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A Preciosidade de Uma Existência Finita

Iniciado por breno_2 em 24/08/2008 · 62 mensagens · página 2 de 2

breno_2#51
Ainda sobre o ad hominem, eu retirei o exemplo de um livro de Lógica [http://www.amazon.com/Logic-Introduction-Lionel-Ruby…47727&sr=8-1], no qual aparece como uma maneira inválida de responder a um argumento. E eu o utilizei porque você fez um comentário semelhante. O que se deve entender é que tais comentários à pessoa sequer riscam os argumentos que visam rejeitar (não se trata de não separar o homem da obra), e comentários à pessoa muito raramente são justificados num debate. E uma agressão bem... é uma agressão! O que quer dizer uma agressão graciosa?

Religiões são tipos primitivos de filosofia e não possuem valor intrínseco, como já tinha afirmado nos posts ao Hiranclair. A alternativa não é religião ou niilismo. A atual crise da humanidade é uma crise da filosofia e não uma crise da falta de religião. É uma crise causada pelas idéias que foram aceitas pelas correntes dominantes na cultura, principalmente dentro das universidades.

Quanto a Kierkegaard, o que quis dizer é que ele mesmo em certos aspectos parece um caso de ajuda psicológica. Quanto ao Existencialismo, este é antes um sintoma da mencionada crise da filosofia do que uma corrente filosófica. Existencialismo é o que acontece em filosofia quando os indivíduos, incapazes de guiarem-se através das idéias que dominam a sociedade, dão status metafísico à própria confusão em que vivem, ou seja, quando põem a culpa da confusão, não nas idéias aceitas, mas na própria realidade enquanto tal. Como filosofia ou corrente filosófica o Existencialismo é digno de pena, mas, infelizmente, pode atrair aqueles que não são capazes de entender que os absurdos que os rodeiam são conseqüência das idéias predominantes na cultura.
breno_2#52
A existência não vem nem vai. Não é por lógica, mas apenas por influência religiosa que as pessoas abordam o assunto com perguntas tais como: “quem criou” ou de “onde veio o universo”? Mas a existência é primária, ela é incriada e eterna, ela nem veio a existir nem pode se aniquilar, e independe de qualquer consciência. Não existe causa da existência ou do universo como um todo.

Como afirmei ao Adermir, o amor é um sentimento (muito) condicional. O amor é uma resposta emocional positiva às virtudes e valores de outro indivíduo. O amor, de fato, expressa os valores do indivíduo que ama. Não existe amor indiscriminado aos outros. Aquilo que se opõe, que é contrário aos valores de um indivíduo, implica em rejeição ou repulsa por parte dele. O amor é seletivo. Portanto, o amor é algo completamente incompatível com uma prática consistente de altruísmo. Uma pessoa que fosse capaz de amar indivíduos indiscriminadamente, incluindo indivíduos de caracteres opostos seria, na verdade, uma pessoa sem valores, uma amoralista. E isso, deve-se dizer, é exatamente o que altruísmo nos pede. Altruísmo não permite que um indivíduo seja fiel a valores pessoais. Ele deve estar sempre disposto a sacrificá-los (seja a outros indivíduos, ao grupo, à raça, ao estado, etc). Não confunda amor com “viver para servir os outros". Nem confunda amor com altruísmo. Não há como defender altruísmo através do amor. O amor é um sentimento profundamente egoísta.
breno_2#53
Defender que nascer(!) é uma fonte de angústia permanente ao homem, é condenar a vida humana em todos os sentidos. Veja o que se tem como ideal nessa concepção: uma vida de eterna dependência no ventre da mãe. O que isso representa? Horror à independência, ao trabalho, à responsabilidade, a todos os valores reais da vida do homem. Qual a psicologia, o estado mental do sujeito que concebe uma teoria dessas? Será que a ansiedade que ele sente é explicada simplesmente por ele ter a infelicidade de ter nascido como diz a teoria, ou a teoria é uma desculpa para a ansiedade, da qual ele é completamente incapaz de descobrir os motivos reais? Veja a semelhança dessa teoria com o mito do pecado original, que vê a existência ideal como um eterno nada fazer no paraíso e vê a existência humana real como uma condenação.

