Foucault não compreende o autor como um indivíduo falante que pronunciou ou escreveu um texto, mas o autor como um “princípio de agrupamento do discurso”, como unidade e origem de suas significações e como foco de sua coerência.
Paralaxe: Se o autor não é o sujeito do discurso mais sim o jogo de poder que lhe é imposto e o sentido estruturado que lhe antecede, quem escreveu os livros de Foucault???
Melhor: Quem escreve as dissertações e teses que tentam provar a perspectiva de Foucault???
Paralaxe: Habermas ao mesmo tempo que faz uma crítica à metafísica tradicional e reformula o pensamento pós-metafísico como uma chave hermenêutica para os tempos modernos, ao mesmo tempo em que valoriza a Cabala como método de interpretação prático para às ciências humanas, esquece do esteio judaico-cristão que, durante séculos, preparou o caminho para os valores civilizacionais, entre eles, a democracia, e recorre ao artifício da racionalidade comunicativa para celebrar e secularizar aquilo que ele mesmo rejeitou em sua explicação sociológica: O senso do sagrado.
Antídoto: Tivera Habermas estudado melhor Durkheim e veria que nenhuma racionalidade é constituída de ontologia própria para sustentar por si as bases de um regime político e são apenas manifestações conceituais de um objeto maior que lhe é anterior e que cria o espaço para sua existência.
Habermas fala muito em "patologias da modernidade", a verdadeira patologia (que Weber já conhecia o início,o meio e o fim e que era a expressão viva), é nada menos do que uma constatação de método e uma crise nos valores da própria ciência que apenas se intensifica no mundo social moderno.
Uma crise no método que abre o caminho para uma patologia humana constituída daquilo que é tão eloquente dos sinais dos tempos: a separação radical entre o ser e o conhecer.
Weber: Separação inconciliável entre o valor e a objetividade.
Paralaxe: Abismo epistemológico profundo entre a ciência objetiva e as conclusões práticas de um saber científico. Weber nunca mais recuperou a saúde depois dessa.
Antídoto: Estudem a lógica dos valores de Heinrich Rickert.
Kant: Impossibilidade de representar a coisa em si por conceitos.
Paralaxe: Ao tratar as categorias do entendimento como as bases para a compreensão da realidade por meio de conceitos Kant reduz o conceito à qualidade de “signo” e não consegue explicar de que signo trata especificamente.
Antídoto: Leiam as Categorias de Aristóteles, É tiro e queda.
Sartre: Texto: O existencialismo é um humanismo.
Paralaxe: Fazer a apologia da consciência individual para depois servi-la de bandeja à consciência de classe coletivista.
Antídoto: As palavras de Jesus Cristo: “Não se pode servir a dois senhores”.
Sem intenção alguma de contestar a excelência de seus exemplos - mas como contribuição pra explicar ao mundo em geral e aos membros da comunidade em particular (aos que não sabem direito, é claro - o que é gente à beça) o que significa paralaxe cognitiva - esse termo tão preciso e tão necessário que o Olavo de Carvalho cunhou - aí vai o link para um texto do blog do nosso amigo Lucas Mafaldo:
O texto não é especificamente sobre paralaxe cognitiva - é um conjunto de comentários sobre um filme. Mas aponta, en passant e com pontaria certeira, um claro exemplo de paralaxe cognitiva. Como pessoalmente penso que o fenômeno virou praga, daquelas arrasadoras - e se tornou mesmo um comportamento dominante, acho que ele precisa ser denunciado sempre - pra que (quem sabe) as pessoas possam, a partir da compreensão de seu significado, "cair em si" e (quem sabe de novo) se livrar de tão abominável vício.
Sem beijoca pra tu, que tu é muito pedante - mas com meu abraço sincero!
para não cansar a vista, sempre que foi ler esses artigos, seleciono o texto inteiro com o mouse, copio e "colo" no Microsof Word, onde formato-o para facilitar a leitura (Times New Roman 12 , espaço entre parágrafos duplo)
Ao fazê-lo, qual não foi minha surpresa ao constatar que o número total de páginas do artigo é.. 24!
"há alguma ligação com a esquizofrenia ou dissociação"?
