Colaboracionistas
Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 13 de março de 2008
Trecho em que o Demétrio é
citado:
E eles, é claro, aproveitam-se disso para dar um upgrade à fraude consagrada, passando
da omissão simples à mentira ativa. Forneço dois exemplos, escolhidos a esmo. A
sra. Eliane Cantanhede, na ânsia de limpar retroativamente a reputação da
liderança esquerdista comprometida pelas últimas notícias, assegura-nos que
“Lula rompeu com o Foro de São Paulo seis anos atrás” – quando o próprio Lula
já confessou ter continuado a participar do Foro muito tempo depois de eleito
presidente da República, além de atuar nele ainda hoje através do sr. Marco
Aurélio Garcia (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm e http://www.olavodecarvalho.org/semana/071213jb.html).
O
sr. Demétrio Magnoli, que até mesmo Veja respeita como um expert na matéria, proclama que as
Farc se afastaram do caminho revolucionário para dedicar-se ao banditismo puro
e simples – e tem a cara de pau de dizer isso no instante mesmo em que a
esquerda latino-americana em peso se junta para proteger a narcoguerrilha e legitimá-la
como movimento político, prova cabal de que não enxerga nela uma quadrilha de
delinqüentes comuns.
Para os deformadores de opinião, impedir que a boa imagem do
esquerdismo seja arranhada pela revelação de seus crimes é um dever que está
infinitamente acima da honestidade, virtude simplória demais para o seu gosto
requintado.
Quando estreei como foquinha, quarenta e tantos anos atrás, o
cínico desencanto dos velhos profissionais que diziam “Nós, jornalistas, somos
prostitutas” me soava insuportavelmente ofensivo. Hoje ainda me parece
ofensivo. Ofensivo às prostitutas.
