Vamo lá:
Matar 300 que matariam três milhões em nome de uma ideologia perversa está, a rigor, correto. Diga quem quiser o que quiser dizer. Minha preocupação com os três milhões de inocentes está hierarquizada como maior (no sentido de mais legítima) do que minha preocupação (que existe, acredite - talvez espantosamente) com os trezentos culpados. Então, danem-se – literalmente.
E, ah, matariam, sim. Como é que eu sei? Bom, porque foi isso que sempre fizeram, e é isso que continuam a fazer. Não vou pensar, portanto que dessa única vez não fariam...
Se você não tem opinião formada sobre a legalização das drogas, não vamos, por enquanto, discutir o assunto. Mas providencia uma opinião; e põe isso na pasta das urgências, porque a coisa tá feia.
Prostituição, que eu considero uma atividade pra lá de ruim, não tira a cidadania de ninguém, na minha opinião. Acho uma degradação pessoal, uma estupidez individual, e, francamente, uma certa falta de higiene e com certeza de bom-gosto. Mas prostituta não precisa que ninguém dê pra ela cidadania: ela (ou ele) não perdeu a dita cuja por causa da atividade – que não considero profissão. Regulamentar a prostituição no Ministério do Trabalho seria, como você diz, uma imbecilidade: equivaleria a dar status de profissão a uma atividade (que por sinal inclui degradação pessoal, estupidez individual, falta de gosto e vaga falta de higiene, como mencionei).
Vou lá ver se a torta está pronta. Depois eu volto.
"Matar 300 que matariam três milhões em nome de uma ideologia perversa está, a rigor, correto. Diga quem quiser o que quiser dizer. Minha preocupação com os três milhões de inocentes está hierarquizada como maior (no sentido de mais legítima) do que minha preocupação (que existe, acredite - talvez espantosamente) com os trezentos culpados. Então, danem-se – literalmente.
E, ah, matariam, sim. Como é que eu sei? Bom, porque foi isso que sempre fizeram, e é isso que continuam a fazer. Não vou pensar, portanto que dessa única vez não fariam" ...
É um típico raciocínio indutivo acreditar que as coisas poderiam terminar necessariamente nesse processo ou em algo parecido.
Mas não é indutivo o raciocínio de matar trezentos pra salvar não sei quantos, nem o é também o que legitima uma ditadura, neste caso.
Este discurso pra mim não serve neste ponto.
"Se você não tem opinião formada sobre a legalização das drogas, não vamos, por enquanto, discutir o assunto. Mas providencia uma opinião; e põe isso na pasta das urgências, porque a coisa tá feia".
Resposta: Opiniões intelectuais não se improvisam nem nascem de uma hora para outra, tenho o direito a ter dúvida neste caso e continuar estudando o assunto.
Nunca vi tantos carolas, católicos, defendendo tortura, execução de prisioneiros, aliás muitos aqui foram contra a proibição da venda de armas. Quanta hipocrisia!
Algum cristão de plantão poderia postar aqui os dez mandamentos?
Segundo a bíblia, não importa quantos você matou, o destino é o inferno.
Quando verde integralista, quando maduro vermelho.
O Integralismo era, segundo o próprio Miguel Reale escreve hoje, um movimento corporativista/sindicalista defensor de um Estado forte, no que coincide com o socialismo leninista.
em outras palavras, fascistas e integralistas não são e nunca foram de direita - como todo conservador e liberal sabe.
Se você realmente leu e entendeu o que eu escrevi verá que o que eu critico são esses falsos intelectuais que com preguiça de pensar a realidade a reduzem e estereotipam.
Para mim homens como Dom Helder estão acima desses joguinhos de esquerda e direita.
E qualquer homem de bom senso rejeita esses dois discursos...
Quando, há muitos anos, começei e estudar com seriedade a obra de Olavo de Carvalho tentava entender qual o motivo de seu ataque em bloco a toda manifestação possível do pensamento de esquerda.
Eu dizia a mim mesmo bem no começo:"Deve ser para a esquerda melhorar", "deve ser uma parte da esquerda", "O Olavo quer promover debates", etc...
Depois, percebi que o que o Olavo de Carvalho crítica é o simples direito da esquerda existir e participar politicamente da construção da sociedade, seja esta sociedade passada, presente ou futura. Que Olavo de Carvalho critica todas as orientações da esquerda, todas as suas manifestações,todas as matizes e todas as possibilidades de um discurso de esquerda, esteja este discurso onde estiver, apresente-se como se apresentar.
