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"Os Estados Unidos são o primeiro Estado professadamente a-religioso - no sentido etimológico: a-gnóstico - que se conhece na História do mundo.
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A revolução que isto representa na estrutura mental da humanidade é tão profunda, tão vasta em suas consequencias, que perto dela as revoluções seguintes - da França, da Rússia ou da China, para falar só das maiores -, com todo o seu vistoso cortejo de morticínios, de radicalismos ideológicos, de novas modas culturais, de experimentos economico-administrativos extravagantes, nada mais são que acréscimos periféricos e notas de rodapé.
Todas essas revoluções passaram, os Estados que fundaram ruíram com fragor ou derreteram-se melancolicamente, e parte de seu legado cultural que não se dissipou em fumaça terminou por incorporar-se, sem grandes choques, à corrente dominante: a Revolução americana.
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Ora, qual o legado dessa Revolução [americana] no mundo?
A democracia? Não pode ser, visto que ela [a revolução americana] convive perfeitamente bem com ditaduras, quando lhe interessa, e visto que a subsistência de uma aristocracia maçônica associada de perto a uma oligarquia economica é um dos pilares mesmos do sistema norte-americano. ]
O capitalismo liberal? Tambem não, porq o próprio sistema norte-americano, através da expansão do assistencialismo estatal, acabou por assimilar várias características da social-democracia.
O republicanismo? Não, porq os elementos democráticos e igualitários da ideologia norte-americana q se espalharam pelo mundo puderam, sem traumas, ser incorporados por antigas monarquias tornadas constitucionais, como a Inglaterra, a Dinamarca, a Holanda, a Espanha.
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Dos vários componentes da ideologia revolucionária norte-americana, o único que foi assimilado integralmente, literalmente e sem alterações por todos os países do mundo foi o princípio do Estado leigo. Se é verdade que "pelos frutos os conhecereis" ou q as coisas são em essência aquilo q enfim se tornam, a Revolução Americana só é democrática, republicana e liberal-capitalista de modo secundário e mais ou menos acidental; em essência, ela é a liquidação do poder político das religiões, a implantação mundial do Estado sem religião oficial.
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Que isto significa?
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Significa, em primeiro lugar, q toda lei religiosa cessa de ter qualquer validade ou obrigatoriedade pública, q o cumprimento ou não de um mandamento religioso passa a ser um assunto da esfera privada, q em principio não pode interferir em nada nos negócios públicos.
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Significa, em segundo lugar, q os critérios éticos q presidirão à vida social, tendo de ser extra-religiosos, acabam por ser supra-religiosos, de vez q o Estado, ao colocar-se acima das religiões, se torna o árbitro de suas disputas, e julga sem ser julgado, sem prestar satisfações senão a Deus, encarnado na "vontade popular": vox popul, vox Dei ["a voz do povo é a voz de Deus"].
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Significa em terceiro e consequente lugar, a extinção da religião como principio organizador da conduta humana, de vez q toda obediencia a principios religiosos só é possível na medida em q o Estado a permita e em q naõ entre em conflito com as leis civis.
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Mas essas três consequencias [acima], somadas, representam, a rigor e a longo prazo, a total desautorização da lei religiosa, a extinção da religião como tal, a criação de um novo tipo de fenomeno espiritual, q circunscrito à vida privada, logo se fundirá indistintivamente com a psicoterapia, as técnicas de relaxamento, os clubes de encontro e todos os outros sucedâneos da "vida interior" q a nova sociedade puder criar para a satisfação privada de seus membros. A vitória da "Teologia Civil" não podia vir sem trazer junto uma "espiritualidade civil"
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Quem percebeu essas consequencias com muita clareza, desejando-as aliás ardentemente, foi Bruno Bauer, um doutrinário q odiava o judaísmo como odiava todas as religiões. No Estado leigo tal como desejado pro ele,
"todo privilégio religioso em geral deverá ser suprimido, e se alguns ou muitos ou mesmo a maioria se crêem inclinados a cumprir certos deveres religiosos, esse cumprimento deve ser deixado por sua conta como um assunto puramente privado"
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Mas isto representaria, a bem dizr, o fim da religião, mesmo porque
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"declarar que a lei do sabbat [o sábado judaico]não tem mais um caráter obrigatório para o judeu será o mesmo que proclamar a dissolução do judaísmo"
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Também não escaparam a Bauer as consequencias q essa mudança teria para os próprios judeus: desistindo de buscar a emancipação do judaísmo, passando a buscar apenas a sua emancipação de cidadão o judeu
"não pode permanecer judeu na vida pública senão sofisticamente em aparência; se portanto, ele quiser permanecer judeu, a aparência se tornará o essencial e triunfará."
