Peraí, o que tá acontecendo aqui?
Católicos reclusos
Vamos pegar leve, amigos.
Quem zela pela integridade da doutrina é o Magistério da Igreja. Aliás, é a condição sine qua non desta mesma integridade. Quem pretende "zelar" pela integridade fora da autoridade do Magistério está introduzindo a divisão no que era íntegro. Interessante notar que a mesma hermenêutica da ruptura (no que respeita ao Vaticano II e documentos pós-conciliares) é adotada por modernistas e "tradicionalistas" cismáticos, mas jamais foi sustentada pelo Magistério da Igreja, que insiste na preservação íntegra e continuidade da Tradição. São hereges e cismáticos os que introduzem a divisão na Igreja de Cristo.
Jenna, aliás (não que todos os "tradicionalistas" anti-Vaticano II o façam), não hesita em abraçar um liberalismo conspicuamente contrário à fé cristã em nome de uma suposta "luta contra a TL" enquanto não cansa de proferir anátemas (como se tivesse autoridade para isso) contra movimentos que a Santa Sé mesma tem por perfeitamente compatíveis com a ortodoxia e que têm ajudado a desbancar a mesma TL porque seriam fruto do "espírito herético do Vaticano II" (como se proclamá-lo não fosse por si uma heresia).
Jenna, aliás (não que todos os "tradicionalistas" anti-Vaticano II o façam), não hesita em abraçar um liberalismo conspicuamente contrário à fé cristã em nome de uma suposta "luta contra a TL" enquanto não cansa de proferir anátemas (como se tivesse autoridade para isso) contra movimentos que a Santa Sé mesma tem por perfeitamente compatíveis com a ortodoxia e que têm ajudado a desbancar a mesma TL porque seriam fruto do "espírito herético do Vaticano II" (como se proclamá-lo não fosse por si uma heresia).
Mas levando a srta. Jenna a sério,para efeito de argumento. Eu acho que ela se faz de desentendida (e nem venha ela dizer que estou lançando conjecturas maldosas sobre a sua pessoa - primeiro porque não resolve em absoluto a questão, depois porque é simplesmente o que se torna aparente das suas declarações). Eis o trecho polêmico:
"Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica (12); depois da ressurreição, o nosso Salvador entregou-a a Pedro para que a apascentasse (Jo. 21,17), confiando também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (cfr. Mt. 28,18 ss.), e erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da verdade» (I Tim. 3,5). Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, é na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele (13), que se encontra (subsistit in), embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica."
O texto é suficientemente claro: esta mesma Igreja, una, santa, católica e apostólica persiste, conserva-se, mantém-se íntegra na sociedade visível governada pelo sucessor de Pedro, e somente nela. Os elementos de santificação e de verdade que porventura se encontrem em outras comunidades não o são senão por pertencerem à única Igreja de Cristo.
"Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica (12); depois da ressurreição, o nosso Salvador entregou-a a Pedro para que a apascentasse (Jo. 21,17), confiando também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (cfr. Mt. 28,18 ss.), e erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da verdade» (I Tim. 3,5). Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, é na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele (13), que se encontra (subsistit in), embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica."
O texto é suficientemente claro: esta mesma Igreja, una, santa, católica e apostólica persiste, conserva-se, mantém-se íntegra na sociedade visível governada pelo sucessor de Pedro, e somente nela. Os elementos de santificação e de verdade que porventura se encontrem em outras comunidades não o são senão por pertencerem à única Igreja de Cristo.
Que haja tais elementos fora da Igreja, não é propriamente tema de controvérsia. Lembremos, por exemplo, das límpidas palavras de São Paulo (Rm 2, 14-16):
"Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei; eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente. Isso aparecerá claramente no dia em que, segundo o meu Evangelho, Deus julgar as ações secretas dos homens, por Jesus Cristo."
Ou as ainda mais célebres palavras proferidas do Areópago (At 17, 22-23):
"Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!"
