Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Olavo paranóico??

Iniciado por gerson em 24/03/2006 · 107 mensagens · página 2 de 3

gerson#51
Aliás, no Brasil existe uma crise conceitual-idealista nos partidos, só aqui é possível a coligação entre partidos de direita e esquerda para formarem uma chapa...
gerson#52
Não tenho absolutamente nada contra a defesa do liberalismo, vivemos em uma democracia, as pessoas tem o direito de expressar-se conforme julgam melhor.

Basicamente o que me incomoda é sua intrasigência, que aparentemente não é apenas com a esquerda, mas com tudo que seja diferente de seu ideário.

Mas o principal problema é sua argumentação que visa desqualificar intelectualmente a todos que defendem e/ou defenderam posturas esquerdistas ou centro-esquerdista. Esta não é uma postura que combine com um intelectual sério, parece mais um subterfujo de quem gosta de chamar a atenção. Mas enfim, ainda o vejo como um bom filósofo da dialética.
gerson#53
Mas acho que a pergunta inicial é: quem ganharia e o que ganharia com a implantação do socialismo em nível nacional e internacional?

Falar em conspiração é fácil, ir ao fundo da questão é outra história.
gerson#54
Mas indo mais a fundo na questão, de que adiantaria roubar para acumular riquezas, sendo que o regime não permite o uso da fortuna usurpada?

Por exemplo, digamos que Fidel Castro meteu a mão no din-din de Cuba, pra quê ele quer este dinheiro, sendo que a única roupa que usa (pelo menos a que se vê) é uma farda militar, e o único carro que usa é um velho jipe militar Willys?

Poderia-se conjecturar que ele pretende acumular algum dinheiro e dar o fora de Cuba, mas o cara já tá com o pé-na-cova.

Afinal, qual vc acha que seria o sentido disto?
lvaro_4#55
Mas não faça como a falácia do discurso intelectual de Frei Betto, amigo do Fidel, que se referindo ao mensalão, disse não querer comentar este assunto porque quer deixa-lo para o julgamento da História.

Como se a História fosse uma entidade concreta, dotada de julgamento, acima das particularidades e das consciências individuais.

Pensamento este de todo socialista de botequim.

Sim, Marx inaugurou a religião da História que vai trazer consigo a redenção de toda a espécie humana. Seu Deus remonta a materialidade epicurista que nos arrasta ao devir e à queda do nosso status ontológico e das nossas consciências.

Alguém se lembra que Fidel disse: "A História me absolverá"???

Pois é.
gerson#56
Não caia em lugar comum, esse negócio de que todo socialista é ateu é mito (vide o caso de Leonardo Boff), não passa de contra-propaganda conservadora.

Outra questão sobre conspirações seria a influência da mídia. A indústria da mídia não tem razão alguma para apoiar uma conspiração socialista, muito pelo contrário. Acho muito estranho dizer que a imprensa brasileira é socialista, o q vc acha disso?
lvaro_4#57
O problema é a "materialidade" do Deus do Boff sem respaldo na tradição cristã.
gerson#58
E isso faz dele um ateu? Acho que não, há um erro de conceituação aí...
gerson#59
Sua análise me parece um tanto dogmática. Sabemos que hoje os interesses econômicos sempre se sobrepõe aos subjetivos interesses ideários.
gerson#60
Ademais, se todo socialista é ateu, como então explicar o movimento da "Teologia da Libertação"?
lvaro_4#61
A questão não é se o Leonardo Boff acredita em Deus.
A questão é: a que Deus serve o Leonardo Boff????

A filosofia marxista não possui uma ontologia própria,um conceito próprio de natureza, por exemplo.

Daí o senso de universalidade é transferido para os fatores materiais que orientam o sentido da ação humana e realizam a objetividade dos conceitos na prática.

Entre eles, o conceito de verdade.

O Boff não cultua um Deus transcendente, acima das possibilidades humanas e que possa ser o fundamento metafísico uníco e universal de toda a realidade possível.

O Boff serve a este Deus: a matéria como primeiro "motor" (em linguagem aristotélica, mas também teológica), elevada como fundamento da atividade humana e de seu senso de realidade e universalidade.

O Boff serve a este Deus que é nada menos que a substituição do cosmos humano pelas dialéticas materiais que modificam o mundo por outro e dissolvem a condição ontológica da realidade.

É por este motivo que ele, Frei Betto e outros padres de passeata, não crêem em última instânçia em ética, moral, verdade, honestidade, já que o devir histórico cuidará de torná-los "verdadeiros" ante à consciência e temporalidade burguesa.
gerson#62
Sempre há interesse econômico por trás de tudo, se não diretamente, pelo menos indiretamente. Vejamo o exemplo que vc citou:

"Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma." Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro

Acredita mesmo nisso? Será que Napoleão só para demonstrar alguma supremacia? Para apenas subjulgar outrso povos? Se assim o fosse não teria confiscado terras, saqueado tesouros e mais uma série de outras coisas. E seus apoiadores, seus financiadores e seu exército? Estavam com ele apenas pela glória? Acho que não.

Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro.

Mesmo caso. Vc acha que um exercito inteiro de homens se tranformariam em crueis assassinos apenas por conta do ódio de uma pessoa? Havia de fato motivos econômicos motivando o genocídio judeu, e o principal deles foi a formação de ferrenhos oligopólios por parte dos judeus na Alemanha pré-guerra.

Por trás de toda vontade humana, há o desejo de poder, e o interesse financeiro é a principal caricatura desta vontade.
gerson#63
Estava me referindo à grandes ações de dimensões históricas, relacionada à macro questões de amplitude geopolítica.

Quanto à minha entrada aqui, deu-se pela busca de conhecimento de algo que me interessa. Reza a lenda que conhecimento é PODER.
uriel#64
excelente, Silvio
david_6#65
Estava me referindo à grandes ações de dimensões históricas, relacionada à macro questões de amplitude geopolítica.

Gerson... menos.

vishhhh que confusão! o termo geopolitica ficou mais banal que os elasticos do ronaldinho....
gerson#66
Falou muito mas não refutou o que eu disse. Não citou nenhuma outra motivação individual ou coletiva que levasse à acontecimentos de maior grau.
gerson#67
Entenda-se por Geopolítica:

Geopolítica é uma disciplina que mescla a Teoria Política à Geografia, considerando o papel político internacional que as nações desempenham em função de suas características geográficas — como localização, território, posse de recursos naturais, contingente populacional, etc..

É o estudo da estratégia, da manipulação, da ação.

Estudo do estado enquanto organismo geográfico, ou seja, é o estudoda relação intríseca entre a geografia e o poder.

Método de análise que utiliza os conhecimentos da geografia física e humana para orientar a ação política do estado.


Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Geopol%C3%ADtica";

Sinceramente, não entendi o motivo de sua observação.

A propósito, está fumando um cubano?
gerson#68
As coisa funcionam de modo diferente no micro e no macro, vide o caso da incongruência entre a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade Geral. Quando se está em um ambiente macro, há uma atuação cinérgica na junção de uma série de elementos.
bernardo_3#69
Se Napoleão invadiu a Europa por dinheiro, como você explica que as campanhas sempre davam prejuízos? Não me parece razoável dizer que alguém age buscando dinheiro, sempre perca e continue insistindo nisso. Então, você tem que dizer quais eram os interesses econômicos.

O Napoleão via a si mesmo como o homem incumbido de levar à cultura e o movimento anti-monárquico a todos os lugares.

A campanha ao Egito, por exemplo, tinha como objetivo ampliar o conhecimento científico na França. Quais eram os interesses econômicos nesse caso (lembre-se que os prejuízos foram imensos)?

Napoleão valorizava tanto a ciência que colocou o grande Laplace - maior gênio científico da época - como seu ministro do interior. Ademais, Laplace estudou o Mecânica Celeste de Laplace e, provavelmente, o entendeu. Então, você acha que a motivação de expansão intelectual e cultural não pode ser o fundamento das ações de Napoleão?
bernardo_3#70
Quando eu disse que "Laplace estudou o Mecânica Celeste", quis dizer que o Napoleão havia estudado aquela obra de Laplace.
gerson#71
A guerra é um negócio de risco, portanto, quem o faz sempre espera algum tipo de recompensa. Vc acha que exercitos inteiros se envolveriam em uma batalha arriscada só por conta da busca do conhecimento por si só? Obviamente o que estava em jogo era a busca por PODER, o interesse econômico é uma das facetas deste desejo humano.

Ademais, se vcs não concordam que todas as ações são motivadas por interesses econômicos, então não coerente dizer que pessoas fazem revoluções comunistas para poder saquear o erário, como disse o Caio.
david_6#72
ótimo, esse conceito de acordo. Então qual é a relação necessária entre geopolítica e interesses econômicos?

sim, é um cubano.
gerson#73
Então qual é a relação necessária entre geopolítica e interesses econômicos?

Não acredito que perguntou isso!!

Simplesmente toda geopolítica é conseqüência de interesses econômicos.

Vc acha que Índia e Paquistão brigam pela Kashemira só pq o lugar tem um nome "bunitinho"? Seria muito absurdo pensar que a pendenga é por causa da quantidade de minerais valiosos presentes naquela região?
gerson#74
Certamente conhece a http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow, que trata da hierarquia das necessidades humanas, é interessante para entendermos as ações humanas.

Há uma outra pirâmide de necessidades humanas, mas infelizmente não me lembro o nome agora, mas ela prevê a seguinte hierarquia da base para o cume:

-Sobrevivência;
-Respeito;
-Status;
-Valores.

