Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Pelo direito de dirigir alcoolizado

Iniciado por ronpaul em 27/06/2008 · 102 mensagens · página 1 de 3

ronpaul#1
Por Lew Rockwell

N. do T.: com a entrada em vigor no Brasil do projeto de lei ("álcool zero") que proíbe a ingestão de qualquer quantidade de álcool por motoristas, o estado mostra mais uma vez que é incapaz de distinguir entre causa e efeito. Os americanos também enfrentam problemas semelhantes - apesar de que lá o teor permitido de álcool no sangue está em 0,08 - e Lew Rockwell explica a situação.

Em novembro de 2000, o ex-presidente Clinton ratificou um projeto de lei aprovado pelo Congresso que ordenava que os estados adotassem novos e mais onerosos padrões anti-embriaguez ao volante. Caso não fizessem isso, os estados iriam deixar de receber fundos federais para suas estradas. É isso mesmo: o antigo truque da chantagem rodoviária. Obviamente, os estados criaram novas e mais rigorosas leis contra a embriaguez ao volante, reagindo como esperado à chantagem federal.

Os federais declararam que um nível de álcool no sangue de 0,08 por cento ou maior é algo criminoso e deve ser severamente punido. A Associação Nacional dos Restaurantes está totalmente correta ao dizer que esse nível é absurdamente baixo. A esmagadora maioria dos acidentes relacionados à direção embriagada envolve réus contumazes com um nível de álcool no sangue duas vezes maior do que aquela. Se o padrão de 0,1 não os detém, um padrão mais baixo também não logrará êxito.

Mas há um ponto mais importante. O que exatamente está sendo criminalizado? Não é a falta de perícia ao volante. Não é a destruição da propriedade. Não é o extermínio de uma vida humana por causa de um comportamento imprudente. O que está sendo criminalizado é você ter a substância errada no seu sangue. No entanto, é de fato possível ter essa substância no seu sangue, mesmo ao dirigir, e não cometer nada que seja sequer semelhante ao que tradicionalmente se considera um crime.
ronpaul#2
Qual é a conseqüência de permitir que o governo criminalize o conteúdo do nosso sangue ao invés das ações em si? Demos ao governo o poder de tornar a aplicação das leis arbitrária, imprevisível e dependente do julgamento de policiais e técnicos. De fato, sem o "bafômetro" governamental, não há como saber ao certo se estamos infringindo a lei.

É claro, podemos fazer cálculos informais na nossa cabeça, baseando-se no nosso peso e na quantidade de álcool que ingerimos durante um certo período de tempo. Mas, na melhor das hipóteses, essas serão apenas estimativas. Temos de esperar que o governo nos ministre um teste que nos diga se somos criminosos ou não. Não é dessa maneira que a lei deve funcionar. Na realidade, isso é uma forma de tirania.

Por outro lado, a reação imediata é mais ou menos assim: dirigir alcoolizado tem de ser algo ilegal porque a probabilidade de causar um acidente aumenta dramaticamente quando você bebe. A resposta é bem simples: em uma sociedade livre, o governo não deve lidar com probabilidades. A lei deveria lidar com ações e com ações apenas, e somente na medida em que estas causarem danos a pessoas ou à propriedade. Probabilidades são para as seguradoras, que devem avaliá-las em um ambiente competitivo e voluntário.

É por isso que a campanha contra a perseguição racial é intuitivamente plausível para muitos: certamente uma pessoa não deveria ser perseguida somente porque alguns grupos demográficos apresentam uma taxa de criminalidade maior do que outros. O governo deveria estar impedindo e punindo crimes em si, não probabilidades e propensões. Da mesma forma, não deveria haver essa perseguição a motoristas, cuja idéia assumida é a de que só porque uma pessoa tomou alguns goles ela automaticamente passa a ser um perigo.
ronpaul#3
De fato, essa perseguição a motoristas é pior do que a perseguição racial, porque esta última apenas sugere que a polícia está mais vigilante, e não que ela esteja necessariamente criminalizando toda uma raça. Apesar da propaganda, o que está sendo criminalizado no caso da direção embriagada não é a probabilidade de a pessoa dirigindo se envolver em um acidente, mas, sim, a questão do teor de álcool no sangue. Um motorista bêbado é humilhado e destruído mesmo quando ele não cometeu dano algum.

