2º De acordo, óbvio ululante, eu nada disse em contrário.
3º Segue...
4º O Museu o Imigrante só tem os registros do século XIX para cá. Não alcança e nem trata da minha genealogia no Brasil. Genealogia peã, por certo, que é a que aprecio mais pesquisar. Qunato ao lado português direto, pesquisei lá mesmo.
5º Não entendi, pegar essa frase como exemplo de afetação verborrágica etc..!!!!???? Escrevo de forma até primária e cheia de erros. Mas, então, fale do assunto você sem ficar editando o que eu digo e portanto, tirando do contexto, pois isso leva as pessoas, que estão acompanhando, o tópico à confusão.
6º Esse ponto é muito importante. Espero que você tenha lido algumas outras coisas que escrevi em outros tópicos. Valorizo as contribuições indígenas e africanas para nossa cultura. Forjamos uma civilização original onde esses três elementos harmonizaram-se muito bem. Nesse tópico pus mais ênfase na contribuição portuguêsa para nossa formação porque é ela que é SISTEMATICAMENTE negada. Mas a miscigenação é um traço do nosso país e marca de outros lugares do mundo onde os portuguêses estiveram. E é um fator que nos é muito caro. Sou luso-brasileiro de quatro costados. E, ao dizer que minha família está aqui desde o XVIII, implica, NECESSARIAMENTE, em dizer que tenho sangue ameríndio. Além disso, tenho sangue negro e cigano também, dos quais muito me orgulho. CONTINUA...
Ainda no 6º ponto, é melhor chamar tudo de história mesmo. História é, essencialmente, a narrativa. A palavra "estória" tem servido para desqualificar certas histórias.
7º Obrigado por sua sentença. A minha sentença a seu respeito é nenhuma. Não por desdém, senão porque não acho correto emití-la.
8º Parabéns por saber isso!
9º Sem ofensa, não tenha complexo de inferioridade, não lhe fica bem.
Falando ainda sobre população e ascendência portuguêsa, um dado interessante é que, em meados do século XVIII, vieram para a América Portuguêsa, mormente para as Minas Gerais, cerca de 600 mil portuguêses.
Na época, a população do Portugal Europeu era de cerca de 2 milhões e meio de pessoas. Isto é, mais de 20% da população veio para o Brasil. Isso significou um impacto muito grande na sociedade portuguêsa. Esse nº é muito mais significatido, em termos relativos, que os 1 milhão de portuguêses, 1 mihão de italianos e 1 milhão de espanhóis que entraram entre cerca de 1850 e 1920.
Se contarmos todos os portuguêses que vieram entre 1500 e 1808, período em que estrangeiros não pudiam vir, cálculo, por sinal, impossível de fazer com precisão mas possível de estimar-se por alto, teremos que o afluxo de portuguêses para o Brasil foi maior do que o total de imigrantes não portuguêses juntos em todos os períodos. E isso na época da formação da base da população.
O elemento ameríndio e o africano também constituem a base dessa população tendo havido intensa miscigenação. Com efeito, e os estudos de DNA estão confirmando isso, no mínimo 30% da população brasileira tem antepassados autóctones. As invenções dos detratores da nossa cultura, que falam de genocídio dos índios estão, na prática, desmascaradas.
O que houve em relação aos índios foi um processo de assimilação. Eles eram mortos se contrapunham-se de forma violenta ao avanço dos lusos. Mas tirante os momentos de enfrentamento, nunca houve política de genocídio dos autóctones como, por exemplo, na Austrália.
Os africanos tem seu sangue em mais de metade da população brasileira. E assim como não há descendente de brasileiros de antiga cêpa que tenham sangue só português, da mesma forma são quase inexistentes aqueles que estão no censo como negros que não tenham ascendência portuguêsa.
A grande miscigenação pode ser em grande parte explicada pela vinda de portuguêses homens, sem espôsas, na maioria esmagadora, durante a maior parte do período anterior à emancipação política.
Daí que, conforme expus numa das intervenções anteriores, que não há brasileiro cuja família tenha mais de 250 anos de Brasil, que não tenha sangue miscigenado, mesmo que apareça como branco ou negro nos censos.