O que sempre me deixou curioso: um homem tão inteligente quanto o Olavo, que poderia até ir mais longe na filosofia, gastar muito do seu tempo com esse tipo de empreendimento.
Diogo: Não penso que direito individuais, ética, transparência, legitimidade democrática, ecologia, acesso às minorias etc... são bobagens. São estes temas de uma modernidade política e democrática.
Se José Dirceu et caterva e as dezenas de mensaleiros e vampiros tivessem feito ao longo de décadas o mesmo exercício de honestidade e lucidez que o Gabeira fez, este país estaria hoje anos luz a frente em sua organização democrática.
Sílvio: Não há diabo algum aqui.
Como intelectual Dom Helder deve ter seu discurso debatido e refutado em seus pontos fracos, mas seus méritos também devem ser louvados.
Fico com o capítulo "Um Sonho Tecnocrático" de "A Lanterna na Popa" de Roberto Campos Página 694, 1994, topbooks.
Neste capítulo o brilhante pragmatismo técnico e econômico de Roberto Campos derrota mais uma vez a utopia caritocrata de esquerda e expõe a fragilidade das críticas de Dom Helder ao Estatuto da Terra. Porém, neste capítulo, nem Roberto Campos, nem Castelo Branco esquecem da importância de Dom Helder para os debates sobre reforma agrária.
Que abismo separa o Brasil dos EUA infelizmente. Nos EUA existe uma política mantida há década de jamais negociar com terroristas. Aqui no Brasil os terroristas até viraram mocinhos. Que pesadelo. Esse tipo de esquerda não deveria existir mesmo, concordo com o Olavo. Uma esquerda que usa a democracia para acabar com ela jamais deveria existir.
Fernando Gabeira é uma Camille Desmoulins que vai viver a vida toda pregando a possibilidade de existir uma esquerda inteligente e no fim vai acabar na lâmina triangular da esquerda neandertal.
Sobre Dom Helder, já tive oportunidade de ler tanto opiniões bastante favoráveis a ele (que protegia perseguidos, que tinha simpatia pelos humildes, etc), quanto desfavoráveis (que era um pró-comunista enrustido, que não se empenhava no trabalho prático, etc).
O curioso é que essas opiniões não são contraditórias, mas complementares.
Ou seja, era bem possível que a militância social de Dom Helder fosse apenas um meio de projeção pessoal e apoio aos grupos que apoiava.
Recebi um e-mail que informa que o monsenhor Alvaro Negromonte, diretor da Arquidiocese do RJ, traçou um perfil sobre o pobrezinho Dom Helder...
"DOM HELDER CAMARA
QUALIDADES: inteligência lúcida e penetrante. Grande capacidade de liderança, de trabalho (nesta, chega a ser espantoso) e de aliciamento. Sabe, como poucos, aproveitar as capacidades dos que com ele trabalham. Simpático e insinuante, sabe penetrar em todos os meios e se fazer estimar, em vista de aparente bondade e tolerância, que emprega com excepcional esperteza.
DEFEITOS: pertenceu a todos os movimentos que o podiam projetar, enquanto eles tiveram projeção, mas logo os abandonou, quando caíram na rotina de trabalho humilde: Movimento Trabalhista, no Ceará, Movimento Pedagógico Católico, Integralismo (onde pertenceu ao supremo conselho), Ação Católica e Ensino Religioso. Cerca-se de quem se lhe submete sem discrepância, por isso trabalha quase exclusivamente com senhoras. Foge dos que têm personalidade, e que não lhe obedecem cegamente.
Como as obras materiais no campo social dão glória fácil, orientou-se para elas. Realiza-as com verbas do governo e com dinheiro tirado aos ricos, por processos demagógicos. Como precisa das verbas, é amigo de quem as pode dar (seja quem for), o que explica sua fidelidade ao governo do dia. Mas também abandona logo os que não têm mais verbas para distribuir. Daí ser cortejador de todos os governos, com um oportunismo exagerado."
"Trabalha sempre com anônimos, de modo que só aparecem o seu nome e suas obras. Suas, porque, fingindo humildade, atribui sempre a si, embora não o diga abertamente, as obras realizadas por sua imensa equipe e com dinheiro alheio.