Obviamente, a execução da lei é um problema sério. Um número considerável de pessoas saindo de um bar ou de um restaurante provavelmente seria classificado como motoristas embriagados. Mas não há como a polícia saber, a menos que eles desconfiem de um carro que esteja em zigue-zague ou flagrem manobras imprudentes. Mas aí a questão muda: por que não multar o motorista apenas pela manobra temerária e deixar o álcool de fora? Por que não?

Para ressaltar o fato de que o que está sendo criminalizado é a quantidade de bebida ingerida, o governo organiza essas ultrajantes barreiras policiais, que violam completamente as liberdades civis, apenas para parar as pessoas e checar seu sangue - mesmo quando elas não fizeram absolutamente nada. Esse é um ataque repulsivo à liberdade, um ataque que insinua que o governo tem e deve ter controle total sobre nós, controle esse que se estende até questões biológicas internas. Mas de algum modo aceitamos esse ultraje porque já admitimos a hipótese primeira de que o governo deve nos punir pelo conteúdo do nosso sangue, e não apenas por nossas ações.
ronpaul#4
Existem muitos fatores que fazem com que uma pessoa esteja dirigindo deficientemente. Ela pode estar com os músculos doloridos após uma sessão de levantamento de peso e apresentar reações mais lentas. Ela pode estar sonolenta. Ela pode estar de mau humor, ou irritada por ter brigado com o cônjuge. Será que o governo deveria ministrar testes de irritação, testes de cansaço, ou testes de dor muscular? Esse é o próximo passo, e não se surpreenda quando o Congresso começar a estudar essa questão.

Já está em movimento uma lei que vai proibir o uso de celulares quando se está dirigindo. Tal absurdidade vem da idéia de que o governo deve fazer julgamentos sobre o que nós supostamente estamos propensos a fazer.

E tem mais: algumas pessoas dirigem mais seguramente após alguns drinques, precisamente pelo fato de elas saberem que seu tempo de reação foi diminuído e que, por isso, elas devem prestar mais atenção na segurança. Todos nós conhecemos pessoas que têm uma incrível capacidade de dirigir perfeitamente bem mesmo após estarem alcoolicamente irrigadas. Elas deveriam ser liberadas das forças da lei, e só serem punidas caso de fato fizessem algo errado.

Devemos colocar um fim imediato nesse modismo. Direção alcoolizada deveria ser legalizada. E, por favor, não me escreva dizendo: "Fiquei ofendido com sua insensibilidade porque minha mãe foi morta por um motorista bêbado". Qualquer pessoa responsável pela morte de uma outra deve responder por homicídio culposo ou assassinato, e deve ser punida de acordo. Mas é incorreto punir um assassino não por causa do seu crime mas por causa de alguma consideração biológica. É como dizer que o atropelador deve ser condenado pois tinha cabelo vermelho.
ronpaul#5
Assaltantes de banco costumam usar máscaras, mas o crime que eles cometeram nada tem a ver com a máscara. Da mesma maneira, motoristas ébrios provocam acidentes, mas motoristas sóbrios também; e muitos motoristas ébrios não causam acidente algum. A lei deveria se concentrar em violações contra a pessoa e contra a propriedade, não em excentricidades científicas como o conteúdo sangüíneo.

Há um último ponto contra o projeto de lei de Clinton. Trata-se de uma violação dos direitos dos estados. Não há uma autorização na Constituição que permita ao governo federal legislar o teor de álcool no sangue. Além disso, a décima emenda deveria ser suficiente para impedir que o governo o fizesse. A questão da embriaguez na direção deveria ser retornada aos estados, e então cada estado deveria liberar os motoristas ébrios das forças da lei.

_______________

Lew Rockwell é o presidente do Mises Institute, editor de http://lewrockwell.com/, e autor de Speaking of Liberty.

http://mises.org.br/Article.aspx?id=115
uriel#6
O único problema é que o limite de alcool aceito pelo governo é muito baixo.
Nenhum homem que tenha tomado apenas duas ou três cervejas no jantar representa uma ameça aos demais no trânsito.
Aumente-se o limite que a cousa fica razoável.
Obviamente nao existe nenhum direito de se dirigir bêbedo - e os Libertarians são loucos.
mateus_5#7
Aqui, Ana: /CommMsgs.aspx?cmm=44668&tid=5216564812687261563
ronpaul#8
Apoio integralmente o texto que criou este tópico. Perfeito. Na mosca!
Quem é contra já está contaminado pelo besteirol politicamente correto.[2]

Falou e disse!
rafael_13#9
Claro que isso não invalida nosso debate aqui, mas não creio que essa lei vá mudar alguma coisa. Não existe fiscalização que dê conta de averiguar cada motorista. Se beber não se envolva em acidente que ai a punição vais ser grave, mas se você se garante no volante, pode tomar sua cervejinha que não vai acontecer é nada.
antnio#10
Concordo com o Ron.