Sim. São os filosófos de alma rachada que nunca conseguiram conciliar seus métodos e sua própria vida e na ausência da unidade entre filosofia e biografia e na falta da síntese superior futura abre-se o abismo da paralaxe.
Neste abismo que são nada menos que a rachadura da alma humana nascem esquizofrenias do tipo nietzchiana e weberiana.
Popper: Em seu falsificacionismo ou falseabilidade propõem que definamos um enunciado científico que logo em seguida deverá ser " testado" por nós.
Os conceitos de "objetividade científica" e "convicção subjetiva" seguem as categorias kantianas.
Paralaxe:Ora, testar um enunciado é falseá-lo, falseá-lo é negá-lo.
à convicção subjetiva não pode objetivar a tese e o enunciado por que esta ainda compreende o mundo por conceitos e Categorias do Entendimento ou intuição.
No demais, Popper nunca abandonou a idéia de "coisa-em-si".
Método de Popper??? Que método???
Se nem a intuição nem a razão tendem à verdade do enunciado???
Profilaxia:
Isso nada mais é do que uma reexposição menor da dialética aristotélica exposta nos tópicos. Uma reexposição da peirástica.
Ou seja, jogar uma contratese em cima de uma tese.
Utilizar uma segunda premissa para negar a antecedente.
Pois é, Silvio. Eu só queria aproveitar a chance para falar mal do Lula. E acho que você também! Afinal, o que é ruim para o PT é bom para o Brasil! (que lema, ein?)
Quem leu "A Lógica da Investigação Científica" de Karl Popper conhece o conceito de falseabilidade, a formulação de enunciados e hipóteses e os conceitos de "objetividade científica" e "convicção subjetiva".
II
Quem leu A Crítica da Razão Pura de Kant sabe a distinção entre Juízo Analítico Sintético e A Priori, Categorias do Entendimento e Intuição, Conceito Empírico e Conceito Puro.
III
Quem junta uma coisa com a outra percebe que Popper pratica uma epistemologia neokantiana, principalmente quando este define os conceitos de "objetividade" e subjetividade".
Conclui-se que muitas limitações da metodologia de Popper têm origem no kantismo, aliás, como muitas das limitações das Ciências Sociais em Geral.
O artigo do comunista Oscar Niemeyer na Falha de São Paulo é um belo exemplo de paralaxe cognitiva. Diz ele que "Tinha de me manifestar, e apresentei um motivo, a meu ver, suficiente, para justificar a permanência de Lula no poder". E ele se refere à capacidade que Lula tem de alinhar o país aos interesses revolucionários de Fidel, Chávez e Morales.
Senbhor, tenha piedade de nós.
Tenha piedade dos estúpidos, que não veem você quando você aparece, e não reconhecem seus sinais nem quando pisam neles.
Porque alguns de nós viram o senhor, e o reconheceram ao vê-lo, e souberam do que se tratava, de quem se tratava, e qual era o assunto importante: aquele assunto que era mais fundamental do que a grana disponível, e mais importante do que o poder conseguível, e mais interessante do que os parceiros possíveis.
Tenha piedade de todos, senhor - daqueles que não perceberam o senhor, e que eu listei acima, e sobretudo daqueles tais que viram o senhor e o reconheceram como tal, sim - e hoje são execrados por esse motivo, e perseguidos por esse motivo, e excluídos por esse motivo.
I find letters of God droped in the street, and every one is signed by God's name,
And I leave them where they are, for I know that wheresoever I go,
Others will punctually come, for ever and ever.
Para mim Kant é um dos campeões universais da paralaxe.
Pelos motivos que eu descrevi aqui.
Tirem o Verbo Encarnado como realidade ou, ao menos, como possibilidade: é todo o universo conceitual kantiano com suas categorias puras que nem se remetem à experiência real nem a abstração filosófica em si. É tudo um conjunto ilimitado de pegadinhas.
Mas, fico pensando... os perigos e riscos de uma paralaxe cristã!
Pois o pensamento escolástico, muitas vezes, parece tender a ir nesse caminho.
Não encontro paralaxe nenhuma, por exemplo, na obra de Santo Agostinho que é ao meu ver a indissolúvel unidade entre biografia e filosofia, entre o ser e a consciência.