Ora, se mesmo entre os gentios se encontram elementos de santificação, verdade e mesmo salvação (ver o trecho da epístola aos Romanos, como também em Rm 1, 18-21, quando se fala da culpabilidade dos pagãos em não ter prestado culto a Deus, que poderia ser conhecido através de suas obras), por que não se haveria de encontrá-los também entre aqueles que, afastando-se da verdadeira Igreja de Cristo, no entanto conservaram dela o suficiente para serem chamados "cristãos"?
É claro que nenhuma doutrina afastada minimamente que seja daquela da única e verdadeira Igreja fundada por Cristo é capaz de reunir em si todos os elementos necessários à salvação das almas, pois estes estão depositados unicamente na Igreja Católica, mas o fato de que há tais elementos dispersos fora da Igreja é o que permite engrenar o processo de reunião dos cristãos separados à Igreja de Cristo, e chamar a ela mesmo os pagãos.
"Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei; eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente. Isso aparecerá claramente no dia em que, segundo o meu Evangelho, Deus julgar as ações secretas dos homens, por Jesus Cristo."
Ou as ainda mais célebres palavras proferidas do Areópago (At 17, 22-23):
"Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!"
Ora, se mesmo entre os gentios se encontram elementos de santificação, verdade e mesmo salvação (ver o trecho da epístola aos Romanos, como também em Rm 1, 18-21, quando se fala da culpabilidade dos pagãos em não ter prestado culto a Deus, que poderia ser conhecido através de suas obras), por que não se haveria de encontrá-los também entre aqueles que, afastando-se da verdadeira Igreja de Cristo, no entanto conservaram dela o suficiente para serem chamados "cristãos"?
É claro que nenhuma doutrina afastada minimamente que seja daquela da única e verdadeira Igreja fundada por Cristo é capaz de reunir em si todos os elementos necessários à salvação das almas, pois estes estão depositados unicamente na Igreja Católica, mas o fato de que há tais elementos dispersos fora da Igreja é o que permite engrenar o processo de reunião dos cristãos separados à Igreja de Cristo, e chamar a ela mesmo os pagãos.
Isso não deveria suscitar escândalo algum, posto que o homem [f]foi criado para Deus e portanto essencialmente "capaz" de Deus. E se Cristo pode chegar ao coração de todos os homens, é porque há algo na natureza humana de propriamente receptivo a Cristo, e não é de espantar que isso se manifeste, ainda que de forma irregular, dispersa, desordenada, em outras formas de religiosidade.
Cabe salientar, juntamente com o fato de que a presença de tais "elementos de santidade e de verdade" não justificam os cultos separados da Igreja de Cristo e não constituem um "aparato suficiente para a salvação", que se a salvação operar sobre um pagão ou dissidente cristão, tal se deverá a meios extraordinários conhecidos por Deus apenas e que permanecem misteriosos para nós. Que tal seja possível, sabemo-lo porque sabemos da onipotência de Deus, da sua infinita misericórdia e do seu desejo de que todos os homens se salvem. Mas isso não implica, absolutamente, em aceitação do erro, em um conformismo ou (muito menos!) relativismo religioso, em qualquer perda do ardor missionário ou no fim da "Igreja Militante".
Cabe salientar, juntamente com o fato de que a presença de tais "elementos de santidade e de verdade" não justificam os cultos separados da Igreja de Cristo e não constituem um "aparato suficiente para a salvação", que se a salvação operar sobre um pagão ou dissidente cristão, tal se deverá a meios extraordinários conhecidos por Deus apenas e que permanecem misteriosos para nós. Que tal seja possível, sabemo-lo porque sabemos da onipotência de Deus, da sua infinita misericórdia e do seu desejo de que todos os homens se salvem. Mas isso não implica, absolutamente, em aceitação do erro, em um conformismo ou (muito menos!) relativismo religioso, em qualquer perda do ardor missionário ou no fim da "Igreja Militante".