Para atingir o episcopado, insinuou-se à confiança do Cardeal D. Jaime, chegando a fazer o voto de obediência a S.Ex.a. Tornou-se amigo íntimo do Núncio Chiario e do atual [à epoca, D. Lombardi] através de régios presentes, logrando assim o cargo de secretário-geral da Conferência dos Bispos do Brasil, e a nomeação de numerosos Bispos, principalmente no Nordeste, que hoje lhe obedecem como súditos. Como secretário-geral da Conferência dos Bispos arroga-se o direito de falar em nome da Igreja do Brasil, o que frequentemente faz, de modo indébito. Explora a pobreza que ampara como um troféu.
DESORGANIZAÇÃO
Os seus planos notáveis redundam em fracasso, porque é desorganizado, sem perseverança nas obras iniciadas. Desbarata os dinheiros que recebe e dos quais jamais prestou contas a ninguém. Desvia as verbas para fins estranhos e não tem mãos a medir nos gastos, embora seja pessoalmente pobre (a fim de poder colher com isso novas glórias). Daí ficarem em meio as obras iniciadas, mas passa a outras para cobrir os fracassos anteriores. Assim, tem movimentado enormes verbas públicas, os dinheiros vultosos do Congresso Eucarístico Internacional, do que nunca prestou contas, e os do Banco da Providência."
Não cumpre compromissos, com inacreditável facilidade. Capelão da Escola Ana Nery, no Rio, não cumpria os deveres da capelania, mas recebia integralmente os vencimentos. Em face dos problemas difíceis e controvertidos, raro se define ou se define dos dois lados, conforme as circunstâncias. Raro cumpre promessas, pois frequentemente promete já para não fazer. Não tem amigos, tem interesses. Se estes o pedem, abandona os melhores amigos de ontem (assim fez com Carlos Lacerda), deixa-os em dificuldades desde que se saia bem, tanto que os que o conhecem dizem que faz com os amigos o que fazemos com as laranjas: chupamos o caldo e jogamos fora o bagaço.
O que fez com o Cardeal D. Jaime é notório: insinuou-se na confiança dele, que o fez seu Bispo auxiliar, mas logo entrou em oposição ao homem a quem deveria auxiliar, com uma campanha de desgaste em que D. Jaime aparecia como um "reacionário", a ponto de chamar as pessoas que iam trabalhar com o senhor Cardeal para afastá-las dele. Até que isso se tornou notório em todo o Brasil. Terminou com uma manobra em Roma, conseguindo afastar D. Jaime da presidência da Conferência dos Bispos do Brasil, em favor do Cardeal Mota, da mesma corrente dele, D. Helder.
Por esse seu mau caráter é que consegue numerosas amizades e dedicação, distribuindo verbas ou conseguindo-as para os Bispos pobres, sobretudo do Nordeste, empregando numerosas pessoas nos movimentos da Ação Católica no Brasil inteiro, (ultimamente no Movimento de Educação de Bases), dando régios presentes à Nunciatura, promovendo os Bispos que lhe são mais fiéis: D. Fernando Gomes, Goiânia; D. Newton de Almeida, Brasília; D. Távora, Aracaju; D. Serafim Fernandes, Belo Horizonte; D. Antonio Fragoso, São Luís do Maranhão, e outros. Desgastando os que se lhe opõem (D. Jaime Câmara, o Cardeal da Bahia, e os Bispos de Diamantina, Juiz de Fora, Petrópolis, Porto Alegre e outros."
Um fato público, denunciado pelo Cardeal Silva, da Bahia: chegou a falsificar um documento da Conferência dos Bispos, para agradar o governo de João Goulart, introduzindo a frase em que o documento pedia a reforma agrária (paga com apólices da dívida pública). O Cardeal Silva declarou à imprensa que aquele não era o documento que assinara, e que não o assinaria naqueles termos.
DEMAGOGIA
O tom demagógico de suas pregações e atividades não é necessário ressaltar por extensivo. Suas ligações com esquerdistas são públicas. Sempre negou que haja comunismo no Brasil, o que há "é desejo de mudar as estruturas". Os que com ele trabalham de perto participam dessas idéias, ou porque já foram escolhidos por isso, ou porque se deixaram influenciar. Seu "vedetismo" não irrita só os católicos. Sua caridade é só para os que lhe podem armar o penacho."
Também o livro "Se poderá confiar nos padres?", do Dr. Aníbal Pereira Reis, também reserva um capítulo quase que exclusivamente ao Dom Helder.
Não estou com o livro em minhas mãos agora, mas ele conta sobre a ânsia do bispo auxiliar de conseguir projeção internacional.
