Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Paralaxe Cognitiva: Exemplos eloqüentes.

Iniciado por lvaro_4 em 18/09/2006 · 92 mensagens · página 1 de 2

lvaro_4#1
Foucault:

Foucault não compreende o autor como um indivíduo falante que pronunciou ou escreveu um texto, mas o autor como um “princípio de agrupamento do discurso”, como unidade e origem de suas significações e como foco de sua coerência.

Paralaxe: Se o autor não é o sujeito do discurso mais sim o jogo de poder que lhe é imposto e o sentido estruturado que lhe antecede, quem escreveu os livros de Foucault???

Melhor: Quem escreve as dissertações e teses que tentam provar a perspectiva de Foucault???
lvaro_4#2
Habermas

Acompanhemos o debate entre Habermas e Bento XVI.

Paralaxe: Habermas ao mesmo tempo que faz uma crítica à metafísica tradicional e reformula o pensamento pós-metafísico como uma chave hermenêutica para os tempos modernos, ao mesmo tempo em que valoriza a Cabala como método de interpretação prático para às ciências humanas, esquece do esteio judaico-cristão que, durante séculos, preparou o caminho para os valores civilizacionais, entre eles, a democracia, e recorre ao artifício da racionalidade comunicativa para celebrar e secularizar aquilo que ele mesmo rejeitou em sua explicação sociológica: O senso do sagrado.

Antídoto: Tivera Habermas estudado melhor Durkheim e veria que nenhuma racionalidade é constituída de ontologia própria para sustentar por si as bases de um regime político e são apenas manifestações conceituais de um objeto maior que lhe é anterior e que cria o espaço para sua existência.

Habermas fala muito em "patologias da modernidade", a verdadeira patologia (que Weber já conhecia o início,o meio e o fim e que era a expressão viva), é nada menos do que uma constatação de método e uma crise nos valores da própria ciência que apenas se intensifica no mundo social moderno.

Uma crise no método que abre o caminho para uma patologia humana constituída daquilo que é tão eloquente dos sinais dos tempos: a separação radical entre o ser e o conhecer.
lvaro_4#3
Weber: Separação inconciliável entre o valor e a objetividade.

Paralaxe: Abismo epistemológico profundo entre a ciência objetiva e as conclusões práticas de um saber científico. Weber nunca mais recuperou a saúde depois dessa.

Antídoto: Estudem a lógica dos valores de Heinrich Rickert.

Kant: Impossibilidade de representar a coisa em si por conceitos.

Paralaxe: Ao tratar as categorias do entendimento como as bases para a compreensão da realidade por meio de conceitos Kant reduz o conceito à qualidade de “signo” e não consegue explicar de que signo trata especificamente.

Antídoto: Leiam as Categorias de Aristóteles, É tiro e queda.

Sartre: Texto: O existencialismo é um humanismo.

Paralaxe: Fazer a apologia da consciência individual para depois servi-la de bandeja à consciência de classe coletivista.

Antídoto: As palavras de Jesus Cristo: “Não se pode servir a dois senhores”.
csarkyn#4
hehehe. Muito boas.
priscila#5
Sem intenção alguma de contestar a excelência de seus exemplos - mas como contribuição pra explicar ao mundo em geral e aos membros da comunidade em particular (aos que não sabem direito, é claro - o que é gente à beça) o que significa paralaxe cognitiva - esse termo tão preciso e tão necessário que o Olavo de Carvalho cunhou - aí vai o link para um texto do blog do nosso amigo Lucas Mafaldo:

http://www.lucasmafaldo.contracorrente.com.br/index.…ck-mountain/

O texto não é especificamente sobre paralaxe cognitiva - é um conjunto de comentários sobre um filme. Mas aponta, en passant e com pontaria certeira, um claro exemplo de paralaxe cognitiva. Como pessoalmente penso que o fenômeno virou praga, daquelas arrasadoras - e se tornou mesmo um comportamento dominante, acho que ele precisa ser denunciado sempre - pra que (quem sabe) as pessoas possam, a partir da compreensão de seu significado, "cair em si" e (quem sabe de novo) se livrar de tão abominável vício.