Até porque não é só o álcool que afeta a capacidade de dirigir do indivíduo. Não consideram punir quem está sob efeito de outras drogas entorpecentes. Tanto as lícitas quanto as ilícitas. Se sou pego após tomar uma cerveja pela qual paguei até imopsto, sou multado, preso e por aí vai, enquanto ao lado passa um cidadão chapado de maconha, dirigindo muito pior talvez e o bafômetro não vai acusar nada... eita trem.
joozinho#11
RON PAUL....Vai cagar, vai!

"besteirol" que produz milhares de mortes por ano...

...e não me venha dizer ao contrário, estatísticas e os IML´s comprovam....quem não acredita, basta ir a uma delegacia etc....
joozinho#12
sr. antonio, não é somente o alcóol, claro...

mas e as mortes? as milhares em acidentes?

foram provocadas, em esmagadora maioria, por qual motivo?(e não me venham com essa questão de as estradas péssimas, blablabla......)

cocaina no rabo?

maconha de pobre?

não......!
antnio#13
Joãozinho

Me refiro aos efeitos produzidos no cérebro após o consumo de maconha, por exemplo. Incapacita tanto ou mais do que uma lata de cerveja. E assim, te enganas em achar que só pobre consome machonha. Mas não é assunto deste tópico.

Acho que o limite anterior era algo civilizado. A guerra no trânsito chegou a este ponto não por falta de legislação. Não precisamos criar mais leis que não serão cumpridas. Quanto tempo tu achas que o cidadão ficará preso? Existem cadeis e presídios disponíveis? E a suspensão da habilitação... hoje não controlam sequer os pontos, e não suspendem o direito de dirigir de quem deveriam.

A lei não tem suporte operacional. Não há estrutura. Simples.
denise#14
quando começam a falar de direitos , na verdade e querer
desviar do sentido real da palavra , algo que o bom senso e razao ja admite que
nao e possível .....

ai vem esta coisa de direitos , direitos dos gays , dos traficantes

direito de enganar
mentir , etc e tal ....todos nós conhecemos esta escada pra
baixo...só falta um tópico defendo o direito do diabo ....


falando claramente , todo " bebado "( entre aspa alguém pode questionar
o que ser bêbado )
sonha em beber e fingir
que nao esta
bêbado , dirigir seria a prova final ....que esta certo !!!!!!!!


que bebam ....ora , assumem seu gosto , seu vicio etc e tal
mas pq nao vao fazer algo mais útil depois,
ler um livro , um artigo
do olavo , fazer faxina...pintar um quadro ,
visitar uma pessoa no hospital que precisa de uma palavra amiga
pedir aumento pra seu chefe............
que mania de querer sair dirigindo , hei ?
luciana#15
Da mesma forma ninguém pode ser punido portando qualquer tipo de arma que coloque em risco a vida do próximo. Devemos esperar que o crime seja cometido, afinal de contas são só as ações que valem. Não é?

Pega leve mesmo viu pessoal.

E quem é contra o tópico não pode ser taxado de cair no "besteirol". Essa tática é a mesma de quem taxa o outro de "homofóbico", "neofascista", etc.
Estamos aqui p/ discutir.
orkut_7#16
Mas se alguém já sugeriu isso, acredito que esteja de acordo comigo. Tolerância zero de alcool não seria nada demais se não houvesse perseguição aos motoristas, bêbados ou não. Se um acidente ocorre seria justo o motorista fazer o teste do bafômetro ou passar por uma análise clínica para verificar seus reflexos devido ao uso de alcool ou drogas. É evidente que o exame de sangue ou pelo bafômetro é um facilitador para o diágnostico, porém o suspeito tem que ter o direito de não produzir provas contra si. Isso fere um princípio jurídico dos mais importantes.

