A tal curva de Armey é ainda mais problemática, porque não considera os efeitos da tributação sobre o consumo e investimento privado. Logo, ela é simplesmente inválida. De fato, usando a teoria keynesiana (estou sendo generoso...), o que se teria é a equação seguinte (considerando que os investimentos e o consumo dependem da alíquota de impostos). O correto seria fazer:
dY/dx = dY/dG*dG/dx = k*dT/dx*dY/dG.
Logo, dY/dG = (k*dT/dx)^(-1)*dY/dx.
Agora, na parte em que a curva de Laffer atua positivamente, por assim dizer, dT/dx > 0. Como eu mostrei antes, é bastante improvável que dY/dx seja positiva. Logo, é negativa ou zero. Se for negativa, então dY/dG < 0, e o resultado é precisamente o oposto ao esperado pela curva de Armey.
O erro da curva de Armey provavelmente deve ser não considerar o fator dY/dx (é aquele que eu coloquei em outra mensagem). Nesse caso, a curva teria forma análoga à da curva de Laffer. De todo modo, a curva depende dos investimentos privados e consumo privado. Logo, ela não é um aparato analítico significativo e extrair conclusões universalmente válidas dela é simplesmente falso.
Nota: percebam que a minha análise se deu em caráter geral, ao passo que no texto usa-se técnicas estatísticas. A diferença é que a estatística não revela causalidade em ciências humanas. Por exemplo, se for verificado crescimento ou decrescimento do PIB com o aumento ou diminuição dos gastos do governo, isso pode ter ocorrido por causa dos gastos, ou por outros fatores que não são analisados ali. Como, por exemplo, fatores externos – digamos, o efeito do crescimento da China sobre as economias emergentes.
Fico surpreso ao ver o quanto este tópico anda na minha ausência. Gostaria de salientar que tenho trabalho, família e estudos para dar contar, ou seja,meu tempo é bastante curto, por isso Bernardo, gostaria que entendesse que só posso responder aos seus posts de forma objetiva.
Bom, vc não conhecia a curva de Armey, e por não encontrá-la na wikipedia acusou-me veladamente de estar usando uma proposição falsa. Bom, agora vc conhece a dita curva, espero que reconheça que ao contrário do que OdeC muitas vezes prega, pessoas de pensamento divergente do seu podem ter razão, e com elas podemos aprender. Por isso, solicito de deixe de lado esta postura arrogante de "dono-da-verdade" e passe a debater de forma séria, como no dialética clássica como bem lembrou o Caio: tese x antítese para se chegar, quem sabe, a uma síntese...
Como vc pôde notar, as duas curvas (Laffer e Armey) são relacionadas, por isso sugeri que a curva de Laffer tbm está relacionada ao desenvolvimento econômico.
Pelo que pude acompanhar de sua longa explanação, vc acredita que gastos públicos não tem nenhuma influência sobre o crescimento econômico. Ora, uma das atitudes do presidente Bush (novo herói de OdeC) para impulsionar a economia foi o aumento dos gastos públicos, e de fato teve êxito. Contudo, algum tempo depois para incetivar ainda mais a economia ele cortou impostos, e a economia tbm aqueceu, contudo o déficit público saltou dos gráficos, agora levará alguns anos para reequilibrar as contas.
O sistema que vc defende pode até ter funcionado outrora, hoje em dia são poucos os economistas que o defendem.
Eu não disse que os gastos públicos não têm qualquer importância no crescimento econômico. Eu disse que, ceteris paribus, um aumento dos gastos públicos aumenta o PIB. Só que o problema é: i) o financiamento desse gasto e ii) o custo de oportunidade desses gastos.
O ponto i) implica que haverá aumento dos impostos - que vai contra o crescimento - ou aumento da dívida pública, que resulta em um aumento futuro dos impostos ou aumento da base monetária - inflação e ciclos econômicos. O ponto ii) diz precisamente que o gasto privado é mais eficiente no atendimento da vontade dos consumidores e, além disso, envolve um custo menor (burocracia, políticos etc.).
Eu também mostrei que o argumento institucional também não funciona. Na verdade, toda intervenção governamental é ruim. Primeiro, ele é financiado via impostos, o que significa que ele distorce o sistema de preços (Rothbard provou que não existe um sistema de impostos neutro). Segundo, como os impostos são transferências involuntárias, eles diminuem o bem-estar, pois os gastos não vão para os fins mais urgentes dos indivíduos. Terceiro, elas criam um problema de incentivos: os pagadores líquidos de impostos são prejudicados em favor dos consumidores líquidos de impostos. E, por último - e mais importante -, toda ação estatal fundamenta-se na violência. Como eu considero que o ponto fundamental da ética a não-iniciação de agressão, então não posso considerar qualquer ação estatal como positiva.
Por dever de ofício, da parte em que eu possivelmente o tenha ofendido peço desculpas sinceras.
Mas eu ainda gostaria de receber a definição do que é um "fim intrinsecamente evolutivo". Tanto porque você colocou esse conceito, como porque disse que estaria alicerçado em uma sociobiologia. Eu, particularmente, tenho interesse em estudar Spencer (como você deve saber, Spencer chegou à teoria da evolução quase uma década antes de Darwin). Spencer aplicou suas idéias à sociologia, psicologia etc. E, o mais interessante, ainda chegou à conclusão de que os homens têm deveres morais positivos com os semelhantes (o que mostra que o evolucionismo não implica em deixar que os mais fracos morram) e que o indivíduo tem o direito de não ficar sob o domínio estatal.
Eu também tenho outras dúvidas em relação ao seu conceito de poder. Mas prefiro esperar você dar os outros esclarecimentos antes. Não tenha pressa.
Quanto ao "fim
intricicamente evolutivo" está, para mim, relacionado diretamente às formas de hierarquisação e imposição de conceitos. Sua faceta mais conhecida é a competitividade e a vontade de vencer, parafrasenado Herbert Spencer que vc acabou de citar, isto trata da "sobreviência do mais apto" (apesar deste jargão ser atribuído a Darwin, quem o cunhou foi Spencer), isto é algo que temos em nossa essência animal.
Gostaria de deixar claro que, quando falo de darwinismo social não estou me referindo ao conceito utilizado pelos nazistas, estou sim falando desta questão de competitividade e evolução.
Mais informações neste link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_evolutiva
Este tópico voltou...
E é uma forte indicação de que eu fui talvez o primeiro a receber o Gerson aqui...
Acho que alguém está upando os tópicos, por sacanagem.
A paranóica devo ser eu, não o Olavo!