Sem beijoca pra tu, que tu é muito pedante - mas com meu abraço sincero!
uriel#6
.

há alguma ligação com a esquizofrenia ou dissociação?
uriel#7
.

para não cansar a vista, sempre que foi ler esses artigos, seleciono o texto inteiro com o mouse, copio e "colo" no Microsof Word, onde formato-o para facilitar a leitura (Times New Roman 12 , espaço entre parágrafos duplo)

Ao fazê-lo, qual não foi minha surpresa ao constatar que o número total de páginas do artigo é.. 24!

Sincronicidades? cripto-mensagem?..

uriel#8
ERRATA: para não cansar a vista, sempre que vou ler esses artigos, seleciono o texto inteiro com o mouse (...)
lvaro_4#9
Priscila... Eu sou pedante???

blá...

Beijocas pra tu.

TE AMO!!!!!!!!!!!

Uriel

"há alguma ligação com a esquizofrenia ou dissociação"?

Sim. São os filosófos de alma rachada que nunca conseguiram conciliar seus métodos e sua própria vida e na ausência da unidade entre filosofia e biografia e na falta da síntese superior futura abre-se o abismo da paralaxe.

Neste abismo que são nada menos que a rachadura da alma humana nascem esquizofrenias do tipo nietzchiana e weberiana.
lvaro_4#10
Segue um link interessante:

[url]/CommMsgs.aspx?cmm=599335&tid=2487298095353918322&start=1[/url]
lvaro_4#11
Popper: Em seu falsificacionismo ou falseabilidade propõem que definamos um enunciado científico que logo em seguida deverá ser " testado" por nós.

Os conceitos de "objetividade científica" e "convicção subjetiva" seguem as categorias kantianas.

Paralaxe:Ora, testar um enunciado é falseá-lo, falseá-lo é negá-lo.

à convicção subjetiva não pode objetivar a tese e o enunciado por que esta ainda compreende o mundo por conceitos e Categorias do Entendimento ou intuição.

No demais, Popper nunca abandonou a idéia de "coisa-em-si".

Método de Popper??? Que método???

Se nem a intuição nem a razão tendem à verdade do enunciado???

Profilaxia:

Isso nada mais é do que uma reexposição menor da dialética aristotélica exposta nos tópicos. Uma reexposição da peirástica.

Ou seja, jogar uma contratese em cima de uma tese.

Utilizar uma segunda premissa para negar a antecedente.

Deve se ir direto as fontes:

Quem não bebe da fonte não sabe o que tá bebendo.
renato_2#12
Uriel, só uma ajuda nerd. A maioria dos browser vc pode aumentar o tamanho da fonte. Não precisa ter esse trabalho. Abraço.
lucas_6#13
Exempplo eloqüente de paralaze cognitiva no debate: Lula diz que Mário Covas era um homem decente e, por isso, não se aliou com Collor.

Detalhe: Lula está aliado com Collor.

Mas será paralaxe mesmo ou confissão de sua indecência?
lucas_6#14
Pois é, Silvio. Eu só queria aproveitar a chance para falar mal do Lula. E acho que você também! Afinal, o que é ruim para o PT é bom para o Brasil! (que lema, ein?)
lvaro_4#15
Bom... vamos lá...

I

Quem leu "A Lógica da Investigação Científica" de Karl Popper conhece o conceito de falseabilidade, a formulação de enunciados e hipóteses e os conceitos de "objetividade científica" e "convicção subjetiva".

II

Quem leu A Crítica da Razão Pura de Kant sabe a distinção entre Juízo Analítico Sintético e A Priori, Categorias do Entendimento e Intuição, Conceito Empírico e Conceito Puro.

III

Quem junta uma coisa com a outra percebe que Popper pratica uma epistemologia neokantiana, principalmente quando este define os conceitos de "objetividade" e subjetividade".

