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Paralaxe Cognitiva: Exemplos eloqüentes.

Iniciado por lvaro_4 em 18/09/2006 · 92 mensagens · página 2 de 2

inocncio#51
Concordo com você. A paralaxe pode ser perfeitamente explicada como uma certa "atrofia" da consciência humana. Sem entender esse processo é impossível entender o que acontece de verdade.
No exemplo acima citado, eu sempre soube que Lula não tem 60% de aprovação. Como eu sei isso? Nem eu sei explicar. Alguma coisa me diz. Minha intuição. Mas como eu sei disso? Impossível explicar. Precisa "sentir" isso.
Precisou acontecer esse evento para que a minha tese ganhasse elementos que a comprovariam. Na teoria Lula tem 60% de aprovação. Na realidade ele é vaiado em peso quando vai a eventos públicos.
inocncio#52
Era a minha consciência me dizendo isso. Infelizmente não tenho como explicar esse processo para você. É como ver ou cheirar. Não há como explicar a visão em palavras assim como não como explicar o olfato em palavras.
inocncio#53
Bom, explique o que aconteceu ontem então.
priscila#54
Não precisa explicar, pelo menos pra mim.
Quando eu digo "consciência", estou me referindo justamente a uma "coisa"que abrange todas as formas intuitivas de pensamento, inclusive a noção de Bem e Mal.
É o "eu sei" que não passa por um processo racional, ou algorítmico. E com a qual todos nascemos, mas que pode ser bloqueada pelo caminho.
priscila#55
Mas no caso de ontem eu concordo que a vaia não representa o pensamento do Brasil inteiro. Infelizmente, eu acho mesmo que 50% gostam da caterva.

Voltando ao tema, poder-se-ia dizer que pelo menos 30% da população brasileira sofre de paralaxe cognitiva. Outros 30% sofrem de imbecilidade pura, "incognição" completa. Os 40% que sobram incluem indivíduos "limítrofes", que ainda dá pra resgatar, se for feito um esforço monumental pra isso.

De gente de fato consciente e com bom julgamento, firmes e corretos - eu boto aí uns 20% da população. No máximo. Estou de bom humor, hoje...

Metade dos vaiadores podem até vaiar, mas estão vaiando pelos motivos errados.
Ou, pode acreditar, vaiam sem saber direito por que.
Infelizmente, é o que eu penso. Se não fosse assim, Luifináfio não teria sido reeleito.
adermir#56
Pois é, Priscila, mas o que acontece é que o esquizofrênico é um ser em constante esforço justamente para reconstruir as pontes com o real. Essa tentativa, em geral fracassada, é que se traduz em delírios, alucinações, etc... Estou meio implicante com você não com o termo esquizofrenia, mas sim com o "consentida" (desculpe-me por isso...). Pelo que posso sentir, o consentimento seria um fato derivado, dependendo de que o sujeito esteja assumindo como verdadeira uma paralaxe que não é original do seu pensamento, mas deriva do de outro. Um marxista em relação a Marx, por exemplo, o primeiro consentiria com a esquizofrenia expressa pelo segundo. Mas originalmente a paralaxe me parece um distúrbio da consciência de si em relação à teoria proposta, sendo portanto, de certa forma involuntária ou fruto da mentira deliberada. Ou seja, consente quem acredita na mentira, e não quem mente, que é quem expressa a paralaxe originalmente.
adermir#57
Nesse sentido, respondendo ao Cesar, acho que o problema da paralaxe não está no exame do Real em si, mas da incoerência existente entre a teoria proposta e a vivência pessoal do teorizador.
inocncio#58
Para que serve uma teoria que não tem comprovação na realidade? Muitos preferem acreditar nos 64% de aprovação do que na experiência que prova o contrário.
Enfim: nada prova que Lula tenha 64% de aprovação. Porém, em todos os testes práticos ele demonstra uma imensa falta de sintonia com o público.
E não me venham com essa de que a "eleições mostram que Lula tem a aprovação do povo". Eleições com TSE aparelhado? Eleições onde os dados das urnas não tem comprovação externa confiável?
Quem luta com a realidade é justamente quem acredita nesses 64% de aprovação. Eu não. E por isso o que aconteceu ontem no Maracanã para mim soa completamente natural. Ao passo que para aqueles que acreditam nos 64% explicar o que aconteceu ontem requer voltas e voltas sobre teses que não se sustentam.
priscila#59
Ô, Adermir, não precisa pedir desculpas, meu amigo! Adoro um bom debate!

Bem, o que eu acho é que o portador da paralaxe cognitiva está - de fato - entre a mentira e o delírio! Não se trata de um hipócrita, mas também não se trata de alguém simplesmente com um ponto-de-vista errado.