"O judeu, para não deixar q sua lei religiosa o impeça de cumprir seus deveres para com o Estado, - se por ex. ele dirige num sábado à Câmara dos Deputados e toma parte nas deliberações -, precisa ter cessado de ser judeu. Onde não há mais religião privilegiada, não há religião nenhuma." 206
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É de espantar que, nessas condições, o movimento para a implantação de um Estado laico judeu logo perdesse toda conexão com as tradições religiosas e passasse mesmo a ser chefiado por pessoas de origem judaica contrárias ao judaísmo?
Ou que esse movimento, ao expandir-se, acabasse por fortalecer entre os judeus do Ocidente inteiro um espírito de mundanismo e "modernismo" que já os vinha contaminando gradativamente desde a Revolução, e que, dissolvendo os laços de solidariedade milenar que havia defendido a comunidade judaica contra toda sorte de perseguições, deixou o povo judeu inerme e sonso ante o avanço da ameaça nazista, só para ter de socorrê-lo às pressas ex post facto com o auxilio do dinheiro norte-americano?
É de espantar q a propria organização do socorro às vítimas do nazismo reforçasse formidavelmente o movimento do judeu-leigo, culminando com a formação de um Estado [Israel] onde a comunidade religiosa não ultrapassa hoje três por cento da população e está submetida a toda sorte de constrangimentos e humilhações nas mãos dos modernizantes e ateus?
Ou que, dessa forma, a religião judaica tivesse de pagar a conta dos desvarios cometidos pro seus adversários?
Que, perdendo o principio religioso de sua unidade cultural, o povo judeu - aliás não coerido por nenhuma homogeneidade racial 208 - se reduzisse, no momento mesmo de sua suprema glória material, à unidade meramente exterior e acidental de um amálgama de interesses multinacionais, realizando-se assim a profecia de Bauer segundo a qual a identidade judaica, no novo quadro, já não passaria de um triunfo das aparências sobre a realidade209 - não, não é de espantar.
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nota de rodapé 207:
Não é realmente estranho q um movimento mundial [o sionismo] capaz de conquistar um território a bala e fundar nele um Estado não tivesse, uns anos antes, nem força nem previdência nem vontade bastante para organizar uma retirada maciça dos judeus da Alemanha nazista antes que começasse a "solução final" que os judeus mais lúcidos - o filósofo Éric Weil, por exemplo - previram com muita antecedência?
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(...)
Esses fatos mostram que já em 1933 (...) o destino dos judeus era previsível, exceto para os líderes e os importantes da comunidade, imbuídos de um falso senso de segurança inerente ao sucesso, à riqueza e ao mundanismo materialista.
Que este assunto tenha se tornado um tabu, é fácil de explicar pelo trauma do holcoausto, cuja lembrança medonha inclina os judeus antes a chorar do q a meditar o passado.
Mas será sinal de amizade aos judeus cortejar um orgulho ressentido q os torna cegos ante perigos q hoje os cercam? Para mim, não há dúvida; a glória material q hoje premia os judeus não compensa a perda de sua identidade religiosa - um patrimôno q eles têm o dever de conservar porq nao pertence só a eles, mas a toda a humanidade.
(...)
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(...) "ele acaba se colocando, meio às tontas, a serviço da causa q mais nitidamente caracteriza a política do ANTICRISTO sobre a Terra: investir o Estado de autoridade espiritual, restaurar o culto de César, banir deste mundo a liberdade interior q é o reino de Cristo.
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Essa causa é geralmente associada ao comunismo.
Mas ela foi incorporada pelas três formas do Estado moderno: comunista, nazifascista e liberal.
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As três procuraram com igual afinco substituir-se à Igreja na condução espiritual dos povos:
a primeira [comunismo], pela violência física e psicológica, proibindo cultos, fechando templos, nomeando cardeais biônicos para ludibriar os poucos fieis restantes.
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A segunda [nazifascismo], de maneira ainda mais ostensiva, pelo culto obrigatório da Nação e do Estado.