Como está claríssimo no documento da Congregação para a Doutrina da Fé, não há nenhuma "correção de erro" do Vaticano II, mas somente um esclarecimento para evitar interpretações distorcidas (o que a própria Jenna admite tacitamente em sua última postagem). O próprio Paulo VI, durante a realização do concílio, declarou sem rodeios, sobre a mesma Lumen Gentium:
"Não pode haver melhor comentário para esta promulgação do que afirmar que, com ela, a doutrina transmitida não se modifica minimamente. O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era, manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura".
A interpretação modernista, portanto, não se sustenta. Nada há nos ensinamentos do magistério da Igreja durante ou depois do Vaticano II que a legitime. Se alguns padres e até bispos e teólogos defendem uma tal interpretação, fazem-no por sua própria conta, e não em nome da Igreja. Fazem-no, aliás, em franco contraste com o que se poderia aprender de outros documentos da Igreja, pronunciamentos pontifícios etc., isolando certas passagens e aplicando-lhes uma forma de "livre exame". Curiosamente, chegam a conclusões similaríssimas os modernistas e os ditos "tradicionalistas" (com a diferença de que uns se entusiasmam e os outros se enfurecem). Acontece que há uma alternativa entre o modernismo e o cisma, e esta é apresentada justamente pelo Magistério da Igreja (que é para onde todos deveriam voltar seus ouvidos, para começo de conversa).
"Não pode haver melhor comentário para esta promulgação do que afirmar que, com ela, a doutrina transmitida não se modifica minimamente. O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era, manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura".
A interpretação modernista, portanto, não se sustenta. Nada há nos ensinamentos do magistério da Igreja durante ou depois do Vaticano II que a legitime. Se alguns padres e até bispos e teólogos defendem uma tal interpretação, fazem-no por sua própria conta, e não em nome da Igreja. Fazem-no, aliás, em franco contraste com o que se poderia aprender de outros documentos da Igreja, pronunciamentos pontifícios etc., isolando certas passagens e aplicando-lhes uma forma de "livre exame". Curiosamente, chegam a conclusões similaríssimas os modernistas e os ditos "tradicionalistas" (com a diferença de que uns se entusiasmam e os outros se enfurecem). Acontece que há uma alternativa entre o modernismo e o cisma, e esta é apresentada justamente pelo Magistério da Igreja (que é para onde todos deveriam voltar seus ouvidos, para começo de conversa).
"Ou seja, como podem se submeter ao Papa se vivem a desobedecê-lo e a questioná-lo?
Vc deveria perguntar isso para os Bispos da TL que a propósito compoem a maioria da CNBB e não pra mim."
Isto aqui já está ficando monótono. É claro que os defensores da TL estão em franca desobediência ao Papa. Ninguém aqui está se mostrando satisfeito, ou mesmo indulgente, com eles. É claro que um herege acobertado pelo paramento episcopal é até mais perigoso para a fé dos cristãos do que alguém que se declare abertamente separado da Igreja. Mesmo porque ele nominalmente se compromete a ser obediente ao Papa enquanto contumazmente o desobedece. É claro que é uma falta gravíssima, da qual a sua consciência terá que prestar contas no dia do Juízo. Mas não se pode, dessa constatação, culpar a Igreja ou (com ou sem exagero) declará-la arruinada e destruída, e muito menos propugnar o cisma e a heresia (porque em certo plano o liberalismo é o "oposto" do comunismo, não significa que devamos adotar deliberadamente um dos dois, sendo ambos heréticos).
Mas é claro que Jenna não alterará uma só vírgula de seu discurso, uma vez que está apoiado sobre a "rocha" que é a autoridade infalível do sacerdote cunhado da sua irmã (or whatever) que é da FSSP e que lhe dá formação sólida.
Vc deveria perguntar isso para os Bispos da TL que a propósito compoem a maioria da CNBB e não pra mim."