É qualquer coisa intermediária: digamos que, para "não mentir", o sujeito "distorce a realidade"- porque lhe falta a percepção de que esta distorção é uma mentira maior do que a do hipócrita.

O "consentido" é porque o uso da distorção (representada pelo sofisma) exige um determinado nível de consentimento, ou seja - o sujeito voluntariamente participa do processo de distorção, e é agente ativo dele! O portador de paralaxe "ajeita" a realidade para excluir a mentira que faz parte dela por causa dele mesmo.

Mas, se você achar que a expressão não é clara, eu troco por outra!
Aliás, nem é preciso - "paralaxe cognitiva" já está de bom tamanho.
priscila#60
Bom, Tothinho, Deus queira que você esteja certo, e eu errada!

Se o problema do Brasil for só fraude eleitoral, a gente até tem jeito!
adermir#61
Toth, que essas vaias sejam o prenúncio do despertar desse delírio em que vivemos.
adermir#62
Priscila, amiga, o importante, realmente, é construir um entendimento. De fato, paralaxe cognitiva é um termo mais preciso, digamos assim. Acho que para dar mais precisão à sua própria definição, seria mais justo se falar em "esquizofrenia voluntária". Mas vamos parar com nugas, porque com qualquer termo nos entendemos, não é?
adermir#63
"A Paralaxe Cognitiva tem a ver com o dito popular 'façam o que eu falo e não o que eu faço?' "

Fiquei com vontade de te responder de modo um pouco menos lacônico do que com um simples 'não'. Imagine um pai que quer ensinar um comportamento correto para um filho, o qual ele mesmo não pratica. Haverá, nesse caso, uma contradição entre o valor e o comportamento, mas a expressão do valor não se invalida pelo fato do comportamento, entende? Desse modo, há incoerência do sujeito, mas não paralaxe, já que ele mesmo está sujeito à condenação moral pelo seu comportamento. Ou seja, ao dizer "faça o que digo, mas não o que faço", ele expressa a consciência de que age em erro e que os demais agirão acertadamente se não fizerem como ele. Do ponto de vista moral, ele pecou, mas isso não retira a virtude do pensamento.
Na paralaxe, há uma distorção da consciência, que pode ser fruto de erro ou mentira, pela qual o próprio sujeito é um contraexemplo do fato que ele afirma ser real. Algo assim.
priscila#64
É bem verdade, Adermir! !
adermir#65
De nada, Josué. Agora, só para te complicar, é assim que interpreto o fato, mas isso não quer dizer que não tenho dúvidas sobre o conceito e suas implicações. Aliás, o próprio Olavo demonstrou isso aqui, há muita coisa a ser pesquisada a respeito do tema.
Abraços.
de_orkut#66
vou expressar sobre o que entendi da PAralaxe Cognitiva, a partir de excertos do Olavo e do nome: paralaxe cognitiva é o entortamento do que é reto, visto como reto e sentido como reto, mas, se comprendido sob outro contexto, é curvo.
renan_6#67
Exemplo mais claro de Paralaxe pra mim: semiólogo Roland Barthes afirmando a morte do autor.

Ou seja: suicídio literário seu, francês idiota.
priscila#68
Bom exemplo, Renan! !
adermir#69
"vou expressar sobre o que entendi da PAralaxe Cognitiva, a partir de excertos do Olavo e do nome: paralaxe cognitiva é o entortamento do que é reto, visto como reto e sentido como reto, mas, se comprendido sob outro contexto, é curvo."

DÃÃÃÃÃÃ...
inocncio#70
inocncio#71
Para consolo de Lula, de manhã ocorreu o contrário: ele foi recebido, na Vila Olímpica, com gritos de “olê, olê, olê olá... Lula, Lula!”, gingle de suas campanhas eleitorais. Trajando o agasalho oficial do Pan, ao lado de Marisa Letícia, ele visitou as instalações da Vila, brincou na sala de ginástica, tirou fotos, deu autógrafos. Muito assediado, desistiu de almoçar com os atletas e rumoupara o Hotel Sofitel, em Copacabana - não sem antes posar para fotos com os ginastas Daniela e Diogo Hipólito e Daiane dos Santos.
de_orkut#72
é ademir!

na engenharia existe o erro de paralaxe qnd medimos a coisas com aparelhos analógicos: tem que ser visto de cima, se for visto obliquamente: erro.

o cara então perspectiva o outeiro de onde observa para afirmar: é torto.

inocncio#73
Dããã (2)
lvaro_4#74
Murilo.

Realizei as experiências necessárias para tentar demonstrar alquimicamente o processo da paralaxe.