Apesar de ter feito sempre duras exigências para o combate à fome a à seca, em 1967, quando o governo reuniu todos os setores interessados no tema social (incluindo Dom Helder), ele nem quis comparecer, nem colaborar.
Salgado,
embora não seja preocupação minha, talvez exista a necessidade de se aprofundar no estudo sobre a Teologia da Libertação para se ver se ela tem alguma responsabilidade no declínio presente do catolicismo.
Como leitor,também compartilho uma certa simpatia pelas obras e pelo estudo de Sérgio Buarque e Caio Prado (Werneck Sodré não, porque era excessivamente dogmático e chato).
Divergências a parte, poderia também incluir Jacob Gorender, Daniel Aarão, Paulo Sérgio Pinheiro, Demétrio Magnoli e Wanderley Guilherme dos Santos como exemplos que é possível a esquerdistas ter opiniões lúcidas a partir dos fatos, mesmo que em alguns casos (muitos casos), essas posições levem a uma espécie de isolamento por parte da grande maioria dos pseudo-intelectuais esquerdistas que preferem omitir os fatos para manter uma suposta credibilidade (na verdade, popularidade) junto a segmentos que são seu "mercado editorial".
Nem seria preciso dar exemplos de maus intelectuais, visto que existem aos montes, mas Milton Santos e Marilena Chauí não poderiam ser esquecidos...
Então, quando o Álvaro fala que "o diálogo havia sido interrompido e a opressão se fazia com armas, torturas e mortes naquele tempo, não deve ter sido especialmente fácil para o Gabeira arriscar sua própria vida para ajudar a construir a democracia e certas liberdades que nós confortavelmente desfrutamos hoje" também está seguindo uma visão mitificada.
A luta armada em que Gabeira se envolveu (e hoje desaprova, mas sem renegar) não teve qualquer mérito no restabelecimento da democracia brasileira.
Os guerrilheiros urbanos defendidos por Dom Helder não estavam interessados em restaurar as eleições democráticas da Constituição de 1946, mas sim em estabelecer um regime totalitário nos moldes cubanos, sem eleições diretas.
O mérito do retorno à democracia não cabe à VAR-Palmares ou ao MR-8, mas aos moderados do MDB, ao empresariado paulista. Os guerrilheiros admitiam abertamente o uso do terror para cumprir seus objetivos finais.
A luta armada, além de levar esses jovens a um confronto desigual (onde foram dizimados), até pode ter atrasado a normalização, já que a abertura só se deu exatamente após a liquidação dos últimos grupos.
Também gostei muito, Leandro.
Outro dia mesmo postei, numa outra comunidade, a respeito da minha experiência pessoal como ativista política anti-ditadura - e desafiei, como desafio em qualquer lugar onde tenha chance de fazer isso - que aparecesse algum dos meus ex-camaradas pra ousar dizer que a luta era "pela democracia". Uma ova! Lutávamos por uma ditadura comunista.
Essa gente já era, e continua sendo, um modelo de cinismo.
Eu era uma idiota - mas nunca fui nem cínica, nem canalha.
Saí quando compreendi, e não sem antes ter ousado - primeiro questionar, depois me opor clara e frontalmente aos métodos, aos objetivos, à coisa toda que estava acontecendo.
Ouvir essa gente falar da "luta pela democracia" da qual fizeram parte me dá náuseas.
Democracia era coisa de burguês.
E também não vejo nenhum dos ex-companheiros reconhecendo de público, e bem alto, seu real, profundo e completo engano e sua absoluta idiotice, e muito menos falando do seu correspondente e inequívoco arrependimento.
Só o Olavo de Carvalho.
E, naturalmente, eu.
Os outros ainda não me convenceram, não.
Mas o que eu queria era botar aqui esse link para um artigo do Janer Cristaldo sobre o assunto, citado pelo meu amigo Antonio lá na comu da MSM, e que eu acho excelente - e fala do Gabeira. http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4078
Do qual aqui vai um trecho que retrata com exatidão o "espírito da coisa":
"Em fusos horários diversos, Severino e Gabeira combateram o mesmo combate. Se Gabeira tirou Zé Dirceu do cárcere – onde melhor seria, para o bem do país, ter ficado – Severino tenta salvar do naufrágio o mesmo Zé Dirceu, hoje no poder por obra e graça de Gabeira. Gabeira salvou o terrorista que queria afundar o país pelas armas. Severino tenta salvar o mesmo ex-terrorista, que agora – dado o fracasso da luta armada – quis afundar o país através de método mais sutil, a corrupção.