Uma pena eu não lembrar o nome para poder postar um link com material mais abrangente sobre este assunto, pois seria bom para ilustrar meu argumento.
gerson#75
Certamente que há diferença entre as propriedades físicas e as ações humanas, só citei como exemplo pq o Caio afirmou que o que se aplica o micro tbm se aplica ao macro. Sugira que acompanhe a discussão como um todo, não apenas minhas postagens procurando furos...
mar_orkut#76
Hey, Gerson, AMEI suas perguntas, seu jeito de coloca-las, seu jeito de ponderar e aprendi com elas e com quem respondeu nesse mesmo estilo seu-me vem aa mente Caio agora, mas alguns outros tambem foram dez. Aprendi um bocado de coisa. Eu ja pensei como voce, es decir, com reservas sobre a 'paixao' e 'exagero' olavicos, mas ao longo desses anos em que o li, mesmo com essa reserva, foram TAAAANTOS acertos, que acaba que voce tem que dar a mao aa palmatoria. Ainda, as vezes, nao curto o jeito que ele deprecia certos opositores, mas em meio a TANTA coisa boa que aprendi dele, que soh li dele, que foi como divisor de aguas em minha vida, esse detalhe fica taaaao pequeno que voce releva. Fora o fato de que as vezes ele eh simplesmente BRILHANTE nessa coisa de contestar opositores... fina ironia, argumentacao dez, etc.
bernardo_3#77
Ora, ora. O raciocínio é absolutamente circular. Vamos refazer o roteiro.

O Gérson diz: os macro-eventos são determinados, pelo menos indiretamente, por interesses econômicos (ou Poder, de modo mais geral).

Eu digo: Napoleão via-se a si mesmo como alguém incumbido de espalhar o conhecimento e cultura ocidentais, além de buscar conhecimentos diversos. Isso se revela inclusive pela personalidade de Napoleão, que valorizava muito o conhecimento científico. Quais são os interesses econômicos envolvidos na campanha no Egito?

Gérson: Eles “obviamente” estavam em busca de PODER. Ou você acha que eles iriam entrar em uma guerra apenas por conhecimento?

Ou seja, eu peço para ele provar e ele reafirma a tese.

Agora, ele próprio diz que “conhecimento é poder”. Interesse econômico – entenda-se busca por bens materiais – é poder. Então eu pergunto: qual é a sua definição de poder? Porque, a menos que se diga claramente, você vai poder sempre dizer que o que se buscava é poder. E, portanto, você usaria o termo “poder” no sentido de “fim”. E, como toda ação é teleológica, você estaria sempre certo. Mas, por outro lado, você não poderia se referir aos conteúdos materiais desses fins a priori.
bernardo_3#78
O Gerson argumentou que a curva de Laffer mostrava que o estado mínimo leva a um crescimento econômico pífio e que isso confirmava o ensinamento de Buda de que o meio é o melhor.

Primeiro, a curva de Laffer não é sobre crescimento econômico. O que ela diz é que existe uma alíquota que maximiza a arrecadação e que essa alíquota não precisa ser 100%. Em outras palavras, é possível que, em uma determinada situação, uma diminuição da alíquota aumente a arrecadação. A curva de Laffer é apenas uma curva em U invertido (ver, por exemplo, O. Blanchard, Macroeconomia, p. 496). Só isso. Nada a ver com crescimento econômico.

Segundo, isso não tem nada a ver com Buda. Por exemplo, no budismo, é proibido iniciar uma agressão a outra pessoa. Então, nesse caso, a virtude não é estar no meio - i.e., agredir às vezes -, mas o radicalismo de não agredir (o outro extremo seria agredir sempre). O caminho do meio budista expressa a idéia de que extremos evitam a experiência transcendental. Assim, um par de extremos é a busca de prazeres mundanos e a disciplina ascética. Em outras palavras, o caminho do meio é um preceito para a vida INDIVIDUAL na busca do conhecimento transcendental (ver Heinrich Zimmer, Filosofias da Índia, p. 336 ss.). Então, em particular, a analogia não se aplica.

No entanto, já que foi citado Buda, tenho que perguntar: quais foram os motivos econômicos por trás do budismo? E do cristianismo? E do islamismo? E do protestantismo? Afinal, todas essas "doutrinas" são macro-eventos. E o Gérson disse explicitamente que os macro-eventos são determinados, pelo menos indiretamente, por "interesses econômicos".

A outra objeção do Gérson ao liberalismo é que levaria ao surgimento de "oligopólios". Primeiro, o que significa oligopólio? O que é monopólio? Essas perguntas podem parecer triviais, mas não o são. Oligopólio é referido a um pequeno número de empresas disputando no mercado (se fossem compradores, seria oligopsônio). Mas o que é um “número pequeno”? Por exemplo, 100 é pequeno?
bernardo_3#79
Para entender o que eu quero dizer, imaginem o seguinte: há o mercado de produtores de aviões e de supermercados. 100 empresas produzindo aviões é pouco? Provavelmente, a resposta será não. 100 supermercados no mundo é pouco? Muitos responderão que sim. Então, em um caso, 100 empresas formam um oligopólio e, noutro, não. Mas, então, o número de empresas não é o critério para saber o que é um oligopólio.