Voltando ao que falei quando mencionei a vinda em garnde número de portuguêses em meados do XVIII, vale lembrar que a preocupação de D. João V foi tanta que chegou a emitir alvará régio proibindo que saísse mais gente pois o Minho ia despovoando-se.
Quanto ao termo "colônia" como categoria histórica, é algo normal. O Império Bizantino também não existiu para quem lá viveu. Foi o Império Romano até muito depois da queda de Roma no século V. Mas os historiadores colocam a queda do Império Romano, como, um todo, no século V como se a parte oriental do Império não fosse importante.
Os nomes para o Brasil variam ao longo de nossa história administrativa. Estado do Brasil foi, talvez, aquele por mais tempo usado. Depois foi Principado do Brasil e depois Reino Unido. As pessoas que aqui habitavam eram referidas nos documentos como moradores e não como colonos, ao menos até meados do XVIII.
O que ocorre é que os marxistas reduzem a história à história da luta de classes. Eles enxergam, na dependência que existia do Brasil em relação a Portugal, que, diga-se, nem era tanta assim a ponto de alguns historiadores defenderem a tese de que, ao final, foi Portugal quem livrou-se do domínio brasileiro, enfim os historiadores vêm na existência da dependência política e do exclusivo (monopólio) régio, uma relação necessariamente antagônica. Também baseiam-se em análises utilitárias como quem conta cabeça de gado porque entendem que se a população era majoritariamente de despossuídos e escravos, então isso configuraria a opressão (de novo o materialismo histórico e dialético) e, portanto, caracterizaria a colônia. Mas Portugal também tinha escravos na sua parte européia. E a mesma relação de"opressores x oprimidos" também existia lá entre a nobreza e a burguesia de um lado e os camponeses do outro. Portanto, a sociedade que existia lá apenas reproduzia-se aqui. Ao fim a ao cabo, são análises deterministas (um determinismo geográfico, até) e simplórias.
Daí que a tese de "colonia de exploração" no Brasil defendida por Caio Prado Jr, inaugurador do pensamento marxista no Brasil, que contrapunha à categoria de "colonia de povoamento" nos EUA, é completamente furada.
Como seria possível explicar, mediante essa tese, que Goa fosse chamada, no final do século XVI, a Roma do oriente, sendo considerada por muitos, mais rica que Lisboa!? O fato é que Portugal estava empenhado num projeto civilizacional.
"Daí que a tese de "colonia de exploração" no Brasil defendida por Caio Prado Jr, inaugurador do pensamento marxista no Brasil, que contrapunha à categoria de "colonia de povoamento" nos EUA, é completamente furada."
Nem sabia que essa terminologia era do Caio Prado. Talvez isso explique o sucesso do termo.
Ademais, "colônia de povoamento" e "colônia de exploração" são os termos mais batidos nas aulas de História das escolas. TODO MUNDO sabe isso.
Essa tese, grosseiramente falando, classifica as colonias portuguêsas e espanholas como de exploração, isto é, onde a finalidade é única e exclusivamente explorar economicamente as terras descobertas e colonizadas levando tudo para a metrópole, sendo essa a prática da potência colonizadora e, por incentivo ou não, a mentalidade dos colonos.
Por outro lado, colonia de povoamento teria como exemplo maior os EUA onde as pessoas que para lá foram, o fizeram p/ criar uma nova nação.
Bem, há que considerar várias coisas. Só Portugal e Espanha tinham um projeto civilizacional. Um projeto das respectivas coroas. Para o bem ou para o mal. E esse projeto INCLUÍA, da forma que fosse, os autóctones e os africanos. Já a Inglaterra não tinha qualquer projeto p/ as colonias que não fosse o da exploração. Nesse sentido, então, como política de estado, essa tese do Caio Prado Jr estaria invertida. Além disso, imperou nos EUA a segregação. Nunca houve, entre os primeiros colonos, qualquer intenção de evangelizar os índios ou os africanos.