Conclui-se que muitas limitações da metodologia de Popper têm origem no kantismo, aliás, como muitas das limitações das Ciências Sociais em Geral.
lvaro_4#16
Uma dessas limitações e a incapacidade de conhecer a coisa tal como ela é: A incapacidade noumenal de compreender as coisas em si.

Ora, o enunciado então por si só é incapaz de ser compreendido tal qual.

A objetividade então já entra como um conceito falho.

Provoco a questão: “Como a falseabilidade pode testar algo que nem os conceitos ou Categorias do Entendimento podem apreender de fato???

Crítica:

A falseabilidade é uma retórica artificial travestida de Analítica.

E uma simples reexposição absolutamente menor da Dialética Aristotélica.

Essa sim! A Dialética de Aristóteles pode testar uma tese e complementa-la, refutá-la, etc...

E o princípio da falseabilidade em Popper é diretamente apoiado na negação de um enunciado.

Isso é fracamente reelaborado da Dialética e da Peirástica.

A Paralaxe está no abismo entre a definição e o método.
lvaro_4#17
Alguém mais??

Alguém gostaria de continuar o tópico???

Sílvio??? Lucas???

Enquanto isso, vamos aplicando o princípio da falseabilidade a si mesmo para que este se auto anule.

O que é uma prova do que eu estou dizendo: O princípio da falseabilidade é uma retórica travestida de analítica.

Se o princípio da falseabilidade fosse auto-evidente não admitiria uma contraditória unívoca.

Isto é: Haveria a impossibilidade do seu contrário.
uriel#18
.

trocando em miúdos, é possível "falseabilizar" o conceito de falseabilidade de Popper?

he he eh eh
christian#19
O artigo do comunista Oscar Niemeyer na Falha de São Paulo é um belo exemplo de paralaxe cognitiva. Diz ele que "Tinha de me manifestar, e apresentei um motivo, a meu ver, suficiente, para justificar a permanência de Lula no poder". E ele se refere à capacidade que Lula tem de alinhar o país aos interesses revolucionários de Fidel, Chávez e Morales.

É muita asneira junta.

A falácia da integração latino-americanahttp://gropius.awardspace.com/?p=405
priscila#20
Senbhor, tenha piedade de nós.
Tenha piedade dos estúpidos, que não veem você quando você aparece, e não reconhecem seus sinais nem quando pisam neles.
Porque alguns de nós viram o senhor, e o reconheceram ao vê-lo, e souberam do que se tratava, de quem se tratava, e qual era o assunto importante: aquele assunto que era mais fundamental do que a grana disponível, e mais importante do que o poder conseguível, e mais interessante do que os parceiros possíveis.
Tenha piedade de todos, senhor - daqueles que não perceberam o senhor, e que eu listei acima, e sobretudo daqueles tais que viram o senhor e o reconheceram como tal, sim - e hoje são execrados por esse motivo, e perseguidos por esse motivo, e excluídos por esse motivo.

I find letters of God droped in the street, and every one is signed by God's name,
And I leave them where they are, for I know that wheresoever I go,
Others will punctually come, for ever and ever.


Walt Whitman, "Song of Myself", Leaves of Grass.
lvaro_4#21
Para mim Kant é um dos campeões universais da paralaxe.

Pelos motivos que eu descrevi aqui.

Tirem o Verbo Encarnado como realidade ou, ao menos, como possibilidade: é todo o universo conceitual kantiano com suas categorias puras que nem se remetem à experiência real nem a abstração filosófica em si. É tudo um conjunto ilimitado de pegadinhas.

Mas, fico pensando... os perigos e riscos de uma paralaxe cristã!

Pois o pensamento escolástico, muitas vezes, parece tender a ir nesse caminho.

Não encontro paralaxe nenhuma, por exemplo, na obra de Santo Agostinho que é ao meu ver a indissolúvel unidade entre biografia e filosofia, entre o ser e a consciência.

Mas no tomismo dialético-escolástico já percebo uma certa perda desta unidade.

É olha que o Tomismo para mim é para pensadores como Chersteton é a grande síntese cristã da Idade Média.

Será que o mal maior das investigações dialéticas seja a ruptura entre o ser e a consciência???