O ponto é que o que importa, no fundo, é a idéia de monopólio. A teoria neoclássica do mainstream considera que a característica fundamental não é saber qual é o número de empresas, mas o chamado “poder de mercado”. Mas o que é o poder de mercado? É a capacidade da empresa de determinar seus próprios preços. E por que ela consegue isso? Porque as curvas de demanda das empresas não são horizontais. O que isso interessa é que, comparando com o modelo de mercado perfeitamente competitivo, a quantidade vendida seria menor e o preço seria maior (no ponto de maximização de lucros) do que ocorreria no mercado perfeitamente competitivo. Mas esse é uma construção imaginária que, aliás, não é válida, pois vai contra a lei de demanda. A demanda de mercado tem inclinação negativa e é dada pela soma das demandas das empresas. Ora, mas se a inclinação das demandas das firmas é zero, então a soma delas também é zero. Logo, a demanda do mercado teria inclinação zero, o que é absurdo! Ou seja, a diferença entre mercado competitivo e monopólio, com esse critério, não é significativa.

Também o tamanho da empresa não é critério para decidir se há ou não poder excessivo, por assim dizer. Simplesmente não há como formular um critério significativo. Você não tem como dizer: “a empresa tem tal lucratividade, logo tem ‘poder excessivo’”. Só o mercado pode decidir qual é o tamanho eficiente de uma empresa.
bernardo_3#80
Não bastasse isso, as teorias de monopólio não consideram a dinâmica do mercado. Isso se dá porque começam comparando precisamente com um “mercado perfeitamente competitivo”, que é um mercado sem competição alguma! Nele, os preços são dados, a qualidade é a mesma e todas as empresas decidem o quanto vão vender apenas calculando a quantidade ideal, i.e., elas conseguem vender o quanto quiserem. Ora, competição é precisamente buscar oferecer preços mais baixos, qualidade melhor etc. Assim, a análise toda é estática. Por exemplo, suponha que haja uma – e apenas uma – grande empresa em um setor. Isso seria considerado monopólio. Mas a questão é: e daí? Se a lucratividade for alta, outras empresas entram.

Não é possível dar a desculpa de que isso não ocorreria, porque a empresa estabelecida teria condições muito favoráveis. Primeiro, do ponto de vista da teoria pura, esse argumento não diz nada. Segundo, do ponto de vista empírico, é simplesmente falso. Veja o caso da Nike. Aliás, a lista da Forbes dos bilionários diz que 452 pessoas, das 793 listadas, são pessoas que construíram suas fortunas do nada.

A única definição significativa de monopólio é a dada por Rothbard: monopólio é uma proibição da livre entrada em um ramo da atividade econômica. Curiosamente, historicamente esse era o sentido de monopólio. E, além disso, as reclamações de monopólio feitas pelas pessoas geralmente estão relacionadas a intervenções do governo. Muitas das grandes empresas, que os combatentes do “monopólio” atacam, tiveram privilégios governamentais.

Em suma, o problema de monopólio não existe no livre mercado e o problema do monopólio refere-se unicamente ao governo. Então, ao contrário do que disse o Gérson, é a defesa do liberalismo que é contra o monopólio, e não o ataque a ele (ver Rothbard, Man, Economy, and State with Power and Market, pp. 629-754 e o artigo de D.T. Armentano, http://www.mises.org/story/1800 ).
gerson#81
Meu conceito de PODER é dividido em duas partes:

1-Conceito intrícico: poder é a imposição de uma ordem sobre outras.

2-Conceito geral (analisando aqui o pq da busca pelo poder): sei que isto é polêmico, mas sou simpatisante da teoria do DARWINISMO SOCIAL, que entra em um campo mais lógico e pragmático que as definições sociais. Esta teoria explica o pq de todas as nossas ação sob a ótica da sociobiologia. A sociobiologia unida ao contexto histórico-cultural julga, que as ações humanas tem um fim intricicamente evolutivo. Sei que vc pode dizer que isso é coisa de ateu, e é mesmo, sou ateu assumido, e este conceito é para mim o mais válido dentre todos os outros.
bernardo_3#82
O que é um "fim intrinsecamente evolutivo" segundo a "sociobiologia"?
gerson#83
Agora vc misturou tudo o que eu disse sem o menor critério de linearidade. Fez com que parecesse que o que eu disse não faz sentido. Ora, infelizmente agora estou sem tempo pra responder, mas responderei assim que tiver uma folga.