Experimento alquímico.

Verificou-se que, ao se misturar sulfato de cobre e carbonato de sódio encontram-se duas novas substâncias: sulfato de sódio e carbonato de cobre.

Horário: de 23: às 23:30 de 14 de julho de 2007.

O carbonato de cobre é azul-esverdeado e o sulfato de sódio ficou invisível.

Causa formal: o modelo de sulfato de cobre.

Causa material: Sulfato de cobre e carbonato de sódio.

Causa eficiente: O alquimista.

Causa final: Sulfato de sódio e carbonato de cobre.

Posição do céu: Sol e lua em câncer.
Vênus em virgem.

Este experimento alquímico possui analogias nas transformações na alma do alquimista que, por ser um processo subjetivo e pessoal não será comentado aqui. Mas para que se compreenda como ocorre o processo alquímico na alma do alquimista saiba que a cada um dos elementos químicos e substâncias mencionadas há um simbolismo implícito:

Simbolismo: O cobre está associado ao simbolismo e a interpretação do planeta Vênus
(por isso a localização do mapa do céu durante a experiência).

Simbolismo: O carbonato de cobre resulta numa tonalidade azul-esverdeada. Esta relação entre as cores recebe no simbolismo cristão uma interpretação ligada à guerra entre o céu e a terra. A batalha entre São Jorge e o Dragão.

Cabe ao alquimista relacionar a cada substância do experimento e suas transformações um simbolismo adequado e cabe ao alquimista desenvolver em sua vida cada um desses simbolismos: Exemplo: Na luta entre o céu e a terra, simbolismo despertado pelas substâncias azul-esverdeada do carbonato de cobre num tubo de ensaio. Cabe ao alquimista, portanto, realizar a união entre o céu e a terra, de acordo com o simbolismo profundamente meditado e vivenciado.
lvaro_4#75
Uma possibilidade para essa vivência é consultar a bíblia para verificar as relações entre o céu e a terra na perspectiva judaico-cristã. Ou consultar a mitologia pagã para verificar essa divisão simbólica entre o céu e a terra.

Será este um procedimento alquímico sem paralaxe.
lvaro_4#76
Exemplo 1: A transformação de ferro em cobre. Pela adição de pó de ferro ao sulfato de cobre. Sem existir a consciência da transformação de um metal pouco nobre num metal mais nobre.

A paralaxe impede a unidade entre a consciência do processo e o processo em si.

Experimente, por exemplo, sem tomar conhecimento do processo tomar ferro e cobre como condutores de eletricidade. Há uma diferença bastante significativa. O alquimista levará um choque maior ao realizar a experiência. Estará colocando sua vida em risco ao trabalhar, desta forma, com eletricidade.

Exemplo 2: Produção de gás carbônico por meio de bicarbonato de sódio e acidulação acética.

Paralaxe:Este procedimento torna o ar irrespirável. O alquimista ficará sufocado.

A não percepção entre o experimento real e a experiência real do alquimista poluíra o ar e contaminará a sua respiração.

Exemplo 3. Produção de oxigênio em laboratório através do aquecimento e ebulição da água oxigenada.

Paralaxe: A paralaxe seria o alquimista perceber o elemento oxigênio como necessário à vida, mas esquecê-lo durante a experiência: o que lhe causaria uma morte estúpida.
lvaro_4#77
Exemplo 4: Tentar uma acidulação acética para reagir com um comprimido de aspirina, a presença do ácido revelado na experiência seria um contra-indicativo a um problema de gastrite, pois ao tomar a reação a acidez invertida da substância produzida vai neutralizar a acidez do estômago.

Paralaxe: Produzir a acidez que, ao invés de neutralizar a acidez do estômago há de piorar a gastrite.

Resumindo: Paralaxe em laboratório é algo muito perigoso.

A paralaxe em laboratório ocorre quando o alquimista se coloca como contra-exemplo ao experimento.
lvaro_4#78
Não há paralaxe neste sentido em Platão, pois o tipo de poesia que este combate no Canto X da República é a "musa voluptuosa", a poesia lírica que contradiz a razão por princípio.

E não à poesia épica ao qual Platão era admirador devido ao seu formidável poder pedagógico.
lvaro_4#79
Me intrometendo no assunto sociologia da paralaxe.

O grande abismo que se forma no método sociológico diz respeito menos aos conceitos neo-kantianos (veja o tipo ideal weberiano em sua unidade entre experiência e teoria ou descrição empírica-objetiva e descrição subjetiva-ideal o que resolve um problema da epistemologia histórica e de formação de conceitos da tradição alemã ) do que a separação rigorosa entre empiria e produção de valores.