Se naquela sessão na Câmara alguém viu um deputado destemido desejando moralizar as práticas políticas do Congresso, apontando de dedo um “coroné” do agreste desprovido de qualquer escrúpulo, este alguém se enganou. O que se viu, naquele momento, foi o roto dedurando o descosido." - Janer Cristaldo, Mídia Sem Máscara, setembro de 2005.
"Então, quando o Álvaro fala que "o diálogo havia sido interrompido e a opressão se fazia com armas, torturas e mortes naquele tempo, não deve ter sido especialmente fácil para o Gabeira arriscar sua própria vida para ajudar a construir a democracia e certas liberdades que nós confortavelmente desfrutamos hoje" também está seguindo uma visão mitificada'.
MINHA RESPOSTA: Não mitifico o passado guerrilheiro de ninguém, quanto ao de Gabeira, critico-o aqui mesmo no tópico.
Penso que ele escolheu isso por considerar que desta forma poderia dar uma contribuição à sociedade brasileira, equivocada e de um oportunismo político óbvio a sua imposição violenta de seu discurso a outro tipo discurso e a ações extremadas e violentas do governo militar.Mas, para ele, acredito que foi inevitável.
E é claro que o Gabeira é um dos criadores desta coisa que se chama "democracia brasileira".
Uma das importâncias do Gabeira é justamente esta.
De fato, o Gabeira já esta muito crescidinho para ter crises existenciais de adolescente.
Mas com esse ser imaturo que apostou sempre seus cavalos nas teses erradas e que, por vezes, trocou um absurdo por outro absurdo, talvez até maior, há um político de esquerda que se destaca pela capacidade de força, coragem e lucidez, e que reconhece, e paga seus próprios erros...
A auto-crítica do Gabeira deveria inspirar outros políticos de passado semelhante.
Ele continua a ser um político necessário e em termos de homens médios de esquerda, um verdadeiro fenômeno.
E os benefícios deste homem que, ao agir, erra e acerta para a vida política basileira têm um balanço muito positivo nos últimas décadas.
Não que eu concorde com as teses que o Gabeira subscreve, algumas até moralmente hediondas, mas esse é o pensamento do cara. Como liberal, acredito que ele está dentro da racionalidade democrática.
Salgado: O Gabeira possui interessantes idéias sobre o terrorismo internacional, vale apena dar uma rápida conferida nas suas opiniões sobre este assunto.
Outra vez Leandro: É claro que a teologia da libertação possui apenas como objetivo o da apropriação política do nome "Jesus" e destruir a Igreja Católica a partir de dentro.
Não duvide. A Teologia da Libertação é filosoficamente absurda,já vi partidários dessa doutrina defenderem que é possível realizar uma interpretação materialista da Bíblia, porque nela, há escrito, que o homem foi feito de barro.
A essa objeçaõ, sempre respondi que o que importa não é o "barro", mas o sopro divino.
Os teológos da libertação falam, por exemplo, em "práxis de Jesus Cristo".
A expressão "práxis de Jesus Cristo" é absolutamente anticristã, absurda e incoerente.
Para a práxis dialética materialista, a objetividade e a subjetividade se opõem para abrir espaço a resolução histórica dos fatos. A verdade é contruída na ação, é uma síntese resultante da própria dinâmica da realidade.
Absurdo. Cristo é o logos encarnado, a verdade encarnada, não é a "verdade" construída historicamente na ação, se assim fosse, Cristo não seria o Verbo encarnado, nem sua palavra seria revelada. Para os teólogos da libertação, portanto, Cristo é apenas um pretexto para a ação histórica revolucionária, mas não percebem que como seu Reino não é desse mundo, essa ação nunca há de se realizar totalmente em estrutura social nenhuma, resta apenas o inferno das possibilidades humanas irrealizavéis.
A Teologia da Libertação não reconhece o "Cristo em si", mas "para si".
Além de destruir a marteladas o verdadeiro espírito religioso que sabe não poder realizar neste mundo, mas sim no próximo, a síntese final que o leva de volta a Cristo.
Novamente Leandro: Nelson Rodrigues dizia que Dom Helder era a "humildade mais bem administrada do Brasil", e que: "Dom Helder só olha para o céu para saber se deve usar guarda-chuva".
É claro que são caricaturas retóricas literárias do Nelson que devem ser entendidas, ao meu ver, justamente em seu sentido oblíquo e literal.
Admiro e conheço os autores que você citou.