Isto aqui já está ficando monótono. É claro que os defensores da TL estão em franca desobediência ao Papa. Ninguém aqui está se mostrando satisfeito, ou mesmo indulgente, com eles. É claro que um herege acobertado pelo paramento episcopal é até mais perigoso para a fé dos cristãos do que alguém que se declare abertamente separado da Igreja. Mesmo porque ele nominalmente se compromete a ser obediente ao Papa enquanto contumazmente o desobedece. É claro que é uma falta gravíssima, da qual a sua consciência terá que prestar contas no dia do Juízo. Mas não se pode, dessa constatação, culpar a Igreja ou (com ou sem exagero) declará-la arruinada e destruída, e muito menos propugnar o cisma e a heresia (porque em certo plano o liberalismo é o "oposto" do comunismo, não significa que devamos adotar deliberadamente um dos dois, sendo ambos heréticos).
Mas é claro que Jenna não alterará uma só vírgula de seu discurso, uma vez que está apoiado sobre a "rocha" que é a autoridade infalível do sacerdote cunhado da sua irmã (or whatever) que é da FSSP e que lhe dá formação sólida.
Concordo. Talvez cometa alguma injustiça com a moça. O seu gênio forte contribui para isso.
Eu particularmente gosto de enfrentar divergências. O que me incomoda às vezes é somente o modo como se conduz o debate.
Trocando em miúdos: o debate se torna mais interessante quando as objeções e argumentos substituem os xingamentos e as demostrações de afetação indignada. Claro que há um "fundo argumentativo" no discurso de Jenna, mas é preciso desbastar bastante a parte puramente emotiva para atingi-lo. Os subterfúgios para as ocasionais constatações de incoerência são-me também um tanto irritantes, confesso.
Mas prossigamos. Deus nos dê paciência a todos.
Eu particularmente gosto de enfrentar divergências. O que me incomoda às vezes é somente o modo como se conduz o debate.
Trocando em miúdos: o debate se torna mais interessante quando as objeções e argumentos substituem os xingamentos e as demostrações de afetação indignada. Claro que há um "fundo argumentativo" no discurso de Jenna, mas é preciso desbastar bastante a parte puramente emotiva para atingi-lo. Os subterfúgios para as ocasionais constatações de incoerência são-me também um tanto irritantes, confesso.
Mas prossigamos. Deus nos dê paciência a todos.
Desses títulos que você mencionou, o único a que se poderia atribuir uma conotação pejorativa, com juízo de valor implícito, é "rad-trad", que eu utilizei, aliás, entre aspas.
"Cismático" e "herege" exprimem realidades objetivas, inequívocas.
E não me referi a seu uso do termo "modernistas" para se referir aos "adeptos" do Vaticano II (i.e., a toda a Igreja que se manteve fiel ao Papa e acolheu com obediência as diretrizes de um Concílio Ecumênico), mesmo porque o rótulo "modernista" tem um conteúdo objetivo, e está somente sendo aplicado a uma referência deslocada. Mais adequado seria aplicar o termo a você, que defende ser a doutrina católica compatível com o liberalismo inglês de um Adam Smith ou um John Locke (cuja condenação era um dos propósitos do Concílio Vaticano I). Ou você se retrata a esse respeito?
"Cismático" e "herege" exprimem realidades objetivas, inequívocas.
E não me referi a seu uso do termo "modernistas" para se referir aos "adeptos" do Vaticano II (i.e., a toda a Igreja que se manteve fiel ao Papa e acolheu com obediência as diretrizes de um Concílio Ecumênico), mesmo porque o rótulo "modernista" tem um conteúdo objetivo, e está somente sendo aplicado a uma referência deslocada. Mais adequado seria aplicar o termo a você, que defende ser a doutrina católica compatível com o liberalismo inglês de um Adam Smith ou um John Locke (cuja condenação era um dos propósitos do Concílio Vaticano I). Ou você se retrata a esse respeito?