Mas que fique registrado que não concordo com este tipo de patifaria erística, vamos procurar manter um nível descente de discussão.
bernardo_3#84
Ora, ora. Quem é que está partindo para a acusação pessoal aqui é você (essa é uma característica da erística: você está desviando a questão para o terreno da acusação pessoal para tentar ganhar o debate). Eu só fiz uma pergunta sobre um conceito.

Você disse que a sua análise fundamenta-se em uma "sociobiologia" – darwinismo social – e que, considerando os contextos histórico-culturais, julga que os fins das ações humanas são “intrinsecamente evolutivos”. Quem falsificou qualquer coisa? Eu só quero que você diga o que é um “fim intrinsecamente evolutivo” (aliás, escreve-se “intrinsecamente”, não “intricicamente”).
bernardo_3#85
Outra pergunta: você mentiu ou não em relação à curva de Laffer? Pois, das duas uma: i) você não sabia o que era a curva de Laffer ou ii) sabia.

Se (i), então você usou o termo apenas para sugerir um conhecimento superior num assunto que não tem entendimento. Se (ii), então você deliberadamente mentiu.

Para quem não lembra, ele disse que a curva de Laffer dizia que o estado mínimo implicava um baixo crescimento econômico. A curva de Laffer, no entanto, é apenas uma relação entre a alíquota dos impostos e a arrecadação total, que diz que a relação resulta num gráfico em forma de U invertido. Não tem nada a ver com crescimento econômico.
bernardo_3#86
Note que o termo que eu usei é "saber". Se ele leu e não entendeu, então ele não sabe do assunto. Isso, é claro, não implica necessariamente um erro moral. Por isso a minha ênfase no valor moral da segunda opção - saber e mentir.
gerson#87
Retomando o assunto, vi que postaram mais algumas coisas... como diria Jack, o Estripador, vamos por partes:

O Gerson argumentou que a curva de Laffer mostrava que o estado mínimo leva a um crescimento econômico pífio e que isso confirmava o ensinamento de Buda de que o meio é o melhor.

Gostaria de iniciar assumindo que de fato me equivoquei, onde falei em curva de Laffer, na verdade queria dizer curva de Armey, fiz uma confusão com os nomes. A curva de Armey trata da relação PIB/gastos públicos, sendo que, gastos públicos próximo de zero geram semelhante crescimento no PIB. Lamento ter trocado os nomes e feito o Bernardo perder boa parte de sua postagem tentando me desqualificar por conta disso.

Ademais, mesmo que a citação fosse de fato à curva de Laffer, ela não estaria de todo errada, diferente do que vc insistentemente alegou. Alíquota zero significa arrecadação zero e conseqüentemente uma virtual inexistência do Estado, isso significa investimento público zero, ou seja, não haveria uma estrutura que sustentasse o crescimento.

A citação à Buda foi só um floreio literário, e como tal deveria ser entendido, se não o entendeu desta forma foi por malícia ou distração. Mas novamente gostaria de retificar-me, falei que o caminho era o meio termo, na verdade o ponto de equilíbrio está um pouco à esquerda da curva de Armey, foi um floreio que eu devia ter evitado, afinal esqueci que estou debatendo com seguidores de OdeC.
gerson#88
Sua explanação sobre oligopólio é meramente teórico-idealista, e, no mínimo, ingênua. Oligopólios estão sempre associados à práticas de truste e cartel e desafio vc a provar o contrário. Eu posso corroborar com esta afirmação dizendo que já trabalhei em uma associação de empresas de mineração, que não passa de uma fachada para um oligopólio cartelista, onde havia combinação de preços, e quando preciso, um controle da oferta. Infelizmente isto não é um caso isolado, ocorre em todos os setores. Enquanto vc e o Olavão lêem seus livros eu convivo com o meio, e a realidade é bem diferente.

Quanto às religiões, não podem ser classificadas como ações humanas, mas sim como paradigmas culturais. Mesmo assim, elas estão sujeitas ao darwinismo social, caso contrário não haveria nenhum tipo de richa entre os religiosos.
gerson#89
Ele usou a Falsa reductio ad absurdum. E eu não mudei de assunto, estava sem tempo para responder no momento, mas agora que voltei retomei o tema.
gerson#90
Ora, ora. Quem é que está partindo para a acusação pessoal aqui é você (essa é uma característica da erística: você está desviando a questão para o terreno da acusação pessoal para tentar ganhar o debate). Eu só fiz uma pergunta sobre um conceito.

Minha colocação foi sobre sua postagem anterior.

Você disse que a sua análise fundamenta-se em uma "sociobiologia" – darwinismo social – e que, considerando os contextos histórico-culturais, julga que os fins das ações humanas são “intrinsecamente evolutivos”. Quem falsificou qualquer coisa?

Há alguma falsidade no argumento? Então demonstre onde... divagações vazias não refutam nada.

Eu só quero que você diga o que é um “fim intrinsecamente evolutivo” (aliás, escreve-se “intrinsecamente”, não “intricicamente”).