Qualquer indivíduo pode verificar que a existência do homem é finita, basta se dar conta de que os indivíduos quando morrem jamais voltam. Quanto aos que afirmam que existe vida após a morte, esses jamais mostraram evidência válida disso. De regra, em todo caso envolvendo a defesa do sobrenatural, o ônus da prova é de quem o defende. É verdade, como você afirma, que “a fé não exige provas”, e é exatamente por isso que a fé não pode fundamentar leis, e é exatamente por isso que fé não é prova de veracidade. Mas no que diz respeito a provar aquilo que “não se exige fé”, no caso particular da existência finita do homem basta a observação direta, como já foi afirmado.
breno_2#54
Viver de acordo com o próprio julgamento é um direito inalienável do homem, mas o próprio julgamento não é um padrão de valor. Egoísmo é única moralidade que defende consistentemente o direito do homem de viver de acordo com o próprio julgamento. Mas isso não quer dizer que tudo o que o indivíduo venha a julgar por si mesmo está correto, é bom ou é adequado para ele. O fato de ele mesmo ter julgado não é o padrão para considerar os julgamentos e ações verdadeiros ou falsos, bons ou ruins. Você confundiu egoísmo com subjetivismo o que, infelizmente, é um erro muito comum.

Amor-próprio também é totalmente incompatível com uma prática consistente de altruísmo (outro-ismo). Uma pessoa de auto-estima, uma que se vê como um grande valor, que tenha amor-próprio, jamais aceitará viver de maneira abnegada aos outros. Além disso, você comete outro erro muito comum, a respeito do qual eu já tinha comentado com o Adermir e até com você mesma! Egoísmo não exclui consideração aos outros. Mais ainda: egoísmo não implica em “desamar” os outros! Isso é completamente absurdo! Essa concepção é um boneco de palha grosseiro de egoísmo. É muitíssimo óbvio que de acordo com o próprio julgamento pode-se incluir outras pessoas e o bem-estar delas em algum ponto da hierarquia pessoal de valores, da esfera dos próprios interesses. E isso, logicamente, não é um ato de abnegação, nem de sacrifício, nem de altruísmo.
breno_2#55
Quanto ao ad hominem, você fez comentários puramente ofensivos que não visavam o que estava sendo afirmado e nem poderiam ser justificados posteriormente com algo técnico como “não separar o homem da obra”, e eu respondi de maneira adequada. Se você considera os assuntos abordados importantes, bastaria ter pulado as ofensas e começado pelo que você realmente tinha a dizer sobre a questão.

Da minha parte, eu não sinto qualquer repulsa pela crença em Deus, apenas discordo disso, mas sinto repugnância, e bastante, por qualquer tipo de visão que ataque, condene ou rebaixe o homem e a sua existência nesta terra.

É óbvio que você não é obrigada a continuar, mas o que lhe faz se retirar não é a falta de “amor suficiente para manter a discussão”, e sim, o fato de que você mantém amor suficiente às suas posições para vê-las rejeitadas. E amor suficiente a si mesma para não se envolver, como você afirma, em algo que pode lhe prejudicar a saúde, e para não ser capaz de cometer um ato de “sacrifício que vai além das (suas) forças” - um ato de sacrifício que lhe esgotaria. Daí você se dar conta, apesar da forma irônica, de que não é “altruísta o suficiente” para seguir adiante em algo que não lhe trará benefícios. O que mostra que, apesar de tudo, você entendeu a essência do altruísmo, e o quanto isso é diferente da concepção popular.
breno_2#56
Segue um link para um ótimo texto: [http://www.theobjectivestandard.com/issues/2008-fall…-america.asp]. A tradução e os comentários em negritos e colchetes são meus.

[Iguais em tudo o que importa]À medida em que se aproxima a eleição presidencial de 2008, e enquanto John McCain e Barack Obama brigam para se distinguirem um do outro em termos de promessas particulares e objetivos, é instrutivo observar que esses candidatos são indistinguíveis em termos de fundamentos...

Por que McCain e Obama defendem a noção de que o governo deve gerenciar a economia, controlar as empresas, redistribuir a riqueza, levar liberdade aos estrangeiros, e submeter-se à vontade dos outros na questão da segurança Americana? A resposta se encontra não na política deles, mas na ética deles...

O que alguém defende do no reino da filosofia política depende do que se defende como verdade no reino da filosofia moral... Tanto McCain quanto Obama defendem que ser moral consiste em auto-sacrificialmente servir ou submeter-se às opiniões dos outros...

“A glória pertence ao ato de ser fiel a algo superior a si messmo” diz McCain. Nós “devemos nos devotar a causas maiores que nossos próprios interesses”... Obama concorda, e complementa: “Nós podemos discordar como Americanos sobre certas questões e posições, mas eu acredito que nós podemos no unir a serviço de um bem maior. Eu pretendo fazer disso uma causa da minha presidência, e eu acredito de todo o meu coração que esta geração está pronta e ávida para aceitar o desafio...”
[de servir ao estado]
breno_2#57
… Nas últimas décadas, os Americanos consistentemente escolheram e elegeram e reelegeram presidentes que clamavam por auto-sacrifício. E por quê?

