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Produção da pós-graduação da USP em Sociologia

Iniciado por david_7 em 16/10/2006 · 67 mensagens · página 2 de 2

christiano#51
continuo afirmando, se o mundo dependesse dos filósofos estaríamos andando a cavalo ou de carroça... mas tenho que completar, eu divido os filósofos em duas correntes:
1 - filosofos que acham que a filosofia explica (ou tenta explicar) as idéias são aqueles que colaboram com a conquista do conhecimento;
2 - aqueles que acham que a filosofia é um agente transformador (esses é que me causam náuseas).
Vide Hegel Vs Schopenhauer... está claro que Schop visualizou um charlatão em hegel assim que bateu o olho nele e por isso pagou um preço alto em defender a "verdade"... enquanto o charlatão Hegel (que demonstrou que a gravidade estava errada! O.o) influnciou o charlatão-mór Marx. Max Stimer que foi hegeliano de esquerda depois abandonou o hegelianismo e até zombou de seus ex-companheiros...
lvaro_4#52
Percebo que o tópico caminhou bem quando eu estava ausente.

Não vou poder continuar o debate agora por possuir compromissos com a Igreja Católica... quando eu puder eu retorno...

Só uma observação... não li os posts, mas parece que alguém disse que na dialética a tese e a antítese devem vir necessariamente antes da síntese...

Isso absolutamente não é correto!!! É cultura filosófica de almanaque...

Existem vários tipos de dialética... vejam apenas a dialética negativa em que a contratese ou antítese vem antes de uma nova tese, como é o caso da dialética hegeliana em que o conceito formado parte da contratese até chegar numa síntese, ou vejam a dialética de Adorno e Horkheimer que também seguem este procedimento...

Em algumas dialéticas a síntese surge antes e se desdobra em tese e antítese... eu mostro em um certo texto que eu escrevi, por exemplo, que a dialética histórica presente em Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda segue este caminho heurístico...

Ou a síntese poderá também unir duas teses opostas... etc...

Depende do que se está falando e de aonde se quer chegar...

Por isso o meu exemplo sobre o crepúsculo é perfeitamente aplicável.
lvaro_4#53
“Eu só não compreendi uma coisa. Se a dialética, nesse sentido não-aristotélico tão confuso, pretende ser uma descrição do funcionamento do universo - ao menos é assim que eu sempre entendi ser a pretensão dos dialéticos - como pode haver várias dialéticas”?

Resposta: É como eu escrevi: “Depende do que se está falando e de aonde se quer chegar”...

Numa discussão filosófica verdadeira a nossa inteligência vai direto ao centro. Não perdemos muito tempo dando voltas e muito menos caímos numa metalinguagem ou num metadiscurso que não prova a si mesmo e em geral não se refere a nenhuma realidade específica.

É o que acontece quase sempre com esses modismos acadêmicos e esses ismos: descontrucionismo, pós-modernismos, certas teorias da linguagem e etc...

Numa discussão filosófica a gente nunca pode perder de vista sobre o que estamos falando.

E aqui temos que apelar aos campos fenomenológicos distintos...

Ou seja, existem várias dialéticas e isso é um fato porque existem campos fenomênicos diferentes, níveis de realidade diferentes etc...

É preciso esclarecer semanticamente se falamos de dialética no sentido de “diálogo’, de “lógica”, de “arte da contratese’, de “discurso’, de “movimento”,de “método científico” de “metáfora”, de “síntese”... etc...

E os diferentes níveis de realidade já eram apontados exaustivamente por Platão e Aristóteles e, em geral, por todos os filósofos dignos de nome.

E claro que para cada um dos níveis de realidade devem existir diferentes linguagens ou categorias, ou chave hermenêutica que abra aquele universo.

Por isso podemos falar poeticamente e matematicamente sobre um mesmo ser pois estamos tratando de níveis distintos (nem tanto assim) que o compõe.
lvaro_4#54
O problema do Bernardo é que ele só admite o conhecimento apodíctico e despreza os demais... e nem percebe que para que ele possa afirmar o que afirma ele mesmo teve que passar por outros tipos de conhecimento que continuam a ser os alicerces e fundamentos de suas opiniões... aceite ele isso ou não.

Só para constar: denomino de “teoria da chave mística” as relações que encontrei entre a Cabala, a Década Sagrada dos Pitagóricos e a Decadialética de Mário Ferreira dos Santos... na altura em que se encontram, essa “chave” abre um mesmo universo.
lvaro_4#55
“ Outra coisa, no exemplo (perdoe-me Álvaro, mas...) péssimo da dialética do dia e da noite, em que pé entra a aurora? Ou ela não merece, como o crepúsculo, um lugar de destaque nessa metáfora do ciclo da vida? Metáfora, aliás, me parece ser o termo adquado para essas pretensas explicações filosóficas de fenômenos naturais e da história. Não é coincidência que essa febre tenha se espalhado nos periodos de rebeliões românticas. Isso aí, no sentido dado por Tolentino, é o mundo como idéia”.