Wow! Acabou comigo agora... sinto-me arrasado...
gerson#91
Outra pergunta: você mentiu ou não em relação à curva de Laffer? Pois, das duas uma: i) você não sabia o que era a curva de Laffer ou ii) sabia.

Se (i), então você usou o termo apenas para sugerir um conhecimento superior num assunto que não tem entendimento. Se (ii), então você deliberadamente mentiu.


E ainda diz que estou errado quando reclamo de sua erística...

Para quem não lembra, ele disse que a curva de Laffer dizia que o estado mínimo implicava um baixo crescimento econômico. A curva de Laffer, no entanto, é apenas uma relação entre a alíquota dos impostos e a arrecadação total, que diz que a relação resulta num gráfico em forma de U invertido. Não tem nada a ver com crescimento econômico.

Sério? Uau... vivendo e aprendendo...

Fala sério! Não sou economista, e ao que tudo indica, nem vc, pq sua explanação dá a enteder que a curva de Laffer não tem relação alguma com a análise do desempenho econômico, servindo só pra desenhar um U invertido.
gerson#92
A vc eu peço desculpas pelo pelas minhas colocações irônicas que fiz agora, pois vihamos debatendo de maneira civilizada.

Vc ao menos se preocupava em elaborar argumentos, e não em vasculhar minhas postagens atrás de possíveis furos para usá-los contra mim.

Sinceramente, lamento.
bernardo_3#93
Gerson diz que confundiu a curva de Laffer com a curva de Armey. Bem, eu procurei em livros de macroeconomia e não encontrei nenhuma referência a tal curva de Armey. Procurei na wikipedia, e nada (tanto usando “armey´s curve”, quanto “armey curve”).

Essa curva, diz ele, mostra que existe uma relação positiva - pelo menos até certo ponto – entre gastos públicos e crescimento econômico. Ora, isso nada mais é do que dizer que, ceteris paribus, um aumento dos gastos desloca a curva de demanda agregada para cima e o produto seria maior. Mas aqui há um problema: como você financia o aumento dos gastos públicos? Os gastos podem aumentar de dois modos: i) aumento da tributação; ii) aumento do déficit público.

Se aumentar a tributação, isso desloca a curva de demanda agregada para baixo. Então, não há porque achar que aumenta o produto da economia. Além disso, gastos públicos não deslocam a curva de oferta agregada de longo prazo, i.e., não altera o produto natural da economia.

Se for com déficit público, isso implica um aumento da taxa de juros (M/P diminui, com a curva Md inalterada, i aumenta), o que reduz o investimento. Logo, quando o produto da economia volta ao “normal”, isso ocorre com uma substituição de investimento por gasto público. Só que os investimentos formam capital, o que altera o produto natural da economia. Por isso, os economistas dizem que política fiscal não é neutra: ela impede o crescimento do produto natural da economia. E isso é precisamente o contrário do que diz o Gerson.

Depois ele diz que a curva de Laffer relaciona-se, sim, com o crescimento econômico, porque, com tributação muito baixa, não haveria investimento público e, portanto (num silogismo magistral), “não haveria uma estrutura que sustentasse o crescimento”. Primeiro, de onde se tirou a idéia de que investimentos públicos são necessários ao crescimento da economia? Investimentos são necessários; não precisam ser públicos.
bernardo_3#94
O crescimento dos EUA no século XIX, por exemplo, se deu a partir de investimentos privados, não públicos. Isso é suficiente para mostrar que ele não ofereceu um argumento sequer para fazer a relação entre curva de Laffer e crescimento econômico.

Quanto à referência a Buda, eu tenho certeza que alguém cita uma autoridade espiritual, um líder religioso, apenas por floreio literário. Com isso, o Gerson não queria de modo algum insinuar que essa seria a posição do próprio Buda e, portanto, dos budistas consistentes. Da mesma forma que, quando alguém cita Jesus, não quer dizer que os cristãos devam agir conforme o que é citado, pois aquilo é apenas uma referência sem importância...

Em relação a trustes e cartéis, eu sequer falei sobre isso. De todo modo, de onde você extrai a conclusão de que eles são ruins necessariamente? Primeiro, mesmo supondo que sejam ruins, a teoria dos jogos mostra que eles são instáveis. As pessoas têm incentivos em não manter o cartel. O equilíbrio de Nash é quando as partes rompem o cartel (não cooperar é estratégia dominantes das partes). Então, mesmo se cartéis fossem ruins por si sós, isso não mostraria a necessidade da interferência estatal.

Ficou claro, no entanto, que o Gerson não conseguiu formular um argumento sequer contra o que eu disse. Apenas a qualificou de “teórico-idealista” e de “ingênua”. O interessante é ele me pedir para provar que oligopólios não têm relação com cartéis e trustes, quando eu disse expressamente que o conceito de oligopólio não é significativo!