Não será melhor retornar, ao menos, à fenomenologia???

Fica claro a descontinuidade entre o cogito agostiniano e o caminho tomado pelos escolásticos.

Esta, talvez seja, uma das grandes rupturas com o ideal de unidade cristã de sabedoria e filosofia.

Se o Cogito agostiniano tivesse atravessado a abstração de certos conceitos escolásticos nós teríamos sido poupados de Kant... de Descartes...
fbio_6#22
Muito bom, Álvaro!
lvaro_4#23
Obrigado, Fábio.

Estou propondo à comunidade que volte a discutir o problema da paralaxe cognitiva.

Tô tentanto "provocar" um pouquinho o debate.

Abraço.
lvaro_4#24
Abri também este tópico em que - ao invés de citar exemplos da paralaxe - investigo o fenômeno como eu o entendo.

Rastreando a paralaxe: a fenomenologia de Olavo
adermir#25
Bom, Alvaro, vou ter que dar uma contribuição modesta ao tema por me faltar suficiente formação filosófica. Mas como venho da psicologia, acho que podemos dialogar.
Entendo, como você parece entender, que a paralaxe é um fenômeno de distorção do processo de conhecimento, causado pela alienação do cognoscente em relação ao seu objeto; essa alienação faz com que o estudioso deixe de perceber que suas conclusões só adquirem validade se partirem da premissa de que o estudioso não faz parte do mundo do objeto, é um sujeito abstrato a ele, porque se fizer parte, constituirá ele mesmo uma refutação lógica à própria conclusão. Assim, quando Marx, um burguês, afirma que a revolução nasce da tomada da consciência de classe pelo proletariado, esquece-se que se é ele quem toma essa consciência, está falseando seu próprio argumento.
Houve uma discussão muito interessante trazida nesta comunidade num tema sobre a tortura, quando a certa altura uma participante disse que só era a favor de que se torturasse quem fosse a favor da tortura; ora, nesse momento se esqueceu ela de que se ela era a favor da tortura, por seus próprios critérios deveria ser torturada também. A conclusão extrema do seu raciocínio levaria à admissão da tortura em si mesma para todos os casos.
priscila#26
Eu defino a paralaxe cognitiva como "esquizofrenia consentida", Uriel.
É como eu entendo, e já mencionei aqui antes.
lvaro_4#27
esquizofrenia consentida???

Mas o fenômeno não tem nada haver com desonestidade nem com hipocrisia.

Nem com uma escolha deliberada: 'Eu vou ser um equizofrênico dotado de paralaxe".

A paralaxe é um defeito cognitivo.
lvaro_4#28
Se bem que eu peguei muito pesado com Weber.

Weber, talvez, tenha percebido, que em sua metodologia a paralaxe surgiria como um fenômeno inevitável.

Um abismo intrasponível.

E que seria uma característica da atividade científica, moderna e acadêmica.

Por isso a contradição insolúvel entre ciência empírica e produção de valores.

Que leva o sujeito a enxergar um processo, mas a teorizar outro.

Mas Weber tinha escrúpulos e passou a defender o apego a uma vocação, ao politeísmo de valores e a busca por novos profetas como um antídoto à racionalização formal de todo o processo científico.
lvaro_4#29
A lógica dos valores de Rickert é uma lógica do sentido.

O que não tem valor não pode ter sentido.

E o que não tem sentido não tem nenhum falor.

Na lógica dos valores a produção do valor da verdade não entra em contradição com os valores do mundo empírico.

Esse seria um antídoto para a paralaxe da racionalidade científica como um processo meramente formal.
lvaro_4#30
Ademir.

"Assim, quando Marx, um burguês, afirma que a revolução nasce da tomada da consciência de classe pelo proletariado, esquece-se que se é ele quem toma essa consciência, está falseando seu próprio argumento".

Gramsci tentou solucionar este problema criando a figura do intelectual orgânico que fala em nome de uma classe. Deste modo, Marx seria um intelectual orgânico do movimento operário.