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Mas o Estado liberal, q professa nominalmente a liberdade religiosa, é dos três o mais eficiente no combate à religião,
como se vê pelo fato de q as massas, tendo conservado sua fé religiosa sob a opressão nazifascista e comunista, facilmente cedem ao apelo das "novas éticas" disseminadas pela indústria de espetáculos nas modernas democracias,
e abandonam, junto com a religião, até mesmo os preceitos mais óbvios do direito natural: exercendo livremente seus "direitos humanos" sob a proteção do Estado democrático, as mulheres que praticam nos EUA um milhão e meio de abortos por ano logo terão superado as taxas de genocídio germano-soviéticas.
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Muito mais eficiente do que a tirania de Hitler e Stálin é o regime que, legalizando e protegendo todas as exigências tirânicas e autolátricas de cada ego humano, produz milhões de pequenos Stálins e Hitlers.
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OLAVO DE CARVALHO, O Jardim das Aflições
Olavo de Carvalho escreveu "Jardim das Aflições" com o intuito de esclarecer alguns fatos nebulosos e para que os assuntos contidos ali fossem alvo de debates inteligentes.Não me parece ser esse o caso, agora, contudo...
Olavo começa a obra narrando uma palestra sobre Epicuro e sobre ética, mas que na verdade ocultava objetivos relativistas que estavam a serviço do marxismo. Nessa palestra, proferida por José Américo Motta Pessanha, organizador da coleção,"Os pensadores", o professor Olavo de interessado foi se tornanado intrigado; afinal como uma palestra que pregava a felicidade aqui e agora poderia transmitir um verdadeiroi sentimento de felicidade se diagnosticava uma realidade materialista, onde só o que nos restava era contar os dias até o nosso derradeiro dia.
Isso era inconcebível, porque além de combater o cristianismo e as religiões em geral, o palestrante pregava uma nova "ética". Suspeito.
Também era intrigante o fato que Pessanha iniciou tentando ridicularizar Sto Agostinho (mais ou menos com faz o senhor Uri, quando não entende algo) e disse que o epicurismo (retirar-se da vida social e dos debates para uma vida contemplativa rural) era uma ato de corajem. Muito suspeito.
O Sr. de subito passa a se referir a mim como se me conhecesse. Acredito q minha pessoa não seja importante e nao esteja em discussão.
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Como o Sr. interpreta as passagens acima citadas? Estou com o Jardim aqui do meu lado.
Para Epicuro, o corpo, a alma e os deuses eram materiais (havendo apenas uma densidade de nível diferenciada entre eles). Segundo Epicuro, se sonhamos com deuses, isso já é prova da existência material deles. Muito estranho e muito suspeito.
Para pessanha, os epicuristas é que estavam certos: devemos buscar o prazer para evitar a dor, contrariando o que diziam Jesus Cristo, Buda e Aristóteles(entre outros). Pessanha conduzia a todos como um charreteiro conduz um animal oferecendo-lhe uma cenoura (que ele nunca alcança); sem que o coitado do público tenha a menor idéia que está sendo manipulado. Pessanha oferecia o prazer e oferecia o fim da dor; era um novo messias, um novo guru.
Tal como os epicuristas, o público deveria seguir a prática do "tetrafarmacon" e "mudar a realidade" utilizando a paz bucólica do campo, onde pode substituir, mentalmente, os seus problemas pela paz; as sensações dolorosas do presente são substituídas por agradáveis recordações do passado. Que lindo!
Tratava-se de uma técnica de hipnose que OdeC descreve muito bem. O importante era persuadir e não provar; era apenas retórica e não lógica.
Epicuro, é bom lembrar, era inimigo de Aristóteles o homem que buscava a verdade, acima de tudo e, certa vez, até xingou o Filósofo de "vendedor de drogas". O hábito da difamação transmitiu-se como um vírus nas gerações seguintes de epicuristas que se tornaram seus mais inflamados difamadores. Não é a toa que Pessanha gostava de Epicuro.
O epicurismo defendido pelo comunista era um diletantismo que ocilava entre a força do desejo e da fatalidade humanos; uma forma de niilismo. Karl Marx apreciou no epicurismo a sua críitica à religião, mas o via como uma alienação política; não se pode fazer uma revolução fugindo da luta.
Editando a série, "Os Pensadores", Pessanha já preparava o terreno para a transformação da FILOSOFIA EM ARMA POLÍTICA.
Continuarei explicando de forma bem didádica para você entender direitinho. Afinal, não faz sentido extrair uma parte desse grande livro, deslocando-a de todo o resto - e o professor explica isso, expressamente, no início da obra.
Fim da primeira parte (resumidíssima). Amanhã, Uri, passaremos ao capítulo II, "Marx".