Estou convicto que leis dessa natureza vão contra as liberdades individuais. Existe uma preocupação agora até da Igreja, caso algum padre seja flagrado dirigindo com alcool no sangue depois de rezar uma missa e beber vinho da eucaristia e de velhinhas que comeram bombons com recheio de licor.

Aqui no RS esse final de semana vão ser mobilizados mais de 440 soldados para fazer a fiscalização dos motoristas nesse final de semana. Melhor nem sair de casa. A fiscalização nas estradas e no perimetro urbano será severa.
orkut_7#17
Um limite mínimo de alcool tolerável (não existe mais), para as mulheres deveria ser bem mais baixo que para os homens, porque o organismo da mulher é mais fraco para o alcool do que o dos homens. Isso sim é irrefutável...
eduardopaiva#18
50.000 assassinatos por ano e o Estado coloca a a policia para prender quem resolveu beber 2 taças de vinho no jantar e depois voltou para casa dirigindo.

E ainda tem idiota que acha certo........
luciana#19
Se formos cair nesse "método" de quantidade para homem ou para mulher, teremos que ter uma tabela para idade desses homens e dessas mulheres; peso desses homens e dessas mulheres; tabela com a escolha de cada um pra religião, visão política, etc.... para então definir o que seria "irrefutável"...
orkut_7#20
A lei deveria lidar com ações e com ações apenas, e somente na medida em que estas causarem danos a pessoas ou à propriedade.

Para o Estado vai ser sempre muito mais fácil punir, e até com antecedência, do que criar e executar medidas em prol do bem da sociedade.

Seja como for, a "tolerância zero" nada mais é do que mais um mecanismo de controle social, para regulamentar, engessar e criminalizar a sociedade (sejam os indivíduos culpado ou não de dano). Isso nos remete a Nova Ordem Mundial.
orkut_7#21
Por isso coloquei no final da frase.
luciana#22
Eu nunca entendi mesmo esses emoticons.... só os básicos mesmo! =P
luciana#23
Aproximadamente 34 mil mortes por acidente de trânsito por ano. E o Estado não deveria fazer nada por isso. Mortes causadas não por assassinatos ligados ao tráfico de drogas/conflitos com a polícia [que abrange grande parte desses homicídios anuais no país], mas pela irresponsabilidade de muitos homens e mulheres que dirigem bêbados, colocando a própria família em risco, e a vida de outros motoristas e suas famílias - entre estes, pessoas que não beberam.

E ainda tem idiota que acha que isso é certo.
eduardopaiva#24
acabar com as 34 mil mortes no transito?

Vai é aumentar... ao invez de tomar cerveja o motorista vai fumar um baseado, vai ficar muito mais louco, e o bafometro não vai dar nada......

Idiotas......
orkut_7#25
...mas pela irresponsabilidade de muitos homens e mulheres que dirigem bêbados...

Isso tende a se agravar, porque o que ser quer é infantilizar as pessoas. O Estado é o pai de todos e os indivíduos crianças irresponsáveis. Tem jeito melhor de dominar e controlar o indivíduo, depois o mundo, do que tirar dele sua responsabilidades e seus valores?... O trânsito mata, e mata bastante, mas o uso do alcool não é o único culpado, porque a pessoa é antes de bêbada, irresponsável. O Estado cria esse tipo de atitude na sociedade depois encontra a solução para resolver o problema. Tira a liberdade do indivíduo, já que ele é irresponsável e não a merece.

Quem tem filho aqui sabe e quem não tem uma dia saberá, que está cada dia está mais difícil criá-los com responsabilidade e transmitir valores. O que (quase) todos os pais fazem é criá-los mimados, virando adultos dependentes. Existe todo um sistema agindo atrás disso, às vezes sutilmente outras abertamente. O "Tolerãncia Zero" é um mecanismo acintosamente aberto de controle social e plenamente justificável do ponto de vista de uma realidade social provocada, não surgida naturalmente e alheia da vontade da sociedade criminosa.
orkut_7#26
Alguém aqui acredita que essa idiotice vai
acabar com as 34 mil mortes no transito?