Se é fato que havia essa mentalidade, entre portuguêses que vinham para o Brasil, de "fazer a América" e voltar ricos para Portugal, é fato também que muitos vieram para fixar-se em definitivo e assim o fizeram, tanto por vontade própria como por indução do estado português que estimulava o casamento dos europeus c/ mulheres autóctones.
A empresa marítima lusa teve um espírito de cruzada. E está bem claro, nos alavarás régios de D. João III, por exemplo, a importância da dilatação da fé católica, preponderante sobre os objetivos comerciais. Não havia esse objetivo evangelizador da parte dos ingleses.
É interessante também verificar que o povoamento do Brasil começou, sistematicamente, bem antes do povoamento da costa leste dos EUA. A Inglaterra só interessou-se por aquelas terras no século XVII.
A situação na Inglaterra é algo que também influiu muito pois os protestantes estavam sendo perseguidos e vieram com a convicção de não mais voltar. Tal situação não existia entre os portuguêses pois mesmo os que professavam a fé mosaica e teriam vindo para escapar às garras da inquisição, continuaram na condição de cripto judeus pois sabiam que sua condição aqui não seria muito diferente da vivida em Portugal pois o controle e o interesse do estado português por suas conquistas, em termos gerais, era muito maior que o que os inglêses tinham pelas suas. Considere-se também que o número de portuguêses vindos para fugir à perseguição religiosa era muito menor do que os inglêses "em fuga" para a América.
Enfim, essa tese é muito simplória para dar conta de tantas questões.
Entre Portugal e Espanha, os dois que tinham realmente projetos civilizacionais para suas conquistas, houve muita diferença também.
A principal é que um súdito português, não importa onde tivesse nascido, tinha seu locus social definido por sua origem, por seu estamento. Jamais pelo lugar onde nasceu. Assim, não importava se tivesse nascido na América Portuguêsa ou no Timor, poderia ocupar qualquer função a qual estivesse habilitado.
É interessante que antes da hegemonia dos jesuítas na evangelização, a prática da coroa portuguêsa em relação às novas conquistas em África, com dominicanos e franciscanos à frente, era a de estabelecer alianças com reis africanos, convertendo-os ao cristianismo, mas respeitando suas soberanias locais. Foram vários os filhos de soberanos do Reino Cristão do Congo que foram estudar em Portugal tendo alguns tornado-se bispos.
Já entre os espanhóis, o indivíduo que tivesse nascido nas Américas, mesmo que filhos de pais espanhóis, era discriminado e considerado inferior ao reinol. Além disso, a maneira do espanhol tratar com o elemento indígena e com o africano foi bem diferente também em relação à prática dos portuguêses.
Este aspecto de respeito aos governantes locais realmente era um diferencial português.
Mas nem tudo são flores: graças a isto, os portugueses eram os maiores exportadores de escravos africanos, já que os reis locais na áfrica os fornecia.
Esta história de que portugueses saiam caçando escravos na África não é verdade. Eles os compravam (ou ganhavam) junto às autoridades locais.
Sobre os reinos cristãos criados pelos portuguêses, essa história está intimamente ligada à ação dos missionários. Mas era também uma política do estado.
Havia a intenção de encontrar o Reino perdido do Preste João. A palavra preste significa padre e corria uma história de que esse padre português teria criado um reino cristão que ficara isolado, na altura do que seria a Etiópia. Essa política de aproximação e alianças tinha o propósito de chegar a esse reino já que seria difícil fazê-lo sem aliados haja vista que o suposto Reino perdido estava longe do litoral.
Esses Reis africanos eram convertidos ao catolicismo e tornavam-se aliados de Portugal. O mais importante deles foi o Reino do Congo.
Outra questão importante para nossa identidade é a dos degredados, que numa forma arcaica também eram chamados de "degradados".
Há uma grande confusão em torno disso e os professores positivistas e marxistas sempre empenharam-se em dizer que o Brasil era um país de degredados, como se fossem criminosos comuns. NÃO É VERDADE.