Resposta: A aurora pode ser considerada sob diversas formas e alimentar diversos discursos.

Pode ser considerada poeticamente, dialeticamente, cientificamente e etc...

E minha crítica recai justamente sobre um platonismo vulgar que ao meu ver é um dos pecados da cultura contemporânea.

Quanto ainda a dialética, é claro que uma dialética negativa como a de Adorno e Horkheimer pode ser considerada como contaminada por um romantismo até irracional e que, a despeito de exercer a crítica do presente, tenta desmistificar a sociedade burguesa e industrial cujas bases são influenciadas pelo iluminismo, podendo assim retomar ou abrir espaço para uma busca de um tipo de identidade social característicos de sociedades e estruturas sociais passadas.
lvaro_4#56
Quanto ao exemplo de uma síntese anterior a tese e a contratese isso é um dado da experiência da própria formação social brasileira... citei Sérgio Buarque de Holanda porque penso que em sua análise o sociólogo paulista reconheceu a síntese de um passado existente e comprovado por dados concretos e partindo desta síntese criou tipos ideais opostos e complementares (dialéticos), como O Aventureiro e o Trabalhador, O Semeador e o Ladrilhador... etc. Se este tipos ideais são metáforas e o próprio Sérgio Buarque de Holanda chegou a insinuar isso no fim da vida ao ressaltar seu caráter literário, também são tipos científicos, poéticos, oníricos, filosóficos e, sobretudo: dados da experiência sensível.

Depende dos níveis de realidade que estão sendo tratados.
lvaro_4#57
Aliás, eu entrei num discurso poético para suspender a dúvida e deixar a essência da vida falar.

Foi de propósito.

E se o discurso poético se constrói por metáforas, metáforas, por definição, são conceitos.

E conceitos dizem respeito a objetivação da realidade subjetiva, sejam estes conceitos sobre forma de essências ou sobre forma de signos.

E o discurso poético e mítico ao me ver deve ser integrado ao método científico para que se abram maiores possibilidades para o conhecimento humano.
priscila#58
Grande verdade, dr. Glen! !

Eu, se me aparecer um sociólogo (ainda mais USPiano, ou daquela Universidade de Brasília!) pela frente, saio rapidinho.
Ninguém merece, e, como se diz por aí - "meu ouvido não é pinico".
lvaro_4#59
"Pelo que entendi, a dialética serve apenas como ferramenta metodológica para superar eventuais limitações na análise de campos de conhecimento complexos, como a sociologia por exemplo, já que o uso de métodos matemáticos levaria a algum tipo de positivismo ou "física social", que não explicaria nada daquele campo específico".

Resposta: O uso de métodos matemáticos, estatísticos, quantitativos fazem parte do método sociológico sem que isso implique em uma concepção positivista da realidade. Quanto a dialética, como eu disse, pode ser compreendida sob diversos aspectos. A dialética Aristotélica e diferente da dialetica platônica que é diferente da dialética hegeliana. E dialética não se define apenas como sinônimo de método, mas é um movimento real da realidade.

"Mas daí a levar uma limitação de análise, para o plano da realidade mesma, afirmando que a sociedade se opera por modo dialético, seria como generalizar uma abstração específica gerada por um recurso filosófico como a realidade total".

Resposta: Não me refiro a uma realidade total, mas a diferentes nivéis e gradações da realidade.
lvaro_4#60
"Na verdade, como o Bernardo disse não poderia haver contradição nenhuma na própria ordem da realidade, pois isso seria como afirmar que não existe uma Unidade por trás dessa ordem toda".