Mas o conceito de "intelectual" ai como tudo em Gramsci só serve a um pretexto revolucionário: um analfabeto que colabora com o processo revolucionário já é um intelectual.

Tentou-se tapar o rombo da paralaxe marxista e criou-se um fenômeno absurdamente ainda maior.
lvaro_4#31
Cesar.

É por isso que eu tô provocando este debate.

Devido à oportunidade e importância do curso do Olavo.

Mas, note bem: paralaxe não é apenas uma contradição.

Lembrando da célebre distinção entre contrário e contraditório, veremos que na paralaxe o conhecimento do sujeito cognoscente é contrario ao seu próprio material de reflexão. O sujeito cognoscente abre um abismo entre sua consciência e a experiência percebida.

A paralaxe não é uma simples contradição: é um problema de percepção da realidade.
priscila#32
Ô, meu fidalgo, tu não entendeu a sutileza da coisa!

Esquizofrenia consentida é, é claro, um oxímoro: mas aí está exatamente a beleza do termo, que reflete o absurdo e a contradição inerentes ao comportamento que a expressão tenta definir!

"Paralaxe cognitiva" não é sinônimo de hipocrisia, ça va sans dire - e "esquizofrenia consentida" também não!

Enfim, digamos que a paralaxe cognitiva resulta de uma "esquizofrenia consentida", e que a esquizofrenia consentida causa uma "paralaxe cognitiva"- e podemos discutir se é isso ou vice-versa, mas elsewhere, pra não torrar a paciência dos confrades.

Faço questão, não - e espero que cê também não faça!
Beijoca!
adermir#33
Tentou-se tapar o rombo da paralaxe marxista e criou-se um fenômeno absurdamente ainda maior."

Perfeitamente de acordo. O "intelectual orgânico" de Gramsci é ele mesmo um exemplo de paralaxe cognitiva.
adermir#34
Como o Alvaro disse, paralaxe não é o mesmo que contradição. Esta se verifica no interior do discurso, revelando uma incongruência lógica entre as idéias encadeadas, o que não necessariamente implica o falante. Na paralaxe a contradição se verifica não entre as idéias, mas entre as premissas adotadas e o sujeito falante, o qual pela própria existência lhes nega a validade
adermir#35
Esquizofrenia consentida? Não sei não. Consentir é um ato de vontade e implica uma ação do outro sobre aquele que consente. Seria esse termo mais adequado para descrever a atitude daqueles que permanecem silentes ou cúmplices enquanto o mal se instala. Esquizofrenia consentida é o apoio ao governo do PT por parte daqueles a quem o PT quer destruir.
Não vejo consentimento na paralaxe. A esquizofrenia está na autopercepção do sujeito, na cegueira para a contradição flagrante entre o que ele é e o que ele constrói como visão de mundo. Seria mais uma esquizofrenia do discurso, talvez. Mas não é consentida.
priscila#36
Ô, mas plus ça change...´

Paralaxe cognitiva é uma expressão que tinha que ser inventada pelo gênio de alguém (foi o do Olavo, Deus o abençoe) pra definir um fenômeno amplamente existente, e sem nome até então.

Difere da hipocrisia, porque não é consciente. A paralaxe cognitiva aparece como definidora do estado de "consciência abolida", embora não represente a abolição da razão.

A paralaxe cognitiva é a minha demonstração favorita e mais contundente de que a minha tese sobre a inteligência está certa! !
adermir#37
priscila#38
Adermir,

"Esquizofrenia consentida" é um jeu de mots, uma caricatura oximórica pra enfatizar aonde a paralaxe cognitiva pode chegar.

"Paralaxe cognitiva" é um termo real, definidor de uma condição de fato existente, um achado olaviano, preciso e sério.

"Esquizofrenia consentida" é uma definição exagerada, priscílica, graficamente expressiva da mesma coisa.
priscila#39
!
lvaro_4#40
“Acho que teriamos que começar definindo as coisas..por exemplo, o que exatamente é paralaxe: contradi¸¸cao, percepçao do real diferente do enunciado teórico..etc”!