Ele diz que as religiões não podem ser consideradas como ações, mas apenas como paradigmas culturais. Então, eu pergunto, como ocorreu o advento do cristianismo, senão pela AÇÃO dos discípulos de espalhar a mensagem de Cristo por diversas regiões? Ação de discípulo não é considerada ação? E não são precisamente essas ações as responsáveis pelo desenvolvimento do cristianismo?
bernardo_3#95
Então, não deveriam ser essas ações a causa da consideração de que a religião torna-se um paradigma cultural? Ou a religião surge do nada e torna-se denominador comum cultural, por assim dizer, de modo independente das ações humanas? Se são resultado das ações humanas, então elas deveriam ser explicadas através dos interesses econômicos. Então, repito a minha pergunta, qual é o interesse econômico que motivou o desenvolvimento do cristianismo a partir das ações concretas dos discípulos? O interesse deles não era a salvação da alma e, portanto, não estava totalmente dissociado dos “interesses materiais”?
bernardo_3#96
Em relação ao que se segue, é preciso fazer uma referência contextual. O Gerson havia dito que, de acordo com a sociobiologia, todas ações humanas têm um fim intrinsecamente evolutivo. Aí eu perguntei o que era um “fim intrinsecamente evolutivo”. Aí ele não respondeu e me acusou de usar de um expediente erístico, porque eu teria feito parecer que o que ele havia dito não tinha sentido. Aliás, é um raciocínio muito interessante esse: eu faço uma pergunta sobre um conceito – e só isso, nada mais – e ele diz que eu faço parecer que o que ele disse não faz sentido. É o mesmo que, discutindo sobre física, eu perguntar o que a pessoa entende por relatividade e a pessoa me acusar de querer falsificar a tese dela.

Aí, para mostrar que eu não havia tirado a coisa de contexto – afinal, como poderia fazê-lo com uma pergunta? – reproduzi a idéia dele em outras palavras para fazer entender que a definição do que é um fim intrinsecamente evolutivo era essencial para isso: “Você disse que a sua análise fundamenta-se em uma "sociobiologia" – darwinismo social – e que, considerando os contextos histórico-culturais, julga que os fins das ações humanas são “intrinsecamente evolutivos”. Quem falsificou qualquer coisa?”. Aí ele agora diz: “Há alguma falsidade no argumento? Então demonstre onde... divagações vazias não refutam nada.” Ora, não há aí argumento nenhum, pelo simples fato de que ele apenas afirmou uma tese, ao passo que argumentar é tentar provar uma tese! Não bastasse isso, ele pede que eu o refute. Então, eu pergunto, como é possível eu refutar algo, se a refutação dependeria do significado de “fim intrinsecamente evolutivo”? Ora, o que eu fiz foi perguntar o que era esse fim, para, a partir daí, poder julgar se a tese dele é válida ou não. E esperar uma refutação onde eu apenas reproduzo o pensamento dele é de uma imbecilidade ímpar!
bernardo_3#97
Z = C + I + G; C = c0 + c(Y-T); T = xY, 0<=x<=1; Y = Y(x); G = G(x); I=I(x); dG/dx>0; dI/dx<0.

Equilíbrio: Z = Y. dY/dx = ?

Z=Y -> Y = c0 + cY - cT + I + G.

Y = [1/(1-c)]*(c0 - cT + G + I)

dY/dx = [-c/(1-c)]*[Y + x*dY/dx] + [1/(1-c)]*[dG/dx + dI]

dY/dx = [1/1-c(1-x)]*[dG/dx + dI/dx - cY].

dY/dx>0 --> dG/dx > cY - dI/dx > cY (pois dI/dx<0).

Logo, não há motivo algum para acreditar que o aumento da alíquota dos impostos aumentam em qualquer ponto o produto. Aliás, o mais razoável é considerar que um aumento dos gastos públicos ocorre com uma redução próxima da diminuição dos investimentos, de modo que dG/dx é aproximadamente -dI/dx. Mas, mesmo que dG/dx fosse maior que -dI/dx, ainda assim teria que superar cY, 0
bernardo_3#98
Vou analisar o texto. Primeiro, ele diz que num estado de anarquia haveria um produto per capita pequeno e quando o governo é grande ele cai. Vejamos o argumento: “In a world without government, there is no rule of law, and no protection of property rights. Bullies and strong people can steal the assets of weaker persons with impunity. There is little incentive to save and invest because the threat of expropriation is real and constant. Moreover, without some collective action, there is no protection from bigger bullies, namely foreign nations, or pirates on the high seas. Collective action also facilitates the creation of roads that improve transportation and lower trading costs. Government can also create a reliable medium of exchange, further developing the gains from trade. Thus, the establishment and early growth of government is associated with rising levels of income and positive rates of economic growth”.

Há dois pontos: i) o governo estabelece direitos de propriedade, o que aumenta a segurança, proporcionando incentivos à poupança e investimento; ii) o governo ajuda em criação de estradas, o que facilita o comércio.