Resposta: A realidade é contraditória sim. E isso não implica que não exista uma univocidade que a fudamente. O real é composto de irracionalidade que se contrapõe à dimensão racional (qualquer realidade possível se apresenta assim) e a realidade está formada sobre inúmeras tensões (tensões estas contraditórias) como temporalidade x eternidade, generalidade x singularidade, forma sensível e forma abstrata... tanto que Platão considerava o mundo das formas como um mundo confuso e ambíguo, Aristóteles ao concluir metafisicamente a partir da causa e substância primeira que "o primeiro na ordem do ser é o último na ordem do conhecer" ´sabia também da contradição inerente à estrutura da realidade que subetendia, justamente por isso, uma unidade por trás.
alexandre_9#61
Pior que a USP só mesmo a UNB que é hoje em dia o quartel general da extrema esquerda acadêmica, a UNB está lotada de pseudo-intelectuais além de ter um reitor completamente porra-louca, que é adepto radical da esquerda petista, além de ser tb o maior incentivador desse sistema NAZI-FACISTA DE COTAS RACIAIS, aliás foi justamente a UNB que introduziu essas políticas racistas no país, tudo começou por lá, não é a toa que essa universidade é um mini-cosmos de tudo que há de pior nas Universidades brasileiras, além do fato de que lá o pré-requisito para ser bem quisto é ser no mínimo um socialista radical. É essa formação que estão dando aos jovens brasileiros.
alexandre_9#62
Os jovens universitários são hoje em dia massa de manobra nas mãos da extrema esquerda, pois a esquerda radical domina completamente o corpo docente das principais universidades brasileiras que por sinal vão de mal a pior, portanto não é surpresa quando se vêem milhares de alunos saírem das universidades de cabeça feita, porque todo o ensino acadêmico é feito dentro de parâmetros marxistas. Logo é óbvio que quando esses jovens saem da universidade o que eles fazem é tão somente reproduzir aquilo que aprenderam lá, o que é uma pena para eles, e uma desgraça para o BRASIL.
alexandre_9#63
Massa a UNB como eu já disse anteriormente é hoje em dia o quartel general da extrema esquerda universitária, aquilo lá é uma verdadeira mixórdia. Todas as políticas implementadas por essa malfadada universidade é de cunho marxista, logo não é novidade que aquilo que vem saindo de lá é o que há de pior em matéria de conhecimento sociológico, econômico, e político. Mas que fique claro que a culpa não é dos alunos não, pois esses são como eu já disse anteriormente apenas massa de manobra de um corpo docente inescrupuloso que utiliza de suas prerrogativas de ensinar para difundir suas dotrinas marxistas. É de fato uma pena que tal universidade tenha tal comportamento na área das ciências humanas.
lvaro_4#64
"Agora note que as contradições são auto-excludentes e temporárias. A água, por exemplo, está em contradição com o fogo, e apenas a água prevalece no final".

Não. Muitas contradições podem ser conciliadas e formar uma realidade específica.

É claro que a tensão insoluvel é uma síntese de contradições.
bernardo_3#65
Se existir uma contradição real - uma só basta -, então qualquer proposição é verdadeira. (Aqui, estou supondo a validade da lógica clássica.)

Então, se alguém quiser continuar com o papinho de contradições reais, ou joga toda a lógica clássica fora, ou admite que tudo que se diz é verdadeiro. Não tem saída... Isso é algo conhecido já há muito tempo, que pode ser expresso em uma única proposição: "lógica clássica é trivial".

Outra coisa: que eu saiba, Aristóteles toma o princípio de contradição (ou de não-contradição, como alguns o chamam) não apenas como princípio lógico, mas como princípio ontológico. Os três princípios fundamentais da lógica de Aristóteles - que para ele são leis da realidade - são os princípios de identidade, da contradição e do terceiro excluído. Mas eu não tenho muitas condições de discutir isso, porque ainda não o estudei o suficiente.
lvaro_4#66
"são os princípios de identidade, da contradição e do terceiro excluído. Mas eu não tenho muitas condições de discutir isso, porque ainda não o estudei o suficiente".

Pois eu estudei bastante esses princípios e aceito debatê-los.

E advirto: estou presenciando aqui equívocos filosóficos dos mais elementares.

Sem querer ser chato.

Não entender as tensões insoluvéis nas quais a própria realidade esta organizada é ignorar o mundo objetivo, e não perceber que estas tensões são contraditórias à propria estrutura da realidade que as unifica é fechar os olhos para o milagre do mundo e para o milagre do conhecimento humano.

E não perceber também que essas tensões fazem parte da realidade também é equívoco filosófico primário. Desses do tipo da falsa abstração.

É necessário uma teoria geral das tensões.

Tenho que fazer algumas atividades agora... se quiserem que eu esclareça os pontos, deixem, por favor perguntas aqui.

Abraço.
bernardo_3#67
Bem, eu não disse que não conheço bem os princípios. O que eu quis dizer é que não conheço em profundidade a filosofia aristotélica. De todo modo, o resultado de que a lógica clássica é trivial é algo que está além da discussão. E o ponto fundamental é: admitindo-se a lógica clássica, ou se chega à conclusão de que tudo que é dito é verdadeiro ou que não existem contradições reais. Este é um ponto que sequer cabe discussão, do mesmo modo como não cabe discussão sobre o teorema de Pitágoras na geometria euclidiana.

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