Não deveria, pois parece-me que você não entendeu a obra de Olavo de Carvalho, mas , mesmo assim se acha no direito de debater sobre a mesma. Eu disse que você não a entendeu porque o próprio autor ressalta que a mesma não deve ser entendida dissecando-a em partes, mas como um todo coeso; com começo, meio e fim amalgamados. Você não me parece ser analfabeto funcional, mas cometeu um erro primário.
Olavo reitera esse pedido dizendo, expressamente, no começo do mesmo que este deve ser analisado seguindo essa ordem; "JAMAIS DE VIÉS OU SALTADO" e que devemos respeitar isso "tal qual uma receita médica que, cumprida mal ou imprecisamente, trará mais dano que benefício (o que me parece ser o seu caso).
Com vimos, Epicuro mistura lógica com teoria a tal ponto que esses conceitos INVERTEM-SE; "no epicurismo a prática é que produz artificialmente a condição psicológica que tornará crível a teoria". A prática das idéias epicúreas não descreve o mundo percebido, mas sua prática altera, através de exercícios, a percepção da realidade, para que se torne semelhante à teoria. Não se trata de compreender o mundo, mas de transformá-lo".
A simbiose de teoria e prática, em Marx, não vem de Hegel, mas da filosofia de Epicuro, a qual teve forte influência no jovem Karl, a ponto de fazer dela a sua tese de docência. Ocorre que essa perigosa simbiose (entre teoria e prática) leva à uma psicopatologia que indistingue especulação e ação; possível e efetivo. Não haverá, portanto, mais espaço para a noção de verdade objetiva.
Essa herança esdrúxula que os epicuristas "transmitiram" para os marxistas explica a capacidade mórbida das esquerdas mundiais em continuar defendendo regimes tão opressores quanto o soviético, disfarçando tudo com um "humanismo inocente" e como se não houvesse nenhuma ligação entre os crimes cometidos em nome do Comunismo com as idéias utópicas de Karl Marx.
A abolição do conceito de verdade objetiva e a submissão de toda atividade cognitiva às metas revolucionárias desembocariam, um século depois, no historicismo absoluto de Gramsci.
Também desembocaria nas teorias paralelas de Willelm Reich (ex-discípulo de Freud) e Marcuse (Escola de Frankfourt) nas quais o desejo erótico e não mais as causas econômicas seria a mola propulsora da revolução.
Note que marxismo e epicurismo parecem ser antagônicos, porém essa simbiose trata-se de uma "praxis" hipnótica que trocará a objetividade filosófica pela autopersuasão retórica; neutralizar a inteligência humana, colocando-a no encalço de metas utópicas que, pela dialética que transfigura cada derrota em vitória próxima.
Essa loucura epicúrea ressurgiu depois de milênios em Marx, tal qual um sentimento reclacado de Freud, com a força avassaladora, "com redobrada força".
Através da "11 Tese de Feuerbach", Marx propõem que o filósofo deixe de apenas interpretar o mundo e passe a transformá-lo, inaugurando um novo tipo de "theoria", que por sua vez consistirá em "praxis".
A filosofia da "praxis" contém, implicitamente, a negação do sentido de relaidade e é, segundo Olavo de Carvalho, uma "apologia do absurdo".
"Sendo teoria da ação e não mais do objeto, a 'praxis' não mais reconhecerá, no objeto, outro aspecto senão o da sua transformabilidade imediata."
Essa herança epicurista (inconscientes em Marx) veio a ser resgatada pelos comunas após a crise mundial do marxismo, quando "a intelectualidade de esquerda se entregou a uma espécie de pseudo-heroísmo do 'nonsense', orgulhando-se de continuar a defender ideais sociais, num mundo sem sentido". Esse fato só pode confirmar teoria de Nietzsche de "Vontade de Poder".
Assim, a afinidade entre Marxismo e Epicurismo é constituída de "um ódio à inteligência contemplativa e de um intuito de subjugá-la a interesses fictícios: ao interesse de instaurar uma justiça social FICTÍCIA, ao interesse prático de alcançar um bem-estar FICTÍCIO."
Apesar de rejeitado (ao menos conscientemente) por Marx, o Epicursimo estava ligado ao Marxismo por conta da palavra "materialismo"; assim, no auditório, o palestrante, Pessanha, declarou que tentaria resgatar uma TRADIÇÃO MATERIALISTA (único ponto em comum perceptível entre o Marxismo e Epicurismo) EMBUTIDA NA HISTÓRIA DO PENSAMENTO OCIDENTAL. Como disse Olavo, "isso é muito elucidativo".