Para o Brasil veio gente de toda origem, desde fidalgos até a arraia miúda. É obvio que as pessoas de origem mais humilde eram a esmagadora maioria até porque assim também era em Portugal! Portanto, reproduziu-se, aqui, em grande parte, o mesmo tipo de sociedade que já havia na Europa.
Com relação ao degredo, especificamente, vale dizer que seu maior objetivo era colocar o punido bem longe de sua família o que, naqueles tempos de comunicação precária, equivalia a punição duríssima. Mas o degredo podia ser de Portugal para o Brasil, do Brasil para Angola, de Angola para o Brasil e mesmo de Portugal para Portugal, dentro do seu espaço europeu. Além disso, os motivos que levavam ao degredo não eram, mais comumente, os crimes comuns senão os crimes de consciência, isto é, eram degredados porque eram inimigos políticos de alguém ou porque praticavam, em secreto, outra religião.
Houve vários reinos africanos na África Sub Saariana mas a maioria não foi convertida ao catolicismo dessa forma que os portuguêses procederam com alguns poucos, numa determinada fase, motivados pelo que expus acima.
Daí o caráter diferenciado da expansão portuguêsa pelo mundo.
Bem, acho que par melhor entender a História do Brasil, o ideal é a leitura de vários livros mas não só deles. É importante também a leitura de fontes coevas (primárias).
Há algumas leituras que são obrigatórias, como CASA GRANDE E SENZALA de Gilberto Freyre e RAÍZES DO BRASIL de Sérgio Buarque de Holanda. Ao mencionar esses dois não estou propriamente concordando com suas reses mas citando-os como obras referência. Freyre é um luso tropicalista que talvez tenha sido o que melhor entendeu a sociedade brasileira, apesar de ser um liberal. Sérgio Buarque de Holanda, ao contrário, é um crítico da "colonização" portuguêsa assim como Manuel Bomfim e Caio Prado Jr e sua obra, apesar de trazer uma análise um pouco menos simplória que as dos dois que citei imediatamente antes, tem um problema que é o fato de o autor não ter livrado-se dos paradigmas estrangeiros para tentar entender o Brasil. Por isso Freyre é superior a eles todos. Mas não é o caso de eu fazer uma resenha historiográfica agora.
Acho muito bom a leitura das primeiras obras sobre a nossa história como HISTÓRIA DO BRASIL do Frei Vicente do Salvador e HISTÓRIA DA AMÉRICA PORTUGUÊSA de Sebastião da Rocha Pita (1730). Também são importantes as obras do Visconde de Porto Seguro (Francisco Adolfo Varnhagen) cujo título não me lembro e CAPÍTULOS DE HISTÓRIA COLONIAL de Capistrano de Abreu sendo essas duas, salvo engano, do XIX.
Em relação às obras que acabei de citar acima, é bom você confirmar pois citei-as todas de memória e pode ter um erro ou outro.
Para desintoxicação das leituras marxistas, que se nos impuseram durante toda nossa vida acadêmica, acho muito bom ler O REACIONÁRIO de Nelson Rodrigues e também, por uma questão teórica e menos factual, mas para ter como instrumental de análise, PORTUGAL: RAZÃO E MISTÉRIO e POESIA E FILOSOFIA DO MITO SEBASTIANISTA, ambas do grande pensador português António Quadros.
As leituras de textos doutrinários que ao longo dos últimos 15 anos que fiz em periódicos como a REVISTA CATOLICISMO e HERDEIROS DO PORVIR, também foram-me muito úteis. Vários outros textos encontráveis no sítio do grupo PERMANÊNCIA e no sítio La Porte Latine, da FSSPX, idem.
Em termos de fontes primárias, aí é um pouco mais delicado a indicação e essa observação vale também para as obras do Frei Vicente do Salvador e Sebastião da Rocha Pita. É que para elas, é necessario um certo domínio do instrumental teórico e conceitual para não incorrer em anacronismos. E aí entram noções de paleografia, quando a fonte primária não está com a grafia atualizada e até da Diplomática, que é uma ciência específica que visa a estabelecer a autenticidade do documento. Mas o mais importante é, sobretudo, o domínio de certos conceitos acadêmicos desse campo de saber que é a História.