O primeiro ponto é suposto como evidente, mas ele é falso. Há vasta literatura sobre regimes anárquicos em que não houve problemas com defesa de direitos de propriedade. Por exemplo, na Islândia, entre 930 e 1262, não havia governo e as taxas de criminalidade eram baixas. O erro do argumento é confundir ordem legal com ordem legal governamental. O que teria que ser provado é que é impossível haver um sistema privado de fornecimento de serviços de proteção privados, sem auxílio do governo. E isso ele não faz, nem conseguirá fazer. Porque a análise econômica mostra que um regime de competição é mais eficiente do que um em que é proibida a livre entrada de concorrentes. Então, o argumento institucional não funciona. Pior do que isso: a instituição que mais viola direitos de propriedade é o próprio governo (aliás, o viola sempre, já que cobra impostos)!
bernardo_3#99
O segundo argumento também não é válido. Nada impede que os próprios agentes privados criem estradas. Aliás, nos EUA isso acontecia sempre. As ruas de Nova Iorque no começo do século XIX eram privadas. As estradas de ferro (que, no contexto do escoamento da produção, são mais importantes que estradas normais) historicamente foram fornecidas por empresas privadas. Então, o segundo argumento também não é válido.

O que é dito depois é que, com o aumento dos gastos do governo, a lei dos retornos decrescentes entram em ação e os gastos são menos eficientes. E, por outro lado, esse aumento dos gastos implicam um aumento dos impostos – desestimulando a produção – e, transferência de renda, acabam por diminuir os incentivos ao trabalho. Os resultados passariam a ser adversos. De fato, a questão dos incentivos é válida, mas é válida para qualquer carga tributária. Então, é verdade que o aumento dos tributos acabam desestimulando a produção, mas isso não mostra que haveria estímulo no começo.

A aplicação da lei dos retornos decrescentes é pura e simplesmente errada. A lei diz que, com o aumento do uso de um fator de produção, a partir de um determinado ponto, a produtividade física diminui. Ora, o que impede o governo de investir em outros fatores e em outras áreas? A lei só se aplicaria se usassem apenas um fator de produção específico. O argumento, portanto, é inválido. Isso quer dizer que os gastos do governo podem aumentar e contribuir para o crescimento de modo indefinido? Sim, CONSIDERANDO todas as outras variáveis inalteradas.

No entanto, a questão relevante é: os gastos do governo são mais eficientes do que os gastos privados? E a resposta é: não! Primeiro, existe um problema de incentivos. O governo não tem qualquer compromisso com eficiência, pois ele não quebra, i.e., pode recorrer a aumento nos impostos. Segundo, cria-se uma estrutura ineficiente, pois, além dos gastos normais para execução de obras etc., há ainda gastos com burocracia, o que significa que os custos são maiores do que os da iniciativa
bernardo_3#100
... os da iniciativa privada. Terceiro, geralmente os políticos estão interessados em promoções pessoais etc., o que faz com que invistam em áreas desnecessárias (por exemplo, a construção de chafarizes, para fazer várias inaugurações etc.).

Então, quando se considera a alternativa entre gastos privados e públicos, fica claro que os gastos do governo não contribuem: pelo contrário, atrasam o desenvolvimento. O problema do argumento usado no texto é não verificar que existe um trade-off entre gasto público e privado, como se o gasto público fosse autônomo (na verdade, ele pode até ser, mas sendo realizado às custas de déficits e/ou expansão monetária, cujos efeitos são ainda piores).

Como eu havia dito, os gastos do governo aumentam o produto quando as outras variáveis permanecem inalteradas. Isso é o mesmo que deslocar a curva de demanda agregada para cima.

Agora, ele também não mostra como relacionar a curva de Armey com a curva de Laffer. No entanto, sei como fazer isso, usando uma hipótese: o gasto do governo é uma função linear da tributação (isso não é necessário, devido à possibilidade do recurso à formação de dívida). Assim, G = G(T) e T = T(x). Logo, G = G(T(x)). Logo, dG/dx = dG/dT*dT/dx. Como G é linear com T, então dG/dT = k > 0. Logo, dG/dx = k*dT/dx. E, por outro lado, coloca-se Y=Y(G). E aqui se tem a ligação com a curva de Laffer. No entanto, a própria curva de Laffer apresenta um problema.

A idéia de que seja um U invertido não é correta – ou melhor, não se pode provar ser correta. O argumento de Laffer era o seguinte: se a alíquota é zero, não há arrecadação; se a alíquota for 100%, então a arrecadação não vai ser muito grande, porque as pessoas não teriam incentivos a produzir. Assim, supondo que a função seja contínua, é fácil provar de existe um ponto entre 0 e 1 no qual a tributação é máxima. Mas isso não significa que a curva seja em forma de U invertido.

‹ Voltar para a lista de tópicos