Mas no tomismo dialético-escolástico já percebo uma certa perda desta unidade.
É olha que o Tomismo para mim é para pensadores como Chersteton é a grande síntese cristã da Idade Média.
Será que o mal maior das investigações dialéticas seja a ruptura entre o ser e a consciência???
Não será melhor retornar, ao menos, à fenomenologia???
Fica claro a descontinuidade entre o cogito agostiniano e o caminho tomado pelos escolásticos.
Esta, talvez seja, uma das grandes rupturas com o ideal de unidade cristã de sabedoria e filosofia.
Se o Cogito agostiniano tivesse atravessado a abstração de certos conceitos escolásticos nós teríamos sido poupados de Kant... de Descartes...
Bom, Alvaro, vou ter que dar uma contribuição modesta ao tema por me faltar suficiente formação filosófica. Mas como venho da psicologia, acho que podemos dialogar.
Entendo, como você parece entender, que a paralaxe é um fenômeno de distorção do processo de conhecimento, causado pela alienação do cognoscente em relação ao seu objeto; essa alienação faz com que o estudioso deixe de perceber que suas conclusões só adquirem validade se partirem da premissa de que o estudioso não faz parte do mundo do objeto, é um sujeito abstrato a ele, porque se fizer parte, constituirá ele mesmo uma refutação lógica à própria conclusão. Assim, quando Marx, um burguês, afirma que a revolução nasce da tomada da consciência de classe pelo proletariado, esquece-se que se é ele quem toma essa consciência, está falseando seu próprio argumento.
Houve uma discussão muito interessante trazida nesta comunidade num tema sobre a tortura, quando a certa altura uma participante disse que só era a favor de que se torturasse quem fosse a favor da tortura; ora, nesse momento se esqueceu ela de que se ela era a favor da tortura, por seus próprios critérios deveria ser torturada também. A conclusão extrema do seu raciocínio levaria à admissão da tortura em si mesma para todos os casos.
Weber, talvez, tenha percebido, que em sua metodologia a paralaxe surgiria como um fenômeno inevitável.
Um abismo intrasponível.
E que seria uma característica da atividade científica, moderna e acadêmica.
Por isso a contradição insolúvel entre ciência empírica e produção de valores.
Que leva o sujeito a enxergar um processo, mas a teorizar outro.
Mas Weber tinha escrúpulos e passou a defender o apego a uma vocação, ao politeísmo de valores e a busca por novos profetas como um antídoto à racionalização formal de todo o processo científico.
"Assim, quando Marx, um burguês, afirma que a revolução nasce da tomada da consciência de classe pelo proletariado, esquece-se que se é ele quem toma essa consciência, está falseando seu próprio argumento".
Gramsci tentou solucionar este problema criando a figura do intelectual orgânico que fala em nome de uma classe. Deste modo, Marx seria um intelectual orgânico do movimento operário.
Mas o conceito de "intelectual" ai como tudo em Gramsci só serve a um pretexto revolucionário: um analfabeto que colabora com o processo revolucionário já é um intelectual.
Tentou-se tapar o rombo da paralaxe marxista e criou-se um fenômeno absurdamente ainda maior.
Devido à oportunidade e importância do curso do Olavo.
Mas, note bem: paralaxe não é apenas uma contradição.
Lembrando da célebre distinção entre contrário e contraditório, veremos que na paralaxe o conhecimento do sujeito cognoscente é contrario ao seu próprio material de reflexão. O sujeito cognoscente abre um abismo entre sua consciência e a experiência percebida.
A paralaxe não é uma simples contradição: é um problema de percepção da realidade.
Ô, meu fidalgo, tu não entendeu a sutileza da coisa!
Esquizofrenia consentida é, é claro, um oxímoro: mas aí está exatamente a beleza do termo, que reflete o absurdo e a contradição inerentes ao comportamento que a expressão tenta definir!
"Paralaxe cognitiva" não é sinônimo de hipocrisia, ça va sans dire - e "esquizofrenia consentida" também não!
Enfim, digamos que a paralaxe cognitiva resulta de uma "esquizofrenia consentida", e que a esquizofrenia consentida causa uma "paralaxe cognitiva"- e podemos discutir se é isso ou vice-versa, mas elsewhere, pra não torrar a paciência dos confrades.