Quanto ao link que você forneceu textualmente, agradeço.
É claro também que, conforme eu já havia exposto,citando diretamente Roberto Campos, as opiniões políticas de Dom Helder devem ser questionadas no âmbito intelectual,claro, sem reduzir sua complexa personalidade aos momentos políticos do dia.
Eu já expliquei que: o Gabeira e o Dirceu nunca se bicaram, nunca se deram bem, o Dirceu é que deveria ter agradecido e ter tomado jeito de homem, como se diz aqui no nordeste, para aproveitar a segunda chance que o Gabeira lhe deu.
No fundo, a polêmica que sustenta este tópico consiste, basicamente, numa crítica geral ao pensamento de esquerda, que é, sim! necessária e proveitosa, mas que parece descambar para um tipo de estruturalismo - crítica à estrutura - à ideologia,e não, necessariamente, aos indivíduos de carne e osso que as representa.
As críticas feitas a Gabeira são quase em sua totalidade em relação a um ato que este praticou há quase quarenta anos, um ato que ele nunca voltou a praticar, que não se tornou um hábito de sua personalidade, um ato que ele mesmo condena e que, no demais,já foi perdoado oficialmente por uma lei.
Mas como Gabeira personifica ou representa o passado da esquerda - aos olhos da direita -, as antipatias se lançam contra ele.
Mas onde estão as críticas concretas ao indivíduo e a sua ação... digamos, de 30 anos para cá???
O que me preocupa, e que este espírito um tanto revanchista que se baseia numa crítica geral a uma ideologia abstrata em detrimento dos casos concretos que a compõem, só faz estereotipar, reduzir e atravancar o desenvolvimento de um verdadeiro pensamento de direita do qual, aliás, o Brasil precisa há anos.
Poderíamos trocar perfeitamente o Gabeira pelo José Dirceu seguindo a sua linha de raciocínio. Embora Dirceu tenha sido responsável direto por atos terroristas nos anos 60 ( como um atentado contra o sargento Mário Kozel em São Paulo que o reduziu a nada ) há muito Dirceu não executa tais "operações". Mas todos sabemos do perigo que Dirceu representa para a democracia, inclusive pelo seu passado comprometedor.
"Força, coragem e lucidez"? Eu chamo isso de oportunismo, amigão - a última "crise" dele ocorreu às vésperas da eleição (que coincidência, não?). Gabeira, o eterno arrependido"...
Resposta: É claro que nas reflexões do Gabeira sobre si mesmo existe uma certa dose de oportunismo, sobretudo, oportunismo midiático, ou ate mesmo vaidade.
Mas, é melhor se arrepender sempre e eternamente de bobagens que a gente faz, do que amenizar o conflito e cair na neurose da realidade, provocada pelo esquecimento e pela amnésia conveniente.
Salgado: Alvaro
"Poderíamos trocar perfeitamente o Gabeira pelo José Dirceu seguindo a sua linha de raciocínio. Embora Dirceu tenha sido responsável direto por atos terroristas nos anos 60 ( como um atentado contra o sargento Mário Kozel em São Paulo que o reduziu a nada ) há muito Dirceu não executa tais "operações". Mas todos sabemos do perigo que Dirceu representa para a democracia, inclusive pelo seu passado comprometedor"
Resposta: O Dirceu continua tão criminoso quanto sempre foi. Deveria está na cadeia, não por crimes já perdoados praticados em um regime de exceção, mas por crimes gravíssimos realizados em pleno regime democrático no Brasil.
Dirceu, até o ano passado, comandava o maior esquema de corrupção, lavagem de dinheiro,tráfico de influência, sonegação, e mas a metade do codigo penal... isso para mim é muito mais grave do que ficar derrubando maços de cigarros com tiros num parque de diversões ou do que explodir uma padaria.
O Gabeira tem a ficha limpa e fez as pazes há mais de trintas anos com a modernidade politica brasileira.
Daqui a pouco vão erigir um altar pro Gabeira aqui!
Só porque ele deu uma "arrependidazinha" (?) de bilhões de erros que cometeu a vida inteira (nem vale a pena dizer de novo), tem uns saudosistas do esquerdismo juvenil babando seus ovos...
Ai, que falta de paciência!
Glen
Graças a Deus o meu nome não é nenhuma homenagem àquela outra...
Nem tive saco pra ler o livro todo...
O pior é todo mundo vem com a pergunta "básica": "Já leu o livro "Olga" ??? Ai, ai, ai...