Por isso, o organizador da coleção "Os Pensadores" ao organizar essa coleção preferiu nivelar por baixo e deu preferência a filósofos de quinta categoria como Helvétius, Dégerando e Condillac (MATERIALISTAS) em detrimento de Platão, Husserl, Bretano, Jaspers e Dilthey (ESPIRITUALISTAS) - esses 3 últimos nem constaram da série.
Mas, essa empreitada protagonizada por Pessanha, no MASP, não passava de puro fingimento; não pode existir no mundo real uma síntese de valores e conceitos tão díspares (e até incompatíveis). Contudo, através da retórica, Pessanha uniu o caráter evasionista (epicurista) e o revolucionário-utópico (marxista), fazendo parecer possível esses conceitos conviverem numa mesma mente, através do "materialismo".
Também convém ressaltar que para um mestre da retórica (caso de José A. "Pessonha"), palavras e aparências são tudo. O público que assistia a exposição do retor foi sendo envolvido e levado a canalisar as usas insatisfações ou frustrações existenciais (que todos temos, em maior ou menor grau) contra um inimigo fantasmagórico que "encarnava" Sto Agostinho, Collor e Platão (os "inimigos da massa").
Ao substituir Aristóteles por Epicuro, o orador o fez não usando conceitos (como faz um filósofo), mas usando um "ilusionismo", através de impressões (como faz um sofista).
Pessanha uniu num mesmo saco de gatos alienante: Materialismo, Programação Neurolinguística (PNL) e New Age. Como?
PNL:
Contitui-se de um kantismo radical, que reduz a compreensão da realidade a uma mera representação mental, a qual reinterpretaria as mensagens (levadas ao cérebro através de impulsos elétricos) captadas pelos sentidos. A PNL prega que utilizemos esse "conhecimento" para conseguirmos poder (a lá Nietzsche) sobre os outros. Portanto, a PNL também não perde tempo em interpretar o mundo, mas em transformá-lo.
NOVA ERA (New Age):
A conciliação dessa maluquice com o "Marxismo Dialético" pode ser resumida através de 4 pontos;
1 - Líderes carismáticos e fim dos Estados nacionais.
2 - Não aceitam doutrinas fundadas em provas racionais; relativismo.
3 - Sentimentop de participação ("Instinto de Rebanho" de Nietzsche - GRIFO MEU)
4 - Alienação. Só cultiva espírito crítico contra os valores conservadores (os verdadeiros - GRIFO MEU)
"A rejeição da prova racional, a mística de uma pseudo-interioridade coletiva, a revolta insolente ante a autoridade do passado e a submissão hipnótica a uma nova autoridade são comuns ao EPICURISMO, ao MARXISMO, à NOVA ERA e À PNL. Com um pouco de elasticidade, todas as conciliações são possíveis."
Amanhã, Uri, "Os Braços e a Cruz", tudo resumidinho
curioso q em tópicos do tipo "sexo oral no Big Brother" há sempre tanto ibope.
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Cria-se um tópico sobre a obra de Olavo de Carvalho e ninguem quer comentar.
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Uma qualidade do Prof. Olavo é q ele sempre escreve de maneira muito clara:
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"Mas o Estado liberal, q professa nominalmente a liberdade religiosa, é dos três [liberalismo, comunismo e fascismo] o mais eficiente no combate à religião,
como se vê pelo fato de q as massas, tendo conservado sua fé religiosa sob a opressão nazifascista e comunista, facilmente cedem ao apelo das "novas éticas" disseminadas pela indústria de espetáculos nas modernas democracias,
e abandonam, junto com a religião, até mesmo os preceitos mais óbvios do direito natural: exercendo livremente seus "direitos humanos" sob a proteção do Estado democrático, as mulheres que praticam nos EUA um milhão e meio de abortos por ano logo terão superado as taxas de genocídio germano-soviéticas.
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Muito mais eficiente do que a tirania de Hitler e Stálin é o regime que, legalizando e protegendo todas as exigências tirânicas e autolátricas de cada ego humano, produz milhões de pequenos Stálins e Hitlers."