Faço questão, não - e espero que cê também não faça!
Beijoca!
Como o Alvaro disse, paralaxe não é o mesmo que contradição. Esta se verifica no interior do discurso, revelando uma incongruência lógica entre as idéias encadeadas, o que não necessariamente implica o falante. Na paralaxe a contradição se verifica não entre as idéias, mas entre as premissas adotadas e o sujeito falante, o qual pela própria existência lhes nega a validade
Esquizofrenia consentida? Não sei não. Consentir é um ato de vontade e implica uma ação do outro sobre aquele que consente. Seria esse termo mais adequado para descrever a atitude daqueles que permanecem silentes ou cúmplices enquanto o mal se instala. Esquizofrenia consentida é o apoio ao governo do PT por parte daqueles a quem o PT quer destruir.
Não vejo consentimento na paralaxe. A esquizofrenia está na autopercepção do sujeito, na cegueira para a contradição flagrante entre o que ele é e o que ele constrói como visão de mundo. Seria mais uma esquizofrenia do discurso, talvez. Mas não é consentida.
Paralaxe cognitiva é uma expressão que tinha que ser inventada pelo gênio de alguém (foi o do Olavo, Deus o abençoe) pra definir um fenômeno amplamente existente, e sem nome até então.
Difere da hipocrisia, porque não é consciente. A paralaxe cognitiva aparece como definidora do estado de "consciência abolida", embora não represente a abolição da razão.
A paralaxe cognitiva é a minha demonstração favorita e mais contundente de que a minha tese sobre a inteligência está certa! !
“Acho que teriamos que começar definindo as coisas..por exemplo, o que exatamente é paralaxe: contradi¸¸cao, percepçao do real diferente do enunciado teórico..etc”!
Para definir “paralaxe cognitiva”, utilizando-me da distinção aristotélica entre o gênero próximo e a diferença específica, procedo assim.
Paralaxe Cognitiva
Definição: Percepção deslocada.
Acrescento um predicativo: Realidade.
Logo: Paralaxe Cognitiva = Percepção deslocada da realidade.
Em que: Gênero Próximo: Percepção.
Diferença específica: deslocada.
Predicativo: Realidade.
Explicação: A paralaxe cognitiva é um tipo de percepção de realidade que expressa um ato cognitivo, mas desloca o eixo entre a experiência conhecida e a consciência cognoscente.
Todo mundo entendeu???
Se ficou obscuro... ninguém se acanhe. Poderei explicar melhor.
"Perguntinha básica: de onde vcs tiram as informaçoes sobre paralaxe, se o livro ainda nao saiu"?
Resposta: Eu tô tentando colar uns cacos e uns fios da meada que eu pego aqui e acolá.
Isto é: Eu tô tentando expressar o conceito de paralaxe cognitiva tal qual eu compreendo e tal qual eu percebo. Sem ter tido a oportunidade de ter estudado as fontes mais diretas do trabalho do Olavo de Carvalho.
Mas acho que o Olavo não ficará chateado comigo por isso... eu tô me esforçando com sinceridade para entender uma realidade que percebi. Poderei ser inexato de alguma forma, mas tô tentando decifrar a questão.
Mas se o professor Olavo de Carvalho proibir de eu tratar em público do assunto, tudo bem.
Se tem uma coisa que eu respeito neste mundo é a autoridade de um professor.
"A estimulação contraditória pode ser apontada como uma das causas da paralaxe cognitiva' ?
A estimulação contraditória é muito utilizado em lavagens cerebrais e em alterações do estado de consciência. A prática constante de uma teoria que negue a realidade ao invés de testá-la ou comprová-la pode ser considerado um tipo de estimulação contraditória. A própria prática da atividade científica em si quando se perde a noção de busca da unidade do conhecimento e quando se coloca o objeto de investigação como separado do sujeito são sementes da paralaxe.
O critério de realidade é o da realidade objetiva que independe do sujeito cognoscente.
Como se reconhece a realidade objetiva é uma questão de conhecimento.
De conhecimento que forma uma identidade-unidade entre objeto e sujeito.