Já que, é totalmente impossível existir uma ciência empírica não produtora de valores.

Mas a sociologia compreensiva permitiu o hiato teórico entre esses dois fenômenos : Empiria e produção de valores, para não ter que recorrer a um argumento metafísico ou à autoridade de um imperativo categórico que elege-se um valor como supremo ao qual os outros deveriam ser subordinados, deste modo a produção de valores obedeceria a uma lógica determinada e não haveria conflitos com a ordem da experiência real.

A ruptura no método sociológico entre ciência e metafísica é a quebra da unidade que gera a esquizofrenia de muitos sociólogos.
uriel#80
.

obrigado pela resposta. Que tolice a minha.
uriel#81
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Alvaro,

tem alguns "experimentos" assim (porém não alquímicos) que custarão a vida do sujeito que esquecer de incluir a si mesmo na equação lá no site Totse.. e no Anarchist´s Cooking book aparentemente.
fernando_10#82
Isso aí tá parecendo aquele ditado: todos os cogumelos são comestíveis, alguns uma vez só.
lvaro_4#83
Meu aprendizado de alquimia ocorreu estudando os grandes tratados sobre o assunto e praticando o processo alquímico em si. Deu-se, também, por meio do estudo da simbologia comparada das religiões tradicionais e do estudo da filosofia.

É uma educação prática e autoditada.
priscila#84
Fernando, muito boa... .
Vou usar. Sempre aviso antes, e podeixá que eu cito a fonte.
lvaro_4#85
A Física de Aristóteles.

O trabalho alquímico ou a busca da perfeição: Omraam Ainvahov.

A Alquimia da felicidade: All Ghazalli.

A Alquimia da felicidade Perfeita: Ibn Arabi.

Alguns livros de Papus como Tratado Elementar de Magia Prática.

Um bom dicionário de símbolos como o da Editora Paulus é imprescindível.

Livros com "Os Símbolos da Ciência Sagrada" de Guenon também ajuda muito.

Para a montagem de um laboratório caseiro pode começar com: Guia prático de Alquimia do Frater Albertus.
uriel#86
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Alvaro,

Papus é uma fonte confiável?
ele é da "turma" do Eliphas Levi, não?

não sabia que também abordava alquimia, achei que era só magia. Cuidado que a Inquisição te pega.. he he eh
lvaro_4#87
No meu caso a alquimia deve ser praticada tendo como referência o simbolismo cristão.

Eu não sou admirador de Papus, mas para se compreender o universo da magia a obra que eu citei é de referência. Embora não seja um tratado direto de alquimia, há Em Tratado Elementar de Magia Prática muitas referências à teoria e técnica que envolvem certas transformações de substâncias e seus significados.

Eu nunca pratiquei nem vou praticar nada ensinado por Papus.

Mas conhecer a obra do sujeito é conhecer um pouco da medicina ocultista dos últimos 100 anos.
lvaro_4#88
O melhor é ter muito, muito cuidado mesmo com uma prática descuidada da alquimia que só levará a desorientação e pertubação da alma e à morte do alquimista imprudente.

Por isso deve-se associar a prática da alquimia um apego à uma religião tradicional.

No meu caso, o cristianismo católico já possui mesmo suas implicações alquímicas como a transubstanciação, a passagem da água ao vinho, o controle sobre as forças da natureza.

Mas é necessário tomar cuidado com certos estudos: Ibn Arabi, por exemplo, muitas vezes entende o Nosso Senhor Jesus Cristo como um alquimista... o que não é verdade ante o mistério da revelação divina.
raquel_2#89
Olá! Desculpem-me por ter ressuscitado esse tópico. Não estou habilitada para comentar nada sobre a paralaxe cognitiva de Barthes mas estou lendo alguns textos em torno do "Mythologies" e estou com dificuldade de encontrar o "status quaestionis" no qual se inserem tanto o autor como outro que ele cita, Ferdinand de Saussurre. Alguém pode me indicar por favor alguma leitura a respeito das controvérsias das teorias desses? Durante as "exposições" dos professores e tutores o clima beira o niilismo e a bibliografia passa por Althusser, Gramsci (não a parte do marxismo cultural, que eu li aqui por alto), Benjamin, Adorno, Marx, Engels, Freud.

De outro lado, se fosse para incorporar o Barthes nos dias de hj será que daria para descrever como mito consolidado a "morte do comunismo" e, como mito em construção, a carreira de barack obama?

obrigada!
ari_orkut#90
Alguém por favor religa o link da, Priscila? Eu tentaria, mas não sei do que se trata.
ari_orkut#91
Obrigado mesmo assim.
Abraços.
raquel_2#92
Cardini!

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