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OLAVO DE CARVALHO, O Jardim das Aflições
1) Prosperidade econômica sempre corrompe. A acumulação de riquezas materiais, coroadas pelo luxo e a "doçura da vida", exalta os desejos mais perversos e espalha a permissividade em qualquer povo, mesmo o mais santo. Até entre o povo eleito, o triunfo militar e o poderio econômico se estabelecem inicialmente na época de Salomão, que terminou numa macro-orgia misturada com macumba.
2) Liberdade de consciência é coisa do capeta. A publicação e livre divulgação de idéias, ou a livre propagação de comportamentos e modas, favorece justamente aquelas correntes mais... pop, e fáceis de assimilar. Mesmo existindo uma preparação religiosa e cultural prévias, a tal liberdade só serve para vulgarização. Sem essa preparação (que acabou, nos EUA), ela promoverá em pouco tempo a completa imbecilização, tanto maior porque os imbecis se julgam iluminados. Não, não estou pedindo um controle estatal da imprensa e da arte, antes que aleguem isso.
3) As igrejas protestantes que constituíram os maravilhosos e excelsos valores americanos são quase todas de origem calvinista. Será necessário fazer uma lista dos oceanos de demência em que seitas desse tipo já se meteram? Como não quero começar uma polêmica religiosa, basta registrar o fato inquestionável de que os EUA surgem de um experimento social puritano-socialista, o qual em alguns séculos deu lugar a uma elite de livres-pensadores maçons.
Bom, acho q já está demonstrado q Olavo na época em q escreveu o Jardim das Aflições era fortemente crítico (pra se dizer o mínimo) em relação aos EUA e Israel. Hoje ele mudou de posicionamento.
Mas nunca escreveu algo q justificasse uma guinada tão radical de forma convincente à altura do Jardim das Aflições nem tampouco saiu o tal Jardim "revisto" (a edição do Jardim q citei é de 2004)
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Aguardemos.
"...as mulheres que praticam nos EUA um milhão e meio de abortos por ano logo terão superado as taxas de genocídio germano-soviéticas."
Eu li a mesma edição de O Jardim (2004) e esse dado não bate com os argumentos que o próprio Olavo colocou posteriormente.
O Olavo já desmentiu isso algumas vezes nos T.O.s e em um ou mais artigos, dizendo que esse dado foi fabricado pela Planned Parenthood e utilizado como argumento para liberar de vez o aborto, já que sua proibição seria ineficiente e esconderia uma realidade que seria melhor legalizar
Em todas as principais civilizações da História encontramos a seguinte divisão: o sensível, o metafísico, e o campo intermediário, onde está o homem. Porém, em algumas civilizações degradas pelas guerras, pelas doenças ou pela fome, notamos o deasapareceimento da noção metafísica e, simultaneamente, o endeusamento de aspectos da experiência sensível: a idolatria do tempo e do espaço; os deuses da natureza e da história. Um processo análogo aconteceu também com a classe intelectual da civilização Ocidental.
Devemos notar contudo que a substituição do metafísico na Sociedade Ocidental se diferencia do mesmo fenômeno naquelas pequenas sociedades primitivas depredadas pela guerra e pela fome; enquanto esta acreditava que "Deus se afastara dela", aquela queria expulsá-lo - contudo, não devemos cair na esparrela de interpretar o que pensam os intelectuais como a expressão de toda uma sociedade, uma vez que, mais de um século após Nietzsche ter proclamado, "Deus está morto", nada menos do que 56% dos norte-americanos frequentam cultos dominicais (católicos e protestantes). Freud, um leitor de Nietzsche, diria pouco depois que o homem almeja matar o pai (ou o Pai).
Assim como nas civilizações primitivas abaladas, é curioso notar como na Ocidental também se substituiu o culto à divindade pelo culto de:
1-deuses do espaço (ou da natureza)
2-deuses do tempo (ou antepassados)
Bem, eu concordo que o mal hipócrita de nenhuma maneira se diferencia do mal com cara de mau, mesmo. Ou seja, um comunista hidrófobo, um nazista rábido e um liberal politicamente correto são parecidíssimos. Qual é a encrenca em dizer isso, que eu ainda não saquei? Só discordo de que os EUA sejam um país composto apenas de liberais; se bem que temo muito que realmente se tornem, mesmo, não sei. Acabaram elegendo o peão novordista, não foi? Fiquei desolada.