Daí você fazer o teste: Aplique a teoria de um sujeito a ele mesmo, se há o contraditório há paralaxe. Se o indivíduo não existe no mundo em que teoriza, havendo a ruptura da unidade entre o ser e o conhecer, há paralaxe.
Exemplos: Postei neste tópico vários exemplos, pode conferir.
Considero muito bem vindas as discussões sobre a paralaxe, mesmo antes da edição do meu livro, que ainda nem acabei de escrever. Já dei muitas aulas a respeito e o material existente basta para dar ocasião a muitas discussões, que antes podem me ajudar do que atrapalhar.
Só é importante ter em mente o seguinte: a paralaxe não é uma teoria, é o nome que dou a um fenômeno histórico comprovado, cujo alcance e contornos falta ainda medir e delinear, sendo este precisamente o objetivo do estudo que estou fazendo agora.
Quando Aristóteles diz que o homem é um animal racional, está claro que ele mesmo é um animal racional. Mas, quando Hobbes diz que todos os homens só agem por medo e desejo de poder, não fica claro como o medo e o desejo de poder puderam gerar a ciência hobbesiana. Quando Maquiavel diz que o príncipe deve matar os que o ajudaram, ele não informa se ele próprio deve ser o primeiro deles, como autor do plano e portanto ajudante-mor. É evidente que as relações entre teoria e percepção da realidade existencial não as mesmas em Aristóteles e em Maquiavel ou Hobbes.
O assunto tem tantos aspectos superpostos que mal tenho conseguido abrangê-los na pesquisa. Os principais são:
1 - Estrutura lógica da paralaxe - Articulação experiência-teoria.
2 - Estrutura psicológica - Relação entre a auto-imagem existencial e a atividade teorizante.
3 - Estrutura verbal - Relação entre as técnicas narrativas existentes e as tendências concomitantes de construção teórica.
4 - Relações entre a paralaxe e a ocultação proposital (no sentido de Leo Strauss).
5 - Evolução histórica do fenômeno.
É uma montanha de problemas, dos quais espero resolver pelo menos alguns.
Obrigado a todos pela colaboração.
Eu gosto do meu termo "esquizofrenia consentida" porque acho que se trata disso, mesmo. O termo é, em si, absurdo: tão absurdo quanto o fenômeno que descreve.
Na esquizofrenia, a fratura decorrente da cisão da personalidade fica "aberta", exposta, deixando clara a condição patológica.
Numa esquizofrenia "consentida", a fratura é negada, pois o sujeito constrói "pontes" entre as duas metades contraditórias - ou seja, recorre a sofismas para navegar entre elas, e fazê-las coexistir.
Mas paralaxe cognitiva é, senão patologia clínica, evidente patologia moral.
O dia em que a consciência fosse admitida como um ente real e perceptível, e parte indispensável da inteligência humana, seria fácil compreender que processos de bloqueio dessa consciência levam, inevitavelmente, ao comprometimento do processo de inteligência.
É o que eu sinceramente penso.
O bloqueio se manifesta numa síndrome da qual a paralaxe cognitiva é um dos sintomas. A coexistência forçada de "reais" incompatíveis, mostra que a razão funciona, mas a consciência, não. A razão é capaz de criar os sofismas - e a consciência bloqueada não mais os identifica. E por aí vai o sujeito.
Bloqueios da consciência podem ser provocados por inúmeros fatores - e podem ser parte programada de um projeto ou não. Suponho que possa acontecer por circunstâncias apenas indiretamente ligadas a um projeto.
A tendência de que um bloqueio de consciência provoque uma paralaxe cognitiva tende a ser alta, e quanto mais bloqueados, tanto mais portadores de paralaxe.
Abertura dos Jogos Panamericanos - Rio 2007: Mais de 70.000 pessoas presentes. Lula é vaiado de tal forma que mal pode ler um seu discurso.
O eixo de percepção vai para um lado totalmente oposto à realidade. Aquelas 70.000 pessoas selecionadas ao acaso, vai ver, representam a "oposição" em massa, aquela minoria que não está satisfeita com o governo. Claro, o Maracanã sempre foi e sempre será um palco da alta elite brasileiro, sempre frequentado pela nata da população carioca devido às suas luxuosas instalações e aos eventos extremamente elitistas que ali ocorrem com freqüência.