Para definir “paralaxe cognitiva”, utilizando-me da distinção aristotélica entre o gênero próximo e a diferença específica, procedo assim.

Paralaxe Cognitiva

Definição: Percepção deslocada.

Acrescento um predicativo: Realidade.

Logo: Paralaxe Cognitiva = Percepção deslocada da realidade.

Em que: Gênero Próximo: Percepção.

Diferença específica: deslocada.

Predicativo: Realidade.

Explicação: A paralaxe cognitiva é um tipo de percepção de realidade que expressa um ato cognitivo, mas desloca o eixo entre a experiência conhecida e a consciência cognoscente.

Todo mundo entendeu???

Se ficou obscuro... ninguém se acanhe. Poderei explicar melhor.
lvaro_4#41
"Perguntinha básica: de onde vcs tiram as informaçoes sobre paralaxe, se o livro ainda nao saiu"?

Resposta: Eu tô tentando colar uns cacos e uns fios da meada que eu pego aqui e acolá.

Isto é: Eu tô tentando expressar o conceito de paralaxe cognitiva tal qual eu compreendo e tal qual eu percebo. Sem ter tido a oportunidade de ter estudado as fontes mais diretas do trabalho do Olavo de Carvalho.

Mas acho que o Olavo não ficará chateado comigo por isso... eu tô me esforçando com sinceridade para entender uma realidade que percebi. Poderei ser inexato de alguma forma, mas tô tentando decifrar a questão.

Mas se o professor Olavo de Carvalho proibir de eu tratar em público do assunto, tudo bem.

Se tem uma coisa que eu respeito neste mundo é a autoridade de um professor.
lvaro_4#42
Murilo.

Poderei demostrar aqui alquimicamente o processo da paralaxe:

Mas, para isso, terei que ir no meu laboratório alquímico misturar algumas substâncias.

É uma forma de raciocínio analógico.

Não poderei fazer isso agora.

Mas vou fazer as experiências hoje à noite e amanhã de manhã eu posto aqui a demostração.

Abraço
priscila#43
Causa da paralaxe cognitiva - bem, o imbecil coletivo!
Efeito da paralaxe cognitiva? - ué, o imbecil coletivo!

Chama-se feed back, o efeito realimentador circular.

O bloqueio da consciência com a manutenção da razão.

Tá bom, vou esperar o Olavo, que afinal de contas cunhou o termo!!!!!
lvaro_4#44
Marcos.

"A estimulação contraditória pode ser apontada como uma das causas da paralaxe cognitiva' ?

A estimulação contraditória é muito utilizado em lavagens cerebrais e em alterações do estado de consciência. A prática constante de uma teoria que negue a realidade ao invés de testá-la ou comprová-la pode ser considerado um tipo de estimulação contraditória. A própria prática da atividade científica em si quando se perde a noção de busca da unidade do conhecimento e quando se coloca o objeto de investigação como separado do sujeito são sementes da paralaxe.

A resposta à sua questão, ao meu ver, é sim.

E este é um tema que merece muita demostração.
lvaro_4#45
"Qual o critério de realidade válido"?

O critério de realidade é o da realidade objetiva que independe do sujeito cognoscente.

Como se reconhece a realidade objetiva é uma questão de conhecimento.

De conhecimento que forma uma identidade-unidade entre objeto e sujeito.

Daí você fazer o teste: Aplique a teoria de um sujeito a ele mesmo, se há o contraditório há paralaxe. Se o indivíduo não existe no mundo em que teoriza, havendo a ruptura da unidade entre o ser e o conhecer, há paralaxe.