"Daqui a pouco vão erigir um altar pro Gabeira aqui"!
Eu também acho que a presença constante do Gabeira aqui é um verdadeiro saco! É Gabeira pra cá, Gabeira pra lá.. pra cima e pra baixo, para o lado oposto e para os outros lados.
Acho que temos outras coisas para conversar...
Eu nem esperava que este tópico fosse fazer esse sucesso todo...
Mas é claro que nesta comunidade composta por muitos membros que não toleram nenhum tipo de manifestação de esquerda esteja esta onde estiver, apresente-se como se apresentar,e de pessoas que não conseguem viver direito num ambiente democrático, isso era de certa forma inevitável.
É tudo pura ojeriza irracional e uma abstração de um platonismo vulgar do pensamento e dos conceitos de esquerda,uma verdadeira pena. Se essa for a tal nova direita eu prometo que, eu mesmo, vou arregaçar as mangas para em pouco tempo criar verdadeiras teorias e conceitos que formem um pensamento de direita entre nós.
Já que ninguém foi capaz de apontar no Gabeira um só comportamento indecoroso ou alguma contravenção sua, mínina que seja nas três últimas décadas,eu só posso tomar certas opiniões aqui como uma tentativa gratuita de desmoralizar um homem que tem o direito de defender as idéias que defende.Embora eu não concorde com quase nenhuma delas.
Quanto ao oportunismo, uma boa dose de oportunismo faz-se sempre necessário, é essa é a história do pensamento político e a história das idéias em geral.
Eu mesmo sempre publiquei meus livros perto do natal por saber que eu teria mais chances de vendê-los rapidamente. Sempre procurei falar de assuntos quando surgia oportunidades para fazê-lo, às vezes, esperando essas oportunidades, que, quando demoravam a chegar, eu mesmo as criava.
Acho que apagei sem querer meu primeiro post neste tópico.
Bom. Você sabe que neste caso, a modernidade deve ser entendida como um valor.
E esse valor está em afinidade direta com as teorias sociológicas sobre a modernidade ocidental: racionalidade, democracia, burocracia, dominação-legal, dissolução do patrimonialismo, fim das dominações tradicionais e carismáticas, racionalização das esferas de valor, ampliação dos direitos civis, secularização, reflexividade, comportamento racionalizado a fins objetivos, impessoalidade, instituições sociais baseadas no direito e em ações comunicativas, abertura para as massas, sociedade pós-industrial, liberdade de opinião...
Resta adequar esses valores com um projeto político para o Brasil: Conheço muitos autores que tiveram um certo sucesso nesse projeto.
É claro que podemos citar aqui o oposto disso também: a imposição da ideologia pela técnica comforme foi captada pela dialética negativa da teoria crítica, ou as famosas "patologias" de Habermas, ou então o diagnóstico weberiano de modernidade em sua irreversível racionalização e desencanto do mundo.
Respondendo sobre as relações entre Gabeira e as teses da modernidade eu respondi que:
"Gabeira aprendeu com o Neo-trabalhismo britânico o valor da criação de uma nova agenda política baseada em temas da modernização e globalização reflexivas e a valorizar temas como a subpolítica participativa, auto-consciente e democrática, do novo contrato social que seria o contrato natural travado entre o homem e o meio ambiente, da aceleração e mudança do modelo de sociedade industrial que se configuraria como relações tradicionais para o desenvolvimento cada vez mais crescente da estrutura internacional de risco, da necessidade de novas bandeiras políticas baseadas em vínculos de confiança e solidariedade democrática".
"Basta dizer que um dos ideólogos do Neo-trabalhismo britânico é o sociólogo Antnhoy Giddens que inspirou-se em Parsons (noção de sistema social e circulação de poder), em Ulrich Beck e Scott Lash (modernização e reflexividade), e mesmo Alain Peyrefitte e seu conceito de desenvolvimento social baseado nas relações de confiança".
Disse também que:
"Gabeira abandonou o comunismo e passou a defender temas da modernidade como ecologia já no início da década de 1980, em que assuntos como “aquecimento global” eram quase que totalmente desconhecidos e relegados para esfera da fantasia".
"Não é preciso dizer também que o Gabeira é um dos relatores do atual Protocolo de Kyoto".
e:
"Criticá-lo por ter a lucidez e coragem de ser ético e de mudar de idéias quando o mais fácil para ele era ficar calado e se integrar na nova (e antiga) ordem da esquerda brasileira, o que o faria dele hoje muito provavelmente mais um mensaleiro, não é nada sábio".