E eu não tenho defendido uma interpretação dos documentos do Vaticano II de acordo com minha óptica coisíssima nenhuma, mas sim de acordo com a óptica do próprio Magistério da Igreja, que desde o início tem insistido na chave hermenêutica da continuidade indissoluta da Tradição. Basta ver, por exemplo, o trecho da alocução de Paulo VI colado acima. Precisamente na mesma linha vai a declaração de João XXIII quando da abertura do Concílio:
"… o Concílio … quer transmitir uma doutrina católica íntegra e imutável, não distorcida…Impõe-se todavia que, nos dias de hoje, a doutrina cristã, na sua inteireza e sem mutilações, seja por todos acolhida com novo entusiasmo e com serena e pacífica adesão …É necessário que, como todos os sinceros promotores da realidade cristã, católica e apostólica veementemente desejam, a mesma doutrina seja conhecida de forma cada vez mais ampla e profunda… É necessário que essa doutrina, certa e imutável, a que é devido fiel obséquio, seja estudada e exposta em sintonia com as exigências do nosso tempo. Uma coisa é o próprio depositum fidei, ou seja, as verdades contidas na nossa veneranda tradição, e uma outra é o modo como são enunciadas, sempre porém com os mesmos significado e sentido".
O Papa João Paulo II ressaltava, por exemplo, que nem mesmo é da competência da Igreja alterar o conteúdo do depósito da Fé, que foi entregue à Igreja por Nosso Senhor Jesus Cristo, através da Tradição apostólica (o qual se compreende, organiza, expõe e comunica conforme é concedido ao entendimento da Igreja mediante o exercício da razão e pela assistência do Espírito Santo).
"… o Concílio … quer transmitir uma doutrina católica íntegra e imutável, não distorcida…Impõe-se todavia que, nos dias de hoje, a doutrina cristã, na sua inteireza e sem mutilações, seja por todos acolhida com novo entusiasmo e com serena e pacífica adesão …É necessário que, como todos os sinceros promotores da realidade cristã, católica e apostólica veementemente desejam, a mesma doutrina seja conhecida de forma cada vez mais ampla e profunda… É necessário que essa doutrina, certa e imutável, a que é devido fiel obséquio, seja estudada e exposta em sintonia com as exigências do nosso tempo. Uma coisa é o próprio depositum fidei, ou seja, as verdades contidas na nossa veneranda tradição, e uma outra é o modo como são enunciadas, sempre porém com os mesmos significado e sentido".
O Papa João Paulo II ressaltava, por exemplo, que nem mesmo é da competência da Igreja alterar o conteúdo do depósito da Fé, que foi entregue à Igreja por Nosso Senhor Jesus Cristo, através da Tradição apostólica (o qual se compreende, organiza, expõe e comunica conforme é concedido ao entendimento da Igreja mediante o exercício da razão e pela assistência do Espírito Santo).
As "ambigüidades" do Vaticano II passíveis de gerar interpretações heterodoxas só o fazem na medida exata em que esquecemos tais advertências explícitas. Se entendidas de acordo com a inteira Tradição da Igreja, como preservando as verdades perenes contidas no depósito da Fé (conforme o ensinamento explícito dos Papas e de todo o Magistério da Igreja durante e após o Concílio), não podem ser heterodoxas. É até uma questão de silogismo. Se:
1. o "problema" do Vaticano II são as ambigüidades que permitem interpretações heterodoxas (mas por meio de outra interpretação são perfeitamente conciliáveis com a doutrina da Igreja de todos os tempos),
2. tais interpretações heterodoxas, por definição, contrariam uma ou mais doutrinas sustentadas outrora pela Igreja como conteúdo do depósito da Fé, e
3. o Magistério da Igreja explicitamente descarta a possibilidade de que, corretamente interpretadas, as declarações do Concílio Vaticano II contrariem um ponto sequer da doutrina anterior,
então:
4. o "problema" se dilui, a interpretação correta aparece (sem dar margem a especulações que a poriam em dúvida) e a doutrina se preserva incorrupta.
Mais ainda: lembremos que o Vaticano II foi um concílio pastoral e não dogmático. Logo, nada de novo acrescentou ao depósito da Fé, e portanto jamais poderia ter defendido uma única proposição que entrasse em contradição com o patrimônio dogmático comum da Igreja. Tudo a que se propôs foi expor e desenvolver esse mesmo patrimônio, de modo a esclarecer certos conceitos (o "desdobramento analítico" de que eu falava) e apresentar a doutrina da Igreja nos termos adequados às necessidades da época presente (como tem sido feito ao longo dos séculos).