Exemplos: Postei neste tópico vários exemplos, pode conferir.
olavo#46
Considero muito bem vindas as discussões sobre a paralaxe, mesmo antes da edição do meu livro, que ainda nem acabei de escrever. Já dei muitas aulas a respeito e o material existente basta para dar ocasião a muitas discussões, que antes podem me ajudar do que atrapalhar.
Só é importante ter em mente o seguinte: a paralaxe não é uma teoria, é o nome que dou a um fenômeno histórico comprovado, cujo alcance e contornos falta ainda medir e delinear, sendo este precisamente o objetivo do estudo que estou fazendo agora.
Quando Aristóteles diz que o homem é um animal racional, está claro que ele mesmo é um animal racional. Mas, quando Hobbes diz que todos os homens só agem por medo e desejo de poder, não fica claro como o medo e o desejo de poder puderam gerar a ciência hobbesiana. Quando Maquiavel diz que o príncipe deve matar os que o ajudaram, ele não informa se ele próprio deve ser o primeiro deles, como autor do plano e portanto ajudante-mor. É evidente que as relações entre teoria e percepção da realidade existencial não as mesmas em Aristóteles e em Maquiavel ou Hobbes.
O assunto tem tantos aspectos superpostos que mal tenho conseguido abrangê-los na pesquisa. Os principais são:
1 - Estrutura lógica da paralaxe - Articulação experiência-teoria.
2 - Estrutura psicológica - Relação entre a auto-imagem existencial e a atividade teorizante.
3 - Estrutura verbal - Relação entre as técnicas narrativas existentes e as tendências concomitantes de construção teórica.
4 - Relações entre a paralaxe e a ocultação proposital (no sentido de Leo Strauss).
5 - Evolução histórica do fenômeno.
É uma montanha de problemas, dos quais espero resolver pelo menos alguns.
Obrigado a todos pela colaboração.
uriel#47
.

Lembro que na Repúb. Platão afirma que os poetas deveriam ser expulsos da Repúb. pois falsificam a verdade. Porém o próprio Platão era poeta, não?

preciso achar essa passagem e ver o que dizem os comentaristas de Platão.
priscila#48
Eu gosto do meu termo "esquizofrenia consentida" porque acho que se trata disso, mesmo. O termo é, em si, absurdo: tão absurdo quanto o fenômeno que descreve.
Na esquizofrenia, a fratura decorrente da cisão da personalidade fica "aberta", exposta, deixando clara a condição patológica.
Numa esquizofrenia "consentida", a fratura é negada, pois o sujeito constrói "pontes" entre as duas metades contraditórias - ou seja, recorre a sofismas para navegar entre elas, e fazê-las coexistir.

Mas paralaxe cognitiva é, senão patologia clínica, evidente patologia moral.
priscila#49
O dia em que a consciência fosse admitida como um ente real e perceptível, e parte indispensável da inteligência humana, seria fácil compreender que processos de bloqueio dessa consciência levam, inevitavelmente, ao comprometimento do processo de inteligência.

É o que eu sinceramente penso.

O bloqueio se manifesta numa síndrome da qual a paralaxe cognitiva é um dos sintomas. A coexistência forçada de "reais" incompatíveis, mostra que a razão funciona, mas a consciência, não. A razão é capaz de criar os sofismas - e a consciência bloqueada não mais os identifica. E por aí vai o sujeito.

Bloqueios da consciência podem ser provocados por inúmeros fatores - e podem ser parte programada de um projeto ou não. Suponho que possa acontecer por circunstâncias apenas indiretamente ligadas a um projeto.

A tendência de que um bloqueio de consciência provoque uma paralaxe cognitiva tende a ser alta, e quanto mais bloqueados, tanto mais portadores de paralaxe.
inocncio#50
Exemplo eloquente:

IBOPE e Datafolha: Lula tem 64% de aprovação

Abertura dos Jogos Panamericanos - Rio 2007: Mais de 70.000 pessoas presentes. Lula é vaiado de tal forma que mal pode ler um seu discurso.

O eixo de percepção vai para um lado totalmente oposto à realidade. Aquelas 70.000 pessoas selecionadas ao acaso, vai ver, representam a "oposição" em massa, aquela minoria que não está satisfeita com o governo. Claro, o Maracanã sempre foi e sempre será um palco da alta elite brasileiro, sempre frequentado pela nata da população carioca devido às suas luxuosas instalações e aos eventos extremamente elitistas que ali ocorrem com freqüência.

‹ Voltar para a lista de tópicos