Os maiores e mais graves acidentes ocorrem com veículos pesados. Ônibus e caminhões, por exemplo e já está comprovado que a maioria dos acidentes envolvendo esses veículos são provocados por motoristas sob o efeito de rebites.
luciana#27
Esse ciclo é realmente infinito. É uma progressão de álcool para maconha/para cocaína/para algo pior.

É como bem foi colocado por Chesterton: se uma testemunha precisar de um especialista que garanta que ele está falando a verdade, isso só irá levar progressivamente para um novo especialista para o especialista. E assim por diante. Reduzir o homem à esta condição, quer dizer, afirmar que todo o "cara" que bebe também fuma maconha/ ou vai recorrer à ela [o que dá no mesmo] é um argumento ridículo. Que tipo de coisa você não irá igualmente defender utilizando esta mesma lógica. Imagino a cena proposta por você: um homem, sentado num bar, que preocupado com o fato de não poder beber, diz a si mesmo: "Ah, se eu não posso beber, fumo maconha". Talvez isso aconteça com uma ou duas pessoas no mundo - vá lá - mas eu acho improvável que exista um tipo de maconheiro tão consciente no mundo que deixe a bebida de lado com medo dessa lei do bafômetro. Porque então, afinal, ele não seria um maconheiro em primeira instância, ele temeria a já existente lei contra as drogas.

E que fetiche você tem pela palavra idiota... talvez no seu dicionário ela signifique "legitimidade".
orkut_7#28
Espanha

Existe uma grande diferença entre o trânsito brasileiro e o espanhol: a qualidade dos assessores de imprensa.

Aquilo que polícia rodoviária nenhuma faz no Brasil, por falta de dinheiro, a Espanha faz em dobro. Munidos de jornalistas bem treinados para convencer os meios de comunicação, os órgãos de trânsito pintam uma Espanha que ruma à perfeição em matéria de boa conduta ao volante. Coisa distante da realidade.

É verdade que as mortes caíram 10% em 2007 e devem baixar outros 10% este ano. Mas também houve redução no Brasil nos anos seguintes à implantação do Código de Trânsito Brasileiro. E apenas agora o novo código espanhol, que imitou o sistema brasileiro de pontos na carteira, está chegando ao segundo aniversário.

A exemplo do Brasil, o susto inicial com os rigores da nova regra começa a se transformar em desconfiança em relação à capacidade de fiscalização e punição pelo poder público. A lei prevê pena de mais de um ano de prisão para quem dirigir com teor alcoólico superior a 0,5 grama por litro de sangue. Na prática, porém, o motorista flagrado acaba punido com uma multa de 1,5 mil euros (R$ 3.768,69), a perda da carteira por um ano e 30 jornadas de trabalho comunitário, que não são cumpridas por falta de vaga em atividades sociais.

Só a certeza de que a lei não será levada ao pé da letra explica, ainda, que 56% dos motoristas excedam o limite de velocidade, segundo um estudo do Real Automóvil Club de España. Se fosse, 48.412 espanhóis encheriam as prisões do país a cada ano por andarem 60% acima da velocidade permitida nas cidades e 80% nas estradas.
orkut_7#29
Até o mês passado, quando os legisladores espanhóis decidiram pôr fim ao absurdo, o condutor sem licença flagrado numa blitz era apenas multado e liberado, podendo seguir estrada afora, ao volante. Mas uma bizarrice que ainda prospera é o jeitinho espanhol para se livrar de punições. O infrator simplesmente paga a um desconhecido para lhe repassar os pontos que acumula na carteira. E os desconhecidos não param de lucrar, como se vê neste anúncio em um site de classificados: "Vendo 6 puntos del carnet de conducir por 3 mil euros. Máxima seriedad. Multa no incluída".

As mortes no trânsito também costumam ter o mesmo componente das brasileiras: o álcool. Nem por isso as estatísticas incentivam o cerco à bebida. Espanhol gosta de beber. E bebe em todos os lugares, até no McDonalds, que teve de se adaptar ao costume e passar a vender cerveja. Nos bares de beira de estrada, da Andaluzia ao País Basco, o chope também acompanha as tapas nas pausas para descanso dos motoristas.

Com tanto mau exemplo para um país desenvolvido, talvez fosse de se esperar que morressem até mais que 2,7 mil pessoas por ano no trânsito. Mas na Espanha não existe nada parecido com uma BR-101.

Marcelo Fleuri, Espanha. (Fonte ZH)
bruno_25#30
"vai esperar matar para punir? sendo que dá para evitar!"