O que se defende é o que se defende, meu caro Iriga: e se hoje alguém, pessoa ou país ou a humanidade inteira, passar para o outro lado, do outro lado estarão. E se estiverem do lado de cá, do lado de cá estarão, ué. Só faltava alguém ficar defendendo os EUA à tort et à travers, ou atacando idem! Posso criticar o que achar ruim e defender o que achar correto, em qualquer dado ponto do tempo e do espaço. Óbviamente o Olavo também, qualquer pessoa. É o que se espera, não? Quem não muda de lugar são os princípios, é claro. Não entendi o seu "entusiasmo", e pelo menos no que me diz respeito a sua "polêmica" não é nada polêmica. Uma tentativa frustrada, é o melhor que eu posso te oferecer como categorização. Sorry, vire-se com ela. 🙂!
"Mas nunca escreveu algo q justificasse uma guinada tão radical de forma convincente à altura do Jardim das Aflições nem tampouco saiu o tal Jardim "revisto""
O Olavo não é somente um analista desinteressado, mas também um militante político, e já disse que, desde 2005, gasta a maior parte de seu tempo tentando conscientizar a elite norte-americana a parar de dar suporte à esquerda latino-americana. A opinião que ele expressa sobre os EUA vai ser afetada por esta situação dele lá nos EUA.
Agora, quanto ao fato de os EUA ser o primeiro Estado a-religioso, lembro-me de uma aula do Olavo em que ele coloca a origem do Estado como entidade superior à religião no absolutismo e na revolução protestante. A laicidade do Estado americano não seria então uma novidade daquela revolução, mas uma adaptação da sociedade americana à sua realidade. Pois afinal, qual seria a religião do Estado americano?
Ao meu ver, o laicismo só vai ter um caráter revolucionário quando implementado em lugares como o Brasil, que na época de tal desgraça, era quase totalmente católico.
Nicolau de Cusa concluiu, em 1440, que o espaço e o tempo eram infinitos; mas se eram infinitos então valem para eles todos os raciocínios contraditórios; o que está perto está longe, o grande é pequeno etc. Diante desses paradoxos, a razão humana mostrava-se impotente e devia ceder lugar a uma outra modalidade de conhecimento, A DOUTA IGNORÂNCIA. Eis aí a novidade: essa nova modalidade de saber requeria do estudioso uma transfiguração da inteligência, uma metanóia.
Cusa apresentou uma nova gnoseologia que, afastando-se do ideal de evidência apodíctica, trouxe um progressivo rebaixamento da ciência em relação ao ideal que já havia sido estabelecido por Platão e Aristóteles (o que se torna evidente a partir de Galileu, e que pode ser exemplificado nos desvios de autores modernos como Cantor e Piaget).
Segundo Olavo, "o que Nicolau preservou no campo da Cosmologia ele desperdiçou no terreno da gnoseologia, da teoria do conhecimento". Pelo caminho da DOUTA IGNORÂNCIA, a ciência teve um efeito entorpecente nas inteligências; ela entrou numa espécie de auto-hipnose matemática, que negava-se a dar qualquer explicação do mundo da experiência humana. Para OdeC, se o infinito tem indiferentes infinitos centros (ou nenhum) é absurdo querer provar que a Terra não é esse centro.
Olavo ensina que essa substituição do conceito de infinititude metafísica (Eternidade-GRIFO MEU), pela noção imaginativa de infinititude espacial e quantitativa não poderia deixar de trazer danos profundos à inteligência humana e causaria a destruição do fundamento racional das ciências.
Foi o que aconteceu, como pudemos comprovar, em pleno final do século XX, quando um físico (Fritjof Capra) pediu socorro ao simbolismo taoísta em busca de um princípio ordenador, ou ainda quando advogaram (advogam ainda) a legitimidade de retóricas como prova científica (caso do indeterminismo de Planck e Heisenberg).
Essa substituição da divindade metafísica pelas divindades da história (tempo) e da natureza (espaço) se fez às custas da perda na do censo de UNIDADE DO REAL e o sintoma mais agudo disso é que essas duas novas dimensões nunca puderam se articular entre si; as ciências físico-matemáticas (de caráter espacial) e as ciências humanas (de caráter histórico) são separadas e até antagônicas.
"Ambos os movimentos que geraram a irreligiosidade moderna originaram-se de dentro do campo religioso e sob o estímulo de impulsos religiosos", escreveu Olavo.
O professor descreve de como surge historicismo através de Leibniz, Giambattista Vico e o Conde de Shaftesbury e como foi o seu desenvolvimento no pensamento Ocidental - desviou-se de seus objetivos originários para produzir duas ideologias progressistas (marxismo e positivismo) que sustentaram os dois principais projetos político antagônicos do século XX (capitalismo e comunismo).
