das relações de trabalho na sociedade cristã! N. S. Jesus Cristo, o primeiro engenheiro social.

O que vc não entende, Rafael, é que a Igreja não tem uma "doutrina social", não tem uma "doutrina econômica", não tem uma "doutrina política". Doutrina social da Igreja é apenas um abuso de linguagem. A Igreja, ao longo dos séculos, apenas trabalha e especula sobre esses temas, nada mais que isso. Não há, nunca haverá, uma doutrina social-política-econômica final; a Igreja faz afirmações a esse respeito sem nunca, nunquinha mesmo, chegar a uma conclusão definitiva. Se não fosse assim, hoje a Igreja deveria advogar uma regime monárquico feudal à la Carlos Magno, ora.
Vc já parou para pensar que o Cristianismo não é a idéia de uma sociedade cristã?; já parou prá pensar que o Evangelho dirige-se, única e exclusivamente, ao indivíduo enquanto tal?
fernando_17#15
Sobre a ofensa, Rafael, não se faça de Madalena enganada: foi vc que atirou a primeira pedra. Eu só sigo o conselho do Olavão: percebendo a insinuação maliciosa, devolva na hora na mesma moeda. E, aliás, foi vc que trouxe a sua família à conversa. É, meu querido, fala o que quer ouve o que não quer. Sorry.
fernando_17#16
Você continua a fornecer a sua própria corda.

Rafael

Não, senhor. Vc é que acredita que o Cristianismo é a idéia de uma sociedade sacra onde todos os aspectos da vida social devem ser promenorizadamente regulados pela Igreja - sempre, é claro, com o malfadado auxílio do braço forte dos herdeiros de César. É isso que dá olhar o Cristianismo com as lentes do Guenão.

No mais, veja que coisa complicada: a DSI, segundo você, possui um caráter dogmático, em função da repetição; ou seja, porque a Igreja fala muito no tema, então torna-se dogmático. Supimpa! Nunca tinha pensado nisso antes! Agora nós temos uma nova categoria de dogma: dogma por costume.

Na verdade, vc não está conseguindo ver a distinção entre uma proclamação dogmática, infalível, e uma especulação de cunho filosófico ou doutrinal. E a DSI cai nessa segunda hipótese. Seria um supremo absurdo condenar alguém porque não acredita no salário justo ou na jornada de trabalho ou na necessidade da existência dos sindicatos, não é mesmo?

Por fim, vc tem que se decidir, Rafael. É muito feio acusar, em outro tópico, uma pessoa de mundanismo e, aqui, defender o mesmo mundanismo: ou será que a preocupação com o "salário justo" não é mundanismo?

"Matheus, quanto maior a preocupação com a moral e os preceitos mundanos, menor é o nível intelectual. Não deve facilitar nem dificular, mas sim, em bom português, ligar o "foda-se"." Alcor�o

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