Seguindo esse brilhante raciocínio deveriam logo prender todos os jovens pretos pobres para "evitar" que cometessem crimes. Bonito né?

A finalidade exclusiva da lei punitiva é dar o exemplo. A única coisa que realmente impede algumas pessoas de cometerem crimes é saberem que serão punidas exemplarmente se o fizerem. Pro inferno com esse falso moralismo da turma da saúde!
erickson#31
Ninguém acha certo que gente bêbada dirija aqui. O problema é colocar na cadeia alguém por alguns copos de cerveja. E eu ainda acharia razoável a diferenciação na taxa de álcool aceitável quanto ao local de trânsito, se na cidade ou na estrada.

Queria ver a estatística de mortes por acidentes em zonas urbanas. E o percentual causado por motoristas alcoolizados.

É uma lei completamente fora de qualquer razoabilidade ou proporcionalidade. Espero que ninguém seja realmente condenado por essa palhaçada.
mikal#32
Fazendo associação a um contexto completamente diferente esta lei lembra-me o filme "Minority Report" onde uma divisão pré-crime da polícia prende o indivíduo antes que ele cometa o crime. Tudo bem, se, de fato, houvessem policiais paranormais com bafômetros nas ruas. Mas a realidade fictícia é diferente da nossa. Logo, associativamente o que o Estado está fazendo é colocar uma divisão de paranormais na rua para punir o pré-crime. Qual é a consequencia última de ser punido apriori. Talvez, o resultado venha mais afrente num "Processo" de Kafka onde o protagonista (que seremos nós) é condenado por um crime no qual ele não sabe qual seja.
Voltamos àquele venho dilema: "A vida imita a arte ou a arte imita a vida"
gustavo_6#33
Quem quer beber bebe, mas a outra pessoa envolvida no acidente não teve escolha.*
O problema é que o governo quer usar isso como instrumento de controle.
Defendo agravantes para quem comete acidentes embriagado, mas essa lei passou dos limites.

* Assim como não têm escolha os 50 mil brasileiros assassinados por ano devido a "dirigentes" embriagados.
uriel#34
quem está embriagado com a coordenação motora afetada e se põe a dirigir já está colocando em risco vidas alheias. Não é preciso esperar que ele atropele algo.
O simples facto dele estar ébrio e colocar a mão no volante já é punível.
É como o sujeito que põe pedras na linha de trem. Não é preciso esperar chegar o trem e ocorrer um acidente para puni-lo.

a questão é estabelecer o que é embriaguez.
Todos concordamos que o limite paulista é excessivamente severo e que o homem que tomou duas ou três cervejas não representa ameaça a ninguém. O problema é o excesso de rigor, que poderá punir pessoas inocentes.
uriel#35
ERRATA: Não é preciso esperar que ele atropele alguém
eduardopaiva#36
não estão nem um pouco preocupados em defender a vida.

Caso contrario não seriam todos a favor do aborto.

Eles em regra geral são contra tudo o que é legal, ou seja, contra aquilo que existe dentro da lei e aí entra a industria de bebidas, a industria tabagista, a industria de fast-food, a industria madeireira, a industria automobilistica, mineração, etc etc etc.

Isso é uma forma de fortalecer a industria ilegal e o mercado negro, que é de de onde esse pessoal tira apoio financeiro para os mensalões da vida, para as malas de dinheiro em quartos de hotel , os dolares nas cuecas e todo o dinheiro que circula de governo em governo comunista da america latina e também governos e grupos terroristas (Irã, Libia, AlQaeda e etc)....

E ainda tem idiota que não entendeu isso.....
eduardopaiva#37
"quem está embriagado com a coordenação motora afetada e se põe a dirigir já está colocando em risco vidas alheias."

Sim, mas 0,2 decigramas x litro de sangue não embriaga nem criança.

Ou seja, é evidente que a lei não foi feita para proteger o cidadão, mas para criminaliza-lo.

Só não vê quem não quer.....
orkut_7#38
Sim, é Bender meu "nick". Não sou a favor de as pessoas dirigirem bêbadas, assim como não sou a favor de quem vai realizar qualquer tarefa em que a concentração exige o máximo, esteja sob o efeito de substâncias que alteram o comportamento. Minha implicância é com o rigorismo dessa lei e o uso dela para se colocar milhares de agentes da lei a controlar uma parcela importante da população que está fazendo valer seu direito de ir e vir.