Embora a América seja fundada sob o princípio dos direitos individuas, desde o início os Americanos têm abraçado cada vez mais um código moral que é diametricamente oposto a esse princípio: a moralidade do altruísmo, a noção de que ser moral consiste em auto-sacrificialmente servir aos outros. Nós ouvimos repetidamente: “Não seja egoísta” – “Ponha os outros em primeiro lugar” – “É mais abençoado dar do que receber” – “Não pergunte o que seu país pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer pelo seu país” – “Seja voluntário para servir a sua comunidade” – “Sacrifique-se para um bem maior” – e assim por diante. Essa é a moralidade que cercou a todos nós em nosso crescimento – e que ainda nos cerca. É a moralidade ensinada nas igrejas, sinagogas e escolas; oferecida nos livros, filmes e TV; e encorajada pela maioria dos pais. E é a moralidade por referência da qual nossos candidatos presidenciais constroem plataformas políticas, conquistam candidaturas, ganham eleições, e governam o país.
breno_2#58
Mesmo que poucos Americanos se esforcem consistentemente na prática da moralidade de auto-sacrifício – porque agir consistentemente de maneira auto-sacrificial é totalmente contrário à busca da felicidade – a maioria dos Americanos tem, a um nível significante [assim como em outros países], aceitado essa moralidade como verdadeira ...

Se nós quisermos ver o dia em que um candidato presidencial defenda o retorno do governo a sua função adequada – a proteção dos direitos individuais – então nós devemos entender e abraçar a base moral desse princípio político
[egoísmo], e nós devemos exigir que os políticos que apoiamos também reconheçam e o defendam. Nós devemos compreender e defender o princípio de que ser moral não é sacrificar ou desistir dos próprios valores, mas sim perseguir e proteger os nossos valores ao mesmo que respeitamos os direitos dos outros de fazerem o mesmo. Esse é o princípio básico da moralidade do auto-interesse – e é o princípio que apóia e sustenta o ideal Americano.
breno_2#59
A noção de que o indivíduo deve se sacrificar ou ser sacrificado para o “coletivo” ou a “comunidade” ou para o “bem maior” não é nobre; é má. É a mesmíssima idéia que originou o comunismo, o Nazismo, e o fascismo. O comunistas diziam, “de cada um de acordo com a sua habilidade, à cada um de acordo com as suas necessidades.” Adolf Hitler escreveu:

“Esse estado mental, que subordina os interesses do ego à conservação da comunidade, é realmente a primeira premissa para toda cultura realmente humana... A atitude básica que se ergue de tal atividade, nós a chamamos – para distinguí-la de egoísmo – idealismo. Por este termo, nós entendemos apenas a capacidade do indivíduo de fazer sacrifícios para a comunidade, para os seus pares.”

E Benito Mussolini defendeu

“uma lei moral, ligando indivíduos e gerações a uma tradição e a uma missão... uma vida superior... uma vida na qual o indivíduo, através da negação de si mesmo, através dos sacrifício de seus interesses particulares... realiza aquela existência completamente espiritual na qual seu valor como homem aparece.”

A apesar de tudo, essa mesma idéia é rotineiramente defendida por políticos Americanos – a quem os Americanos elegem para governar o país. É por esse motivo que a América segue em direção ao estatismo.
[Altruísmo leva a coletivismo, inevitavelmente]
breno_2#60
É hora dos americanos denunciarem a moralidade do auto-sacrifício como falsa, como contrária à liberdade e como anti-Americana. É hora dos Americanos descobrirem e explicitamente abraçarem a moralidade do auto-interesse, a qual é, de fato, a moralidade implícita no ideal Americano de vida, liberdade, propriedade, e busca da felicidade.
breno_2#61
Eu pensei que você tinha entendido, mas você errou o alvo de novo: socorrer pessoas quando consideramos adequado não implica em existir para servir os outros. E em nenhum momento eu sequer insinuei que jamais se deve socorrer alguém para que se justificasse tal comentário.

Esta comunidade é um fórum de filosofia, pelo menos é o que se espera. Você não pode atacar com comentários que fogem do assunto e esperar que ninguém aponte isso, ou criticar quem o faça. Idem se a sua justificativa em seguida é inválida. Foi apenas o que eu fiz. Com ou sem danoninho. A propósito, mas será que depois de tudo isso você tinha que encerrar com comentários a minha pessoa, ou seja, com ad hom... Deixa pra lá!
massasofrida#62
" A missão social e política de meu governo não foi ideada pelo arbítrio de um homem, nem por interesses de um grupo; foi-me imposta, a mim e aos que comigo colaboram, pelos interesses da vida nacional, e pelos próprios anseios da consciência coletiva!"'

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