1. o "problema" do Vaticano II são as ambigüidades que permitem interpretações heterodoxas (mas por meio de outra interpretação são perfeitamente conciliáveis com a doutrina da Igreja de todos os tempos),
2. tais interpretações heterodoxas, por definição, contrariam uma ou mais doutrinas sustentadas outrora pela Igreja como conteúdo do depósito da Fé, e
3. o Magistério da Igreja explicitamente descarta a possibilidade de que, corretamente interpretadas, as declarações do Concílio Vaticano II contrariem um ponto sequer da doutrina anterior,
então:
4. o "problema" se dilui, a interpretação correta aparece (sem dar margem a especulações que a poriam em dúvida) e a doutrina se preserva incorrupta.
Mais ainda: lembremos que o Vaticano II foi um concílio pastoral e não dogmático. Logo, nada de novo acrescentou ao depósito da Fé, e portanto jamais poderia ter defendido uma única proposição que entrasse em contradição com o patrimônio dogmático comum da Igreja. Tudo a que se propôs foi expor e desenvolver esse mesmo patrimônio, de modo a esclarecer certos conceitos (o "desdobramento analítico" de que eu falava) e apresentar a doutrina da Igreja nos termos adequados às necessidades da época presente (como tem sido feito ao longo dos séculos).
Qualquer interpretação numa linha de ruptura (e, portanto, qualquer interpretação modernista) está, destarte, automaticamente desabonada. Incluam-se aí as "interpretações" de um Martini, um Lehman, um Kasper (lembrando que, apesar de sua posição no Vaticano, ele já recebeu sérias reprimendas) ou um Mahoney e, evidentemente, de muitos bispos da CNBB. Como o mesmo modernismo já recebeu condenação prévia ao Vaticano II, e os documentos oficiais deste ou acerca deste Concílio não só não abolem qualquer condenação anterior mas reforçam com toda a clareza possível a continuidade em relação a tudo o que Igreja sempre ensinou, há um duplo motivo para condená-los. É óbvio que esse pessoal comete abusos seriíssimos, e não raro afrontam até abertamente o Papa. O alcance de sua influência perniciosa, aliás, se potencializa em virtude de vários fatores: meios de comunicação de massa, infiltração e contra-informação maçônica, comunista e de ativismos anti-católicos em geral etc. Por isso um desses senhores pode pegar um trecho de documento do Vaticano II amputado seja da Tradição viva da Igreja, seja das declarações posteriores do Magistério, atribuir-lhe uma interpretação "revolucionária", semear o caos dentro de uma diocese e ainda propugnar suas heresias como se fossem a pura doutrina da Igreja, da "nova" Igreja "pós-conciliar".
Precisamente por isso, freqüentemente a Santa Sé emite documentos particulares para rechaçar as interpretações "inovadoras" e colocar todos os pingos nos ii. Tais documentos invariavelmente se apresentam como esclarecedores e nunca como corretores, e ressaltam a (já tantas vezes enfatizada) continuidade e coerência dos documentos do Vaticano II com a inteira tradição da Igreja.
Precisamente por isso, freqüentemente a Santa Sé emite documentos particulares para rechaçar as interpretações "inovadoras" e colocar todos os pingos nos ii. Tais documentos invariavelmente se apresentam como esclarecedores e nunca como corretores, e ressaltam a (já tantas vezes enfatizada) continuidade e coerência dos documentos do Vaticano II com a inteira tradição da Igreja.
Em todo o caso, se, a despeito de tudo, restar uma ambigüidade aparentemente inexpugnável, e nada houver nos pronunciamentos recentes da Santa Sé e mesmo na inteira Tradição da Igreja que permita dissolvê-la, a única atitude que resta ao cristão é suspender o juízo e aguardar qualquer pronunciamento oficial específico que possa dirimir a dificuldade, antes que tome uma determinada interpretação como a "certa". Pois o único intérprete legítimo da Doutrina é o Sagrado Magistério, através da Sagrada Tradição (que ele necessariamente conserva íntegra e inalterada). Tudo o que se afaste disso é especulação teológica ou "livre exame", e não pode, para qualquer cristão católico, assumir o peso de doutrina ou implicar em obediência incondicionada. Pois é verdade que o católico deve obediência ao bispo, e até ao pároco, mas somente na medida em que este não contrarie a Santa Sé.