Isso me faz lembra um artigo de Marli Nogueira (MSM) em que ela afirma: Quando uma estatística aponta que "75% dos homicídios contra as mulheres no Brasil são cometidos pelos próprios parceiros sexuais", isso não significa o mesmo que afirmar que "no Brasil, 75% dos parceiros sexuais matam suas mulheres".

Só para constar, aqui no RS foram registradas 68 prisões de motoristas no final de semana (até as 16hrs de domingo). E importante notar que o final de semana foi muito chuvoso aqui e, nesses dias de chuva, o trânsito de veículos baixa bastante no sábado e domingo. Além do mais as blitz são mais intensas à noite e falta algumas horas ainda para, talvez, prender talvez mais algumas dezenas. Aqui na minha
cidade, o Trânsito agora está umas 10 vezes mais intenso do que ontem no mesmo horário, porque parou a chuva.

Na única morte ocorrida por acidente e em um exame preliminar não foi constatada embriaguês do motorista.

Resumo da brincadeira até agora: 68 prisões, com altas multas (para nossos padrões), 68 processos criminais e 68 pessoas sem carteira por um ano. É provável que muitos desses motoristas tenham que dirigir para exercerem suas profissões.
orkut_7#39
Vai é aumentar... ao invez de tomar cerveja o motorista vai fumar um baseado, vai ficar muito mais louco, e o bafometro não vai dar nada......

Parece loucura isso, mas na civilizada Holanda quem quer fumar tabaco tem que misturá-lo com machonha para ludibriar a lei. Quem poderá duvidar que os jovens para continuarem fazendo a cabeça nas baladas não passe a ingerirem outras substâncias que embora ilegais, não estão sendo alvo de intensa fiscalização do Estado?...
joo_orkut_5#40
Não adianta vir com esse pretexto do anti-politicamente correto pra choramingar a lei do álcool zero.

As pessoas que são contra essa lei são as mesmas que são contra a criminalização das drogas: os próprios usuários.

A frase "eu bebo duas cervejinhas e nunca bati o carro" soa exatamente igual a "eu fumo um baseadinho por dia e nunca surtei".

contem outra, too much vai galera
marcos_12#41
Como não tenho muitos argumentos contra a nova lei, mas não sou totalmente a favor devido à alta dosagem da mesma, só tenho a dizer que: a lei está certa mas exagerada.

Se levarmos à lei às últimas conseqüências, ela perde o sentido.

O que me preocupa é uma série de costumes tradicionais atingidos pela lei. O cara que bebe vinho a 80 anos não poderá agora com o risco de ser preso!! Ou mesmo comer um bombom de licor... nem o padre poderia fazer a homilia e sair dirigindo. Isso é o cúmulo!!
priscila#42
O que ouvi é que a tolerância zero será uma encrenca, pois são 18 horas para o álcool ser completamente indetectado. Não sei se é verdade, e vou pesquisar melhor. Mas, a ser assim, um único chopp tomado às seis e meia da tarde de domingo será ainda detectável ao meio-dia de segunda.
E chamo a atenção para o fato de não existirem instrumentos portáteis e de uso simples para a detecção de outras substâncias alteradoras que não o álcool, de modo que haverá uma migração de determinados usuários para outras drogas supostamente "desinibidoras", como por exemplo a cocaína, indetectável pelos "bafômetros".

Eu continuo achando que o Reinaldo Azevedo tem razão: do jeito que a coisa foi feita trata-se de um absurdo. Mas dirigir bêbado ou drogado pra mim deveria ser crime, sim.
priscila#43
Eu acho, em princípio, amigos, que NINGUÉM DEVERIA QUERER, NINGUÉM DEVERIA SEQUER PENSAR, em dirigir alcoolizado. Eu acho que é isso: o problema é o uso da consciência de cada um.

Num mundo onde não existe mais a consciência de cada um, numa civilização que sucumbe por isso, só por isso e por nada além disso, começam a aparecer essas trágicas distorções: o Estado interventor, que aparece para tomar providências, que NUNCA terão a condição de substituir a perdida consci6encia de cada um.