”Eu também acho que a presença constante do Gabeira aqui é um verdadeiro saco! É Gabeira pra cá, Gabeira pra lá. pra cima e pra baixo, para o lado oposto e para os outros lados.”
Se isso não for cinismo, o que será?
”Mas é claro que nesta comunidade composta por muitos membros que não toleram nenhum tipo de manifestação de esquerda esteja esta onde estiver, apresente-se como se apresentar, e de pessoas que não conseguem viver direito (!) num ambiente democrático, isso era de certa forma inevitável. “
Muito engraçado!!!
”É tudo pura ojeriza irracional e uma abstração de um platonismo vulgar do pensamento e dos conceitos de esquerda,uma verdadeira pena. Se essa for a tal nova direita eu prometo que, eu mesmo, vou arregaçar as mangas para em pouco tempo criar verdadeiras teorias e conceitos que formem um pensamento de direita entre nós. “
Esse palavrório vomitado sem sentido deve ter sido aprendido em algum lugar... Tá me cheirando a “Chauiísmo”...
Nota: se não dá pra entender, não é porque eu não entendi, e sim porquê não é inteligível mesmo, e na maioria das vezes isso é proposital (lição de OdeC!)!
”Já que ninguém (!!!) foi capaz de apontar no Gabeira um só comportamento indecoroso ou alguma contravenção sua, mínima que seja nas três últimas décadas, eu só posso tomar certas opiniões aqui como uma tentativa gratuita de desmoralizar um homem que tem o direito de defender as idéias que defende. Embora eu não concorde com quase nenhuma delas. “
Argumentação típica de advogados. Não concorda com “quase nada” do que o sujeito fala, mas defende-o mesmo assim (a troco de alguma grana, é verdade...).
Curiosidade: “comportamentos indecorosos” e “contravenções” quaisquer prescrevem-se passados trinta anos?
”Quanto ao oportunismo, uma boa dose de oportunismo faz-se sempre necessário, é essa é a história do pensamento político e a história das idéias em geral. “
De onde foi tirado isso, meu Deus?
Ah bom, lembrei: é traço característico da esquerda desonesta (redundante? kkkkk).
Obs: não haverá tréplica da minha parte, porque não tenho paciência (já disse), nem a alma boa do Olavo de ser “água mole em pedra dura”...
É tudo pura ojeriza irracional e uma abstração de um platonismo vulgar do pensamento e dos conceitos de esquerda,uma verdadeira pena. Se essa for a tal nova direita eu prometo que, eu mesmo, vou arregaçar as mangas para em pouco tempo criar verdadeiras teorias e conceitos que formem um pensamento de direita entre nós.
Não existe "nova direta". A direita é e sempre será a mesma de sempre. Quanta arrogância nesse post, meu Deus. Acho que você se acha um reformador das mentes, um novo construtor da realidade, sem o Álvaro (que é um esquerda mal assumido) nós que sabemos nos posicionar na direita temos uma "ojeriza irracional" à esquerda. Não amigo, nós aceitamos a convivência com a esquerda. Esse é o grande erro da direita. Enquanto nós aceitamos a esquerda trabalha para acabar com a direita. Este seu discursso está cheio de frases de efeitos, coisas aparentemente interessantes mas infelizmente nós temos visto o grande progresso que a esquerda tem feito no mundo.
É claro que ao propor a modernidade política como um valor, bem como a modernidade em geral - estou, obviamente, entrando no sentido normativo do conceito, isto é: naquilo que a modernidade deveria ser desde um determinado ponto de vista subjetivo.
Sei, perfeitamente, das imensas pervesidades e desumanização que a vida social moderna trouxe - confio no diagnóstico macabro que René Guenon faz da modernidade ocidental - a única sociedade histórica, segundo ele, a desenvolver o materialismo como uma base civilizacional.
Conheço inúmeras outras críticas ao modelo de "modernidade política" que poderiam se contrapor às definições gerais que eu fiz, talvez, nem "se contrapor", mas revelar a verdadeira face do fenômeno.
Uma cura para esse mal na minha opinião é: Estudar a Ciência Sagrada de Guenon e seus símbolos, outra: se voltar para as grandes tradições espirituais reveladas, outra: estudar a mística comparada cristã, judaica e islâmica, outra: estudar e refletir sobre os significados das profecias, sobretudo, as que vão se cumprir ainda. outra: filosofar como um exercício de santidade.