Descartes, Spinoza, Pascal e Leibniz encranavam a moderna filosofia e mudam o estilo de filosofar; sai a terminologia técnica da dialética escolástica e entra a retórica. Logo já não valeriam os argumentos demonstrados exaustivamente, mas apenas o encanto persuasivo e cheio de floreios bajulatórios; substitue-se a ÉTICA pela ESTÉTICA.
O professor Odec prossegue citando como as atuações de Descartes, Montaigne e Maquiavel simbolizaram a mudança do local de discussão filosófica: das universidades católicas para as cortes.
A História foi elevada à condição de deusa primeiramente pelos ideólogos da revolução francesa e a doutrina da “volonté generale”. Esta concepção se baseará na observação de que a vida em sociedade é essencial para o homem, não sendo concebível uma natureza humana fora da sociedade ( no entanto, trata-se de um grave equívoco filosófico porque, para os antigos, havia uma “natureza humana” imutável, porém, dentro desta “imutabilidade” já estava previsto uma série de aspectos que iriam variar sob certas condições; uma destas condições é a sociabilidade. Ou seja, não há nenhuma incompatibilidade entre o pensamento tradicional e o reconhecimento da influência da sociedade sob a natureza humana, desde que se entenda que esta só afeta algumas características, já previstas na definição de “natureza humana").
Mais tarde, Hegel daria tentaria dar mais força à teoria do "Sentido da História", com a sua filosofia. Ele dizia que "se os fatos o desmentem, pior para os fatos". Hegel estaria ligado à maçonaria e defendia que, uma vez que o Estado moderno tinha em sua essência as leis do Crsitianismo, a Igreja tornara-se desnecessária e o ele (o Estado) se tornaria a suprema autoridade religiosa.
Portanto, a influência das idéias hegelianas se fez presente, na nossa época, não só nos regimes COMUNISTA (perseguições às religiões) e NAZISTA(culto ao estado) como também na ideologia LIBERAL (de certa forma mais genoicida do que as outras duas, porque defenderia o aborto de um milhão e meio de fetos p/ ano, só nos EUA). A ideologia LIBERAL também disseminaria "novas éticas" através do show bizz. Essa ideologia cumpriria a risca a receita de Hegel substituindo a religião pelo Estado no papel de autoridade espiritual, de balisador moral e de "bússola" de consciências.
Não estou com pressa, por isso vou fundamentar do meu jeito, calmamente, a não ser que a moderação reclame. Você não é moderador é? Para mim, parece o próprio autor do tópico (o que seria uma imbecilidade, pois não?)
Parece-me que você não tem capacidade de entender porque, assim como o seu "amigo" Uri, só consegue se expressar escrevendo um parágrafo, no máximo.
Mesmo assim, eu recomendo que leia o princípio da minha argumentação (no início do tópico) e entenderá - a não ser que também seja analfabeto funcional
Meu caro, você parece que teve dificuldade de ler o que foi condensado em um único parágrafo (o que me supreende, uma vez que não acho que você seja analfabeto funcional, temo que seja pura má vontade mesmo).
Disse que entendo suas ressalvas aos argumentos e intenções do Uriel (poderia até concordar com elas ou não, isso não vem ao caso). E não obstante trollar o tópico é estéril, fútil, não leva a nada, e é mesmo uma poltronice, simples assim. Mas você tem razão em observar que não sou moderador e não posso impedir você de usar os métodos que bem entender (e não o faria ainda que pudesse); bem como você também não pode me impedir de dizer exatamente o que penso desses métodos, então ficamos assim.
Além de tudo, esse Uri diz que "ficou evidenciado", huahauhauahaua...tudo o que ele fez foi copiar e colar alguns parágrafos. Mais adiante fez uns dois comentários infantis de duas linhas.
Avise o Uri, ô "Marcel", que vai ser muito difícil ele querer vencer alguma argumentação desse jeito primário; mais parece um bossal.
OdeC ressalta que esse livro não deve ser lido dissecando-a em partes, mas como um todo coeso; com começo, meio e fim amalgamados. Portanto, destacar um trecho é tirá-lo do contexto.
Olavo reitera esse pedido dizendo, expressamente, no começo do mesmo que este deve ser analisado seguindo essa ordem; "JAMAIS DE VIÉS OU SALTADO" e que devemos respeitar isso "tal qual uma receita médica que, cumprida mal ou imprecisamente, trará mais dano que benefício.