E quanto mais essa consciência é perdida, mais intervenção estatal vai aparecer. É o terror de ver este Estado intervindo desmesuradamente e o terror de ver os vitimados pela inconsciência.
Eu não posso querer o Estado interventor, e não posso querer o orango inconsciente a lesar os inocentes impunemente. E aí, onde eu fico?
Well, lutando pela recuperação da consciência individual.

Ou lutando contra o orango predador, principal inimigo de qualquer inocente - em primeira, em última e em DEFINITIVA análise.
orkut_7#44
O título deste texto (tópico) é descabido e radical.

É descabido mesmo, mas o autor do tópico foi fiel ao título do artigo do de Lew Rockwell. A direita conservadora sempre foi ruim de marketing.
orkut_7#45
O que ouvi é que a tolerância zero será uma encrenca, pois são 18 horas para o álcool ser completamente indetectável.

Depende da quantidade ingerida, quanto maior for, mais demora para ser indetectável.
marco_6#46
Obra do politicamente correto: a partir de amanhã, só maconha pode ser fumada em público e Amsterdã; tabaco está proibido
Vocês vão achar que estou de sacanagem, mas é verdade. A notícia foi dada anteontem pelo jornal italiano Corriere della Será (íntegra aqui). A exemplo do que fazem outros países da Europa, a Holanda decidiu proibir o consumo de tabaco em locais públicos. A lei começa a vigorar amanhã e vale também para os cafés — são 750 no pequeno país, mais da metade em Amsterdã, informa a reportagem.

Pois bem. Mas o mais interessante é outra coisa. Cigarro está proibido nos cafés, sim, mas a maconha continua liberada. Sim, vocês leram direito. O tabaco, que não causa qualquer alteração de, como direi?, percepção, não pode. Mas maconha pode. E atenção: os freqüentadores desses lugares estão proibidos de misturar tabaco com o cânhamo. Só será permitido fumar maconha pura.

Parece maluquice, eu sei. E é maluquice. Tenho tratado aqui, com freqüência, do chamado “lobby da droga”. Ele é fortíssimo no mundo inteiro e também no Brasil. Na prática, já estamos quase lá, não é? Por aqui, também é proibido fumar em locais públicos — ainda que todos os freqüentadores de um bar, por exemplo, concordassem com a liberação do cigarro. Mas ai do policial que importunar alguém que esteja portando uma maconhinha apenas para seu consumo... O sujeito logo vira herói de certa imprensa, e o policial, um carrasco insensível.

É isto aí. Eis uma obra acabada do politicamente correto, que dá as cartas na Holanda: pode fumar maconha, mas cigarro é proibido. É o sonho dourad0 — e fumado — dos nossos maconheiros e/ou progressistas.
uriel#47
.

"Vão me desculpar, mas consumir bebida alcóolica e dirigir, é um risco inadmissível"

Será?
Depende da quantidade. E se fôr só uma cerveja? ou o vinho do padre na missa? ou um bombom de licor?

O limite brasileiro actual é extremamente baixo: 0,2. Nos EUA é 0,8, ou seja, 4 vezes maior.
Aumente-se o limite, pois o actual é insensato.
rmulo_2#48
"Existem vários objetivos desta lei;
2- incrementar a "caixinha" dos policiais"

Isso me deixa indignado. Sou PRF e antes de postar qualquer coisa nesse tópico aqui vem um cara e generaliza uma má conduta de alguns policiais, e me vem com insultos desse tipo. Eu sou honesto e trabalho com muitos colegas que são capazes de sacrificar a própria vida em pró de um ser humano que esteja precisando de socorro num veículo acidentado. Espero que vc se retrate, pois isso não é opnião de alguém que participa de uma comunidade desse nível. Existem muitos policiais corruptos sim, mas existem MUITOS policiais empenhados em trabalhar seriamente e que nesse país são vistos, antes de mais nada, como se fossem marginais.

Quanto a bebida ao volante, posso dizer que o maior problema está na estrutura dada pelo governo para coibir tal infração. Apenas deixar a lei mais severa não vai funcionar. Sempre foi assim. O nosso maior problema no trânsito é simplesmente uma questão de educação mesmo.

Abraços.
rmulo_2#49
A crítica que foi postada é para o BETO.
rmulo_2#50
Existe o terceiro tipo de criminoso: o que se favorece da situação e entrega propina para o policial.

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