Assim tem sido desde o princípio da Igreja. Assim será até o fim dos tempos.
Assim tem sido desde o princípio da Igreja. Assim será até o fim dos tempos.
Jamais você poderá derivar de: "Tais e tais sacerdotes, bispos e cardeais defenderam tais e tais posturas heréticas", a proposição "a Igreja abraçou a heresia", sem abraçar você mesmo uma heresia tremenda.
Bom, pelo menos nao chamou de "mula morfetica". =/
"se vocês estivessem de rosário na mão ao invés de perder tempo jogando abobrinhas no Orkut com certeza a situação estaria bem melhor!"
Só não uso mesma frase do Uriel por saber que seria expulso (assim como imagino que ele vai ser).
"Quem não sabe rezar xinga a Deus! Encerro minha participação nesse tópico por aqui, já que alguns resolveram partir pra baixaria explícita."
Por fim!
_
Alberto, admiro sua paciência, de verdade; há momentos que o que você diz acaba em tautologia - POR NECESSIDADE - e mesmo assim continua sereno e sensato.
Só não uso mesma frase do Uriel por saber que seria expulso (assim como imagino que ele vai ser).
"Quem não sabe rezar xinga a Deus! Encerro minha participação nesse tópico por aqui, já que alguns resolveram partir pra baixaria explícita."
Por fim!
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Alberto, admiro sua paciência, de verdade; há momentos que o que você diz acaba em tautologia - POR NECESSIDADE - e mesmo assim continua sereno e sensato.
Moderação. Ofensa gatuita.
Peço desculpas à moderação pelo insulto à "Jenna" que já apaguei.
Ela é complexa ...pois não sei se posso dizer que a RCC é plenamente ortodoxa pois tem práticas muitas das vezes proibidas pelo magistério e carentes de fundamentação teológica como a prática do repouso no espírito etc ...também discordo dos que querem fazer passar a idéia de que o vaticano II foi herético , mas os tradicionalistas são mais ''ortodoxos'' que a maioria dos católicos que hoje aceitam absurdos seja na liturgia quanto na doutrina , quanto em moral ...a situação hoje na igreja é tão crítica que vc não sabe quem é mais cismático , quem é mais herético, etc .
Por que Dom Castro Meyer foi punido e Leonardo Boff nunca foi excomungado?
Por que Lefebvre foi punido e Dom Pedro Casaldáliga , Dom Arns , Dom Hélder , claramente hereges muito mais danosos que levebvre nunca o foram ?
Por que só os tradicionalistas são vistos como cismáticos e punidos enquanto que os progressistas tem transito livre dentro das paróquias , seminários , Conferencias episcopais ?
Por que Dom Castro Meyer foi punido e Leonardo Boff nunca foi excomungado?
Por que Lefebvre foi punido e Dom Pedro Casaldáliga , Dom Arns , Dom Hélder , claramente hereges muito mais danosos que levebvre nunca o foram ?
Por que só os tradicionalistas são vistos como cismáticos e punidos enquanto que os progressistas tem transito livre dentro das paróquias , seminários , Conferencias episcopais ?
"que a RCC é plenamente ortodoxa pois tem práticas muitas das vezes proibidas pelo magistério e carentes de fundamentação teológica como a prática do repouso no espírito etc"
Vejo a RCC como um movimento heterogêneo, em algumas paróquias assume uma linha mais ortodoxa, já em outras nem tanto. Falando de direção geral, eles tem sim um grande zelo pela ortodoxia e obediência ao Santo Padre, coisa que não acontece com os "tradicionalistas".
A prática do "repouso no espírito" nem de longe pode ser proibida, pois fenômenos parecidos ocorreram na vida dos santos, o que acontece na RCC é a banalização dessa prática, transformando algo extraordinário em ordinário, mas pelo que percebo isso vem sendo corrigido.
"Por que só os tradicionalistas são vistos como cismáticos e punidos enquanto que os progressistas tem transito livre dentro das paróquias , seminários , Conferencias episcopais ?"
Nem os "tradicionalistas" e nem mesmo os sedevacantistas são vistos como cismáticos ou hereges. Não são cismáticos porque eles não negam o poder de Jurisdição de Pedro, só dizem que "X" ou "Y" não é papa. Também não são hereges porque não negam nenhuma verdade de fé (é verdade que haverá sucessores de Pedro até o fim do mundo, mas não é verdade que um interregno não se poderia prolongar). O problema deles é que se encontram num profundo erro teológico e de graves consequências.
PS: Rafael, concordo contigo quando tu diz ficar sem entender porque D. Lefebvre foi punido e tantos outros não foram. Acho injusta a punição dada a D. Lefebvre.
Vejo a RCC como um movimento heterogêneo, em algumas paróquias assume uma linha mais ortodoxa, já em outras nem tanto. Falando de direção geral, eles tem sim um grande zelo pela ortodoxia e obediência ao Santo Padre, coisa que não acontece com os "tradicionalistas".
A prática do "repouso no espírito" nem de longe pode ser proibida, pois fenômenos parecidos ocorreram na vida dos santos, o que acontece na RCC é a banalização dessa prática, transformando algo extraordinário em ordinário, mas pelo que percebo isso vem sendo corrigido.
"Por que só os tradicionalistas são vistos como cismáticos e punidos enquanto que os progressistas tem transito livre dentro das paróquias , seminários , Conferencias episcopais ?"
Nem os "tradicionalistas" e nem mesmo os sedevacantistas são vistos como cismáticos ou hereges. Não são cismáticos porque eles não negam o poder de Jurisdição de Pedro, só dizem que "X" ou "Y" não é papa. Também não são hereges porque não negam nenhuma verdade de fé (é verdade que haverá sucessores de Pedro até o fim do mundo, mas não é verdade que um interregno não se poderia prolongar). O problema deles é que se encontram num profundo erro teológico e de graves consequências.
PS: Rafael, concordo contigo quando tu diz ficar sem entender porque D. Lefebvre foi punido e tantos outros não foram. Acho injusta a punição dada a D. Lefebvre.
Chamem de volta o Alberto Leopoldo, porque agora o nível caiu de vez. E caraca, a Fernanda se perdeu completamente agora.
cu não tem acento
cu não tem acento
Rapaz, o nível aqui está altíssimo. Já fui ameaçado de expulsão por coisas bem mais leves.
Haha, é que existe uma boa diferença entre um debate ofensivo (mesmo beirando o bate-boca) e uma agressão como essa aí de cima. Pelo o que eu acompanho (leio apenas), creio que logo em seguida aparecerá uma advertência...
Uma decisão e um recado:
1. este tópico está encerrado;
2. recebemos um simpático recado da Fátima no nosso "scrap", nos chamando de moderadores de merda e que se expulsamos o Uriel também devemos expulsar a Jenna. Olha aqui, Fátima, não nos diga o que temos que fazer ou não. Expulsar, banir etc. faz parte do jogo. Já fui expulso pelo Uriel da comunidade dele e nem por isso fui lá na sua página de recados dar chilique. Mais respeito.
1. este tópico está encerrado;
2. recebemos um simpático recado da Fátima no nosso "scrap", nos chamando de moderadores de merda e que se expulsamos o Uriel também devemos expulsar a Jenna. Olha aqui, Fátima, não nos diga o que temos que fazer ou não. Expulsar, banir etc. faz parte do jogo. Já fui expulso pelo Uriel da comunidade dele e nem por isso fui lá na sua página de recados dar chilique. Mais respeito.
Quem postar a partir deste ponto terá seu post apagado.